quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Mais uma possível queda na SELIC, sai hoje.


BC deve cortar juro para 11% ao ano e quase 'devolver' toda alta de 2011

Previsão é de analistas de instituições financeiras. Juro iniciou ano em 10,75%, subiu para 12,5% e vem caindo desde agosto.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (30), no último encontro de 2011, e deve baixar a taxa básica de juros da economia brasileira de 11,50% para 11% ao ano, segundo a previsão de analistas das instituições financeiras.

Se confirmada, será a terceira redução consecutiva na taxa de juros. Após elevar a taxa básica em cinco reuniões no começo de 2011, para tentar conter o crescimento da inflação, o Banco Central realizou dois cortes nos últimos meses, em agosto e outubro, por conta dos efeitos da crise financeira internacional sobre os preços. O BC argumenta que a crise tem "efeito desinflacionário".

Caso baixe os juros para 11% ao ano nesta quarta, a autoridade monetária quase devolverá todo aumento de juros efetuado nos sete primeiros meses do ano. No começo de 2011, a taxa básica estava em 10,75% ao ano. A elevação foi de 1,75 ponto percentual até julho, quando os juros atingiram 12,5% ao ano.

De agosto em diante, incluindo a expectativa para a reunião desta quarta-feira, o BC deverá baixar a taxa em 1,5 ponto percentual - fixando a taxa em 11% ao ano, valor próximo dos 10,75% ao ano que vigoravam no começo de 2011.

Metas de inflação

Pelo sistema de metas de inflação, que vigora no Brasil, o BC tem de calibrar os juros para atingir as metas pré-estabelecidas. Neste momento, a autoridade monetária já está nivelando a taxa de juros para atingir a meta do próximo ano.

Para 2011 e 2012, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Deste modo, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida. O BC busca trazer a inflação para o centro da meta de 4,5% em 2012.

Sinais do BC

Segundo o economista-chefe da Votorantim Corretora, Roberto Padovani, há um consenso no mercado de que a taxa deve recuar 0,5 ponto percentual nesta quarta-feira, para 11% ao ano.

"O Tombini [presidente do Banco Central] tem reiteradamente mencionado um 'ajuste moderado'. Em tese, isso pode ser lido como a manutenção do ritmo de corte. Essa desaceleração em curso da economia brasileira e mundial faz parte em grande medida do cenário que o BC tem traçado. Como o Tombini falou, é necessário um fato novo, como uma ruptura na Europa, com 'default' de divida sobena, para acelerar o ritmo de cortes. Esse evento ainda não ocorreu", afirmou ele.

Na avaliação de Padovani, a definição dos juros reage a eventos macroeconômicos, como a atual crise financeira internacional.

"Diante do cenário de indefinição e baixa confiança, o BC optou por iniciar o processo de afrouxamento [da politica monetária, com redução de juros]. O que se pode dizer que houve de novo é uma ruptura da comunicação do BC [no Copom de agosto, quando começou a baixar os juros], que costuma sinalizar com antecedência [suas decisões]. Mas também não é uma mudança de postura, pois eventuais surpresas fazem parte da boa prática de política monetária [processo de definição dos juros]", disse Padovani.

Novos cortes em 2012

A expectativa do economista da Votorantim Corretora, e de analistas de outros bancos, é de que o processo de redução dos juros continuará no próximo ano. Entretanto, ainda há divergências sobre a intensidade dos cortes de juros em 2012. Padovani aposta em um corte para 10,5% ao ano no fim de 2012, enquanto a maior parte dos economistas dos bancos estima uma redução maior: para 10% ao ano. Há outros, também, que já apostam em juros abaixo de 10% ao ano no primeiro semestre de 2012.

Extraído de http://g1.globo.com/economia em 30/11/11

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Economistas defendem desvalorização do real para aumentar competitividade

 
Encontro, que reúne petistas, aborda crise do capitalismo e desenvolvimento

Só tem um jeito de tirar a economia brasileira do corner imposto pelo trinômio câmbio sobrevalorizado, inflação além do teto da meta e juros altos. O governo precisa ter coragem e intervir, desvalorizando o real para garantir competitividade internacional aos industrializados brasileiros. A proposta é do ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser Pereira, que, ao lado da economista Maria da Conceição Tavares e do ex-presidente do BNDES Carlos Lessa, participou ontem do seminário "A crise do capitalismo e o desenvolvimento no Brasil".

