terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Apesar de IPI reduzido, carro puxa a inflação

 Valor dos automóveis ficou 0,84% maior em outubro e novembro segundo índice do IBGE
 O valor dos automóveis cresceu por dois meses consecutivos, acumulando alta de 0,84% em outubro e novembro, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O setor foi um dos contemplados com a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), concedido pelo governo para manter a produção e empregos. A fórmula de enfrentamento dos efeitos da crise financeira foi complementada com outros incentivos, como facilidade ao crédito, para manter o consumo em alta. O resultado para a indústria, que fecha 2012 com nove anos consecutivos de crescimento, foi mais que positivo. Para o consumidor, nem tanto.

A contrapartida das empresas seria repassar aos consumidores descontos compatíveis com o corte do imposto. Os modelos populares, de motor 1.0, ficaram com alíquota zero. A transferência ocorreu nos primeiros meses, mas o quarto trimestre inaugurou tendência contrária, como detectou o IBGE. Luiz Carlos Augusto, consultor independente, reconhece que houve aumento de 1% a 2%, mas ressalva que isso foi consequência da valorização do aço e dos salários. O professor Marcos Morita, especialista em marketing e planejamento estratégico, faz a mesma análise. Segundo ele, o aumento seria ainda maior se não fosse o desconto do IPI.

Para quem compra, no entanto, a conclusão não é a mesma dos analistas. O casal Guiomar Cardim e Silvino Costa conta que antes do anúncio do desconto de IPI o carro escolhido, um Gol, produzido pela Volkswagen, custava em torno de R$ 30 mil. Ontem, ao fechar o negócio, o mesmo modelo saiu por R$ 32 mil. "Não sei que desconto é esse, acho que as reduções não são repassadas integralmente." O engenheiro florestal Elber Menezes da Costa também não se sentiu beneficiado. O veículo escolhido por ele, um Fox, também da Volkswagen, custou R$ 40 mil — "há seis meses ficaria em R$ 37 mil. Se soubesse, teria comprado antes", lamenta.

No sábado, a Fiat repassou para as suas lojas aumento médio de 1% sobre a linha do Novo Palio (1.0 e 1.6), Siena EL, Fiat 500 e Freemont, conforme informações da concessionária Tecar Fiat, de Minas Gerais. Já a linha Linea e o Bravo Absolut tiveram os preços reduzidos em 1,5%. Segundo o gerente de Veículos Novos da Roma Fiat, Mark Crepalde, embora não seja bem recebido pelos consumidores, o reajuste não impacta as vendas por ser pequeno e atingir 10% de todo o catálogo de veículos.
Para o próximo ano, as perspectivas de alta são ainda maiores. Morita e Luiz Carlos não acreditam em nova prorrogação do desconto de IPI.

Autor(es): » SIMONE CALDAS
Correio Braziliense - 11/12/2012
Colaborou Ana Carolina Dinardo

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