segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Crédito mais barato para comprar imóvel

Cooperativas vão financiar a casa própria




FINANCIAMENTOS / Cooperativas preparam entrada no financiamento habitacional e prometem taxas menores

Os consumidores interessados em comprar um imóvel terão mais opções, nos próximos meses, na hora de contratar um financiamento. As tradicionais cooperativas de crédito, que se destinam a oferecer empréstimos e prestação de serviços bancários em condições mais favoráveis aos seus associados, prometem dar uma sacudida no setor habitacional dominado pelos grandes bancos. Fruto da associação de pessoas com interesses comuns, que são ao mesmo tempo donas e usuárias dos recursos depositados, as cooperativas pretendem oferecer juros mais baixos que os praticados no mercado. Elas já têm taxas mais atrativas no crédito pessoal e no cheque especial . A primeira a manifestar interesse em criar o produto foi a Sicredi, uma central que agrega 113 cooperativas em 10 estados, com mais de 2 milhões de associados. Ela aguarda somente a liberação da nova linha pelo Banco Central para colocar o produto na rua. Por enquanto, a direção da entidade optou por manter as condições do financiamento em sigilo. Também interessado em oferecer crédito para compra de imóveis, o Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob ) estrutura um projeto par a entrar em operação no primeiro semestre de 2013. Atuando em 13 estados, com 2,3 milhões de associados, o Sicoob pretende ofertar R$ 100 milhões no primeiro ano de operação da linha imobiliária. A gestão dos recursos ficará a cargo do Banco Cooperativo do Brasil (Bancoob), braço financeiro do sistema.

Interior

O superintendente de gestão estratégica do Bancoob, Cláudio Halley , explica que as operações serão feitas em todo o país, mas se concentrarão mais no interior , pois é nas cidades com até 100 mil habitantes que a instituição tem presença marcante. Halley observa que, além do deficit de 17 milhões de novas unidades habitacionais até 2022, há uma demanda de mais 5 milhões de residências para quem compartilha a moradia com familiares ou com amigos e quer comprar a própria casa. "Entendemos que a nossa for-te presença no interior do país nos torna o agente financeiro ideal para possibilitar que a população menos favorecida tenha acesso a crédito . Assim promove-mos o desenvolvimento social e econômico de milhões de brasileiros, o que é uma de nossas missões " , ressalta. O gerente do ramo crédito da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Silvio Giusti, avalia que o mercado imobiliário continua em expansão e a demanda por financiamentos é uma grande oportunidade de negócios. Ele ressalta que, com a redução da Taxa Básica de Juros (Selic) e o potencial de consumo dos brasileiros, há espaço para competição nesse mercado . Giusti afirma que as cooperativas oferecerão aos associados empréstimos atrativos. "Temos um papel social grande e somos motores de desenvolvimento de várias regiões" , diz. Segundo ele, mais de 6 milhões de pessoas integram essas instituições . Par a ele, com a criação do Fundo Garantidor de Crédito das cooperativas singulares de crédito e dos bancos cooperativos pelo Banco Central, em outubro passado, o governo demonstrou interesse em fortalecer a atuação desse segmento na oferta de empréstimos e financiamentos.

Fundo

Na avaliação do sócio titular da JLC Consultores Associados e especialista em organização e normas do sistema financeiro, José Luiz Rodrigues, o sistema de cooperativas de crédito no país está bem estruturado. Ele avalia que a entrada dessas entidades no financiamento imobiliário trará mais competição ao mercado. Segundo Rodrigues , os consumidores serão beneficiados com essa novidade e podem esperar taxas de juros mais baixas que as oferecidas pelos bancos convencionais. "O governo tem dado sinais de que a entrada das cooperativas nesse mercado é importante " ,
diz. Rodrigues também destaca a iniciativa da criação do fundo garantidor de crédito específico para essas instituições como sinal claro da intenção do governo de incentivar essas operações. "Há uma carência de financiamentos no interior do país, onde as cooperativas estão mais presentes. Elas têm todas as condições de competir" , acredita. Para o vice-presidente da Associação Brasileira do Mercado Imobiliário (ABMI), Pedro Fernandes, a proposta das cooperativas é positiva, pois fomentará a competição. "O consumidor terá mais uma opção. Os bancos convencionais precisam se reinventar e taxas de juros mais atrativas podem surgir com esse movimento . " As cooperativas de crédito são equiparadas às instituições financeiras e seu funcionamento deve ser autorizado e regulado pelo Banco Central do Brasil. Seus administradores estão sujeitos a penalidades da Lei 7.492, que trata dos crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.

Autor(es): ANTONIO TEMÓTEO
Correio Braziliense - 26/11/2012

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