terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Matrícula em cursos técnicos sobe para 18% do total no ensino médio

A procura pela educação profissional cresceu mais de 50% no Brasil nos últimos cinco anos. Entre 2005 e 2010, a fatia das matrículas em cursos técnicos sobre o total verificado no ensino médio regular passou de 8,2% para 13,6%, atingindo 1,140 milhão de alunos no ano passado. Em 2011, o peso das matrículas pode ter ficado entre 15% e 18%, informou ao Valor Eliezer Pacheco, titular da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação (Setec-MEC). A confirmação virá com a conclusão da apuração do Censo Escolar da Educação Básica de 2011.

Segundo Pacheco, o desempenho foi acelerado pela expansão da rede federal de escolas técnicas - mais de 200 institutos foram abertos entre 2003 e 2011 -, pelo aumento da oferta pela rede particular, responsável por quase 550 mil matrículas, e, mais recentemente, com as primeiras matrículas do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), criado em outubro de 2011. "Nossa avaliação inicial do programa mostra que o Pronatec matriculou 66,5 mil alunos em 2011 e temos uma média diária de 1.460 pré-matrículas registradas em dezembro", informa Pacheco.

Embora, quase 50% dos alunos da educação profissional estejam na rede particular, Pacheco garante que a maioria das vagas do Pronatec será ofertada pelos institutos federais e pelas escolas do Sistema S (Senai, Senac e Sesi). "As escolas particulares poderão receber estudantes beneficiados pelo Fundo de Investimento Estudantil (Fies). Os beneficiários terão seus estudos financiados pelo Estado para realizar cursos em escolas privadas. O aluno poderá escolher qualquer escola privada de ensino técnico cuja adesão ao programa tenha sido aprovada pela Setec."

O educador João Batista Oliveira, presidente do Instituto Alfa e Beto, vê no Pronatec a reedição de programas de formação profissional do passado, sem conexão com as necessidades do mercado de trabalho. "Desde a década de 1970, esse tipo de "campanha" não resolve nenhum problema e acarreta vultosos custos. Reforça a ampliação da rede pública de escolas técnicas federais, desperdiçando milhões em cursos de capacitação totalmente divorciados das demandas do mercado de trabalho, mas que engordam as estatísticas e reforçam o caixa das instituições de formação profissional."

De acordo com Pacheco, a formação técnica no Brasil ocorre com base em apurações de técnicos do MEC, análise de dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), audiências públicas e pesquisas sobre o desenvolvimento sócio-econômico regional e micro-regional. "Temos um leque de informações que nos auxiliam a constituir nossos cursos, de um lado, e a contribuir para a permanência dos bons profissionais em suas áreas", explica Pacheco.

Wanda Engel, superintendente-executiva do Instituto Unibanco, elogia a nova política educacional do país por "ampliar a atual capacidade instalada" do ensino médio, mas é cética quanto à ampliação das vagas no curto prazo. "O Pronatec pega um ativo existente e o melhora, disponibilizando mais vagas. Mas vai levar tempo para chegarmos a 30% de matrículas técnicas em proporção ao médio regular, como nos países com tradição em educação profissional."

Wanda destaca que, além do "investimento pesadíssimo" para custear uma modalidade de ensino mais cara, é necessário formar mão de obra. "Não é só ampliar vagas e colocar tijolinhos nas escolas. Onde vamos conseguir professores de mecânica, informática, se o país sofre com a falta de docentes para dar aula de química e física."

Com a sanção do Pronatec em outubro, os investimentos federais previstos na educação profissional estão em torno de R$ 24 bilhões até 2014. Além da renúncia fiscal e do apoio financeiro às redes estaduais e municipais, estão planejados o desenvolvimento do ensino técnico à distância e a construção de mais institutos, que devem passar das atuais 366 para 562 unidades.

Wanda também alerta que a educação profissional não pode ser vista como "a salvação da lavoura". Para ela, é preciso encontrar uma forma de tornar o ensino médio básico mais atrativo e superar o problema da evasão, que chega a 50%. "É preciso modernizar a escola e oferecer ao jovem um nexo entre educação e trabalho."

