segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Receita libera programa para preenchimento do IR 2012
Prazo de entrega da declaração começa apenas em 1º de março.
Para preencher documento, contribuinte já deve ter informe de rendimentos.

A Receita Federal liberou para "download", desde de sexta-feira 24/02, o programa para preenchimento da declaração do Imposto de Renda 2012 na página do Fisco. No entanto, apesar de o programa estar liberado, a declaração só poderá ser enviada a partir das 8h do dia 1º de março. Clique no link do portal da Receita Federal (www.receita.fazenda.gov.br) para baixar o programa.

O programa do IR, porém, não poderá ser baixado em tablets ou smartphones. Também foi disponibilizado, nesta sexta-feira, um tutorial, que simula uma "linha de metrô", para ajudar os contribuintes que tenham dúvidas sobre a declaração do IR de 2012.

"O contribuinte poderá ir tirando suas dúvidas sobre as várias fases da declaração. Esta 'linha do metrô' teve um acesso de 26,36 milhões em 2011, o que mostra que foi um sucesso", disse a secretária-adjunta da Receita Federal, Zayda Manatta.

Apesar de ter anunciado que só liberaria o programa de envio da declaração, Receitanet, em 1º de março, a Receita também deixou a plataforma disponível para "download" desde de sexta feira dia 24/02.

Declaração já pode ser feita

Os contribuintes que já receberam dos seus empregadores os comprovantes de rendimentos poderão utilizar o fim de semana, o primeiro após o carnaval, para preencher a declaração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2012, ano-base 2011.

A partir de 1º de março, a declaração poderá ser enviada pela internet, por meio da utilização do programa de transmissão da Receita Federal (Receitanet) que pode ser baixado em www.receita.fazenda.gov.br ou via disquete, nas agências do Banco do Brasil ou da Caixa Econômica Federal, durante o seu horário de expediente. A entrega do documento, via formulário, foi extinta em 2010.

Comprovante de rendimentos

A possibilidade de usar este fim de semana para fazer a declaração do IR não será para todos os contribuintes. Isso porque é necessário, ter em mãos, o comprovante de rendimentos do último ano. Pela lei, este documento tem de ser entregue pelos empregadores aos seus funcionários até o fim deste mês, ou seja, até 29 de fevereiro, quarta feira da próxima semana Dependendo da empresa, portanto, o comprovante de rendimentos pode chegar na semana que vem.

As informações contidas no comprovante de rendimentos são cruzadas com as fornecidas na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), que as empresas também devem remeter à Receita Federal até 29 de fevereiro. Caso a Receita encontre divergências, a declaração é retida na chamada malha fina até que as partes solucionem as pendências.

Restituições do IR

Quem apresenta a declaração do IR mais cedo, sem erros ou omissões, também recebe a restituição do IR mais rapidamente. As restituições começam a ser pagas pelo leão em junho de cada ano e se estendem até dezembro, em sete lotes. As consultas geralmente são abertas por volta do dia 8 e o pagamento é realizado no dia 15 - quando a data não cai no fim de semana ou feriado. Nestes casos, o depósito é feito no dia útil seguinte.

.Os primeiros lotes de restituição de cada ano, porém, geralmente são reservados para os idosos (acima de 60 anos), que, segundo o Estatuto do Idoso, têm prioridade no recebimento dos valores. Em junho do ano passado, por exemplo, no pagamento do primeiro lote do IR de 2011, 1,3 milhão de contribuintes idosos, de um total de 1,5 milhão de pessoas, foram beneficiados. Naquele momento, foram pagos R$ 1,9 bilhão em restituições.

Aplicação financeira

Os contribuintes também podem optar, caso não tenham pressa no recebimento dos valores, em entregar a declaração mais perto do fim do prazo. Neste ano, o prazo vai até 30 de abril. Com isso, deixariam para receber os valores das restituições, caso o documento esteja sem erros ou omissões, nos últimos lotes do IR (em novembro e dezembro).