O encontro foi a versão petista da reunião realizada pelos tucanos no início do mês para discutir crise global e reuniu líderes de PT, PCdoB, PDT e PSB.

Bresser defendeu um câmbio "flutuante administrado" entre R$2,30 e R$2,40, bem acima do atual R$1,90. Só assim, disse, seria possível elevar a taxa de investimento anual no país para 25% do Produto Interno Bruto (PIB). Hoje, a taxa é de 17%.

- Vivemos o momento ideal para mexer no câmbio - disse, admitindo, porém, que isso pressionaria a inflação para cima e os salários para baixo. - Mas é uma situação rapidamente recuperável, já que a economia vai crescer impulsionada pela maior taxa de crescimento.

Para garantir o sucesso da proposta, Bresser concorda com Lessa que é preciso taxar os importados.

- Com a taxação, teríamos um preço interno e outro externo. Caso contrário, vamos deixar a indústria nacional desprotegida - defende Lessa.

Ainda que apoie a mudança no câmbio, Conceição Tavares acha que não é suficiente.

- Mas não pode ser feito à galega, senão acaba com os salários - disse, defendendo medidas protecionistas contra a invasão de produtos chineses.

- Pode-se fazer por tarifas, subsídios. - afirmou. - É que eles (os chineses) mentem, dizem que vão fazer e não fazem.

Já o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, disse que o papel do Estado não deve se resumir ao controle das taxas de câmbio e de juros: é preciso regulação em várias áreas.

- Questões como a proteção do consumidor, o aumento dos oligopólios, o papel do Estado na oferta de serviços universais, além de questões como regulação das tarifas bancárias e do preço da energia. Qualquer projeto do governo deve ir além e pensar nas outras esferas.

Barbosa também afirmou que o Brasil tem muitos desafios, como a questão tributária e como atender a uma nova classe média, que demanda serviços. Segundo ele, a situação internacional é difícil, mas o Brasil tem boas condições, já que tem recursos para desenvolver seus investimentos e há expectativas de crescimento da classe C.

Dilma: país tem recursos se "crédito secar lá fora"

A presidente Dilma Rousseff também garantiu ontem que o Brasil tem recursos suficientes para financiar a iniciativa privada "quando o crédito secar lá fora". Ela fez o comentário na solenidade de assinatura da primeira concessão de um aeroporto à iniciativa privada. Serão exigidos R$650 milhões, dos quais 20% sairão do Consórcio Inframérica e os outros 80%, do BNDES.

- A gente vê as notícias que acontecem no resto do mundo. Enquanto geramos empregos e estamos lutando para garanti-los, o que acontece em países que antes eram objeto de desejo do Brasil? O aumento desenfreado do desemprego, e, o que é mais grave, entre os mais jovens - disse. - Estamos em um outro momento. Este país, diante de toda essa crise, tem condições de continuar crescendo.

Autor(es): agência o globo:Liana Melo, Bruno Rosa e Letícia Lins
O Globo - 29/11/2011 http://www.oglobo.com.br/

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Os Juros poderão ser menores no Brasil


Crise se agrava e mercado vê corte maior de juros no Brasil

Crise na Europa leva investidor a apostar em corte maior da taxa de juros no Brasil




Apesar das reiteradas vezes em que o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, falou em ajustes moderados da taxa básica de juros (Selic), o mercado enxerga na piora da economia global motivos para um corte mais agressivo.

Na semana que vem, o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne para decidir a taxa. Até o início desta semana, a maioria dos analistas financeiros e dos investidores apostava em corte de 0,5 ponto porcentual da Selic, para 11%. Ontem, porém, os investidores do mercado futuro de juros já haviam mudado, em sua maioria, a aposta. A corrente dos que apostam na BM&FBovespa numa redução mais agressiva da taxa Selic, para 10,75% ao ano, já supera 60%.