Autor(es): Por Luciano Máximo | De São Paulo
Valor Econômico - 09/01/2012
www.valoronline.com.br

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Professor da Unicamp ratifica inexistência de rombo na Previdência Social

Na última semana, as manchetes dos jornais saldaram o bom desempenho da Previdência Social – “o melhor resultado em nove anos”. De fato, até novembro de 2011 o segmento urbano teve superávit de 28 bilhões de reais. Com as renúncias fiscais – que deveriam ser bancadas pelo Tesouro – o superávit cai para 10 bilhões reais.


'Sentenciar que a Previdência Rural incorre em “déficit” é tão equivocado quanto afirmar que existe “rombo” nas contas dos ministérios da Defesa, do Planejamento, da Educação ou da Casa Civil' Esse resultado, fruto do crescimento da economia e da criação dos empregos formais, mostra a falácia das pregações dos profetas do apocalipse ligados ao mercado financeiro. Alguns escreveram que sem a reforma da previdência “o país seria ingovernável”.

Por desconhecimento ou má-fé não foram éticos ao sonegar à sociedade a informação de que problemas financeiros decorriam da redução do ritmo de crescimento das receitas durante mais de 25 anos em que a economia cresceu menos de 2% ao ano. Se tivesse crescido 4% ao ano, a atual relação despesa/ PIB (7,5%) seria metade.

Cansados de tantos mitos e falácias, um grupo de 33 especialistas lançou um livro apresentando ao debate uma visão alternativa àquela defendida pelos representantes do mercado financeiro: o real problema era exógeno (baixo crescimento) e não endógeno (aumento de despesas). Logo, a alternativa era maior crescimento econômico e não mais reformas ortodoxas para suprimir direitos.

No meio acadêmico essa nova visão apresentada ao debate foi bem recebida; mas foi olimpicamente ignorada pelos formadores de opinião da grande imprensa.

No caso da Previdência Rural, até novembro de 2011 os gastos totalizaram 49 bilhões de reais (excluindo as renúncias fiscais ao agronegócio de 2,5 bilhões de reais). Todavia, à luz da Constituição, esse gasto não é “déficit”. E, sua fonte de financiamento não é a receita da previdência urbana.

O segmento rural é um benefício típico da “Seguridade Social” (todos têm direito ao mínimo, independente da sua capacidade de contribuição), antagônico da lógica privada do “Seguro Social” (somente tem direito quem contribui). Esse princípio, previsto no clássico Plano Beveridge (1944), base welfare state, inspirou os constituintes de 1988.

A sociedade concordou em assegurar uma velhice digna a milhões de trabalhadores rurais que começaram a trabalhar nas décadas de 1940, sem registro na carteira e em condições de semiescravidão. Passados 40 anos, em 1988, o que as forças do mercado pretendiam fazer?  Deixar oito milhões de velhos rurais ao deus dará, vagando pelas ruas e sarjetas urbanas. Perderam, mas jamais aceitaram a derrota.

Reza o Plano Beveridge que benefícios da Seguridade Social são pagos pelo conjunto da sociedade por meio de impostos gerais. A Constituição criou duas novas contribuições (CSLL e COFINS) para essa finalidade.

Sentenciar que a Previdência Rural incorre em “déficit” é tão equivocado quanto afirmar que existe “rombo” nas contas dos ministérios da Defesa, do Planejamento, da Educação ou da Casa Civil. Qual a diferença? Nenhuma, pois todos são financiados por impostos gerais pagos pelo conjunto da sociedade.

Nesse sentido, faço um modesto apelo aos jovens jornalistas: leiam os artigos 194 e 195 da Constituição. Além de informar corretamente os leitores, se forem éticos, não reproduzirão manchetes como “Previdência regista menor déficit desde 2002”; ou “Déficit do INSS cai 22% e tem o menor valor desde 2002”.

Ao ministro da Previdência faço outro apelo singelo: mude a forma de contabilização dos dados da previdência. A atual – repetida desde 1989 – é claramente inconstitucional. Já escrevi e tenho incentivado o movimento social a impetrar Ação Direta de Inconstitucionalidade.

Mas isso seria evitável se o ministério incluísse o COFINS e a CSLL como fontes de financiamento da previdência rural. Outra medida é excluir as renúncias fiscais – de responsabilidade do Tesouro Nacional. Com isso o ministro transformará o “abacaxi” num delicioso suco ou, se preferir, numa caipirinha.
 
Eduardo Fagnani*, na Carta Capital www.cartacapital.com.br
Professor Doutor do Instituto de Economia da Unicamp

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Desemprego recua em dezembro e fecha a 4,7%, diz IBGE
 
Taxa é a menor para mês de dezembro e de toda a série histórica do IBGE.
No ano, população desocupada somou 1,4 milhão de pessoas, em média.

A taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) recuou para 4,7% em dezembro de 2011, após ficar em 5,2% em novembro, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (26). Essa taxa é a menor para o mês de dezembro e também a menor de toda a série histórica da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) iniciada em março de 2002, segundo o instituto.Em dezembro de 2010, o indicador havia ficado em 5,3%.


Com o resultado do último mês de 2011, a média da taxa de desemprego no ano ficou em 6%. De acordo com o IBGE, também a menor média anual. Em 2010, a taxa média de desocupação era de 6,7%.

Em dezembro, a população desocupada foi estimada em 1,1 milhão de pessoas, registrando queda de 9,5% sobre o mês anterior e de 9,4% em relação a dezembro de 2010. No ano inteiro, em média, os desocupados somaram 1,4 milhão de pessoas - recuo de 10,4% sobre 2010.

Já a população ocupada atingiu 22,7 milhões de pessoas, ficando estável na comparação mensal e apresentando alta de 1,3% sobre dezembro de 2010. Na média de 2011, os ocupados somaram 22,5 milhões de pessoas, um contingente 2,1% maior que o de 2010 (22,0 milhões).

Quanto ao número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado, a soma chegou a 11,2 milhões, não apresentando variação em relação a novembro, mas registrou alta de 6,0% sobre dezembro do ano anterior. No ano inteiro, na média, houve um recorde na proporção de trabalhadores com carteira assinada (10,9 milhões) em relação ao total de ocupados: 48,5%, frente a 46,3% em 2010.
Salário

O rendimento médio real habitual dos ocupados ficou em R$ 1.650,00, o valor mais alto para o mês de dezembro desde 2002, e aumentou 1,1% sobre novembro. Na comparação com dezembro de 2010, o poder de compra cresceu 2,6%.

A média anual do rendimento médio mensal habitualmente recebido no trabalho principal foi estimada em R$ 1.625,46, aumento de 2,7% em relação a 2010. O rendimento domiciliar per capita aumentou de 2010 para 2011 em 3,8%.

Do G1, em São Paulo

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Mudanças na Petrobras



Petrobras: mão de ferro com nova presidente

Mão de ferro no petróleo

Nova presidente da Petrobras, que tomará posse dia 13, deve reestruturar diretoria da estatal e atuar mais alinhada ao governo

Maria das Graças Foster, que toma posse na presidência da Petrobras no próximo dia 13, deverá dirigir a estatal com mão de ferro e vai promover uma arrumação geral, na opinião de executivos do setor ouvidos pelo GLOBO. Atual diretora de Gás e Energia da companhia e um nome de absoluta confiança da presidente Dilma Rousseff, Graça - como é conhecida - assumirá o lugar de José Sergio Gabrielli, há quase sete anos no cargo, em mudança que será anunciada na reunião do Conselho de Administração da Petrobras, prevista para o dia 9 de fevereiro. Segundo uma fonte do setor, uma das primeiras ações de Graça será alinhar a atuação das diretorias, que atualmente trabalham de forma independente. Com seu estilo duro e exigente, que cobra resultados de seus subordinados, Graça deverá ter uma posição mais afinada com o governo federal, principalmente em relação aos preços dos combustíveis, que vêm sendo usados na estratégia de controle da inflação. Gabrielli sempre teve sérios atritos com Dilma ao ter seus pedidos de reajustes sistematicamente negados.

- Hoje, cada diretoria é um verdadeiro feudo, cada uma vai para um lado, conforme o partido político que tem apoio. Acredito que com Graça as diretorias vão voltar a trabalhar juntas, mais alinhadas - disse um executivo.

Gabrielli, por sua vez, deve assumir uma secretaria no governo de Jaques Wagner (PT-BA), seu padrinho político, depois de passar por uma quarentena. Ontem, Gabrielli disse apenas que cabe ao Conselho nomear a diretoria, assim como cabe ao governador nomear seu secretariado.

- A pauta da próxima reunião do conselho ainda não está definida. Não tenho nada a comentar - afirmou Gabrielli ao GLOBO, por telefone.