Até lá, receberiam a variação da taxa básica de juros da economia, a Selic, atualmente em 10,5% ao ano. Este procedimento equivaleria a uma aplicação dos valores das restituições na variação dos juros definidos pelo Banco Central. Com a vantagem de não ter de recolher Imposto de Renda - o que ocorre quando se compra de títulos públicos.
25 milhões de declarações

A expectativa do Fisco é de receber cerca de 25 milhões de documentos neste ano, volume acima dos 24,37 milhões de declarações recebidas em 2011. Estão obrigadas a apresentar a declaração as pessoas físicas que receberam rendimentos tributáveis superiores a R$ 23.499,15 em 2011 (ano-base para a declaração do IR de 2012).

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Universidade e inserção social

Por que dizemos universidade e não pluriversidade? Trata-se de uma instituição que comporta diferentes disciplinas. Multicultural, nela coabita a diversidade de saberes. O título universidade simboliza a sinergia que deveria existir entre os diversos campos do saber.
Frei Beto

Característica lamentável em nossas universidades, hoje, é a falta de sinergia. Carecem de projeto pedagógico estratégico. Não se perguntam que categoria de profissionais querem formar, com que objetivos, de acordo com quais parâmetros éticos.

Ora, quando não se faz tal indagação é o sistema neoliberal, centrado no paradigma do mercado, que impõe a resposta. Não há neutralidade. Se o limbo foi, há pouco, abolido da doutrina católica, no campo dos saberes ele nunca teve lugar.

Um cristão acredita nos dogmas de sua Igreja. Mas é no mínimo ingênuo, senão ridículo, como assinala o filósofo Hilton Japiassu, um mestre ou pesquisador acadêmico crer no propalado dogma da imaculada concepção da neutralidade científica.

Em que medida nossas instituições de ensino superior são verdadeiramente universidades, ou seja, se regem por uma direção, um enfoque dialógico, um projeto pedagógico estratégico? Ou se restringem a formar profissionais qualificados destituídos de espírito crítico, voltados a anabolizar o sistema de apropriação privada de riquezas em detrimento de direitos coletivos e indiferente à exclusão social?

A universidade, como toda escola, é um laboratório político, embora muitos o ignorem. E a política, como a religião, comporta um viés opressor e um viés libertador. Como diria Fernando Sabino, são facas de dois legumes...

Um dos fatores de desalienação da universidade reside na extensão universitária. Ela é a ponte entre a universidade e a sociedade, a escola e a comunidade.

As universidades nasceram à sombra dos mosteiros. Esses, outrora, eram erguidos distantes das cidades, o que inspirou a ideia de câmpus, centro escolar que não se mescla às inquietações cotidianas, onde alunos e professores, monges do saber, vivem enclausurados numa espécie de céu epistemológico. Como assinalava Marx, dali contemplam a realidade, tranquilos, agraciados pelas musas, encerrados na confortável câmara de uma erudição especializada que pouco ou nada influi na vida social.

Essa crítica à universidade data do século 19, quando teve início a extensão universitária. Em 1867, a Universidade de Cambridge, Inglaterra, promoveu um ciclo de conferências aberto ao público. Pela primeira vez, a academia abria suas portas a quem não tinha matrícula, o que deu origem à criação de universidades populares.

Antonio Gramsci estudou numa universidade popular na Itália. A experiência o fez despertar para o conceito de universidade como aparelho hegemônico que se relaciona com a sociedade de modo legitimador ou questionador. Para ele, uma instituição crítica deveria, por meio dos mecanismos de extensão universitária, produzir conhecimentos acessíveis ao povo.
Na América Latina, antes de Gramsci houve o pioneirismo da reforma da Universidade de Córdoba, em 1918. A classe média se mobilizou para que as universidades controladas pelos filhos dos latifundiários e pelo clero se abrissem a outros segmentos sociais. Fez-se forte protesto contra o alheamento olímpico da universidade, sua imobilidade senil, seu desprezo pelas carências da comunidade do entorno.

A proposta de abrir a universidade à sociedade alcançou sua maturidade, na América Latina, no 1º Congresso das Universidades Latino-Americanas, reunido na Universidade de San Carlos, na Guatemala, em 1949. O documento final rezava: "A universidade é uma instituição a serviço direto da comunidade, cuja existência se justifica enquanto desempenha uma ação contínua de caráter social, educativo e cultural, aliando-se a todas as forças vivas da nação para analisar seus problemas, ajudar a solucioná-los e orientar adequadamente as forças coletivas. A universidade não pode permanecer alheia à vida cívica dos povos, pois tem a missão fundamental de formar gerações criadoras, plenas de energia e fé, consciente de seus altos destinos e de seu indeclinável papel histórico a serviço da democracia, da liberdade e da dignidade dos homens".

