quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Classe C compromete 46,3% da renda com dívidas


As famílias brasileiras, em especial as de classe C, estão mais endividadas que o recomendado pelos especialistas. Estudo da Proteste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor) mostra que as dívidas comprometem, em média, 42% da renda familiar, sendo que o limite ideal é de 30%. O porcentual cresce quando analisados apenas os integrantes da classe C: 46,3%.

Para o órgão, esse grau de comprometimento é resultado da combinação entre juros altos, falta de planejamento nas finanças e as facilidades em se obter crédito.

A Proteste entrevistou 200 famílias nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, concentradas principalmente entre as classes C (60,5% da amostra) e B (27,5%). A renda e dívida médias apuradas foram de R$ 2.401 e R$ 1.009,45, respectivamente. Desdobrado, o dado mostra que a maior parte (56,6%) tem dívidas de até R$ 500. Uma parcela considerável (38%), porém, deve mais de R$ 5 mil, o que explica a média situada em R$ 1 mil. Contas de aluguel e de serviços (como água e luz) foram desconsideradas.

A média dos pesquisados declarou que tem três dívidas ativas, sendo que um quinto deles se endividou novamente desde abril (quando começou o movimento de queda dos juros). O uso cartão de crédito é uma das principais fontes de problemas à saúde financeira das famílias - 56% têm um ou dois plásticos e 38,1% afirmam que não conseguem pagar as faturas na data de vencimento - o gasto médio é de até R$ 500.

Queda. Dois indicadores divulgados ontem mostraram alívio na inadimplência em julho. O Indicador Serasa Experian de Inadimplência do Consumidor recuou 1,5%. E os registros de novos inadimplentes medidos pela Boa Vista Serviços caíram 4%.

Autor(es): HUGO PASSARELLI
O Estado de S. Paulo - 15/08/2012


38% dão calote em cartão

Pesquisa mostra que brasileiro não sabe como se livrar de compra com dinheiro de plástico

Pouco adianta a queda nas taxas de juros — já constatada por inúmeras pesquisas — se os consumidores não dão conta de pagar o que já devem. O grande vilão da saúde financeira, segundo pesquisa da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) divulgada ontem, é o rotativo do cartão de crédito, ou seja, os juros acumulados no saldo devedor dos casos em que a fatura não é paga integralmente. Nada menos que 38,1% das famílias disseram não conseguir quitar as compras feitas com o plástico na data de vencimento. O valor médio das contas é de R$ 500.

O crédito rotativo é a modalidade mais cara do endividamento. Outro levantamento feito pela Proteste mostra que os juros nesse caso chegam a 323% ao ano no Brasil, a maior taxa cobrada entre seis países da América Latina analisados. A média é de 197,47% ao ano. Com tributos tão elevados, não é de se surpreender que as famílias brasileiras, sobretudo as de classe C, estejam superendividadas. De acordo com a entidade de defesa do consumidor, os débitos comprometem, em média, 42% da renda familiar — o ideal é que não passassem dos 30%.

Na avaliação do órgão, esse grau de comprometimento dos proventos é resultado da combinação dos juros altos, da falta de planejamento nas finanças e das facilidades para obter crédito. O desinteresse pela organização dos recursos fica evidente em outro estudo da Proteste, no qual 39% dos entrevistados declararam nem sequer saber informar quanto pagam por mês pela manutenção da conta corrente no banco. "O consumidor sabe pouco sobre os produtos e os serviços bancários contratados e tende a perder oportunidades de pagar menos por eles", cita a pesquisa.

Conservadores

Mesmo diante da portabilidade de crédito e de salário, os consumidores são conservadores. Cerca de 74% dos clientes mantêm a conta-corrente no mesmo banco em que recebem salário ou pensão. Diante dessa realidade, só resta aos brasileiros reduzir o consumo para conseguir pagar as dívidas antigas. Isso já vem sendo feito por um quinto das famílias pesquisadas: as novas despesas, feitas a partir de abril, tiveram como objetivo quitar compromissos assumidos anteriormente. Para os pesquisadores, os valores devidos têm impacto na qualidade de vida dos entrevistados, pois 57% admitiram ter de limitar os gastos em lazer, cultura, diversão ou consumo de bens.

» Inadimplência menor

O calote dos consumidores registrou queda de 1,5% em julho, na comparação com junho, segundo o Indicador Serasa Experian de Inadimplência do Consumidor. Esse é o segundo encolhimento mensal consecutivo da medição: em junho, na comparação com maio, houve redução de 0,5%. Nos 12 meses terminados em julho, no entanto, as dívidas em atraso ainda apresentam alta de 10,5%. Segundo os economistas da Serasa Experian, a retração de julho é pontual, reflexo dos juros mais baixos e dos lotes recordes de restituição do Imposto de Renda, que colaboraram para que muitos consumidores conseguissem pagar as dívidas. Normalmente, as dívidas crescem no sétimo mês do ano por conta das compras parceladas do Dia das Mães e do Dia dos Namorados, além dos gastos com as férias escolares. Desde que o indicador da Serasa Experian foi criado, em 1999, essa é a segunda queda notada em um mês de julho — a primeira aconteceu em 2005, com encolhimento de 3,9% ante junho.

Autor(es): Vânia Cristino
Correio Braziliense - 15/08/2012

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