A principal explicação são as notícias da crise europeia. Ontem, a chanceler alemã, Angela Merkel, voltou a se posicionar contra a emissão de bônus conjuntos pelos países da União Europeia (ou seja, com aval dos países mais ricos, como a Alemanha) e também contra a maior intervenção do Banco Central Europeu (BCE) no mercado.

"Angela Merkel continua refutando as hipóteses mais aceitas para resolver os problemas na zona do euro. Como o BC tem tomado suas decisões com base no quadro internacional, essa piora leva os investidores a trabalhar com a possibilidade de uma decisão mais agressiva", disse o economista do banco Besi Brasil, Flávio Serrano.

As notícias da Europa tiveram mais importância para os investidores do que o noticiário brasileiro: a queda do desemprego, de 6% para 5,8% em outubro, o que poderia pressionar a inflação, e a alta do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fipe, de 0,6% na terceira prévia de novembro.

Ontem, ao participar do jantar anual de confraternização da Febraban, Tombini afirmou que, apesar da deterioração da economia global em 2011, o Brasil e seu sistema financeiro estão bem preparados para enfrentar a conjuntura econômica.

Investidores x economistas. A aposta dos investidores em um corte mais agressivo dos juros representa uma mudança recente de atitude - que pode voltar a mudar de uma hora para a outra. Os economistas de bancos, corretoras e consultorias, que não mudam suas posições dia a dia, estão mais cautelosos.

De 71 instituições consultadas numa pesquisa do serviço AE Projeções, da Agência Estado, 70 esperam redução de 0,5 ponto porcentual na próxima reunião do Copom. Para 2012, a maioria dos analistas consultados dá como certa a continuidade da política de corte de juros. De 58 instituições que fizeram estimativas, 20 dizem que a taxa encerrará o ano em 10%. Outras 19 esperam que a taxa feche 2012 em 9,5%.

Autor(es): MÁRCIO RODRIGUES

O Estado de S. Paulo - 25/11/2011 http://www.estadao.com.br/

terça-feira, 22 de novembro de 2011

DILMA AUTORIZA SALÁRIO DE R$ 622,73


SALÁRIO MÍNIMO FICARÁ ACIMA DE R$ 622,73


Presidente ainda pode arredondar o mínimo para R$ 625 em janeiro. Novo valor já era previsto no orçamento de 2012 e no PPA

O Ministério do Planejamento formalizou ontem a elevação do salário mínimo de R$ 619,21 para R$ 622,73, valor que será pago a partir de janeiro de 2012. O reajuste corresponde a 14,26% de aumento em relação ao valor atual, de R$ 545. Com a atualização do montante ainda no mês de novembro, governistas já apostam em arredondamento que deve elevar o salário mínimo do próximo ano para R$ 625. Apesar de o governo ter trabalhado com o patamar inferior a R$ 620 na primeira estimativa do projeto da Lei Orçamentária Anual em agosto, o relatório preliminar do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) já estipulava R$ 622,20 para o piso de rendimentos em 2012.

Em seu parecer, Chinaglia argumentou que usaria a taxa de 6,2% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de modo a corrigir o valor. A taxa aplicada pelo governo para chegar ao patamar de R$ 622,73 foi de 6,3% do INPC. Os R$ 619,21 enviados ao Congresso pelo Ministério do Planejamento em agosto foram calculados utilizando INPC de 5,7%.

Com a modificação no valor do mínimo, o relatório do orçamento será alterado a fim de ajustar despesas com benefícios calculados pelo piso. O parecer do Plano Plurianual (PPA) de 2012/2015 também terá mudanças. O relator do PPA, senador Walter Pinheiro (PT-BA), usou o salário mínimo de R$ 619,21 para elaborar seu parecer e agora atualizará as despesas aplicando o piso de R$ 622,73. Mas, de acordo com o parlamentar, até o dia 21 de dezembro o salário mínimo pode aumentar ainda mais.

Impacto

"Pode ser que o valor caminhe para R$ 625. Vamos ter que continuar olhando até dezembro os resultados dos indicadores que fazem parte do cálculo. Porque se a gente ajusta para R$ 625 e logo vem uma mudança arredondando para R$ 626, aí o mínimo já chega a R$ 630. Atualmente a tendência natural é ele ser fixado na faixa de R$ 625", avalia Pinheiro.

O relator do PPA afirma que o aumento do mínimo não prejudica o governo, levando em conta as despesas previstas a longo prazo e no orçamento de 2012. "Esse impacto era mais ou menos o que a gente tinha apontado. O relatório de Arlindo Chinaglia e a reestimativa de receita do senador Acir Gurgacz (PDT-RO) caminhavam para isso. Quando fizemos as alterações, havia a perspectiva de ter um resultado melhor do PIB e isso influenciaria no cálculo, é um impacto absorvível pelo PPA e pelo orçamento", pontua o relator do PPA.

O arredondamento do mínimo, no entanto, ficará a cargo da presidente Dilma Rousseff. Aliados afirmaram ao Correio que, além de a regra do reajuste dar ao Executivo a última palavra sobre o valor do salário, o aumento do piso no primeiro orçamento do governo Dilma tem valor simbólico. "Isso é para a presidente, em janeiro. Não vamos mexer e tirar da nossa chefe aquilo que ela deve fazer (arredondar o salário mínimo). A ideia é não mexer, a não ser que o Arlindo esteja com o coração muito bom e decida fazer alguma mudança", resumiu o vice-líder do governo no Congresso, Gilmar Machado (PT-MG).

Autor(es): » Josie Jeronimo
Correio Braziliense - 22/11/2011

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

CLASSE C MAIS EXIGENTE



O NATAL REFINADO DA CLASSE C

 Motor da economia brasileira, o consumidor emergente já não quer apenas uma tevê maior ou um celular mais caro. A nova classe média sofistica o gosto e vai às compras neste fim de ano em busca de tecnologia de última geração, como declara dona de casa Maria do Carmo: "Não compro qualquer coisa"

Esperança de boas vendas no Natal, consumidores emergentes passaram a se preocupar com a qualidade do que compram

Tevês de LCD, tablets, blu-ray e celulares de última geração povoam os sonhos de consumo de 96 milhões de brasileiros da classe C, que se tornaram a principal aposta de crescimento das vendas do varejo neste Natal. Além de consolidar uma tendência iniciada na década passada, puxada pelo avanço da renda e da formalização do emprego, as intenções de compra desses consumidores trazem desafios novos às lojas. Preços em conta e facilidades na hora do pagamento continuam pesando nas escolhas da nova classe média. Mas esse contingente, que se transformou no verdadeiro motor da economia brasileira, está cada vez mais exigente e passou a cobrar qualidade, variedade de opções e inovação.

O economista Alcides Leite, da Trevisan Escola de Negócios, avalia que o expressivo clube do consumo emergente, equivalente à metade da população, refinou o gosto, concentrando os desejos em produtos eletroeletrônicos antes inacessíveis. Segundo ele, até o ano passado, o grande fenômeno do comércio foi a migração de 31 milhões da classe D para a C, com renda familiar entre R$ 1 mil e R$ 4 mil. A nova onda é ter um segundo celular de última geração ou trocar o aparelho televisor por um mais moderno. "Após conquistar a cultura de consumo, o grupo que vem embalando a economia do país no ritmo do seu poder aquisitivo e do aumento do próprio tamanho empreende uma virada em favor da qualidade e não apenas da quantidade", ilustra.

A família da dona de casa Maria do Carmo, moradora de Samambaia, é um exemplo dessa nova atitude. Os dois filhos dela estão antenados nas novidades da indústria da telecomunicação e querem trocar de celular todos os anos. Maria prefere pagar mais caro a levar para casa algo de baixa qualidade e depois se arrepender. "Eu não compro qualquer coisa. Primeiro, pesquiso se o produto é bom. Minha próxima tevê virá depois de procurar muito", afirma ela, enquanto analisa vários aparelhos numa loja de eletrodomésticos do Plano Piloto.

O estudante Murilo Furtado, 24 anos, resolveu equipar seu quarto com uma tevê de LCD. "Minha televisão ainda funciona, mas está ultrapassada. Quero substituí-la por uma que ofereça melhor qualidade de imagem", justifica. Em sua casa, não faltam eletrônicos: celulares, videogame e iPod. "Agora, penso em comprar um iPhone", declara. Ele admite que os produtos da Apple, novos ícones do consumo mundial, estão entre suas prioridades. "Gosto de tecnologia e da facilidade que ela traz ao meu dia a dia." O economista Ricardo Rocha, da Fundação Vanzolini, tenta explicar o que vem ocorrendo: "Se alguns só querem ir além do celular, muitos desejam também agregar algo mais ao produto que já incorporaram ao cotidiano".

Impulsos

Eliana Bussinger, especialista em educação financeira e autora do livro A Dieta do Bolso, vê com preocupação o ímpeto consumidor das classes emergentes. "Milhões tiveram acesso a bens e passaram a buscá-los. Mas eles ainda são as vítimas preferenciais dos malefícios do crédito farto associado a juros elevadíssimos", afirma. Segundo ela, apesar do risco de recessão em 2012, esse grupo não parece se preocupar com as perspectivas negativas da economia e continua aplicando recursos em "gastos excessivos ou simplesmente desnecessários".

Além do apelo de produtos que até há pouco eram acessíveis apenas aos mais ricos, Eliana salienta que nem as classes mais baixas conseguem escapar das tentações dos modismos. "A grande procura por celulares no fim de ano e a ansiedade dos adolescentes pelo tênis novo do colega são um retrato disso", diz. A pesquisadora percebe uma escalada do consumo baseado apenas em impulsos. Após duas décadas de restrições, os trabalhadores de renda menor agora nadam nas facilidades de crédito, apesar dos juros altos. A possibilidade de faltar dinheiro para honrar os compromissos não os assusta.

Outro bom exemplo do mergulho da classe C nos eletrônicos top de linha é a advogada Néia Xavier, 26 anos. Neste fim de ano, após comprar uma tevê com tecnologia 3D e um videogame Xbox, colocou um blu-ray na mira. "Minha filha, de 10 anos, quer todas as novidades. Ela tem um smartphone de última geração, mas já quer trocá-lo pela versão nova. Agora, não pede boneca, mas um tablet", conta. Néia opta por aparelhos de marca conhecida. "Valorizo qualidade e, por isso, só confio em referências testadas por amigos."

Autor(es): SÍLVIO RIBAS
Correio Braziliense - 21/11/2011

quinta-feira, 17 de novembro de 2011


Inflação pode ter alívio de até 0,3 ponto com reponderação do IPCA 

A inflação de 2012 poderá ter um alívio de 0,15 a 0,3 ponto percentual apenas por conta da nova ponderação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a ser feita com base na Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) de 2008/2009. Não é muito, mas é um refresco que pode ajudar o IPCA a ficar mais perto - ou menos distante - do centro da meta do ano que vem, que é de 4,5%. Os analistas ouvidos semanalmente pelo BC projetam inflação 5,56% em 2012. O IBGE anuncia a nova ponderação na última semana deste mês.

.A Tendências Consultoria acabou de revisar sua estimativa para o IPCA em 2012 de 6% para 5,6% em parte devido ao impacto previsto com essa mudança. O economista Thiago Curado calcula que a nova ponderação pode aliviar o indicador entre 0,2 e 0,3 ponto percentual, especialmente por causa da expectativa de que alguns itens do grupo comunicação ganhem mais peso no IPCA. É o caso de telefonia celular, acesso à internet e TV a cabo. Segundo Curado, eles ganharam mais participação na cesta de consumo dos brasileiros e andam sistematicamente abaixo da inflação "cheia". Curado afirma ainda que o peso do aluguel - que em geral sobe mais do que o IPCA "cheio" - pode diminuir.

O economista Francisco Pessoa, da LCA Consultores, acredita que poderá haver redução de até 0,2 ponto, levando em conta o impacto que se deu em 2006, quando o IPCA foi reponderado com base na POF de 2002/2003. Naquela ocasião, perderam importância os grupos alimentos e bebidas, habitação e transportes. Comunicação e educação ganharam. Ele usou três métodos para estimar o efeito da mudança da ponderação de 2006 sobre o IPCA, que mostraram alívio entre 0,14 e 0,2 ponto. Segundo ele, é possível que a projeção da LCA para o IPCA de 2012, de 5,2%, seja levemente rebaixada, por conta da mudança a ser anunciada no fim do mês.

Autor(es): Por Sergio Lamucci | De São Paulo
Valor Econômico - 17/11/2011 www.valoronline.com

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

IBGE: renda dos ricos supera a dos pobres em 39 vezes

Embora pesquisas apontem quedas sucessivas na desigualdade de renda no Brasil, dados do Censo 2010 divulgados hoje mostram que os 10% mais ricos no País têm renda média mensal 39 vezes maior que a dos 10% mais pobres. Ou seja, um brasileiro que está na faixa mais pobre da população teria que reunir tudo o que ganha (R$ 137,06) durante três anos e três meses para chegar à renda média mensal de um integrante do grupo mais rico (R$ 5.345,22).

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os 10% mais pobres ganhavam apenas 1,1% do total de rendimentos. Já os 10% mais ricos ficaram com 44,5% do total. Outro recorte revela o rendimento médio no grupo do 1% mais rico: R$ 16.560,92. Os dados valem para a população de 101,8 milhões de brasileiros com 10 anos ou mais de idade e algum tipo de rendimento em 2010. A renda média mensal apurada foi de R$ 1.202. Levando-se em conta os habitantes de todas as idades, o IBGE calculou a renda média mensal per capita de R$ 668. O Censo indica, porém, que metade da população recebia até R$ 375 por mês, valor inferior ao salário mínimo oficial em 2010 (R$ 510).

Cidades

O IBGE também mostra que as cidades de porte médio, com população entre 10 mil e 50 mil habitantes, foram as que apresentaram a maior incidência de pobreza. Enquanto a proporção de pessoas que viviam com até R$ 70 de rendimento domiciliar per capita era, em média, de 6,3% no Brasil, nos municípios de 10 mil a 20 mil habitantes esse porcentual era o dobro (13,7%), com metade da população nessas cidades vivendo com até meio salário mínimo per capita. Já nas cidades com população superior a 500 mil habitantes, menos de 2% recebiam até R$ 70 per capita e cerca de um quatro (25%) vivia com até meio salário mínimo de rendimento domiciliar per capita.

Entre as capitais, segundo o IBGE, manteve-se a tendência de melhores níveis de rendimento domiciliar per capita nas regiões Sul e Sudeste. O maior valor (R$ 1.573) foi registrado em Florianópolis (SC), onde metade da população recebia até R$ 900. Em 17 das 26 capitais, metade da população não recebia até o valor do salário mínimo.

Entre as capitais, a pior situação foi registrada em Macapá: rendimento médio domiciliar per capita de R$ 631, com 50% da população recebendo até R$ 316. A capital do Amapá também ficou com a maior proporção de pessoas com rendimento domiciliar per capita de até R$ 70 (5,5%) e até um quarto de salário mínimo (16,7%). No Sudeste, o Rio registrou os maiores porcentuais de pessoas nessas condições (1,1% e 4,5%, respectivamente). Os melhores indicadores foram observados em Florianópolis (SC): 0,3% da população com rendimento médio mensal domiciliar de até R$ 70 e 1,3% com até um quarto do salário mínimo.

Cor e gênero

No Brasil, os rendimentos médios mensais dos brancos (R$ 1.538) e amarelos (R$ 1.574) se aproximaram do dobro do valor relativo aos grupos de pretos (R$ 834), pardos (R$ 845) ou indígenas (R$ 735). Entre as capitais, destacaram-se Salvador, com brancos ganhando 3,2 vezes mais do que pretos; Recife (3,0) e Belo Horizonte (2,9). Quando analisada a razão entre brancos e pardos, São Paulo apareceu no topo da lista, com brancos ganhando 2,7 vezes mais, seguida por Porto Alegre (2,3).