Sessenta e dois anos depois do alerta de San Carlos, neste mundo hegemonizado por transnacionais da mídia mais interessadas em formar consumistas que cidadãos, nossas universidades ainda não priorizam o cultivo dos valores próprios de nossas culturas nem participam ativamente do esforço de resistência e sobrevivência de nossa identidade cultural — o que deveria se traduzir no empenho para erradicar a miséria, o analfabetismo, a degradação ambiental, a superação de preconceitos e discriminações de ordem racial, social e religiosa.

Autor(es): Frei Betto
Correio Braziliense - 17/02/2012

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Mercado prevê menos crescimento e juros em 2013
 
Expectativa de inflação do mercado não mudou na última semana.
Analistas dos bancos também veem superávit comercial menor.

Os economistas dos bancos baixaram na semana passada a sua estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do próximo ano, assim como a previsão para a taxa básica de juros da economia brasileira, segundo informou nesta segunda-feira (13) o Banco Central, por meio do relatório de mercado, também conhecido como Focus. O documento é fruto de pesquisa com as instituições financeiras.

A estimativa dos economistas dos bancos para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2012 permaneceu estável em 3,30%. Para 2013, porém, a projeção de expansão econômica, do mercado financeiro, recuou de 4,20% para 4,10%.

Inflação

Para inflação, não houve alterações nas estimativas do mercado financeiro para 2012 e 2013, que permaneceram em 5,29% para este ano e em 5% para o próximo. Pelo sistema de metas de inflação, que vigora no Brasil, o BC tem de calibrar os juros para atingir as metas pré-estabelecidas, tendo por base o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Para 2012 e 2013, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Deste modo, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida. O BC busca trazer a inflação para o centro da meta de 4,5% neste ano, visto que, em 2011, a inflação ficou em 6,5% - no teto do sistema de metas.

Taxa de juros

Após a redução dos juros para 10,5% ao ano em janeiro, os economistas do mercado financeiro mantiveram a estimativa de que os juros básicos da economia brasileira serão reduzidos novamente em 2012. A previsão para a taxa básica de juros da economia no fim deste ano permaneceu em 9,5% ao ano.

Os economistas dos bancos baixaram, na última semana, sua previsão para a taxa de juros no fim de 2013. A estimativa passou de 10,75% para 10,50% ao ano, de modo que os economistas estão prevendo um aumento menor de juros no ano que vem.

Taxa de câmbio

Nesta edição do relatório Focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2012 ficou estável em R$ 1,75 por dólar. Para o fechamento de 2013, a estimativa permaneceu inalterada também em R$ 1,75 por dólar.

Balança comercial

A projeção dos economistas do mercado financeiro para o superávit da balança comercial (exportações menos importações) em 2012 caiu de US$ 19,5 bilhões para US$ 19,1 bilhões na semana passada.

Para 2013, a previsão do mercado para o saldo positivo da balança comercial brasileira recuou de US$ 14,5 bilhões para US$ 14 bilhões.

Para 2012, a projeção de entrada de investimentos no Brasil permaneceu estável em US$ 55 bilhões. Para 2013, a estimativa dos analistas para o aporte de investimentos estrangeiros diretos ficou em US$ 55 bilhões.

Alexandro Martello Do G1, em Brasília

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

BC quer taxa de juros em nível neutro

Objetivo é que Selic permita crescimento econômico e não pressione a inflação
O Banco Central (BC) aproveitará o bom momento do país para testar os limites da economia.
Cortará a taxa básica de juros (Selic) além do que espera o mercado financeiro e tentará alcançar o chamado “juro neutro” — taxa que propicia o crescimento e não cria pressões inflacionárias.
Essa é a interpretação de alguns analistas.
Uma das apostas é que esse número estaria em torno de 5% ao ano.
— Há poucas pessoas falando nisso em público, mas o assunto está em todas as conversas bilaterais com o BC — confirma uma alta fonte da autoridade monetária.
Um corte maior do que se estimava foi uma dedução dos especialistas ao receberem, na última segunda-feira, um questionário do BC com perguntas que levam à mesma conclusão economistas que cultivam opiniões divergentes: há espaço para derrubar os juros no Brasil.
Foram feitas perguntas simples e diretas.
A primeira delas, e mais importante, era qual seria essa taxa neutra.
É um número difícil de se conseguir, porque depende de várias outras estimativas que diferem entre as instituições.
As outras perguntas são sobre o comportamento dessa taxa nos últimos dois anos e qual será nos próximos dois anos.
— Por mais divergentes que sejam os economistas, todos vão concordar que a taxa está mais baixa e há espaço para mais queda de juros.
O que o Banco Central quer é preparar o terreno para as próximas decisões do Copom e o questionário serve menos para mostrar o que a gente acha, mas o que ele quer — disse André Perfeito, economista da corretora Gradual.
Segundo ele, o BC quer mais: mostrar que não faz sentido os juros cobrados dos consumidores e empresas serem tão altos no Brasil, que tem fundamentos melhores que vários países com taxas mais baixas para a população.
Perfeito contou que a autoridade monetária sabe que será traumático o processo de redução dos juros ao consumidor e que isso tem de ser feito de forma lenta.
Esse questionário teria sido um grande passo.
O economista ressaltou que o levantamento faz perguntas sobre a taxa natural de desemprego — mais um item de difícil cálculo — e que tem papel determinante na política de juros, por ser uma das engrenagens do sistema de metas da inflação.
— É outro recado: o BC está falando que está comprometido com o sistema de metas para a inflação — completou .
Para economista, âncora fiscal é fundamental
Para Bráulio Borges, da corretora LCA, essa ação do Banco Central mostra um comprometimento em atingir juros reais (taxa básica descontada a inflação) de 2% a 3%, como deseja a presidente Dilma Rousseff.
Só que, para isso, seria fundamental — na opinião do economista — a “âncora fiscal”, ou seja, cortes de gastos do governo para contrabalançar uma queda dos juros e abrir espaço para o BC testar juros mais baixos.
— O setor público representa muito, é um terço de toda a economia do Brasil.
Isso significa que os gastos do governo estão para o país como os Estados Unidos estão para o mundo — disse uma fonte do Banco Central.
A perspectiva de Borges é que essa taxa será de 5%, por causa dos depósitos compulsórios recordes que tiram dinheiro da economia.
No entanto, ele pretende ver qual será o comportamento da política fiscal neste ano para ter certeza.
No ano passado, o corte prometido no orçamento de R$ 50 bilhões foi cumprido.
Os economistas têm até o dia 17 para devolverem o questionário com as respostas.
Depois do carnaval, os técnicos do BC começarão a analisar os dados.
Os resultados serão divulgados apenas no fim do mês.

Autor(es): Gabriela Valente
O Globo - 08/02/2012

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Poupar? Que nada!

Quitar dívidas ou fazer poupança não é a prioridade dos brasileiros para o dinheiro que sobra na carteira depois das despesas essenciais. Essas são as duas opções mais citadas por todos os outros latino-americanos entrevistados em uma pesquisa global da consultoria Nielsen. Enquanto argentinos, mexicanos, colombianos, chilenos, venezuelanos e peruanos estão mais preocupados em pagar contas e guardar dinheiro, no Brasil desponta em primeiro lugar o entretenimento fora de casa.

Foram entrevistadas 3,5 mil pessoas na América Latina, divididas de acordo com a representatividade populacional e econômica de cada país. A pesquisa foi feita pela internet.
Atividades como ir ao cinema, ao teatro, ou jantar com a família em restaurantes devem ser o destino dos recursos excedentes para 39% dos brasileiros no último trimestre de 2011. O entretenimento já tinha sido apontado como prioridade em todos os outros trimestres do ano, sendo que chegou a ser escolhido por 42% dos entrevistados entre julho e setembro. A média para a América Latina fechou o ano em 31%.

"Como reflexo da atividade econômica, a base da pirâmide consegue ter participação cada vez maior em gastos que outrora não tinha e que eram alvos de desejo. Há uma demanda reprimida por entretenimento. Em algum momento deve haver um ponto de equilíbrio, em que a opção por lazer deve ficar em níveis medianos", afirma Claudio Czarnobai, analista de mercado da Nielsen.
 
Nas respostas, em que os entrevistados podem apontar quantas opções desejarem, inclusive todas, quitar dívidas ainda aparece em segundo plano. Apesar de não ter ultrapassado a opção por entretenimento, a escolha de pagar empréstimos e dívidas no cartão de crédito teve avanço expressivo ao longo de 2011. Começou o ano como destino dos recursos excedentes para 29% dos entrevistados e fechou como prioridade para 35% deles.

A inadimplência do consumidor cresceu 21,5% em 2011 com relação ao ano anterior, no maior avanço desde 2002, segundo a Serasa Experian. "O fim de 2011 e a entrada de 2012 foram os momentos iniciais de queda da inadimplência. O brasileiro começa a perceber que precisa pagar suas dívidas para organizar as contas", diz Czarnobai.

Ansioso por entretenimento e com dívidas para pagar, o brasileiro põe as aplicações em poupança em terceiro plano. Essa é uma escolha de 32% dos entrevistados (veja abaixo).
O levantamento da Nielsen na América Latina também mostra o brasileiro como o mais otimista da região. O índice de confiança ficou em 112 pontos no quarto trimestre, estável em relação ao terceiro e com um avanço expressivo em relação aos 95 dos primeiros meses de 2011. O Brasil manteve a posição de quinto maior índice do mundo, atrás de Índia, Filipinas, Indonésia e Arábia Saudita.

Os brasileiros dividem com outros nove países o nível mais alto de confiança, que inclui indicadores maiores do que 101. Países com índice entre 90 e 100 estão no nível médio e os abaixo de 89 têm confiança baixa.

"Algumas movimentações em outros países acabaram mudando a configuração do ranking mundial", diz o analista da Nielsen. No quarto trimestre, a confiança caiu em 24 dos 27 mercados europeus. Já os Estados Unidos mostraram uma recuperação, com avanço de seis pontos, para 83. Ficaram ainda um pouco abaixo da média global, que ganhou um ponto em relação ao terceiro trimestre e ficou em 89.

Foram entrevistadas 28 mil pessoas em 56 países. Hungria, Portugal, Grécia, Croácia e Coreia do Sul registraram os menores índices de confiança
.
A segurança no emprego contribui para esse otimismo - 71% dos brasileiros entrevistados consideram excelentes ou boas as perspectivas locais de trabalho para os próximos 12 meses. O percentual evoluiu com relação aos 65% de janeiro a março. A média para todos os países da América Latina é de 48%.

Enquanto 16% dos latino-americanos apontaram a estabilidade no emprego como a maior preocupação para os próximos seis meses, a questão só aparece em primeiro lugar para 7% dos brasileiros. Por aqui, a atenção maior é dada ao equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, com 18% das respostas.
 
"Essa intenção de não se entregar demais ao trabalho tem bastante a ver com a maior oferta de vagas. Com o sentimento de estabilidade, esse brasileiro se questiona agora como aproveitar o que o trabalho tem rendido", afirma Czarnobai, ressaltando que isso deve se refletir em uma busca maior por entretenimento fora do lar. Depois do balanço entre trabalho e vida pessoal, o brasileiro preocupa-se com a saúde e, em seguida, com o endividamento.
 
Toda essa confiança do brasileiro deve se refletir em mais consumo em 2012 - 45% dos entrevistados acham que os próximos doze meses devem ser um período excelente ou bom para comprarem o que querem. Muito mais do que os 24% do começo do ano. Indício de que, mais uma vez, poupar não deve estar no topo das prioridades.

Autor(es): Luciana Seabra | De São Paulo
Valor Econômico - 07/02/2012

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

"Vejo inteligência no BC brasileiro"

Autor do termo Bric, que reúne Brasil, Rússia, Índia e China, o economista do Goldman Sachs defende a queda dos juros, mas alerta para o risco de desindustrialização do país
Jim O'Neill

O economista Jim O"Neill, do banco norte-americano Goldman Sachs e inventor da sigla Bric, que designa as principais economias emergentes — Brasil, Rússia, Índia e China —, reconhece os avanços brasileiros nas últimas duas décadas. Mas está convencido de que o trabalho que levou o país a se tornar a sexta maior economia do mundo ainda está pela metade. Para ele, o encontro com o futuro depende, sobretudo, da retomada das reformas estruturais, como a tributária e a da Previdência, que foram abandonadas pelo governo, da redução dos gastos públicos e do combate à valorização do real ante o dólar.

Mais otimista que a maioria de seus pares, O'Neill vê inteligência na decisão do Banco Central de reduzir os juros básicos da economia (Selic) desde agosto de 2011 e de indicar que o país caminha para taxas de um dígito. O processo, porém, deve ser feito com cautela, mantendo intacto o sistema de metas de inflação, adotado em 1999. "A definição de uma meta de inflação (hoje de 4,5% ao ano) foi essencial para as transformações vividas pelo Brasil nos últimos anos", afirma.

Quase 11 anos depois de usar o termo Bric pela primeira vez, o economista discorda da inclusão da África do Sul nesse grupo. "Não acredito que a África do Sul possa fazer parte do Bric. O Produto Interno Bruto (PIB) sul-africano corresponde a apenas um quinto do da Rússia. O país não é grande o suficiente para estar no mesmo grupo", diz.

O"Neill revela surpresa com o desempenho desse conjunto de economias, que cresceu mais do que ele esperava. "A minha projeção mais otimista era de que, juntas, avançariam 14% até 2010, mas cresceram 18%", ressalta. Na sua visão, o ano começou com pragmatismo, mas com boas perspectivas. Ele critica os mais pessimistas e menospreza os que acreditam que a crise europeia contagiará todo o mundo. Para o economista, a economia global avançará, em média, 4,3% por ano até 2019, ritmo mais forte do que o dos últimos 30 anos, graças aos países do Bric. "A Europa entrará em recessão em 2012, processo que será superado no ano que vem". A seguir, os principais pontos desta entrevista de O"Neill.

Os avanços do Brasil nos últimos 20 anos são nítidos. O país é hoje a sexta potência mundial. Quais foram os principais ganhos dos brasileiros, além do aumento da renda e do ingresso de milhões de pessoas na classe média?

A adoção do regime de metas de inflação é o coração da política macroeconômica que está transformando o Brasil e garantindo tantas conquistas para a população do país. Mas ainda há muito a ser feito, principalmente as reformas estruturais, que foram abandonadas nos últimos anos — entre elas, a tributária e a da Previdência.

Quais são as prioridades que o atual e os próximos governos devem seguir, nas próximas duas décadas, para que o Brasil chegue ao seleto clube das cinco potências econômicas?

É importante reduzir o risco da doença holandesa (desindustrialização). Por isso, o país precisa reduzir a dependência da forte alta dos preços das commodities (itens básicos com cotação internacional, como produtos agrícolas e minérios), que dominam as exportações brasileiras e vêm garantindo elevados saldos comerciais. É necessário, também, diminuir o peso dos gastos públicos no PIB, ter taxa de juros mais baixas e um real menos valorizado. Ao mesmo tempo, é imprescindível manter a inflação sob controle. Ou seja, são muitas e árduas tarefas.

A inflação voltou a subir e encerrou 2011 em 6,5%, no teto da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional. O Banco Central está no caminho certo na condução da política monetária, ao anunciar que o país está caminhando para uma taxa de juros de um dígito?

Por enquanto, o BC tomou as medidas corretas, sobretudo quando se antecipou ao risco de contágio global da crise europeia aumentou e quando identificou que o crescimento da economia brasileira havia enfraquecido. Pode ter sido sorte em suas ações, mas, provavelmente, foi inteligência. Obviamente, a médio prazo, manter-se perseguindo a meta de inflação é vital para garantir todas as conquistas, que, por sinal, são muitas.

Em 2001, o senhor cunhou o termo Bric para definir as economias emergentes que cresciam de forma mais acelerada: Brasil, Rússia, Índia e China. No ano passado, a África do Sul foi incorporada ao foro criado pelos líderes do Bric. Ao olhar para trás e ver hoje o desempenho dessas economias e a importância que elas conquistaram, qual a sua avaliação?

Todas essas economias tiveram crescimento muito mais forte do que havia previsto, incluindo a Rússia. Em 2001, esbocei uma série de cenários. A minha projeção mais otimista era de que, juntas, elas avançariam 14% ao ano até 2010. Mas cresceram 18% anuais. Quanto à África do Sul, nunca acreditei que pudesse fazer parte do Bric. Para mim, o que existe ainda é o Bric, não o Brics. O PIB sul-africano corresponde a apenas um quinto do da Rússia. O país não é grande o suficiente para estar no mesmo grupo.

O senhor acredita que a atual crise econômica possa durar uma década, como alguns economistas preveem?

Não. Essa estimativa é muito pessimista. A Europa vai lutar em 2012 para sair da crise. Provavelmente, entrará em recessão, que será superada no ano seguinte. Todas as crises parecem ruins, principalmente quando se está dentro dela. Mas, depois da superação, algo bom sempre acontece.
Christine Lagarde

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, tem afirmado que as perspectivas econômicas são "nebulosas" e nenhum país está imune ao cenário da crise. O senhor concorda?

Considero essa visão muito deprimente. O mundo é impulsionado pelos Brics e pelos Estados Unidos e não pela Europa. Mesmo a Alemanha, que é o coração da Europa, não está totalmente enfraquecida. Os europeus se beneficiam das exportações para os países do Bric.
Como o senhor vê os demais membros do Bric no contexto global de turbulência financeira?

Eu poderia passar horas respondendo essa pergunta. A crise proporciona benefícios para todos os países do bloco porque o futuro depende unicamente deles mesmos e de ninguém mais. A China é especialmente importante e tem os seus dias de exportador de produtos muito baratos contados. Seu futuro depende do consumo interno e não das exportações e dos investimentos. O país atravessa uma fase de transição, o que ficará mais claro em 2012. A Índia nunca dependeu das exportações e precisará se fortalecer, ter uma liderança mais clara, como a da China. A Índia tem o melhor potencial a longo prazo entre todos os Brics, mas é o mais fraco em tomada de decisões. A Rússia é muito dependente de petróleo e gás. Qualquer coisa que deixe os líderes preocupados sobre os preços do petróleo é, em última análise, bom para ela.

Autor(es): » ROSANA HESSEL
Correio Braziliense - 06/02/2012

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

 Facebook lança ações na bolsa

Os investidores passaram o dia de ontem na expectativa da estreia do Facebook na bolsa de valores. O IPO, oferta pública inicial de ações, é avaliado em US$ 5 bilhões e pode ser elevado nos próximos meses caso haja demanda maior. A operação será a maior realizada por uma empresa de internet, superando a do Google, que fez um IPO de US$ 2 bilhões em 2004, e a do Netscape, uma década antes.

A maior rede social do mundo selecionou o Morgan Stanley para coordenar o IPO, que será realizado com Goldman Sachs, Bank of America, Merrill Lynch, Barclays Capital e JP Morgan. Representantes do Facebook não quiseram comentar o assunto, mas a apresentação dos documentos aos órgãos regulatórios era prevista para ontem. A primeira participação do site no mercado de ações deve acontecer em maio.

A companhia está avaliada entre US$ 75 bilhões e US$ 100 bilhões, segundo informou ontem o jornal The New York Times. Nos últimos quatro anos, o Facebook armazenou dados de mais de 800 milhões de usuários, o que o torna muito atraente para os anunciantes. O IPO, diz o Times, irá obrigar o fundador e principal executivo da empresa, Mark Zuckerberg, de 27 anos, a fazer pela primeira vez o que sempre evitou: compartilhar informações sobre a sua companhia.

www.correioweb.com.br em 02/02/12

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Preço de alimentos sobe menos, e IPC-S desacelera em janeiro, diz FGV
 
Variação do IPC-S foi de 0,81% no período.

Na contramão, gastos com educação, leitura e recreação subiram mais.

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor - Semanal desacelerou para 0,81% em janeiro, taxa 0,12 ponto percentual abaixo da registrada na última apuração, segundo informou, nesta quarta-feira (1º), a Fundação Getulio Vargas (FGV)

Duas classes de despesa apresentaram desaceleração em suas taxas de variação: alimentação (de 1,36% para 0,47%) e vestuário (de -0,12% para -0,35%), com destaque para hortaliças e legumes (de 8,96% para 6,11%) e roupas (de -0,47% para -0,70%).

Na contramão, tiveram aumento nas taxas de variação os grupos de gastos com educação, leitura e recreação (de 3,39% para 4,90%), transportes (de 0,77% para 0,86%), despesas diversas (de 0,30% para 0,46%), habitação (de 0,32% para 0,33%) e saúde e cuidados pessoais (de 0,43% para 0,44%).

Do G1, em São Paulo