Gabrielli acirra disputa na Bahia

Nos bastidores, Dilma já tinha manifestado o desejo de fazer essa mudança desde a transição de governo, no fim de 2010. Mas recuou na ocasião, depois de uma pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A presidente só bateu o martelo depois de consultar Wagner. Os dois se encontraram no início deste ano na Base Naval de Aratu, na Bahia, onde ela passou o feriado de Ano Novo. O governador baiano também esteve em Brasília recentemente. Wagner já vinha defendendo que Gabrielli deveria se incorporar ao seu governo para ter uma presença mais constante na política baiana - para tentar consolidar uma candidatura ao Palácio de Ondina, sede do governo estadual, em 2014. A gestão de Gabrielli é bem avaliada no setor sob o ponto de vista de relações públicas, tanto no país quanto na área internacional, mas foi muito criticada pelo mercado por promover a bilionária capitalização em 2010, para investir na exploração do pré-sal. Isso porque o governo ampliou significativamente sua participação na companhia, diluindo a dos minoritários.

Para o lugar de Graça está sendo esperado um nome interno, entre os gerentes da área. Também é analisada a possibilidade de mudança em mais alguma diretoria da Petrobras. São seis ao todo, Exploração & Produção, Gás e Energia, Engenharia, Abastecimento, Financeira, e Internacional, que têm as forças políticas divididas entre as várias alas do PT e do PMDB. 

Entre as substituições cogitadas, está a de Guilherme Estrela, que ocupa a de Exploração. Outra troca seria na Internacional, hoje ocupada por Jorge Zelada, que tem o apoio do PMDB.
Ontem, um interlocutor da presidente Dilma lembrava que a relação entre ela e Graça é muito antiga, e anterior ao governo Lula. As duas se conheceram quando Dilma era secretária de Energia do Rio Grande do Sul, no governo Olívio Dutra (PT). Na ocasião, Graça, engenheira química de formação, era gerente da área de Gás e as duas desenvolveram parcerias administrativas. Quando assumiu o Ministério de Minas e Energia no governo Lula, Dilma chamou Graça para ser a Secretária de Petróleo e Gás da pasta. Quando virou chefe da Casa Civil, Graça ocupou novos cargos na Petrobras: primeiro assumiu a presidência da Petroquisa, depois o comando da BR Distribuidora, e, em 2007, passou a ser a poderosa diretora de Gás e Energia da Petrobras.

A saída de Gabrielli antecipa uma disputa interna no PT da Bahia pela sucessão de Wagner. Gabrielli deverá ganhar uma secretaria de visibilidade no governo baiano, já que pelo menos três outros pré-candidatos já estão em campo. Pode até ser criada uma secretaria específica de Minas e Energia. Mas, internamente, existe uma avaliação de que este não era o melhor momento para ele se afastar da companhia. O ideal, do ponto de vista de alguns petistas, teria sido ele deixar a empresa somente em 2013, mais perto das eleições. No comando da Petrobras, avaliam seus companheiros de partido, ele teria mais visibilidade e força, e um caixa de bilhões para fazer investimentos, inclusive na Bahia. Era essa a estratégia política de Wagner e de setores do PT. Mas não combinava com a decisão da presidente Dilma.

Autor(es): agência o globo:Ramona Ordoñez, Mônica Tavares e Gerson Camarotti
O Globo - 23/01/2012 www.oglobo.com.br

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012


Dólar interrompe tendência de queda e sobe no fim da semana

Moeda norte-americana fechou cotada a R$ 1,7631 para venda.
Divisa terminou em baixa de 0,20%.

Após quatro dias de desvalorização, o dólar começava a jornada desta sexta-feira (20) em ritmo de alta
.
Por volta das 9h40, o dólar comercial operava cotado a R$ 1,768 na venda, alta de 0,28%.

Depois de oscilar entre o terreno posivito e negativo ao longo do dia, o dólar comercial acabou fechando em queda na véspera, engatando, assim, quatro dias seguidos de desvalorização. A moeda norte-americana fechou cotada a R$ 1,7631 para venda, baixa de 0,20%.

A semana acaba com fraca agenda de indicadores. O ponto alto são as vendas de imóveis usados nos Estados Unidos no mês de dezembro.

Na Europa, a Alemanha apresenta o índice de preços ao produtor e o Reino Unido divulga as venda no varejo.

Olhando para a próxima semana, a agenda reserva eventos relevantes. Por aqui, atenção ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA-15) de janeiro, à ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e aos dados sobre o desemprego em dezembro.

