quarta-feira, 18 de abril de 2012

Juros devem cair para 9% ao ano perto do piso, no sexto corte seguido


Estimativa dos analistas é de corte de 0,75 ponto pelo Banco Central.
Próximo movimento no juro, de alta, é previsto somente para abril de 2013.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (18) e deve reduzir a taxa básica de juros da economia brasileira dos atuais 9,75% para 9% ao ano, em um novo corte de 0,75 ponto percentual, segundo a aposta de grande parte dos analistas do mercado financeiro. Se confirmada, será a sexta diminuição consecutiva nos juros. A decisão será anunciada após as 18h.

 
A crença do mercado em uma nova redução nos juros se deve à uma sinalização da própria autoridade monetária. Em meados de março, o Copom informou que atribuía "elevada probabilidade" à concretização de um cenário que contempla a taxa de juros caindo para “patamares ligeiramente acima dos mínimos históricos, e nesses patamares se estabilizando”. A mínima histórica da taxa de juros é de 8,75% ao ano e foi registrada entre julho de 2009 e abril de 2010, na primeira etapa da crise financeira internacional.

Com base nesta declaração do BC, o mercado passou a acreditar que este será o último corte deste ano e que um novo movimento na taxa básica da economia acontecerá somente em abril de 2013 – quando a taxa subirá, segundo os analistas, para 9,5% ao ano. Em julho do ano que vem, a taxa avançaria para 10% ao ano, acreditam os economistas dos bancos.

Sistema de metas de inflação

Pelo sistema de metas de inflação, que vigora no Brasil, o BC tem de calibrar os juros para atingir as metas pré-estabelecidas, tendo por base o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Para 2012 e 2013, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Deste modo, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida. O BC busca trazer a inflação para o centro da meta de 4,5% neste ano, visto que, em 2011, a inflação ficou em 6,5% – no teto do sistema de metas.

Para o IPCA deste ano, a previsão dos analistas dos bancos está em 5,08% e, para 2013, a previsão do mercado está em 5,50%. Já o Banco Central estimou, no fim de março, um IPCA ao redor da meta central de inflação (5,5%) para este ano e, para 2013, acima de 5%. 

Corte nos juros limitado pela poupança

Economistas avaliam que um recuo mais forte da taxa de juros, abaixo de patamares mínimos já registrados (8,75% ao ano), poderia comprometer a chamada "rolagem" da dívida pública, que é a emissão de títulos públicos pelo Tesouro Nacional para pagar os papéis que estão vencendo.

"A conta é simples: com a Selic na faixa de 8,75%, um fundo DI com uma taxa de administração de 1% e rendendo algo como 98% do CDI, teria uma taxa de rendimento anualizada na faixa de 5,85% (líquida de IR, nesta caso à alíquota de 20%). Mesmo sem considerar a TR (já com uma taxa baixa a essa altura) o cupom fixo de 6% da caderneta de poupança (já liquido de IR) seria superior ao rendimento do Fundo DI", informou a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em estudo.

Para a Febraban, não é difícil imaginar o "desequilíbrio potencial desse cenário, que poderia levar a um fluxo significativo de recursos para as cadernetas e ao mesmo tempo escassez de funding em outros segmentos do mercado". "Teríamos excesso de exigibilidade, e com base em recursos de curto prazo, de um lado e escassez em outro. Certamente um desequilíbrio que precisa ser corrigido para viabilizar a continuidade da queda dos juros. E quanto antes melhor”, avalia a Febraban no estudo.

Alexandro Martello Do G1, em Brasília

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