quarta-feira, 28 de março de 2012

Mesmo com a SELIC em queda, crédito encarece

Mesmo com a Selic em queda, custo do crédito sobe pelo 2º mês seguido

Apesar da queda do juro básico e dos bons indicadores de emprego e renda, o crédito está cada vez mais caro. Na média, o preço dos financiamentos avançou de 38% ao ano, em janeiro, para 38,l%, em fevereiro. O encarecimento é liderado pelas operações para pessoas físicas, cuja taxa alcançou 45,4% no mês passado, e a tendência de alta permanece. O Banco Central atribui o fenômeno à inadimplência

Apesar da queda do juro básico desde agosto do ano passado e dos bons indicadores de emprego e renda, o crédito está cada vez mais caro. Segundo o Banco Central (BC), a inadimplência recorde no financiamento de veículos levou os bancos a adotar uma postura mais conservadora: aumentaram as margens nos empréstimos, o chamado spread, e por consequência as taxas de juros nessas operações.

Dados apresentados ontem pelo BC mostram que o preço dos financiamentos subiu pelo segundo mês seguido. Na média, o juro avançou de 38% ao ano, em janeiro, para 38,1%, em fevereiro. O encarecimento é liderado pelas operações para pessoas físicas, cuja taxa alcançou 45,4% no mês passado. Dado preliminar de março mostra que a tendência de alta segue e o custo já atingiu 45,5% no dia 15, o maior desde setembro.

O chefe do Departamento Econômico (Depec) do BC, Túlio Maciel, avalia que a inadimplência que resiste em cair é a grande culpada da alta do juro aos clientes, especialmente no crédito para compra de veículos.

Nessa operação, o calote subiu de 5,3% em janeiro para 5,5% no mês passado, novo recorde. Boa parte dessa inadimplência, diz Maciel, nasceu em operações realizadas em 2010. Naquele ano, o governo incentivou o crédito via bancos públicos e o total de empréstimos para veículos cresceu impressionantes 49,1%.

A inadimplência geral entre todos os financiamentos para famílias e empresas está estacionada em 5,8%, o pior resultado para fevereiro. Diante do calote alto, bancos estariam "se defendendo" com a aumento das margens. "Bancos estão com uma posição mais cautelosa e mais seletiva", explica Maciel.

Historicamente, a inadimplência elevada faz com que bancos aumentem a margem para compensar possíveis perdas. Hoje, a cada R$ 100 pagos em juro por uma pessoa física, R$ 78,85 vão para o caixa da instituição. Um ano atrás, a fatia era de R$ 71,23. O restante do dinheiro vai para o investidor que depositou o dinheiro usado pela instituição para fazer o empréstimo.

"O comportamento do crédito para veículos em 2010 foi exagerado. Agora que o carro deixa de ser novidade, as famílias comprometem a renda com outras coisas e o financiamento perde prioridade no fim do mês", diz o professor de finanças pessoais do Insper, Ricardo José de Almeida. Ele comenta que atualmente muitos consumidores preferem manter outros pagamentos em dia - como telefonia e internet - porque a recuperação de um carro, pelo banco que deu o financiamento, é mais demorada que o cancelamento de serviços.

Mesmo com a preocupação dos bancos, Tulio Maciel mantém a previsão otimista de que a inadimplência deve melhorar em breve. "Há perspectiva de reversão no médio prazo", disse o chefe do Depec do BC.

Autor(es): FERNANDO NAKAGAWA , ADRIANA FERNANDES
O Estado de S. Paulo - 28/03/2012


terça-feira, 27 de março de 2012

Dilma veta uso do FGTS para obras da Copa


A presidente Dilma Rousseff vetou, mais uma vez, o uso de recursos do FGTS em obras nas cidades que vão sediar jogos da Copa do Mundo e competições das Olimpíadas. Essa possibilidade foi aprovada pelo Congresso, depois que o PMDB incluiu a autorização na medida provisória (MP) 545, por meio de uma manobra. O veto presidencial foi publicado no Diário Oficial da União de ontem.

Dilma argumenta que os empreendimentos já possuem "linhas de crédito disponíveis para o seu desenvolvimento, além de recursos garantidos pelo governo federal (&). E que a proposta desvirtua a prioridade de aplicação do FI-FGTS, "que deve continuar focada nos setores previstos".

Em dezembro, texto semelhante fora aprovado na MP 540. E a presidente Dilma vetou a proposta, também com a justificativa de que os recursos do FGTS são destinados à moradia e porque os investimentos na Copa e Olimpíada já têm regras específicas. Na ocasião, o veto criou mal-estar entre o Planalto e o PMDB. www.oglobo.com.br em 27/03/2012

quarta-feira, 21 de março de 2012

Jovens vão às compras e afundam em dívidas

JOVENS E ENDIVIDADOS

Fechar as contas do mês costuma ser um tormento para João Thiago Stilben, de 22 anos. Welington Alencar Borges, de 21, também sofre com a fatura do cartão de crédito. Não são os únicos. Segundo pesquisa do SPC, 17% dos consumidores entre 20 e 25 anos encerraram 2011 inadimplentes. No mês passado, 30,4% dos que têm de 18 a 29 anos estavam no vermelho. 

Pesquisa de serviço de proteção ao crédito revela que 17% dos consumidores entre 20 e 25 anos encerraram 2011 inadimplentes. No mês passado, 30,4% dos que têm de 18 a 29 anos estavam com a

corda no pescoço

Para o estudante João Thiago Stilben, 22 anos, o fim do mês é sinônimo de dor de cabeça. Mesmo com uma mesada de R$ 500 e o salário de R$ 750 recebido pelo estágio na Confederação Nacional da Indústria (CNI), o saldo das despesas, muitas vezes, é bem superior à renda mensal, destinada a alimentação, lazer e combustível. O descontrole dos gastos levou o estudante a se enrolar em dívidas. Há quatro meses, ele acabou estourando o limite do cartão de crédito e do cheque especial, de R$ 300 cada. Desde então, foi obrigado a reduzir drasticamente as despesas para colocar o orçamento em dia.

