terça-feira, 25 de setembro de 2012

Bradesco baixa os juros dos cartões de crédito


O banco é o primeiro entre os privados a diminuir as taxas para operações do cartão de crédito, sobretudo no rotativo

A sinfonia do governo começa a dar resultados. Depois de sofrer um verdadeiro bombardeio para mudar a política de juros do cartão de crédito, o Bradesco anunciou ontem uma queda significativa nas taxas de todas as bandeiras com que trabalha, como Visa, American Express, ELO e Mastercard. Foi o primeiro banco privado a atender o pleito do Palácio do Planalto. Antes, somente as instituições financeiras públicas tinham atendido ao pedido feito, inicialmente, pela própria presidente Dilma Rousseff.

Incomodada com as maiores tarifas do mundo, que chegam aos 200% ao ano e são rotineiramente chamadas de abusivas por representantes do Procon, a presidente passou a cobrar publicamente uma mudança. Enquanto aumentava o tom, outros ministros entraram na luta. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, admitiu o problema e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, classificou o nível das taxas cobradas dos clientes de "escorchantes".

E o que é pior: as taxas elevadas são cobradas sobre as compras feitas por uma parcela da população de baixa renda. Estudo feito pela Serasa Experian indica que o perfil dos novos usuários de cartão de crédito no país é formado, na maioria, por jovens da periferia, moradores da região Sudeste. São pessoas com renda mensal entre R$ 500 e R$ 1 mil. O levantamento, que leva em conta o volume de consultas de Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) para obtenção do primeiro cartão de crédito, mostra que, no primeiro trimestre deste ano, 57,6% das propostas eram de consumidores nessa faixa salarial. No mesmo período de 2010, essa fatia era de 51,7% e, no ano passado, de 55,8%.

A pesquisa aponta ainda que 42% dos consumidores em busca do primeiro cartão continuam no extrato classificado como periferia jovem. Esse grupo é formado por jovens trabalhadores de baixa renda e com pouca qualificação e por estudantes de periferia, de famílias que recebem assistência de alguma instância de governo. Por conta disso, a inadimplência, maior sinalizador de risco para o segmento de cartões de crédito, vem mostrando aceleração. O estudo aponta que, após quatro meses de uso, 4,4% dos novos cartões estavam com atraso no primeiro trimestre deste ano. Em igual período de 2011, o índice era de 3,2% e, em 2010, de 2,3%.

Medidas competitivas

No Bradesco, a taxa de juros máxima do crédito rotativo foi reduzida em 54%, passando de 14,9% para 6,9%. As tarifas para parcelamentos nos cartões de crédito caíram de 8,9% para 4,9%, na máxima. Segundo o diretor executivo da instituição, Marcelo Noronha, o banco decidiu fazer a redução de forma horizontal, impactando todos os clientes.

As novas taxas do rotativo, do saque e dos parcelamentos do emissor e da fatura do dinheiro de plástico entram em vigor em 1º de novembro. Todos os mais de 95 milhões de cartões de crédito administrados pelo Bradesco serão beneficiados com essas reduções dos juros, de acordo com o banco. O volume de faturamento desses cartões representa R$ 49 bilhões por ano.

"Estamos adotando taxas mais competitivas, mantendo todos os benefícios existentes para os nossos clientes, além de enfatizar as funções amplamente conhecidas por todos", disse o diretor. De acordo com Noronha, o Bradesco já vinha estudando a queda há alguns meses. A decisão saiu agora porque este é um momento de união de esforços na busca de caminhos de blindagem da economia aos efeitos da volatilidade global, e o cartão de crédito ganha importância enquanto instrumento anticíclico.

Autor(es): » Vânia Cristino
Correio Braziliense - 25/09/2012 www.correioweb.com.br


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