quinta-feira, 26 de abril de 2012

Taxas menores para a casa própria



Caixa reduz juros para financiamento habitacional

Caixa reduz em até 21% juro de imóvel

Foi a terceira rodada de corte nas taxas de financiamentos, mas medida beneficia apenas quem contratar empréstimo a partir de 4 de maio

A Caixa Econômica Federal anunciou ontem a terceira rodada de redução dos juros em menos de um mês, dessa vez para a contratação de financiamentos habitacionais. A mudança beneficiará, porém, apenas as pessoas que fizerem empréstimos a partir de 4 de maio. Financiamentos assinados antes dessa data não serão contemplados. Quem já fechou negócio, mesmo que há pouco tempo, também não poderá renegociar a taxa.

A queda dos juros para os imóveis vai depender do grau de relacionamento que as pessoas pretendem ter com o banco. Se o interessado em comprar um imóvel de até R$ 500 mil, por exemplo, não quiser abrir uma conta, o juro do financiamento ficará 10% mais barato. Mas, se a pessoa aceitar abrir uma conta e ainda passar a receber o salário na instituição, o empréstimo ficará 21% mais barato.

A redução na taxa segue a direção iniciada este mês pelo também estatal Banco do Brasil, seguindo uma orientação do governo, e que já atingiu segmentos como cheque especial e financiamento para automóveis. Os bancos privados também já anunciaram quedas em várias taxas, mas, para analistas, teriam menos fôlego para fazer o mesmo com o crédito habitacional, onde a margem é menor.

Mudança. Para imóveis dentro do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), de até R$ 500 mil, as taxas efetivas cobradas pela Caixa hoje são de 10% ao ano para o público geral e 8,9% para clientes com "relacionamento". Essas taxas caem agora para 9% e 8,4% ao ano, respectivamente. Haverá ainda taxa de 7,9% ao ano para clientes que passem a receber seu salário pelo banco.

Para imóveis acima de R$ 500 mil, os juros hoje são de 11% ao ano para o público geral e 10,5% para cliente com relacionamento. Essas taxas caem para 10% e 9,2%, respectivamente. Quem recebe salário no banco paga 9%.

Segundo cálculos da Associação Nacional dos Executivos de Finanças e Contabilidade (Anefac), num empréstimo de R$ 500 mil com taxas de 11% ao ano, o consumidor pagaria, durante dez anos, 120 parcelas mensais de R$ 6.729,96. Se a taxa cair para 10%, o ganho total seria de R$ 27 mil - a parcela mensal cairia para R$ 6.497,28, uma economia de R$ 232 ao mês.

FGTS. A Caixa também vai reduzir a taxa máxima para financiamento de imóveis de até R$ 170 mil, que são bancados com recursos do FGTS. O juro cai de um teto de 8,47% para 7,9% ao ano, para clientes que recebem salários no banco. Se o cliente for cotista do FGTS, a taxa será de 7,4% ao ano. A queda dos juros começa a valer no mesmo dia em que a Caixa dá início ao 8.º feirão de imóveis, que vai até 10 de junho. Serão oferecidos mais de 430 mil imóveis em 13 cidades.

Embora a redução dos juros seja uma determinação do governo, a Caixa também diz que se trata de estratégia empresarial e que o aumento de volume de empréstimos vai compensar a redução dos juros.

Segundo o vice-presidente de Governo e Habitação da Caixa, José Urbano Duarte, o banco deve rever a previsão de contratação de crédito habitacional neste ano de R$ 90 bilhões para até R$ 100 bilhões. No ano passado, foram R$ 80 bilhões. Neste início de ano, já houve um aumento de 43% nessas operações.

Urbano Duarte diz ainda que a taxa de inadimplência é de apenas 1,7% nos financiamentos habitacionais e de 5% nos outros empréstimos, bem abaixo dos 7,4% da média do mercado.