João Thiago engrossa a estatística dos jovens que se descontrolam com suas contas. Dados do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) revelam que 17% dos jovens entre 20 e 25 anos encerraram 2011 enrolados em dívida e sem condições de pagar. A quantidade de inadimplentes nessa faixa etária aumentou 7% em relação a 2010. E a corda no pescoço continuou apertando em 2012. Uma outra pesquisa, do SPC Brasil, feita a pedido do Correio, mostra que, no mês passado, 30,4% dos consumidores entre 18 e 29 anos estavam com débitos em atraso, 6% mais do que em janeiro e 2% acima de fevereiro de 2010.

O gerente de negócios do SPC Brasil, Gustavo Guimarães, vê o crescimento da inadimplência entre os mais jovens como reflexo da falta de maturidade no consumo. "O alto índice de empregabilidade é um fator favorável à inadimplência nesse caso. O jovem tem dívidas, não por ter menos dinheiro na conta, mas por dispor de mais renda em mãos e não saber como administrar os gastos", constata Guimarães.

Mauro Calil
O educador financeiro Mauro Calil concorda que a desorganização dos gastos entre jovens é fruto de um deslumbramento com o aumento repentino de renda. "São pessoas que tinham uma mesada de não mais do que R$ 100 por mês e, de repente, começam a ter salário ou uma renda maior que a dos pais. Quando vêem o dinheiro, acham que estão ricos e dão vazão a todos os desejos de consumo de uma só vez", analisa.

João Thiago conta que teve que regular o orçamento para conseguir quitar o rombo na conta após ter estourado o limite do cartão de crédito e do cheque especial. "No mês seguinte, fiquei com apenas R$ 150 para gastar. Não dava. Acabei sendo obrigado a recorrer ao crédito de novo. Tive que reduzir em muito os gastos durante os últimos quatro meses", afirma.

O estudante Welington Alencar Borges, 21 anos, também sofre para controlar os gastos com o cartão de crédito. Com uma renda mensal de R$ 800, fruto de uma mesada semanal dada pelo pai, o estudante diz sentir no bolso o peso da desorganização na hora de administrar as contas. O susto mais recente aconteceu quando o estudante comprou, pelo cartão de crédito, um relógio e um perfume em um site no exterior. Ele conta que gastou cerca de US$ 200.

"Guardei o dinheiro para cobrir o valor quando chegasse a conta mas, com preguiça de depositar o montante, acabei gastando aos poucos", revela. "Pegava R$ 20 do dinheiro reservado e pensava "depois eu reponho". Mas, quando a conta chegou, não tinha mais nenhum centavo para quitá-la", afirma. Já quanto ao débito do cheque especial, Welington precisou da ajuda do pai para cobri-lo.

O estudante admite que recorre sempre ao cheque especial. "Uma vez fiquei no vermelho e tive que usar o dinheiro da mesada para cobrir a dívida. Passei uma semana comendo pão de forma no café da manhã, no almoço e no jantar", diverte-se, ao se lembrar do período de vacas magras.

Ilusão

O consultor Mauro Calil diz que avançar sobre o cheque especial é arriscado em razão dos juros altos. O melhor é evitar esse crédito fácil. "O valor do limite não deve ultrapassar 10% da renda. É para ser pouco mesmo, só deve ser utilizado em emergências", diz. O educador financeiro Reinaldo Domingos esclarece que o crédito não é um inimigo se bem administrado. "O grande problema é que o jovem se ilude com o parcelamento e compra o que não precisa com o dinheiro que não tem", explica. Domingos ensina que, se o jovem possui apenas um emprego, deve se limitar a ter um cartão de crédito, com  limite que não ultrapasse 50% da renda. "Isso inibe a pessoa a gastar mais do que ganha", afirma. O vencimento deve ser programado para o prazo entre cinco e dez dias após o recebimento do salário.

A real armadilha para Domingos é o débito em conta, definida pelo educador como demonstração de "preguiça financeira". Ele defende que o consumidor tenha compromisso e agende todos os gastos mensais. "A facilidade do débito em conta já levou muita gente ao prejuízo. Se uma fatura de telefone vem errada, pode acabar consumindo todo o dinheiro disponível na conta, inclusive o cheque especial. O consumidor fica no prejuízo porque o ressarcimento pode demorar até um ano", explica.

Negocie o pagamento

O educador financeiro Mauro Calil recomenda que os endividados negociem as contas atrasadas a partir das mais puxadas, ou seja, aquelas com juros mais elevados, para as que têm os encargos mais baixos. "Honre suas negociações. Se precisar vender algo que comprou, venda. Afinal de contas, não foi o cartão de crédito que fez o jovem ficar endividado e sim sua decisão de consumir algum produto", ensina.

Correio Braziliense - 21/03/2012 www.correioweb.com.br

terça-feira, 20 de março de 2012

Mínimo puxa aumento real de 3,65% dos salários

GANHO DEVE REAL PERDER FORÇA AO LONGO DO ANO

O aumento real de 7,5% do salário mínimo em janeiro indexou informalmente o reajuste negociado nas convenções coletivas de trabalho de categorias com data-base no início do ano. O aumento médio real negociado em janeiro foi de 3,65% - o dobro do registrado em dezembro, de 1,82%, segundo levantamento realizado pelo Valor em cem acordos registrados no Ministério do Trabalho.

O aumento real foi puxado pela negociação de categorias menos qualificadas e cujos pisos salariais estão muito próximos do salário mínimo e, por isso, precisam ser reajustados por taxas semelhantes. Além disso, predominaram, entres os reajustes mais expressivos, aqueles concedidos nas regiões Nordeste e Norte do país.

Entre as cem convenções coletivas analisadas, 20% apresentaram reajuste salarial de pelo menos 14% - o mínimo aumentou 14,13% em termos nominais em janeiro, chegando a R$ 622. "A influência do reajuste do mínimo nas negociações coletivas é muito forte até maio, período em que se concentram os dissídios, mas vai perdendo força ao longo do ano", explica Fábio Romão, economista da LCA Consultores.

As regiões Norte e Nordeste, onde a média salarial é menor que no Centro-Sul, representam 48% do total de convenções analisadas. E foi o Nordeste que puxou para cima o índice nacional, com 4,72% de aumento real médio em janeiro. O reajuste real negociado em 11 Estados e no Distrito Federal ficou acima da média nacional de 3,65% em janeiro. Desse grupo, sete são nordestinos (Sergipe, Rio Grando do Norte, Alagoas, Piauí, Pernambuco, Maranhão e Bahia) e um é do Norte (Pará). Também aparecem na lista Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso. A Região Sul, que paga tradicionalmente reajustes altos, aparece em último lugar, com aumento real médio de 2,96%.

No Rio Grande do Norte, o Sindicato dos Empregados no Comércio Hoteleiro conseguiu, para o piso salarial, reajuste de 14,8%, o que representou um aumento real de 8,68%. O Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Refeições Coletivas, Refeições Rápidas e Afins tem acompanhado o índice de reajuste do piso estadual desde 2010. Na negociação deste ano, o reajuste conquistado foi de 15,08% - um aumento real de 8,95%.

O alto índice de aumento real conquistado em janeiro pelos trabalhadores deve perder força ao longo de 2012, segundo especialistas em mercado de trabalho consultados pelo Valor. Em janeiro, a média de ganho real em cem convenções coletivas registradas no Ministério do Trabalho foi de 3,65%, mas é a influência do reajuste do salário mínimo que explica esse aumento. "Quando o mínimo sobe fortemente, as negociações ganham impulso. Neste ano, a influência do piso nacional veio com peso ainda maior, mas esse efeito deve durar, no máximo, até abril", diz José Silvestre, coordenador de relações sindicais do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Para o economista da LCA Consultores, Fabio Romão, os dissídios nesta época do ano têm uma particularidade. "A influência do reajuste do salário mínimo nas negociações coletivas é muito forte até maio, mês em que se concentram os dissídios, mas vai perdendo força ao longo do ano, trazendo os índices para baixo", explica.
Para Romão, a tendência é que o índice médio nacional caia gradualmente, pois os trabalhadores cujo piso salarial e salário médio são superiores ao mínimo devem encontrar mais dificuldades em conquistar ganhos reais expressivos, já que a atividade foi fraca nos últimos trimestres de 2011 e deve permanecer assim no começo deste ano. "Os trabalhadores que recebem o mínimo não representam nem 25% do total da população ocupada. Os outros 75% terão dificuldades para negociar salários. Em contrapartida, a taxa de desemprego continua baixa, o que pode ajudá-los a barganhar", diz.
Há uma concentração de categorias menos expressivas, com bases e poder de negociação menores no início do ano, segundo Silvestre. "A influência do mínimo nas negociações não acontece em categorias como a dos metalúrgicos e a dos bancários, cujos pisos salariais são maiores." Segundo ele, os índices conquistados no primeiro quadrimestre não são uma boa medida para prever a taxa média do ano. "Nesse período, as projeções para o desempenho da economia ainda são prematuras. Pode haver grandes mudanças."
Segundo o Dieese, que divulgará o balanço dos reajustes salariais negociados em 2011 nesta quarta-feira, o mesmo setor apresenta índices muito diferentes dependendo da região onde foi realizada a negociação. A região Sul, por exemplo, aparece em último lugar entre as macrorregiões, com ganho real médio de 2,96%. "Os pisos do Nordeste estão bem próximos ao piso nacional. Quando o mínimo sobe, eles sobem a taxas semelhantes, porque não podem ficar menores que o salário mínimo. Isso normalmente não acontece onde já se paga valores maiores", diz Silvestre.
O Nordeste puxou para cima o índice nacional, com 4,72% de aumento real médio em janeiro. "Esse índice reforça a influência do mínimo. Há uma porção maior de ocupados com salário indexado ao salário mínimo na região Nordeste", diz Fabio Romão, da LCA.
"Nós sempre usamos o mínimo como parâmetro. Nosso piso é muito baixo, por isso nos espelhamos no que acontece no país", afirma Paulo Nicácio, diretor-financeiro do Sindicato dos Trabalhadores em Asseio, Conservação e Limpeza Urbana em Alagoas. Para não ficar abaixo do piso nacional, o reajuste conseguido pelo sindicato em Alagoas foi de 14%.
Autor(es): Por Carlos Giffoni | De São Paulo
Valor Econômico - 20/03/2012

segunda-feira, 19 de março de 2012

Mercado financeiro já prevê corte de juros para 9% ao ano em abril

Atualmente, os juros básicos da economia estão em 9,75% ao ano em abril

COPOM informou que juro deve ficar pouco acima da mínima histórica.
Os economistas dos bancos reduziram sua previsão para a taxa básica de juros em abril de 9,5% para 9% ao ano, segundo informou nesta segunda-feira (19) o próprio Banco Central, por meio do relatório de mercado, também conhecido como Focus. O documento é fruto de pesquisa com mais de 100 instituições financeiras. Atualmente, a taxa básica de juros da economia brasileira está em 9,75% ao ano.

A redução dos juros previstos para abril deste ano, quando acontece a próxima reunião do Copom, colegiado responsável por fixar a taxa básica da economia, acontece após a divulgação da ata da última reunião do Comitê, ocorrida na semana passada. Na ocasião, o Copom informou que que atribui "elevada probabilidade" à concretização de um cenário que contempla a taxa de juros caindo para "patamares ligeiramente acima dos mínimos históricos, e nesses patamares se estabilizando".

A mínima histórica da taxa de juros é de 8,75% ao ano e foi registrada entre julho de 2009 e abril de 2010, na primeira etapa da crise financeira internacional. No primeiro semestre do ano retrasado, após atingir a mínima histórica, os juros voltaram a ser elevados para conter as pressões inflacionárias resultantes do crescimento da economia brasileira. Naquele ano, o Produto Interno Bruto (PIB) avançou 7,5%, desacelerando para 2,7% de expansão em 2011.

A previsão do mercado, divulgada nesta segunda-feíra, é de que o corte dos juros previsto para abril seja o último do ano, com a taxa permanecendo em 9% ao ano até março de 2013 - quando subiria para 9,50% ao ano. A expectativa dos analistas dos bancos é que a taxa atinja 10% ao ano em junho do ano que vem, patamar no qual fecharia 2013.

Sistema de metas de inflação

Pelo sistema de metas de inflação, que vigora no Brasil, o BC tem de calibrar os juros para atingir as metas pré-estabelecidas, tendo por base o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Para 2012 e 2013, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Deste modo, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida. O BC busca trazer a inflação para o centro da meta de 4,5% neste ano, visto que, em 2011, a inflação ficou em 6,5% - no teto do sistema de metas.

Previsão de inflação

A expectativa do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2012 permaneceu estável em 5,27% na última semana, informou o BC nesta segunda-feira. Para 2013, a estimativa dos economistas dos bancos para o IPCA ficou inalterada em 5,50% na semana passada.

PIB e câmbio

Para crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2012, a estimativa do mercado financeiro permaneceu estável em 3,30% e, para 2013, a projeção de expansão econômica, do mercado financeiro, ficou inalterada em 4,20%.

Nesta edição do relatório Focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2012 ficou estável em R$ 1,75 por dólar. Para o fechamento de 2013, a estimativa subiu de R$ 1,75 para R$ 1,80 por dólar.

Balança comercial

A projeção dos economistas do mercado financeiro para o superávit da balança comercial (exportações menos importações) em 2012 subiu de US$ 19 bilhões para US$ 19,1 bilhões na semana passada.

Para 2013, a previsão do mercado para o saldo positivo da balança comercial brasileira ficou inalterada em US$ 15 bilhões.

Para 2012, a projeção de entrada de investimentos no Brasil permaneceu estável em US$ 55 bilhões. Para 2013, a estimativa dos analistas para o aporte de investimentos estrangeiros diretos permaneceu em US$ 58,3 bilhões.

Alexandro Martello Do G1, em Brasília

sexta-feira, 16 de março de 2012

COPOM avisa que juro cairá a 9% e então ciclo de corte acabará

BC volta a surpreender o mercado e indica que vai cortar a taxa de juros para 9%

A ata da reunião de março do Copom revelou que o ciclo de alívio no juro básico acabará quando a taxa chegar a 9%. Hoje, está em 9,75%. Foi a desaceleração da economia que levou o Banco Central a optar por acelerar o corte da Selic, semana passada. Agora, o cenário mais provável é que o movimento termine na próxima reunião, quando o juro deve cair 0,75 ponto

Mais clara, impossível. A ata da reunião de março do Comitê de Política Monetária (Copom) entregou o mapa dos próximos passos e revelou que o ciclo de alívio no juro básico, iniciado em agosto, acabará em breve, assim que a taxa chegar em 9% ao ano. Hoje, está em 9,75%. Na semana passada, foi o ritmo mais fraco da economia que levou o Banco Central a optar por acelerar o corte da Selic. Agora, o cenário mais provável é que o movimento termine já na próxima reunião, quando o juro deve cair novamente 0,75 ponto.

Economistas tiveram certeza que o juro cairá para 9% com a afirmação na ata de que é "elevada a probabilidade" de que os juros se desloquem para "patamares ligeiramente acima dos mínimos históricos" e que, depois, se estabilizem. A menor Selic da história foi de 8,75%, entre julho de 2009 e março de 2010.

Com o documento em mãos, várias instituições tiveram de corrigir suas previsões, para cima, do juro no fim do ano. A ata agitou investidores e norteou não só os negócios com juros, mas ações e até câmbio. O movimento foi o oposto do visto dias antes da publicação do documento, quando o mercado reduziu para 8,5% a estimativa da Selic, depois do corte da semana passada e a afirmação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que Selic convergiria para o patamar da Taxa de Juro de Longo Prazo (TJLP), de 6%.

Na decisão da semana passada, o BC pegou parte do mercado de surpresa ao cortar o juro em 0,75 ponto. Até então, os cortes eram de 0,5 ponto. Apesar da ação mais agressiva, a ata revela que a magnitude de todo o ciclo não mudou. Ou seja, a dose do remédio aumentou neste mês, mas, ao fim do tratamento, o paciente vai tomar a mesma cartela de medicamento prevista inicialmente pelo médico.

Em um texto confuso e às vezes contraditório, o Comitê argumentou que a "desaceleração da economia brasileira no segundo semestre do ano passado foi maior do que se antecipava". Por isso, cinco diretores optaram por acelerar os cortes, mas sem aumentar a dose do remédio.

Apesar dessa piora citada, o parágrafo seguinte diz que a inflação - que, originalmente, deveria ser o principal foco de atenção do BC - tem evoluído exatamente como esperado. Assim, explicam, não houve necessidade de mudança no "ajuste total das condições monetárias".

Grosso modo, é dizer que o BC cortou o juro em 0,75 ponto de olho no crescimento e vai parar em 9% de olho na inflação.

Sobre os preços, o crescimento mais fraco da economia somado à queda do dólar levaram à redução da previsão de inflação em 2012 para um patamar abaixo do centro da meta, de 4,5%. Além do dólar, um dos motivos apresentados pelo BC é a previsão BC de que a gasolina não deve subir este ano.

Autor(es): FERNANDO NAKAGAWA, ADRIANA FERNANDES, BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo
O Estado de S. Paulo - 16/03/2012

quinta-feira, 15 de março de 2012

COPOM vê juro caindo para nível pouco acima de 8,75% ao ano
Nível de 8,75% ao ano é a taxa mínima histórica, registrada em 2009/2010.
Informação está na ata da última reunião do Copom, divulgada nesta quinta.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central informou nesta quinta-feira (15), por meio da ata de sua última reunião, quando os juros recuaram para 9,75% ao ano, que atribui "elevada probabilidade" à concretização de um cenário que contempla a taxa de juros caindo para "patamares ligeiramente acima dos mínimos históricos, e nesses patamares se estabilizando".

A mínima histórica da taxa de juros é de 8,75% ao ano e foi registrada entre julho de 2009 e abril de 2010, na primeira etapa da crise financeira internacional. No primeiro semestre do ano retrasado, após atingir a mínima histórica, os juros voltaram a ser elevados para conter as pressões inflacionárias resultantes do crescimento da economia brasileira. Naquele ano, o Produto Interno Bruto (PIB) avançou 7,5%, desacelerando para 2,7% de expansão em 2011.

Com isso, o Copom sinaliza que os juros não devem cair abaixo da mínima histórica nos próximos meses. Analistas avaliam que um recuo mais forte da taxa de juros, abaixo de patamares mínimos já registrados, poderia comprometer a chamada "rolagem" da dívida pública, que é a emissão de títulos públicos pelo Tesouro Nacional para pagar os papéis que estão vencendo.
Há dois anos, quando os juros chegaram a 8,75% ao ano (mínima histórica), os fundos de renda fixa que cobravam mais de 1% de taxa de administração já começavam a perder rentabilidade frente à caderneta de poupança - que não tem incidência do Imposto de Renda e nem taxa de administração.

A explicação é que a poupança tem uma rentabilidade mínima (piso de rendimento) associada ao investimento (TR mais 6% ao ano), enquanto os rendimentos dos fundos de investimentos estão associados aos juros básicos da economia - que estão em queda desde agosto do ano passado.

Por isso, mudanças na remuneração da poupança chegaram a ser anunciadas no passado, por meio da taxação, em 22,5%, dos saldos acima de R$ 50 mil, com o objetivo de impedir que grandes investidores migrassem para a poupança e, com isso, deixassem de comprar títulos públicos ofertados pelo Tesouro Nacional.

Especialistas avaliam que, caso os juros comecem a recuar abaixo de 8,75% ao ano, o governo terá de rever a política de remuneração da poupança em algum momento. Outra alternativa do governo, que não seja a taxação da poupança, pode ser atrelar o rendimento da poupança ao dos juros básicos da economia. Assim, quando os juros recuassem, cairia também o rendimento da caderneta de poupança.

Alexandro Martello Do G1, em Brasília

quarta-feira, 14 de março de 2012

Dólar não resiste a nova medida oficial e volta a cair a R$ 1,80

Estrangeiro que comprar títulos pode pagar IR



Investimento externo em renda fixa é isento de imposto atualmente. Após dois dias de alta, dólar cai e fecha a R$ 1,80

Um dia após taxar com Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6% os empréstimos de empresas no exterior com prazos de até cinco anos, para segurar o câmbio e proteger a indústria, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, se comprometeu a ajustar a regra para que não prejudique o setor exportador. Ele também admitiu a possibilidade de taxar com Imposto de Renda (IR) investimentos estrangeiros em títulos públicos de renda fixa - hoje isentos -, ao falar das medidas que o governo pode adotar para evitar uma desvalorização excessiva do dólar frente ao real.

O dia de otimismo nos mercados globais acabou prevalecendo e o dólar comercial caiu 0,28% ontem, a R$ 1,80, após dois dias de alta. Houve grande volatilidade. A cotação chegou a subir 1,27% e caiu a 0,66% na mínima do dia. Segundo analistas, o sobe e desce é uma reação do mercado às recentes medidas adotadas pelo governo, para tentar conter a queda da divisa.

Ao participar de audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), do Senado, Mantega ouviu do senador Blairo Maggi (PR-MT) que a nova taxação do IOF - para dificultar a entrada capital especulativo no país - acabou afetando os exportadores que captam recursos no mercado internacional para se financiar. O ministro defendeu a medida, mas admitiu que distorções podem ser corrigidas:

- Você dá o tiro, acerta o urubu, mas acerta também o gavião que está do lado. Ao mexer no IOF, você pode prejudicar algum exportador com isso. Mas não podemos deixar de tomar medidas. Vamos aperfeiçoar os instrumentos para acertar.

Em relação ao IR sobre investimentos estrangeiros em renda fixa, a demanda veio dos senadores. Mantega explicou que o IOF de 6% já reduz bastante os ganhos de arbitragem dos estrangeiros, mas admitiu que o IR pode entrar no radar da equipe econômica, caso seja necessário.

Ainda dentro desse esforço para estimular o setor exportador, o ministro informou que o governo anunciará em breve medidas para reduzir o custo do Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC). Nessas operações, um banco - principalmente o Banco do Brasil - antecipa ao empresário parte ou todo o valor que tem a receber do importador.

Sem medidas, dólar estaria a R$ 1,40, diz ministro

Mantega também mostrou preocupação com o setor industrial. Além de desonerar a folha de pagamento de novos setores, o ministro disse que vai reduzir a tributação de bens de consumo e investimentos e trabalhar pela redução do spread bancário, que classificou como absurdo.

- Não vamos abandonar a indústria. País que só tem commodity não é um país forte - disse. - É preciso atacar os custos financeiro, tributário, de energia e de infraestrutura do país.

O ministro destacou que o governo também vai continuar agindo para proteger a indústria nacional da entrada de mercadorias importadas, especialmente da China, com preços excessivamente baixos. Entre o que já foi feito está a aplicação de salvaguardas, aumento do controle aduaneiro e elevação do Imposto de Importação:

- Não queremos violentar os princípios da livre concorrência, mas não queremos que fraudes sejam cometidas.

O ministro defendeu ainda as medidas que vêm sendo adotadas pelo governo para segurar a queda do dólar. Segundo ele, se a equipe econômica não estivesse agindo, a moeda americana estaria hoje em R$ 1,40 ou menos.

- Se não tivéssemos tomado essas medidas, que diminuem os ganhos das operações de arbitragem, o câmbio estaria em R$ 1,40 ou menos e toda a indústria estaria quebrada.

Autor(es): Martha Beck, Geralda Doca e Vinicius Neder
O Globo - 14/03/2012

quarta-feira, 7 de março de 2012

O "PIBÃO" QUE VIROU "PIBINHO"

PIB CRESCE 2,7% E PÕE 2012 EM RISCO

Tanto o governo quanto o mercado já esperavam um crescimento menor do PIB, total das riquezas produzidas no país. Mas, mesmo sabendo que, a exemplo da galinha, a economia brasileira não conseguiria sustentar o voo, o avanço de apenas 2,7% em 2011 - primeiro ano da gestão Dilma - causou desconforto no Palácio do Planalto. A ordem, agora, é preparar uma ofensiva para acelerar a produção em 2012 e evitar outro resultado ruim da economia

Mesmo esperado, o fraco desempenho da economia mexeu com o governo, que espera juros menores. Teme-se que o segundo ano de Dilma seja outra decepção


O governo já sabia. O mercado financeiro, também. Mas o crescimento de apenas 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011, o primeiro ano da gestão de Dilma Rousseff, mexeu com os brios do Palácio do Planalto. O "pibão bão" de 7,5% em 2010, segundo a versão bem-humorada da própria presidente, agora virou pibinho. Por isso, não só foi iniciada uma maratona de convencimento dos diretores do Banco Central, para que acelerem o passo na redução dos juros, como Dilma e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, trataram de avisar que novas medidas de estímulo à atividade estão saindo do forno. O temor é de que, neste ano, a soma de todas as riquezas produzidas pelo país tenham um resultado semelhante, o que fará com que a média de expansão do PIB na era Dilma fique mais próxima dos 2,3% do governo Fernando Henrique Cardoso do que dos 4% de Lula.

Muitos foram os fatores que levaram a economia a ter um resultado tão ruim, bem abaixo dos 3,8% da média mundial. Primeiro, a necessidade do governo de conter a inflação provocada em 2010, quando o PIB deu um salto, com o intuito de eleger Dilma. Para arrumar a casa, o Banco Central foi obrigado a botar amarras no crédito e a elevar a taxa básica de juros (Selic). Segundo: o tranco imposto pela autoridade monetária acabou potencializado pelo agravamento da crise europeia. Para completar, a indústria, que havia liderado a expansão da economia em 2010, sentiu o tranco da forte desvalorização do dólar ante o real, que provocou uma invasão de importados no Brasil.

Boa parte desse quadro, porém, ficou para trás. Dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, depois de ir ao fundo do poço entre julho e setembro, quando o PIB levou um tombo de 0,1% (número revisado), a atividade reagiu e cresceu 0,3% no último trimestre de 2011. Apesar de comedidos em suas análises, os especialistas acreditam que 2012 será melhor, apesar de só carregar 0,3% do ano anterior. 

Mas longe de se chegar ao incremento entre 4,5% e 5% previsto pelo governo. Para eles, se o Brasil conseguir crescer 3,5%, como estima o BC, ou 4%, já será uma vitória, dada à dificuldade do mundo em sair do atoleiro em que se meteu. Os analistas são unânimes em afirmar, que, no segundo semestre, tanto o consumo quanto a produção já estarão com um ritmo bem mais forte.

"O ano de 2011 é passado. Agora, é preciso dar estímulos à economia, sem, contudo, pressionar a inflação", disse a economista Inês Filipa, da Corretora Icap Brasil. Por enquanto, ela estima alta entre 3,2% e 3,5% para o PIB em 2012. No seu entender, a recomposição do PIB continuará sendo puxada pelo consumo das famílias. No ano passado, devido ao aumento da renda e da criação de quase 2 milhões de empregos formais, os gastos com lares aumentaram 4,1%, o oitavo avanço seguido (leia matéria na página 10). O PIB total atingiu R$ 4,1 trilhões e a renda per capita R$ 21.252 — alta de 1,8%.

Tsunami monetário

Em um ranking elaborado pelo IBGE com 12 nações, o Brasil teve o sexto melhor resultado, atrás da China (9,2%), da Índia (6,9%), da Coreia do Sul ( 3,6%), da África do Sul (3,1%) e da Alemanha (3%). A boa notícia foi que, mesmo com o crescimento de 2,7%, o país se consolidou como a sexta principal economia do planeta, superando o Reino Unido, que, no ano passado, avançou somente 0,8% e está flertando com a recessão. Para continuar avançando nessa lista, porém, o governo terá de focar suas ações na indústria, que registrou retração por três trimestres consecutivos e fechou 2011 com incremento de 1,6%, desempenho decepcionante, por ser o setor que cria os empregos de melhor qualidade. Hoje, o dólar em baixa, fruto do "tsunami monetário" criticado por Dilma, é a grande ameaça à produção.

O câmbio bate, principalmente, na indústria de transformação, que praticamente não saiu do lugar em 2011 — alta de 0,1%. "Foi o subgrupo que mais segurou o crescimento do PIB, em qualquer comparação que se faça", comentou o coordenador de contas nacionais do IBGE, Roberto Luís Olinto Ramos. "A indústria foi o segmento que mais sofreu, porque é a parte da economia mais aberta à competição internacional", explicou o economista-chefe do Deutsche Bank Brasil, José Carlos Faria. No seu entender, em 2012, a indústria deve se recuperar um pouco em função da queda dos juros, que barateará os investimentos. Mas ainda assim continuará sofrendo", completou.

No ano passado, segundo o IBGE, as exportações de bens e serviços cresceram 4,5%, enquanto as importações avançaram 9,7%. Essa diferença retirou 0,7 ponto percentual do PIB, o chamado vazamento externo. Na prática, o avanço da economia poderia ter chegado a 3,4% se toda a produção importada de outros países fosse realizada aqui. O governo, porém, teve o que comemorar. Com a entrada maciça de mercadorias de fora do Brasil, a arrecadação de impostos, pelos cálculos do IBGE, totalizou R$ 612 bilhões, um salto de 4,3% sobre 2010.

O IBGE também constatou menor expansão dos investimentos. Em 2010, os desembolsos haviam crescido 21,3%. No ano passado, aumentaram minguados 4,7%. Assim, a taxa de investimentos, que o governo afirmava estar acima de 20% do PIB, recuou de 19,5% para 19,3%. Uma péssima notícia, pois esse indicador é importante para garantir o avanço sustentado da economia sem pressões inflacionárias. "Quando comparada a de outros países emergentes, como a China e a Índia, a taxa de investimento brasileira é frustrante", destacou Rating Felipe Queiroz, analista da agência de classificação de risco Austin.

Os sinais emitidos pelo campo, porém, foram animadores. A agropecuária registrou um salto de 3,9%, o melhor desempenho do PIB quando analisado da ótica da oferta. Tal desempenho decorreu do aumento de produtividade de culturas como o fumo, algodão, soja e mandioca. Já os serviços caminharam no ritmo do PIB, com alta de exatos 2,7% "Emprego em alta, dinheiro no bolso. Tudo isso fomenta a demanda não só por bens de consumo, mas também por serviços", disse Queiroz

Autor(es): GABRIEL CAPRIOLI
Correio Braziliense - 07/03/2012

terça-feira, 6 de março de 2012

Economia brasileira cresce 2,7% em 2011, mostra IBGE

Em valores correntes, PIB chegou a R$ 4,143 trilhões.
Entre os setores analisados, a agropecuária registrou o maior crescimento.


A economia brasileira registrou crescimento de 2,7% em 2011, segundo divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em valores correntes, a soma das riquezas produzidas no ano passado chegou a R$ 4,143 trilhões e o PIB per capita (por pessoa) ficou em R$ 21.252. Em 2010, o avanço do Produto Interno Bruto (PIB) fora de 7,5%.
Por setores, a agropecuária liderou o crescimento no ano, com alta de 3,9%, seguida por serviços (2,7%) e indústria (1,6%). O IBGE atribui o crescimento da agropecuária ao aumento da produção de diferentes culturas e aos ganhos de produtividade. “Na agricultura, quando você vê um aumento da produção, com uma diminuição da área plantada, existe um aumento da produtividade”, ressaltou Roberto Luís Olinto Ramos, coordenador de Contas Nacionais do IBGE.



No mesmo período, na análise da demanda, a despesa de consumo das famílias cresceu 4,1% – oitavo ano seguido de alta. A despesa de consumo da administração pública subiu1,9% e a formação bruta de capital fixo teve expansão de 4,7%.

"O consumo das famílias deu uma desacelerada, mas a taxa se manteve em alta. A taxa de juros é uma das coisas que explicam a redução. A inflação mais alta e a crise mundial também são fatores que influenciam", disse o coordenador.

A previsão do mercado financeiro, apresentada na véspera, por meio do boletim Focus, do Banco Central, era de que o PIB teria uma expansão de 2,82%. A expectativa do Banco Central, que divulga a “prévia do PIB”, apontava para uma expansão de 2,79%. A estimativa oficial da instituição para o crescimento da economia do ano passado, porém, estava em 3%.
Para Guido Mantega, ministro da Fazenda, a estimativa era próxima deste valor. Em fevereiro, o ministro apontou que esperava uma expansão "em torno de 3%" para o PIB de 2011, com uma aceleração do crescimento no quarto trimestre do ano. Isso porque, de acordo com os dados do IBGE, a economia ficou estagnada de julho a setembro, com crescimento zero.

Detalhes do PIB de 2011

Entre os setores pesquisados pelo IBGE, o de serviços, que mostrou alta de 2,7%, teve as  maiores influências partindo de serviços de informação, com alta de 4,9%, e intermediação financeira e seguros, com crescimento de 3,9%.

Dentro desse setor, o comércio avançou 3,4%, seguido de transporte, armazenagem e correio (2,8%).

"Ao longo de todo o ano de 2011, o crescimento da população empregada e da massa real de salários, ao lado da expansão do crédito ao consumo, sustentaram o crescimento das vendas no comércio", disse o IBGE, por meio de nota. Outros serviços e administração, saúde e educação pública cresceram, ambas, 2,3%. Na sequência, aparecem serviços imobiliários e aluguel (1,4%).

Na indústria, terceiro setor pesquisado pelo IBGE, o destaque ficou com eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana (3,8%) e construção civil (3,6%). "O desempenho da construção civil em 2011 é confirmado pelo aumento da população ocupada no setor, que acumulou crescimento de 3,9%", afirmou o IBGE.
Dentro da indústria, o subsetor de extração mineral teve alta de 3,2%, com destaque para a extração de minério de ferro. Já a indústria de transformação ficou praticamente estável sobre 2010, com leve avanço de 0,1%.

"A indústria de transformação é o núcleo central de uma economia. Com essa turbulência no mercado externo, importações, decisões sobre consumo. Atividades que têm mais a ver com o resto do mundo tiveram mais impacto. Algumas atividades relacionadas ao mercado interno tiveram menos impacto. De forma uniforme, toda a indústria de transformação caiu”, disse Ramos.



Também foram anunciados os números do desempenho do setor externo. Em 2011, as exportações cresceram 4,5%, e as importações, 9,7% – devido, principalmente, segundo o IBGE, ao "quadro de valorização do real verificado entre 2010 e 2011". 

Investimentos e poupança

Na mesma divulgação, o IBGE anunciou que a taxa de investimento no ano de 2011 foi de 19,3% do PIB, resultado inferior ao registrado no ano anterior, quando alcançara 19,5%.
 No mesmo período, a taxa de poupança atingiu 17,2%, contra 17,5% em 2010.

Comparações trimestrais

Na comparação com o terceiro trimestre do ano passado, , com ajuste sazonzal, o PIB mostrou avanço de 0,3%. Por setores, registraram aumento a agropecuária (0,9%) e os serviços (0,6%). Já a indústria apresentou queda, de 0,5%. Nesta terça-feira, o IBGE revisou o PIB do terceiro trimestre de 2011, de 0% para -0,1%.

De acordo com o IBGE, no quarto trimestre de 2011, em relação ao terceiro, todos os componentes da demanda interna mostraram aumento: despesa de consumo das famílias cresceu 1,1%, e da administração pública aumentou 0,4%. A formação bruta de capital fixo teve alta menor, de 0,2%. Pelo lado do setor externo, as importações cresceram 2,6% e as exportações, 1,9%.

No entanto, quando comparado ao mesmo período de 2010, o quarto trimestre de 2011 mostrou crescimento maior, de 1,4%. Dentre as atividades econômicas, a agropecuária avançou 8,4% e os serviços, 1,4%. Por outro lado, a indústria teve queda de 0,4%. Esse recuo, segundo pontuou o IBGE, foi puxado pela contração de 3,1% na indústria de transformação. 



O IBGE atribui a alta da taxa da agropecuária, nesse tipo de comparação, ao aumento da produtividade e ao desempenho de alguns produtos da lavoura que possuem safra relevante no trimestre e pelo crescimento na produtividade.

Nessa mesma base de comparação, a despesa de consumo das famílias avançou 2,1% e da administração pública, 1,3%. A formação bruta de capital fixo aumentou 2,0%. As exportações subiram 3,7% e as importações, 6,4%.

Extraído de http://http://g1.globo.com em 6 de março de 2012

segunda-feira, 5 de março de 2012

Meirelles assume conselho do JBS

Henrique Meirelles assume conselho da holding do JBS
Após um ano de quarentena, ex-presidente do BC começa hoje a definir estratégia global do grupo que controla o frigorífico

Nem a disputa pela Prefeitura de São Paulo, nem a volta ao mercado financeiro. Depois de um ano de quarentena, o ex-presidente do Banco Central (BC) Henrique Meirelles assume hoje a presidência do conselho de administração da J&F, holding de empresas que controla o frigorífico JBS, maior processador de carnes do mundo.
Henrique Meireles

"Tive várias ofertas para voltar ao mercado financeiro, mas achei mais interessante partir para o setor produtivo", disse Meirelles. 66 anos. "Esse grupo está crescendo muito, está se diversificando e representa uma experiência desafiadora para mim".

Dono de um patrimônio pessoal estimado em mais de R$ 100 milhões, Meirelles foi presidente mundial do banco americano BankBoston, em 2002 entrou na política e elegeu-se deputado federal pelo PSDB como o candidato mais votado de Goiás e comandou o BC nos oito anos de governo Lula - tornando-se o presidente que mais tempo ficou no cargo na história da instituição.

A partir de hoje, ele começa a montar o conselho de administração da holding da família Batista, que atualmente tem apenas um conselho consultivo. A tarefa de Meirelles é trabalhar na estratégia global do grupo. Uma possibilidade, no futuro, é abrir o capital da empresa.

Com faturamento estimado em mais de R$ 60 bilhões no ano passado, cerca de 145 mil funcionários e negócios em 22 países, o grupo aposta na profissionalização como uma resposta ao mercado - que vê com restrições uma administração tão marcadamente familiar num grupo que está se esparramando por tantos setores da economia.

O detalhe é que tanto Meirelles quanto os Batista começaram a vida em Anápolis, no interior de Goiás, e ganharam projeção internacional. "Que coincidência, não? Mas só viemos a nos conhecer em São Paulo", diz.

Convites. Meirelles conta que ao longo de seu ano de quarentena avaliou várias propostas. "Tive convites para ser sócio de fundos de investimentos brasileiros e estrangeiros, para comandar bancos de investimento."Também teve convites para voltar à política: foi cogitado para disputar a prefeitura de São Paulo pelo PSD de Gilberto Kassab, que também aventou seu nome para uma eventual vaga no ministério da presidente Dilma Rousseff. "A carreira política, por enquanto, fica suspensa", diz.

Na nova função, além de definir as estratégias do grupo, Meirelles vai cuidar da governança corporativa e das relações com o mercado. "Temos duas empresas listadas em bolsa: o JBS, no Brasil, e a Pilgrim"s, nos Estados Unidos. A governança, para o grupo, é um aspecto de muita importância", diz Meirelles.

Diversificação. Joesley Batista, um dos três irmãos que comandam a holding que começou com um açougue em Anápolis, continua na função de presidente executivo da J&F. Ele passou a replicar na holding da família o agressivo processo de expansão por meio da aquisição de concorrentes - que transformou o frigorífico no maior do mundo.

Do ano passado para cá, os Batista deram a largada na Eldorado, fábrica de celulose em construção em Três Lagoas (MS); reforçaram a Flora, empresa de cosméticos, com a compra da divisão de higiene e beleza do grupo Bertin; e o Banco JBS comprou o Matone e passou e mudou o nome para Banco Original.

O carro-chefe do grupo, o frigorífico JBS, cresceu com imenso apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que financiou e se tornou o maior sócio dos Batista no frigorífico, e foi muito criticado por isso.

Um pouco dessa filosofia também está sendo replicada nos outros negócios da J&F. O BNDES financia metade da construção da Eldorado, que tem entre seus sócios minoritários os fundos de pensão Petros (dos funcionários da Petrobrás e Funcef (Caixa Econômica Federal).

O esforço agora é para mudar a percepção que o mercado tem do grupo e mostrar que os Batista estão preocupados em buscar na praça profissionais tarimbados. Antes do ex-presidente do BC, os Batista contrataram outro executivo de nome, José Carlos Grubisich, que fez uma longa carreira no grupo Odebrecht, e agora vai comandar a fábrica de papel Eldorado

Autor(es): DAVID FRIEDLANDER
O Estado de S. Paulo - 05/03/2012

quinta-feira, 1 de março de 2012

No Brasil, maior ameaça ainda é a alta da inflação
 

No Brasil, o risco maior de 2012, apontam os gestores, é o descontrole da inflação, após o IPCA (inflação oficial) ter encerrado o ano passado em 6,5% - teto da meta perseguida pelo Banco Central (BC). "É a nossa angústia", diz Jorge Simino, da Fundação Cesp. "Até que ponto o reaquecimento da economia deve trazer mais inflação, na margem, não sabemos", afirma. "Se a inflação voltar a ficar perto de algo entre 6,5% e 7%, existe a possibilidade concreta de o governo ter de voltar a subir juros em 2013", emenda.

Ainda que não saia do controle, a inflação acima do centro da meta (4,5%) mantém os títulos públicos indexados a índices de preços ainda bastante atrativos para os investidores. "Gosto de NTN-Bs com vencimento entre 30 e 40 anos", afirma Simino.

Para o gestor, na renda fixa ganha destaque ainda o crédito privado - especialmente as debêntures e os CDBs -, sem abrir mão, claro, do perfil de risco desses papéis, que devem contar com uma boa classificação de crédito. "Mas os prêmios também diminuíram, o que significa que o ano também vai ser difícil na renda fixa", alerta.

É consenso entre os economistas que o crescimento do Brasil em 2012 deve ficar entre 3% e 3,5%, com um primeiro semestre mais fraco, já que os efeitos dos incentivos do governo à economia ainda não terão se manifestado em sua totalidade.

Segundo Luiz Carlos Mendonça de Barros, da Quest Investimentos, o consumo interno deve crescer 5% em 2012 e, como ele representa dois terços do Produto Interno Bruto (PIB), vai ser suficiente para manter expansão da economia entre 3% e 3,5%. Ele afirma, porém, que é quase impossível crescer mais. "Crescer 5% não existe por limitações nossas, como ambiente de negócios de altos impostos, baixo investimento em infraestrutura, queda da poupança e intervencionismo do governo", afirma.




www.valoronline.com.br em 01/03/2012