quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Crédito cresce 24%


O volume de empréstimos para a compra de imóveis cresceu 24% em outubro na comparação com o mesmo período de 2011. O total dos recursos concedidos pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) chegou a R$ 7,56 bilhões no mês passado, conforme dados divulgados ontem pela Associação Brasileira de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

Em relação a setembro, os desembolsos computaram aumento de 9%. E, no acumulado dos 10 meses do ano, os financiamentos imobiliários somaram R$ 66,2 bilhões — expansão de apenas 1,9% ante o mesmo período do ano passado. A Abecip projeta que o financiamento para compra e construção de imóveis em 2012 alcance R$ 95,9 bilhões. Foram financiados 39,3 mil imóveis em outubro, alta de 4,2% em relação a setembro e de 3,8% na comparação anual.

"A queda dos juros e do spread bancário (diferença entre o que os bancos pagam aos investidores e o que cobram dos devedores) tem ajudado a aumentar o volume de financiamentos, e a aceleração em outubro é visível. Além disso, a perspectiva de manutenção da Selic (taxa básica de juros, hoje em 7,25% ao ano, o menor patamar da história) teve forte contribuição para o crescimento no mês passado", avaliou o professor da Universidade de Brasília José Luís Oreiro.

Na opinião do economista, o aumento do crédito imobiliário não deverá replicar em uma inadimplência futura maior. De acordo com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o índice de famílias inadimplentes avançou de 20,5%, em outubro, para 21%, em novembro. "A queda dos custo dos empréstimos e a estabilidade do emprego ajudarão as famílias a controlar os gastos. Não acredito em aumento de inadimplência", afirmou Oreiro.

Até outubro, os financiamentos com recursos da poupança permitiram a compra de 371,6 mil unidades, queda de 8% no ano, conforme os dados da Abecip. "Isso mostra que os recursos aplicados no setor imobiliário estão vindo, provavelmente, de outras fontes, como fundos imobiliários", apostou Oreiro. Visando ampliar os investimentos do setor, o governo anunciou ontem novas medidas de estímulo para o setor da construção civil, incluindo a desoneração na folha de pagamento. "Isso é paliativo e não ataca o problema da baixa competitividade da economia. Essa medida, se der certo, pode aumentar os negócios, o que ajuda a reduzir a taxa de desemprego, que já está baixa", frisou.

Correio Braziliense - 05/12/2012

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