segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A dependência dos importados



Em 2011, compra de componentes eletroeletrônicos no exterior somou US$ 20 bi, um aumento de 10%

O chip Nitron, que equipa o sensor de estacionamento e o comando de vidros elétricos de Gol e Fox, foi desenvolvido pela subsidiária brasileira da americana Freescale, em Campinas. O chip Coral, usado na injeção eletrônica do novo Uno, também. Apesar de projetados por aqui, esses componentes são fabricados fora do Brasil e importados pelas fabricantes de autopeças. Somente no ano passado, as importações de componentes eletroeletrônicos, usados em computadores, celulares e outros, somaram US$ 20 bilhões, um crescimento de 10% sobre 2010, segundo a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).
A Freescale surgiu da divisão de semicondutores da Motorola. Seu centro brasileiro de desenvolvimento de chips tem 138 pessoas e, com o apoio de um programa de capacitação do governo, dez trainees, planejando contratar mais 40.

— Criamos componentes para o mercado global de controles de motor e transmissão — conta Armando Gomes, diretor-geral da empresa no país.

A política do governo de incentivar o desenvolvimento de chips no Brasil começa a dar resultados. Segundo Marcos Mandacaru, coordenador de promoção de investimentos da Apex-Brasil, houve incentivo para 23 centros de projetos de chips no país.

Os exemplos não se restringem à Freescale. O Instituto Eldorado, de Campinas, desenvolveu um demulador de TV digital, com tecnologia de 65 nanômetros, que pode ser usado em notebooks e smartphones, permitindo-lhes receber o sinal digital de TV aberta. O chip será fabricado pela Global Foundries, em Cingapura, porque não existe no Brasil uma fábrica capaz disso.

Há mais de uma década, o governo tenta atrair para o Brasil uma foundry, fábrica de placas de silício a partir das quais são cortados os chips. As indústrias instaladas no país importam os wafers de silício usados para fabricar chips. O investimento em uma foundry de última geração pode atingir US$ 4 bilhões.

O Brasil é hoje o quinto maior mercado de tecnologia da informação e comunicações, tendo movimentado US$ 212 bilhões em 2011. Para o presidente da Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), Antonio Gil, o país tem potencial para ser o terceiro maior mercado em 2022, com US$ 430 bilhões em faturamento, atrás somente de China e EUA.

Estudo da Brasscom, em parceria com a AT Kearney, mostrou que isso seria possível caso fossem tomadas medidas como a continuação da redução da carga tributária sobre o setor, a formação adequada de mão de obra e o estímulo ao uso da tecnologia em áreas como saúde e inovação. Hoje o Brasil é o terceiro maior mercado de PCs do mundo. Considerando-se somente o mercado de TI, sem telecomunicações, está em sétimo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário