quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Famílias pouparão R$ 688 milhões por mês


 Com redução na conta de luz, brasileiro deve elevar gasto com itens pessoais

A redução média de 16,2% na conta de luz das famílias brasileiras a partir de 2013, como anunciado pelo governo federal na última terça-feira, levará a uma injeção na economia de R$ 688 milhões por mês, considerando os dados da última Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE já corrigidos pela inflação. A variação de preços acumulada de janeiro de 2009, quando a POF foi publicada, até agosto deste ano foi de 21,4%, pelo IPCA, índice oficial de inflação.

A cifra corresponde à soma de cada centavo que será poupado pelas famílias brasileiras com as novas medidas. Em 2009, elas gastaram, juntas, R$ 3,5 bilhões com energia elétrica ou R$ 4,2 bilhões em valores atuais. O valor médio desembolsado por domicílio foi de R$ 60,3 mensais (R$ 73,21 em valores atuais) ou 2,3% das despesas totais. Com a redução de 16,2% nos gastos com eletricidade, cada família terá uma economia a preços de hoje de R$ 11,78 por mês ou os R$ 688 milhões, se considerados todos os domicílios visitados pelo IBGE.

Mesmo com a folga no orçamento, a tendência é que o nível de consumo de energia nas residências seja mantido, na avaliação de Nivalde de Castro, coordenador do Grupo de Estudo do Setor de Energia Elétrica (Gesel) da UFRJ. O dinheiro poupado servirá para complementar outros gastos, como itens de higiene pessoal e alimentação.

- O uso desse dinheiro extra vai depender muito da estrutura de consumo de cada família - diz o economista Luiz Roberto Cunha, da PUC.

Nas famílias que tinham rendimento de até R$ 830 em 2009, as despesas com energia elétrica representavam 3,5% do total, acima da média nacional. É para esse conjunto de consumidores que o gasto menor com a conta de luz será mais sensível. Os brasileiros com renda familiar acima de R$ 10.375 são os que menos vão sentir o alívio no bolso, já que os gastos com energia representam 1,2% das despesas totais.

O Estado do Rio é onde o gasto médio com energia é o mais alto do país. Era R$ 89,1 por mês em 2009 (R$ 108 em valores atuais). O peso dos tributos - o Rio tem a maior alíquota de ICMS do país - contribui para essa situação. Na composição da tarifa da Light, principal distribuidora do Rio, os tributos respondem por 32% do valor final da conta de luz. O custo de geração da energia representa 29%, seguido da parcela da Light (23%), dos encargos (10%) e dos custos de transmissão (6%).

O Globo - 13/09/2012
(Danielle Nogueira)

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