terça-feira, 15 de maio de 2012

Europa em  crise derruba Bolsas e dólar bate em R$ 2,00

Europa derruba Bovespa

Possível saída da Grécia da Zona do Euro e indicadores apontando recessão mais grave e prolongada foram o combustível dos pregões

O principal índice da bolsa brasileira fechou o pregão ontem com a maior queda em quase oito meses e atingiu o menor patamar de fechamento do ano face ao temor dos rumos da economia europeia e a expectativa, cada vez mais real, de que a Grécia venha a desembarcar da Zona do Euro. Com isso, o Ibovespa fechou com recuo de 3,21%, a 57.539 pontos, o menor patamar desde 29 de dezembro, quando encerrou a 56.754 pontos. Foi também a maior queda diária desde 22 de setembro, quando o pregão bateu em 4,83% negativos.

A bolsa brasileira atuou em sintonia com as bolsas da própria Europa, Ásia e Estados Unidos, todas movidas pela inesperada retração de 0,3% na produção industrial dos 17 países da Zona do Euro em março em relação a fevereiro. Os dados da agência de estatísticas Eurostat evidenciam que a recessão na região pode ser mais grave e prolongada do que acreditavam analistas.

O fato de a Grécia caminhar para eleições peblicitárias é fator preocupante. Menos pela saída em si daquele país do Mediterrâneo, mas pelo fato de abrir portas para que Espanha e Portugal tomem medida similar face ao desconforto dos programas de austeridade.

A presidente Dilma Rousseff não ficou indiferente ao cenário internacional. Disse ontem, durante cerimônia no Palácio do Planalto, que “hoje, mais uma vez, volta a crise da Zona do Euro (a tomar conta do noticiário) e vários fantasmas que pareciam afastados pelas expansões monetárias bastante significativas, os dinheiros colocados nos bancos pelo mundo afora, todo esse processo começa a ser questionado politicamente. Não só pelo que aconteceu na França, pelo que aconteceu na Grécia e pelo que aconteceu naquele estado alemão, que é um dos estados mais ricos da Alemanha, que é a Renânia do Norte, Westfalia…”. A presidente se referia à derrota da primeira-ministra Angela Merkel, defensora das medidas de austeridade, nas urnas.

A lenta recuperação da economia americana, tanto na produção como no emprego, apesar dos esforços do presidente Barack Obama, em campanha pela reeleição, também tem impactado negativamente os números da economia chinesa, que entra em estágio de incertezas com impacto em várias economias, inclusive no Brasil, grande exportador de minério de ferro para o país.

Dominó

O cenário levou o índice FTSEurofirst 300, que reúne as principais ações europeias, a fechar em queda de 1,79%, aos 1.004 pontos, puxando Londres (-1,97%), Frankfurt (-1,94%), Paris (-2,29%), Milão (-2,74%), Madri (-2,66%) e Lisboa (-1,94%). Na Ásia, a queda também foi generalizada e, nos EUA, o Dow Jones, principal índice, recuou 0,98%.
A situação dos bancos espanhóis, necessitando urgentemente de recursos para prover créditos duvidosos de imóveis é outra questão delicada e que se agrava. Analistas de mercado temem, porém, que a crise europeia como um todo possa adquirir novos contornos com o francês François Hollande e uma derrota, de fato, de Merkel. Então, fogem para o dólar.

» Provisões

Os cinco maiores bancos da Espanha irão reservar uma quantia extra de 15 bilhões de euros em provisões. A quantia é cerca da metade do que previa o governo espanhol na semana passada. Esta é a quarta tentativa do país de lidar com a quebra do mercado imobiliário de 2008 que levou a grandes perdas de credores e elevou os temores de que a Espanha precise de um resgate internacional. As últimas demandas, que se  somam aos 54 bilhões de euros em provisões feitos em fevereiro, elevaram a pressão sobre os bancos com investidores preocupados sobre onde eles encontrarão o dinheiro e se será suficiente. O governo está disposto a ajudar até o limite de 15 bilhões de euros.


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