EDUARDO CUCOLO / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo
O Estado de S. Paulo - 26/04/2012 www.estadao.com.br 

quinta-feira, 19 de abril de 2012

COPOM corta taxa de juros para 9% aa, menor nível em dois anos


Na 6ª redução seguida, juros caem a nível próximo da mínima história
Previsão do mercado financeiro é que este seja o último corte do ano.


O Comitê de Política Monetária (COPOM) do Banco Central se reuniu nesta quarta-feira (18) e decidiu baixar a taxa básica de juros da economia brasileira de 9,75% para 9% ao ano, em um novo corte de 0,75 ponto percentual. Com isso, os juros caíram ao menor nível desde abril de 2010 (8,75% ao ano - mínima histórica, que vigorou entre julho de 2009 e abril de 2010). Esta foi a sexta redução consecutiva da taxa.



A decisão do Banco Central confirmou aexpectativa de parte expressiva dos economistas do mercado financeiro. A aposta dos analistas dos bancos tem por base sinalização da própria autoriadade monetária, que informou, em março, que atribuía "elevada probabilidade" à concretização de um cenário que contempla a taxa de juros caindo para “patamares ligeiramente acima dos mínimos históricos, e nesses patamares se estabilizando” 

Com base nesta declaração do BC, o mercado passou a acreditar que este será o último corte de 2012 e que um novo movimento na taxa básica da economia acontecerá somente em abril do ano que vem – quando a taxa subirá, segundo os analistas, para 9,5% ao ano. Em julho do ano que vem, a taxa avançaria para 10% ao ano, acreditam os economistas dos bancos.

Explicação

Ao fim do encontro, o BC divulgou a seguinte frase: "O Copom considera que, neste momento, permanecem limitados os riscos para a trajetória da inflação. O Comitê nota ainda que, até agora, dada a fragilidade da economia global, a contribuição do setor externo tem sido desinflacionária. Diante disso, dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 9% a.a., sem viés".

Sistema de metas de inflação

Pelo sistema de metas de inflação, que vigora no Brasil, o BC tem de calibrar os juros para atingir as metas pré-estabelecidas, tendo por base o IPCA. Para 2012 e 2013, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Deste modo, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.

O BC busca trazer a inflação para o centro da meta de 4,5% neste ano, visto que, em 2011, a inflação ficou em 6,5% – no teto do sistema de metas. Para o IPCA deste ano, a previsão dos analistas dos bancos está em 5,08% e, para 2013, a previsão do mercado está em 5,50%. Já o Banco Central estimou, no fim de março, um IPCA ao redor da meta central de inflação (4,5%) para este ano e, para 2013, acima de 5%.

Cenário econômico

De acordo com economistas, uma série de fatores possibilitou ao Banco Central prosseguir baixando os juros. A avaliação do mercado financeiro é de que a crise financeira internacional, que impacta para baixo o nível de atividade da economia brasileira e mundial, juntamente com o recuo dos preços das "commodities" (produtos básicos com cotação internacional), tendem a gerar menos pressões inflacionárias no Brasil – possibilitando a continuidade dos cortes nos juros por parte do BC.

Além disso, indicadores econômicos recentes confirmaram que a recuperação econômica buscada pelo governo, após o PIB ter registrado crescimento de 2,7% em 2011, ainda não mostrou sinais mais fortes. A prévia do PIB, calculada pelo próprio BC, registrou queda pelo segundo mês consecutivo. Além disso a criação de empregos formais recuou 24% no primeiro trimestre deste ano.. E o IPCA, usado como referência no sistema de metas de inflação, subiu apenas 0,21% em março em março – menor desde julho de 2011, quando somou 0,16%..

Caderneta de poupança

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) avaliou recentemente que um recuo mais forte da taxa de juros, abaixo de patamares mínimos já registrados (8,75% ao ano), poderia comprometer a chamada "rolagem" da dívida pública, que é a emissão de títulos públicos pelo Tesouro Nacional para pagar os papéis que estão vencendo.

