terça-feira, 10 de abril de 2012

Após BB e Caixa, bancos privados avaliam redução de taxas de juros

Veja as taxas de juros dos bancos nas principais operações de crédito.
Banco do Brasil e Caixa já anunciaram corte nos juros para empréstimos.

Após o anúncio de redução dos juros para operações de crédito feito pelo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, a expectativa é que os bancos privados também reduzam as taxas para o crédito de famílias e financiamento para micro e pequenas empresas. Os bancos Itaú, Bradesco e HSBC informaram que estão "avaliando" uma redução. O Santander afirmou que está "analisando as medidas sinalizadas pelo governo".

Nesta terça-feira, o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Murilo Portugal, tem uma reunião marcada com o secretário-executivo da Fazenda, Nelson Barbosa. A expectativa, não confirmada, é que as taxas de juros do crédito sejam o assunto do encontro.

Ainda que o movimento liderado pelos bancos públicos possa levar a um aumento da oferta de crédito no país e redução das taxas de juros, o consumidor deve manter cautela na hora de decidir por contratar um financiamento. A Fundação Procon-SP e Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) recomendam que os consumidores se certifiquem de que as taxas oferecidas pelos bancos são, de fato, vantajosas e que negociem com as agências vantagens melhores ou semelhantes às oferecidas pela concorrência.

"É preciso ver na prática se os juros vão mesmo cair, porque algumas das medidas anunciadas dependem do perfil de cliente e da transferência de contas de outros bancos", alerta Miguel Ribeiro de Oliveira, vice-presidente da Anefac. "O mais prudente é esperar um pouco mais antes de fazer um financiamento,  pois essas medidas costumam levar algum tempo para ser, de fato, implementadas", recomenda.

Foi solicitado aos maiores bancos do país a divulgação dos juros cobrados atualmente nas principais operações de crédito. Confira a seguir as taxas para cheque especial, empréstimo pessoal, rotativo do cartão de crédito, crédito consignado, financiamento de veículos e capital de giro para micro e pequenas empresas informadas pelos bancos. As taxas variam e dependem sempre do perfil do cliente, risco de crédito e relacionamento.
 
   TAXAS DE JUROS COBRADAS AO MÊS AO CONSUMIDOR
Banco cheque especial crédito pessoal cartão de crédito crédito consignado financiamento de veículos capital de giro para empresas
Banco do Brasil a partir de 1,97% a partir de 2,99% 3% a partir de 0,85% a partir de 0,99% 1,44%
Caixa Econômica Federal 1,35% a 4,27% 2,39% a 3,88% 2,85% a 9,47% 0,84%  a 1,95% 0,98% a 2,25% 0,94%
Bradesco a partir de 8,19% a partir de 2,42% a partir de 3,80% a partir de 1,32% a partir de 1,35% a partir de 2,43%
Itaú-Unibanco não informou não informou não informou não informou não informou não informou
Santander não informou não informou não informou não informou não informou não informou
HSBC 1,39% a 9,98% 1,99% a 5,93% 2,27% a 15,95% 1,59% a 4,70% 1,49% a 2,55% 1,48% a 4,99%

O Banco Central divulga semanalmente em sua página na internet as taxas médias de juros cobradas pelas instituições bancárias nas principais operações de crédito. Os últimos dados disponíveis são do período entre 20 e 26 de março.

Para a Anefac, a tendência é de continuidade da trajetória de queda dos juros e que os bancos privados acompanhem o movimento dos públicos. "Não acredito que seja na mesma intensidade, mas os grandes bancos não vão querer perder mercado e vão reduzir os juros", opina Oliveira, acrescentando que o segmento está pleiteando redução de encargos e do compulsório para reduzir o "spread" bancário (a diferença entre o que o banco "paga" para captar dinheiro e o que ele "recebe" pelos empréstimos.

Anefac divulga na quarta pesquisa sobre juros

Segundo Oliveira, como a pesquisa mensal da associação sobre juros que será divulgada nesta quarta-feira ainda não irá refletir as medidas anunciadas pelo BB e Caixa, a Anefac deverá realizar uma pequisa nas próximas semanas a fim de apurar qual será o impacto nos juros médios praticados no país.

"A pesquisa que vamos divulgar nesta semana mostra que houve uma queda nos juros para pessoa jurídica em março e estabilidade nos juros para a pessoa física, possivelmente em razão do aumento da inadimplência", afirma o economista. Em fevereiro, a taxa média de juros ao consumidor caiu pelo 3º mês consecutivo e ficou em 6,33% ao mês, segundo o levantamento da Anefac.

A associação avalia, porém, que a inadimplência tende a diminir nos próximos meses. "Com spreads menores, os bancos vão ser ainda mais criteriosos e seletivos na concessão do financiamento", diz.

Empréstimo com consciência

A assessora técnica do Procon-SP, Cristina Martinussi, responsável pela pesquisa mensal sobre juros ao consumidor realizada pelo órgão, também aguarda uma redução das taxas cobradas pelos bancos privados. "Esses anúncios [do BB e da Caixa] vão acabar pressionado o mercado para baixo, até mesmo porque a Selic também está baixando", diz
Ela orienta também que os consumidores busquem comparar as diversas opções de crédito oferecidas dentro do próprio banco. "O crédito consignado é sempre a melhor opção, pois como é o de menor risco é também o que costuma ter a menor taxa", diz.

Segundo a economista, o cheque especial deve ser sempre considerado como última opção. "É costume as pessoas usarem o cheque especial como segundo salário, mas se a pessoa já tem hoje uma dívida no cheque especial compensa até pegar um empréstimo pessoal só para quitar", sugere.

Cautela e negociação antes de troca de banco

Segundo a Anefac e o Procon, o cliente deve procurar negociar com o seu banco antes de decidir transferir sua conta-corrente ou conta salário em busca de taxas de juros menores para empréstimos.

"O cliente de banco privado precisa ser proativo, falar com o gerente e cobrar uma redução dos juros. Acredito que, na maioria dos casos, o banco vai tentar segurar o bom cliente", diz o vice-presidente da Anefac.

A analista do Procon afirma que, antes de qualquer decisão sobre transferência de banco, é importante que o consumidor verifique se as taxas reduzidas anunciadas se aplicam ao seu perfil. "Pode ser uma boa oportunidade para pressionar o banco, mas o cliente deve avaliar não só a taxa, mas toda a sua relação com a instituição e as demais tarifas do dia a dia", completa Cristina.

Darlan Alvarenga Do G1, em São Paulo

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