terça-feira, 6 de novembro de 2012

Bolsa de Nova York quer 15% do mercado brasileiro de Ações




A Nyse Euronext - empresa controladora da Bolsa de Nova York (Nyse) e de Bolsas na Europa (como Paris, Amsterdã, Bruxelas e Lisboa) - anunciou ontem que pretende iniciar a operação de uma Bolsa no Brasil entre o fim do ano que vem e o início de 2014. O grupo assinou ontem acordo com a empresa brasileira de tecnologia Americas Trading Group (ATG) para a criação da ATS Brasil, uma plataforma de compra e venda de ações sediada no Rio. Com investimento de cerca de US$ 100 milhões, as empresas esperam responder por 10% a 15% dos negócios com ações um ano após o início das atividades.

Segundo Dominique Cerutti, presidente da Nyse Euronext, existe espaço no mercado brasileiro para mais uma Bolsa. O objetivo do projeto - que foi inicialmente batizado de Zico, em homenagem ao ex-jogador - seria atrair mais investidores ao mercado brasileiro, oferecendo tecnologia avançada e custos mais baixos. O executivo evitou falar em competição com a BM&FBovespa, holding que tem o monopólio do mercado de Bolsa no Brasil.

- Não estamos aqui para uma abertura descontrolada ou fragmentação do mercado. Achamos que, com tecnologia de ponta, vamos conseguir agregar valor. Existem investidores lá fora que querem vir. Vamos oferecer mais um canal. É uma atividade complementar - disse Cerutti em coletiva à imprensa num hotel em Copacabana, ao lado do presidente da ATG, Fernando Cohen.

DIRECT EDGE E BATS TAMBÉM DE OLHO

O discurso conciliador é estratégico para a Nyse Euronext. Um dos maiores entraves para empresas que querem criar plataformas de negociação de ações no Brasil é o sistema chamado de compensação ( clearing , em inglês). Quando um investidor compra uma ação, esse papel precisa ser checado e registrado. Isso é feito na Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC), de propriedade da BM&FBovespa. E o presidente da holding brasileira, Edemir Pinto, deixou claro mais de uma vez que não pretende abrir a CBLC para empresas concorrentes.

- Não queremos entrar no mercado de clearing no Brasil. Nós vamos conversar com a BM&FBovespa e mostrar que, com o aumento de liquidez, todos no mercado vão ganhar - afirmou Arthur Machado, diretor-geral da ATG. - Estamos confiantes para as conversas com a BM&FBovespa. Mas, claro, temos um plano B e C para o clearing .

O diretor não detalhou quais seriam esses planos. A compensação pode ser realizada por bancos, por exemplo, mas a operação poderia se tornar mais burocrática para os investidores.

As companhias não vão precisar listar suas ações na ATS Brasil. As ações negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) passam a ser negociadas também na nova Bolsa. Os preços das ações, por exemplo, serão os mesmos nos dois mercados. Esse tipo de plataforma é tecnicamente chamado de "central de liquidez". A brasileira ATG terá 80,1% do capital da empresa e a NYSE Euronext os 19,1% restantes.

Além da Nyse Euronext, outras empresas querem entrar no setor no país. É o caso da americana Direct Edge. Outra é a também americana Bats Global Markets, sediada no Kansas. Com a expectativa de concorrência pela frente, os papéis ordinários (ON, com voto) da BM&FBovespa recuaram ontem 2,22% na Bovespa, cotados a R$ 13,20.

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