terça-feira, 17 de janeiro de 2012


Risco de contágio da crise no Brasil é pequeno

Yves Zlotowski - Economista do COFACE 
O impacto da crise europeia sobre o Brasil e também sobre a América Latina não será tão forte, na visão do economista-chefe da seguradora de crédito francesa Coface, Yves Zlotowski. Segundo ele, a desaceleração vista em alguns países, como o Brasil, que ficou estagnado no terceiro trimestre do ano passado, está mais ligada a políticas fiscais e monetárias restritivas para controlar a inflação do que a impactos dos problemas europeus.

Além disso, ele se diz "relativamente otimista" por esperar que a recessão na Europa dure apenas um semestre, com alguma melhora da confiança de consumidores e empresários da região do euro a partir de meados deste ano. Zlotowski acredita em expansão de 0,7% para a Alemanha e 0,3% para a França em 2012.

"A qualidade das políticas públicas locais é uma das maiores força do Brasil". Ele cita como aspectos que diluem o contágio o fato de os países da América Latina terem uma pauta de exportação diversificada, não concentrada na Europa.

Além disso, o crédito vindo de bancos europeus é da ordem de 17% do PIB latino-americano também pequeno se comparado com outras economias do mundo, como na Ásia e no leste europeu.

"Seja via comércio exterior, seja via crédito, a América Latina não está tão exposta aos problemas da Europa", diz Zlotowski, durante o Country Risk Conference, evento anual organizado pela Coface, em Paris.

Ele ponderou, no entanto, que no caso brasileiro há a necessidade de investimentos em infraestrutura e que apesar de o país não ter problemas de endividamento, o excesso de crédito dado pelo BNDES nos últimos anos pode ser uma ameaça.

As visões sobre a economia brasileira, de maneira geral, são positivas, segundo economistas que participaram do evento anual da Coface. Mas quase todos os palestrantes mencionaram o risco de um processo de desindustrialização da economia brasileira, como resultado justamente do aumento das exportações de commodities.

Rajiv Biswas - Economista IHS Global
Para Rajiv Biswas, diretor e economista-chefe da IHS Global Insight, o Brasil deve crescer entre 4% e 4,5% em média nos próximos 15 anos. O desempenho não será tão brilhante quanto na Índia, cuja expansão ficará entre 7% e 8%, mas deve superar a Rússia dentro do Bric. "O Brasil deve se beneficiar das exportações para a China", disse.

O economista-chefe da Coface concorda com essa avaliação, mas pondera que as vendas para o gigante asiático têm provocado distorções na pauta de exportação brasileira, prejudicando a indústria local.

Jérôme Contamine, vice-presidente da Sanofi, foi ainda mais enfático. "O país está perdendo competitividade, com exceção do mercado de commodities. Esse é um problema para o longo prazo", diz.

A moeda sobrevalorizada também é uma ameaça para a indústria, segundo os especialistas, mas essa questão pode sofrer uma reversão nos próximos anos à medida que a China caminhe para uma economia mais voltada ao mercado interno, com uma apreciação da sua moeda, diz Biswas.

Nesse contexto, diz ele, muitas empresas multinacionais se verão obrigadas a transferir parte de suas produções para outros países emergentes, diz o economista da IHF, e o Brasil pode se beneficiar.

Yifan Hu, diretora da Haitong International Research, pondera que essa transição só ocorrerá no longo prazo. Nos próximos cinco anos, diz a especialista na economia chinesa, o país continuará focado em investimentos em infraestrutura, com peso importante do governo, e mantendo a visão exportadora. "O ajuste será gradual", diz ela. (FT)

www.valoronline.com.br 17/01/2012

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