Os homens recebiam no País em média 42% mais que as mulheres (R$ 1.395, ante R$ 984), e metade deles ganhava até R$ 765, cerca de 50% a mais do que metade das mulheres (até R$ 510). No grupo dos municípios com até 50 mil habitantes, os homens recebiam, em média, 47% a mais que as mulheres: R$ 903 contra R$ 615. Já nos municípios com mais de 500 mil habitantes, os homens recebiam R$ 1.985, em média, e as mulheres, R$ 1.417, uma diferença de cerca de 40%.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

BC vê inflação dentro da meta

 O diretor de política monetária do Banco Central, Aldo Mendes, reafirmou o discurso da instituição de que a inflação não irá estourar o teto da meta neste ano. Em entrevista à agência Reuters, ele disse estar confiante de que a carestia se manterá abaixo de 6,5%, como projeta o último Relatório Trimestral de Inflação divulgado pela autoridade monetária e o boletim Focus desta semana, no qual o mercado alinhou suas expectativas com as do BC e reduziu a previsão para a inflação de 2011 para 6,48%.

"Nós estamos confiantes de que a inflação não será maior do que 6,5% neste ano. Então nós estaremos no topo do intervalo, mas ainda dentro da meta", afirmou Mendes. A meta oficial do governo é de 4,5% para o IPCA, com margem de dois pontos percentuais para mais ou para menos. No final de setembro,

quando foi divulgado o Relatório de Inflação, o BC havia admitido que a carestia poderia estourar o teto da meta. Naquele momento, a autoridade monetária elevou de forma expressiva sua projeção para este ano — para 6,4%, ante estimativa anterior de 5,8%, divulgada em julho — e afirmou que havia 45% de chance de o teto ser ultrapassado.

Impacto

O diretor afirmou ainda que o baixo crescimento global e a economia doméstica mais moderada vão trazer a meta de inflação para o objetivo central, em torno de 4,5%, no fim de 2012. "Por que nós acreditamos nisso? Primeiro, há um ambiente de crescimento econômico global lento; segundo, porque a economia interna está moderando e, terceiro, porque nós não teremos o impacto dos preços das commodities na inflação brasileira como em 2010", afirmou, durante assembléia anual da Federação Latino-americana de bancos, em Miami, nos Estados Unidos.

Correio Braziliense - 15/11/2011

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Investir para Crescer!!!


COMBATE PREVENTIVO À CRISE COMEÇA COM INVESTIMENTOS

PARA INVESTIR, ESTADOS PODEM FAZER DÍVIDAS DE ATÉ R$ 37 BI

O Brasil pode voltar a ter crescimento maior, de 4% a 5% em 2012, com uma combinação de medidas que estimulem o investimento público, com juros menores e com o reajuste de dois dígitos já previsto para o salário mínimo. Parte dessa "artilharia anticíclica" está representada nas autorizações para a elevação de gastos dos Estados em R$ 37 bilhões, para que ampliem os investimentos.

O governo anunciou ontem aumentos de limites de endividamento para mais sete Estados. Eles poderão contratar novas operações de crédito com o BNDES e organismos financeiros internacionais, como o Bird e o BID, até o montante de R$ 21,3 bilhões. Há 15 dias, o governo já havia autorizado outros dez Estados a ampliar o endividamento em R$ 15,7 bilhões. Assim, as novas operações de crédito para os governos estaduais chegam a R$ 37 bilhões.

Como parte da estratégia de adotar medidas que possam amenizar os efeitos da crise internacional sobre o Brasil, o governo anunciou ontem um aumento dos limites de endividamento de mais sete Estados. Eles poderão contratar novas operações de crédito com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e organismos financeiros internacionais, como o Banco Mundial (Bird) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), até o montante de R$ 21,3 bilhões.

Há 15 dias, o governo já tinha autorizado outros dez Estados a ampliar o endividamento em R$ 15,7 bilhões. Com a decisão de ontem, as novas operações de crédito para os governos estaduais chegam a R$ 37 bilhões.

Durante a solenidade de assinatura dos acordo com os governadores, a presidente Dilma Rousseff disse que o que torna o Brasil capaz de resistir à crise financeira internacional é o fato de que o país consegue investir e manter a solidez das contas do governo federal e dos Estados.

Para Dilma, o Brasil conseguiu "uma grande maturidade institucional que é perceber que é possível compatibilizar solidez fiscal com investimento, algo que não é contraditório". Ao falar da questão das dívidas elevadas de alguns países europeus, a presidente lembrou que o Brasil também enfrentou, no passado, problemas sérios de endividamento. "Nós tivemos de fato duas décadas perdidas, tivemos esse triste exemplo na história recente do país. Mas essas décadas contribuíram pelo menos para que nós soubéssemos o caminho que leva hoje à responsabilidade fiscal, à capacidade de ter consistência macroeconômica, ao fato de que nós podemos com estabilidade fazer o Brasil crescer."

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, que também participou da solenidade, disse que os novos créditos servirão para que os governadores façam grandes projetos de investimento. "Essa iniciativa deve ser vista como um complemento da capacidade de investimento dos Estados", afirmou.

Mantega informou que falta fazer acertos com outros oito Estados. Roraima e Tocantins não participarão da iniciativa, pois não possuem programas de ajuste fiscal em execução. Com os investimentos que serão feitos, Mantega espera que mais empregos sejam criados, o que resultará em mais renda e em maior arrecadação.

Mantega afirmou ainda que a "ampliação do espaço fiscal dos Estados", como denominou a elevação dos limites de endividamento, não é incompatível com a solidez das contas públicas. Segundo explicou, a permissão para maior endividamento foi concedida justamente porque os Estados fizeram ajustes fiscais e ajudaram o setor público brasileiro a cumprir as metas de superávit primário ao longo dos últimos anos.

Os sete Estados beneficiados ontem são: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Maranhão e Alagoas. O Estado mais beneficiado foi o Rio, autorizado a obter créditos no montante de R$ 7 bilhões. O governador Sérgio Cabral (PMDB) não compareceu à solenidade pois comandou no Rio, na mesma hora, o ato de protesto contra o projeto de nova partilha dos royalties do petróleo em discussão no Congresso.

O limite de São Paulo foi elevado em R$ 6 bilhões. O governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), disse que os créditos obtidos serão utilizados para a construção de linhas de metrô, de trens e para o saneamento básico. "Nossos investimentos serão, principalmente, para permitir a mobilidade urbana, pois São Paulo é hoje a terceira maior megalópole do mundo, com 20 milhões de pessoas na grande região metropolitana."

Alckmin observou que a ampliação do endividamento decorreu do forte esforço fiscal feito pelos Estados. "Há dez anos, a dívida de São Paulo correspondia a 2,2 vezes a receita corrente líquida do Estado. Hoje, corresponde a 1,4 vez."

O Estado de Minas Gerais foi autorizado a contratar empréstimos no total de R$ 3 bilhões; o Paraná, R$ 1,19 bilhão; o Rio Grande do Sul, R$ 1,47 bilhão; o Maranhão, R$ 2 bilhões e Alagoas, R$ 666 milhões. Os Estados que anteriormente tiveram os seus limites de endividamento ampliados foram: Acre, Amazonas, Bahia, Ceará, Mato Grosso, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rondônia e Sergipe.

Autor(es): Por Ribamar Oliveira e Yvna Souza De Brasília
Valor Econômico - 11/11/2011 http://www.valoronline.com.br/

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Aumento nos preços

A inflação volta a assombrar o bolso dos brasileiros nesta primeira semana de novembro. O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), da Fundação Getulio Vargas (FGV), mostrou aceleração em relação à última apuração. A diferença de preços veio 0,008 ponto percentual mais alta, com variação de 0,34%, evolução suficiente para inquietar o mercado. Mas os especialistas garantem que ainda não há motivos para preocupação. "É um crescimento pontual, apenas em alguns setores. Educação e transportes, por exemplo, estão em queda e devem continuar", explicou o economista da FGV Paulo Piquet.

O grupo alimentação foi o principal responsável pela elevação. "Isso ocorre principalmente em mantimentos in natura, como frutas e legumes, que são sensíveis a variações climáticas", esclareceu Piquet. "Os preços devem continuar subindo, mas bem menos que o previsto", confirmou Thiago Curado, economista da Tendências Consultorias. O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), também da FGV, confirmou essa tendência, ao apresentar desaceleração em outubro. A taxa, que mede os preços no atacado, aumentou 0,40% neste mês, contra 0,75% do anterior.

"Essa pode ser uma boa notícia para o consumidor. Se há uma desaceleração na alta dos preços para o produtor, consequentemente isso será repassado para o comprador. Pode ser uma antecipação de tendência", disse Curado.

Correio Braziliense - 09/11/2011