segunda-feira, 7 de maio de 2012

JURO BAIXO TRAZ CENÁRIO INÉDITO PARA APLICAÇÕES

JURO BAIXO TRAZ CENÁRIO INÉDITO PARA APLICAÇÕES




O ataque frontal aos bancos e o uso das instituições financeiras públicas para forçar a concorrência bancária não deixaram dúvidas no mercado sobre a forte disposição do governo de perseguir taxas de juros estruturalmente menores. Removido o último obstáculo, a remuneração fixa da poupança, abre-se um cenário inédito no mundo das aplicações financeiras. Nele, a época em que o brasileiro podia colocar tudo o que tinha em um investimento conservador e ainda assim contar com gordos rendimentos deve ficar na memória

Em maio de 1999, com a Selic rondando os 30% anuais, uma taxa de administração de 3% ao ano engolia algo próximo de 10% do retorno de um fundo de investimento atrelado ao indicador. Hoje, com algumas indicações de que o juro pode chegar a 8%, a mesma cobrança consome quase metade do rendimento.

O momento, propício para que o investidor abandone uma postura mais leniente, anima instituições antes restritas a um público mais sofisticado a competir com os grandes bancos.

Nos últimos meses, sem muito alarde, gestoras independentes baixaram as exigências para a aplicação em suas carteiras. A Franklin Templeton, por exemplo, já oferece, por meio de distribuidores, aplicação mínima de até R$ 1 mil em fundos que antes não podiam ser encontrados por menos de R$ 25 mil. "Vejo mudanças profundas no segmento de fundos no Brasil nos próximos cinco ou dez anos", diz Heitor Lima, líder do escritório local da Templeton.

Em um movimento ainda mais recente, essas gestoras buscam aumentar os canais de distribuição de seus fundos por meio dos chamados "supermercados virtuais", inspirados em empresas de serviços financeiros americanas, criadas na década de 80 e voltadas ao investidor individual. Várias gestoras estrangeiras, como a Goldman Sachs, BNP Paribas e Western Asset, colocaram seus fundos nestas prateleiras.

Democráticos, os "supermercados" oferecem portfólios de diferentes perfis e para todos os bolsos. Neles, é possível encontrar fundos DI, por exemplo, com aplicação mínima de R$ 3 mil e taxa de administração de 0,3% ao ano. Patamar bem mais atrativo do que a média do mercado, de 2,07% ao ano para aplicações entre R$ 1 mil e R$ 10 mil, segundo a Associação Brasileiras das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima).

Esse novo ambiente exigirá do investidor que não se renda ao primeiro clique e faça avaliações cuidadosas, com a dedicação de mais tempo e atenção à escolha de gestores e fundos mais adequados ao seu perfil de risco. Nesse processo, a remuneração desses distribuidores de fundos terá de vir da cobrança conhecida no mercado como "rebate" - uma gratificação paga pela gestora, por meio de um percentual da taxa de administração.

Autor(es): Por Flávia Lima | De São PauloValor Econômico - 07/05/2012

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