quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

A Economia não vive só de estímulos


As economias do mundo pare­cem não reagir aos estímulos fiscais e monetários. Desde 2009, emitiram-se mais de US$5 20 trilhões (35% do PIB mundial). E não há sinais de crescimento que pos­sam indicar que a grande contração es­ta terminando. No Brasil, o crescimen­to tem oscilado nos últimos anos, fruto das incertezas externas, mas permane­ce acima da média econômica global.

O pífio crescimento deste ano, em tomo de 1%, é fato pontual. Deve-se ao excesso de estímulos fiscais e creditícios ao consumo realizados pelo governo Lula, em 2010. Conjugado com a irresponsabilidade bancária na cessão de crédito, estamos pagando as impru­dências públicas e privadas do passado.

Enquanto os efeitos negativos dos estí­mulos não forem removidos, agentes pro­dutivos e consumidores aguardarão os si­nais do crescimento. A boa notícia é que essa fase está próxima do fim. O ano de 2013 será marcado pelo início da retoma­da do crescimento baseado, principal­mente, na força dos novos investimentos.

No próximo ano, inicia-se nova agenda de desenvolvimento de longo prazo, re­presentada pelos programas de investi­mentos na infraestrutura nacional: rodo­viário, ferroviário, portos e aeroportos, energia,petróleo e gás, nos quais investirá mais de R$ 1,1 trilhão ao longo de 10 anos, ou seja, R$ 100 bilhões por ano. É um salto de sete léguas na capacidade competitiva, na inovação tecnológica, no emprego, na ampliação do mercado de capitais. Possi­bilita à economia crescer ao menos 4% ao ano por longo período.

Os investimentos dessa nova agenda de desenvolvimento edificarão novos pi­lares da macro e da microeconomia. Os da macroeconomia estarão representa­dos porvános setores. No setor de petró­leo e gás serão investidos R$ 900 bilhões nos próximos 10 anos. Esses investimen­tos ampliarão o parque industrial. Na no­va rede de transporte rodoviário serão investidos R$ 42 bilhões para construir 7,5 mil km, cujo objetivo é o transporte de carga média de até 400 km no trajeto Norte-Sul (e vice-versa). Hoje, os cami­nhões de carga percorrem mais de 1,2 mil km nesse trajeto, e o custo disso re­flete no preço dos produtos consumi­dos internamente ou exportados. Na malha ferroviária serão investidos R$ 91 bilhões para construir 10 mil km. O obje­tivo é que a carga ferroviária possa per­correr mais de 1 mil km no trajeto Norte- Sul (e vice-versa). O sistema ferroviário interligará a produção de minérios e do agronegócio aos 19 portos da costa brasi­leira, com menor custo e mais eficiên­cia. Serão investidos R$ 54 bilhões na modernização dos portos, reduzindo o custo dos serviços portuários.

Os pilares de microeconomia estarão representados pelos projetos de inovação tecnológica. A Finep investirá R$ 15 bi­lhões em projetos de inovação tecnológi­ca para impulsionar a indústria. A Confe­deração Nacional da Indústria estará criando 27 novos centros de pesquisas de inovação tecnológica em apoio às necessi­dades das empresas do setor. Para atingir esse intento, serão investidos mais de R$1 bilhão. O Senai capacitará mais de 1 mi­lhão de pessoas por ano.

Esse novo Brasil demandará muita mão de obra. O País vive período de pleno emprego. A nova agenda de desenvolvi­mento absorverá toda a mão de obra pos­sível de ser empregada no interior do País. No final desta década, a classe média representará 120 milhões de pessoas (alta de 14% sobre os dias atuais), demandan­do mais moradia, educação com qualida­de, saúde e boa alimentação.

A nova agenda de investimentos ampliará o mercado de renda fixa de longo prazo, aumentando a poupança nacio­nal. Mas nem tudo está seguro nessa no­va agenda. A falta de coordenação, de gerenciamento da informação e de controle dos principais obstáculos, como novos ajustes nos marcos regu- latórios, o nobre intento do governo federal em avançar na competitivida­de econômica nacional poderá frus­trar as expectativas dos investidores e da sociedade.

O principal sinal do presente que se deve aprender é que o estímulo econô­mico duradouro vem dos investimen­tos em infraestrutura e da eficáçia da coordenação pública no tocante à pre­visibilidade dos marcos regulatórios, bem como no atendimento dos inte­resses dos empreendedores nacionais e internacionais.

Felizmente, no Brasil não há crise, bancária ou soberana, como nos países desenvolvidos. Existe um estado de ex­pectativa positivo sobre o abandono do dogmatismo na política econômica pelo rigor pragmático da presidente Dilma Rousseff. Isso faz toda a diferen­ça na organização dos investimentos e na sociedade de consumo.

Autor(es): Ernesto Lozardo
O Estado de S. Paulo - 12/12/2012

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