Nos Estados Unidos, o destaque fica por conta da reunião do Federal Reserve (Fed), banco central americano, que inaugura novas ferramentas de comunicação de política monetária, como previsões sobre o comportamento da taxa de juros no longo prazo.

Na zona do euro, o foco continua voltado aos leilões de dívida. Itália, Espanha e Alemanha têm operações agendadas.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Uma nova queda conforme expectativas.


Copom baixa juros para 10,5% ao ano na quarta redução consecutiva
 Trata-se do menor patamar dos juros em um ano e meio, segundo BC. Expectativa do mercado financeiro é de novos cortes nos próximos meses.
O Comitê de Política Monetária (COPOM)) do Banco Central, colegiado formado pela diretoria e presidente da autoridade monetária, se reuniu nesta quarta-feira (18) e decidiu, na primeira reunião deste ano, baixar novamente os juros básicos da economia brasileira, que recuaram de 11% para 10,50% ao ano.

 
Trata-se da quarta reunião consecutiva de redução dos juros, que caíram ao menor nível desde junho de 2010 (10,25% ao ano). Com a decisão, a autoridade monetária confirmou a expectativa do mercado financeiro e "devolveu" todo aumento de juros efetuado desde o início do governo Dilma Rousseff - visto que os juros começaram o ano passado em 10,75% ao ano.

Sistema de metas de inflação e previsões

Pelo sistema de metas de inflação, que vigora no Brasil, o BC tem de calibrar os juros para atingir as metas pré-estabelecidas, tendo por base o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Para 2012 e 2013, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Deste modo, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.

Para este ano e para 2013, a estimativa do mercado financeiro para o IPCA é de 5,3% e de 5%, ou seja, ainda acima da meta central de inflação. O próprio BC ainda prevê inflação acima da meta central em 2012 e 2013.

Em dezembro, no último relatório de inflação, a autoridade monetária estimou um IPCA de 4,7% para este ano e para o próximo no "cenário de referência" (juros e câmbio estáveis). Com cenário de queda dos juros esperado pelo mecado financeiro, a previsão ficou em 4,7% para este ano em em 5,2% para 2013.

Explicação

Ao fim do encontro, o BC divulgou a seguinte explicação para a decisão do Copom: "Dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 10,50% ao ano, sem viés. O Copom entende que, ao tempestivamente mitigar os efeitos vindos de um ambiente global mais restritivo, um ajuste moderado no nível da taxa básica é consistente com o cenário de convergência da inflação para a meta em 2012".

Crise financeira e recuperação

A nova redução dos juros por parte do Banco Central foi tomada em meio à crise financeira internacional, que começou em setembro de 2009, mas que voltou a piorar em meados do ano passado - com o rebaixamento da dívida dos Estados Unidos pela agência de classificação de risco Standard & Poors.

Para o BC, a "transmissão" do cenário de crise externa para a economia brasileira pode acontecer por meio da redução do volume de comércio e do menor aporte de investimentos, além de restrições ao crédito e da "piora" no sentimento de consumidores e empresários. A crise também deve gerar, segundo analistas, redução dos preços dos alimentos - contribuindo para moderar as pressões inflacionárias.

Para o economista da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flavio Castelo Branco, a recuperação do nível de atividade,identificada pelo IBC-Br do BC de novembro, e pelos indicadores industriais, que poderia pressionar a inflação, ainda não preocupa.

"Há indícios de que um período de maior dificuldade tenha sido vencido. Houve uma retomada. Tivemos um indício. Os indicadores de novembro foram novamente mais favoráveis, e podem estar refletindo que o período de maior dificuldade tenha passado. Mas a expectativa é de uma reuperação gradual da atividade. A única fonte de pressão inflacionária é o aumento do salário mínimo, mas não vejo empecilho para a queda dos juros neste momento", disse o economista da indústria.

Comportamento previsto para os juros no futuro

A previsão do mercado financeiro é que a taxa de juros, fixada pelo Banco Central, continue recuando nos próximos meses. A estimativa é de que os juros básicos caiam para 10% ao ano em março e para 9,5% ao ano em abril deste ano - patamar no qual, ainda segundo previsão dos economistas dos bancos, fechariam o ano de 2012. Entretanto, a previsão dos analistas do mercado financeiro é de novos aumentos de juros a partir do começo de 2013 - finalizando o próximo ano em 10,25% ao ano.

Juros reais mais altos do mundo

Levantamento do economista Jason Vieira, da corretora Cruzeiro do Sul, em parceria com Thiago Davino, analista de mercado da Weisul Agrícola, mostra que os juros reais brasileiros (após o abatimento da inflação prevista para os próximos doze meses) permanecem no patamar mais alto do mundo - apesar dos quatro cortes consecutivos na taxa básica nos últimos meses.

Em 10,50% ao ano, a taxa real de juros (após o abatimento da inflação) do Brasil ficou em cerca de 4,9% ao ano, bem acima do segundo colocado (Hungria, com 2,8% ao ano). A taxa média de juros de 40 países pesquisados está negativa em 0,9% ao ano.

Alexandro Martello Do G1, em Brasília

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Hoje poderemos ter uma taxa de juros menor.

Selic deve cair ao menor nível desde junho de 2010, apontam analistas

Copom decide nova taxa nesta quarta, mercado prevê corte de 0,5 ponto.
Após abater inflação, taxa deve ser de 4,9% ao ano, ainda recorde mundial.

A Selic, taxa básica de juros da economia brasileira, atualmente em 11% ao ano, deve ser reduzida para 10,5% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que realiza seu segundo dia de reuniões nesta quarta-feira (18), de acordo com a estimativa dos economistas das instituições financeiras.

Caso a previsão do mercado se confirme, será o menor patamar desde junho de 2010 (10,25% ao ano). O anúncio sobre a taxa de juros acontecerá após as 18h desta quarta, em comunicado do Banco Central. Mesmo a taxa atingindo o menor valor em pouco mais de um ano e meio, em termos reais, ou seja, após o abatimento da inflação prevista para os próximos doze meses, os juros brasileiros ainda permanecerão no maior patamar do mundo.

 
Levantamento do economista Jason Vieira, da corretora Cruzeiro do Sul, em parceria com Thiago Davino, analista de mercado da Weisul Agrícola, mostra que os juros reais brasileiros atingirão 4,9% ao ano com o corte de 0,5 ponto percentual na taxa básica da economia brasileira, para 10,5% ao ano, previstos pelos economistas dos bancos brasileiros. Deste modo, ainda permanecerão bem acima do segundo colocado (Hungria, com 2,8% ao ano) e do terceiro (China, com 2,4% ao ano). A taxa média de juros de 40 países pesquisados está negativa em 0,9% ao ano.

Porque os juros são altos no Brasil?

Segundo o professor Samuel Pessoa, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da Consultoria Tendências, os juros são altos no Brasil, em comparação com outros países, por conta do baixo nível da poupança brasileira, atualmente em cerca de 17% do Produto Interno Bruto (PIB).

"Os juros altos são consequência do excesso de demanda sobre a oferta. Tem de olhar porque existe a tendência de os investimentos serem mais altos do que a poupança no Brasil. Isso gera excesso de demanda no mercado de bens e serviços. O que explica o juro alto no Brasil é a baixa poupança. O Brasil poupa muito pouco. Se o pessoal poupasse mais, e gastasse menos, os juros seriam menores", explicou ele.

Caso a economia feita pelo governo para pagar juros da dívida pública (o chamado "superávit primário") continue em cerca de 3% do PIB nos próximos anos, Pessoa diz que será possível continuar baixando os juros natualmente nos próximos anos.

"Em um horizonte de cinco a seis anos, os juros brasileiros devem estar mais próximos do resto do mundo. Mesmo porque tem o compromisso da presidente [Dilma Rousseff] em reduzir os juros. Ela quer fazer isso. É uma das marcas que ela quer imprimir ao seu governo e está fazendo todo esforço possível para criar espaço no orçamento para que a poupança pública se eleve", declarou.

Sistema de metas de inflação e previsões

Pelo sistema de metas de inflação, que vigora no Brasil, o BC tem de calibrar os juros para atingir as metas pré-estabelecidas, tendo por base o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Para 2012 e 2013, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Deste modo, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.

Para este ano e para 2013, a estimativa do mercado financeiro, colhida pelo Banco Central, para o IPCA é de 5,3% e de 5%, ou seja, ainda acima da meta central de inflação. O próprio BC ainda prevê inflação acima da meta central em 2012 e 2013. Em dezembro, no último relatório de inflação, a autoridade monetária estimou um IPCA de 4,7% para este ano e para o próximo no "cenário de referência" (juros e câmbio estáveis). Com cenário de queda dos juros esperado pelo mecado financeiro, a previsão ficou em 4,7% para este ano em em 5,2% para 2013.

Comportamento previsto para os juros no futuro

A previsão do mercado financeiro é que a taxa de juros, fixada pelo Banco Central, continue recuando nos próximos meses. A estimativa é de que os juros básicos caiam para 10% ao ano em março e para 9,5% ao ano em abril deste ano - patamar no qual, ainda segundo previsão dos economistas dos bancos, fechariam o ano de 2012. Entretanto, a previsão dos analistas do mercado financeiro é de novos aumentos de juros a partir do começo de 2013 - finalizando o próximo ano em 10,25% ao ano.

Alexandro Martello Do G1, em Brasília

terça-feira, 17 de janeiro de 2012


Risco de contágio da crise no Brasil é pequeno

Yves Zlotowski - Economista do COFACE 
O impacto da crise europeia sobre o Brasil e também sobre a América Latina não será tão forte, na visão do economista-chefe da seguradora de crédito francesa Coface, Yves Zlotowski. Segundo ele, a desaceleração vista em alguns países, como o Brasil, que ficou estagnado no terceiro trimestre do ano passado, está mais ligada a políticas fiscais e monetárias restritivas para controlar a inflação do que a impactos dos problemas europeus.

Além disso, ele se diz "relativamente otimista" por esperar que a recessão na Europa dure apenas um semestre, com alguma melhora da confiança de consumidores e empresários da região do euro a partir de meados deste ano. Zlotowski acredita em expansão de 0,7% para a Alemanha e 0,3% para a França em 2012.

"A qualidade das políticas públicas locais é uma das maiores força do Brasil". Ele cita como aspectos que diluem o contágio o fato de os países da América Latina terem uma pauta de exportação diversificada, não concentrada na Europa.

Além disso, o crédito vindo de bancos europeus é da ordem de 17% do PIB latino-americano também pequeno se comparado com outras economias do mundo, como na Ásia e no leste europeu.

"Seja via comércio exterior, seja via crédito, a América Latina não está tão exposta aos problemas da Europa", diz Zlotowski, durante o Country Risk Conference, evento anual organizado pela Coface, em Paris.

Ele ponderou, no entanto, que no caso brasileiro há a necessidade de investimentos em infraestrutura e que apesar de o país não ter problemas de endividamento, o excesso de crédito dado pelo BNDES nos últimos anos pode ser uma ameaça.

As visões sobre a economia brasileira, de maneira geral, são positivas, segundo economistas que participaram do evento anual da Coface. Mas quase todos os palestrantes mencionaram o risco de um processo de desindustrialização da economia brasileira, como resultado justamente do aumento das exportações de commodities.

Rajiv Biswas - Economista IHS Global
Para Rajiv Biswas, diretor e economista-chefe da IHS Global Insight, o Brasil deve crescer entre 4% e 4,5% em média nos próximos 15 anos. O desempenho não será tão brilhante quanto na Índia, cuja expansão ficará entre 7% e 8%, mas deve superar a Rússia dentro do Bric. "O Brasil deve se beneficiar das exportações para a China", disse.

O economista-chefe da Coface concorda com essa avaliação, mas pondera que as vendas para o gigante asiático têm provocado distorções na pauta de exportação brasileira, prejudicando a indústria local.

Jérôme Contamine, vice-presidente da Sanofi, foi ainda mais enfático. "O país está perdendo competitividade, com exceção do mercado de commodities. Esse é um problema para o longo prazo", diz.

A moeda sobrevalorizada também é uma ameaça para a indústria, segundo os especialistas, mas essa questão pode sofrer uma reversão nos próximos anos à medida que a China caminhe para uma economia mais voltada ao mercado interno, com uma apreciação da sua moeda, diz Biswas.

Nesse contexto, diz ele, muitas empresas multinacionais se verão obrigadas a transferir parte de suas produções para outros países emergentes, diz o economista da IHF, e o Brasil pode se beneficiar.

Yifan Hu, diretora da Haitong International Research, pondera que essa transição só ocorrerá no longo prazo. Nos próximos cinco anos, diz a especialista na economia chinesa, o país continuará focado em investimentos em infraestrutura, com peso importante do governo, e mantendo a visão exportadora. "O ajuste será gradual", diz ela. (FT)

www.valoronline.com.br 17/01/2012