"A conta é simples: com a Selic na faixa de 8,75%, um fundo DI com uma taxa de administração de 1% e rendendo algo como 98% do CDI, teria uma taxa de rendimento anualizada na faixa de 5,85% (líquida de IR, nesta caso à alíquota de 20%). Mesmo sem considerar a TR (já com uma taxa baixa a essa altura) o cupom fixo de 6% da caderneta de poupança (já liquido de IR) seria superior ao rendimento do Fundo DI", informou Febraban em estudo.

Rússia ultrapassa Brasil em ranking de juros reais

Levantamento do economista Jason Vieira, da corretora Cruzeiro do Sul, em parceria com Thiago Davino, analista de mercado da Weisul Agrícola, mostra que os juros reais estão, atualmente, após o corte de 0,75 ponto percentual na Selic, em cerca de 3,4% ao ano, abaixo da Rússia, que tomou a dianteira com 4,2% ao ano. A taxa média de juros de 40 países pesquisados na pesquisa está negativa em 0,6% ao ano.

Alexandro Martello Do G1, em Brasília

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Juros devem cair para 9% ao ano perto do piso, no sexto corte seguido


Estimativa dos analistas é de corte de 0,75 ponto pelo Banco Central.
Próximo movimento no juro, de alta, é previsto somente para abril de 2013.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (18) e deve reduzir a taxa básica de juros da economia brasileira dos atuais 9,75% para 9% ao ano, em um novo corte de 0,75 ponto percentual, segundo a aposta de grande parte dos analistas do mercado financeiro. Se confirmada, será a sexta diminuição consecutiva nos juros. A decisão será anunciada após as 18h.

 
A crença do mercado em uma nova redução nos juros se deve à uma sinalização da própria autoridade monetária. Em meados de março, o Copom informou que atribuía "elevada probabilidade" à concretização de um cenário que contempla a taxa de juros caindo para “patamares ligeiramente acima dos mínimos históricos, e nesses patamares se estabilizando”. A mínima histórica da taxa de juros é de 8,75% ao ano e foi registrada entre julho de 2009 e abril de 2010, na primeira etapa da crise financeira internacional.

Com base nesta declaração do BC, o mercado passou a acreditar que este será o último corte deste ano e que um novo movimento na taxa básica da economia acontecerá somente em abril de 2013 – quando a taxa subirá, segundo os analistas, para 9,5% ao ano. Em julho do ano que vem, a taxa avançaria para 10% ao ano, acreditam os economistas dos bancos.

Sistema de metas de inflação

Pelo sistema de metas de inflação, que vigora no Brasil, o BC tem de calibrar os juros para atingir as metas pré-estabelecidas, tendo por base o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Para 2012 e 2013, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Deste modo, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida. O BC busca trazer a inflação para o centro da meta de 4,5% neste ano, visto que, em 2011, a inflação ficou em 6,5% – no teto do sistema de metas.

Para o IPCA deste ano, a previsão dos analistas dos bancos está em 5,08% e, para 2013, a previsão do mercado está em 5,50%. Já o Banco Central estimou, no fim de março, um IPCA ao redor da meta central de inflação (5,5%) para este ano e, para 2013, acima de 5%. 

Corte nos juros limitado pela poupança

Economistas avaliam que um recuo mais forte da taxa de juros, abaixo de patamares mínimos já registrados (8,75% ao ano), poderia comprometer a chamada "rolagem" da dívida pública, que é a emissão de títulos públicos pelo Tesouro Nacional para pagar os papéis que estão vencendo.

"A conta é simples: com a Selic na faixa de 8,75%, um fundo DI com uma taxa de administração de 1% e rendendo algo como 98% do CDI, teria uma taxa de rendimento anualizada na faixa de 5,85% (líquida de IR, nesta caso à alíquota de 20%). Mesmo sem considerar a TR (já com uma taxa baixa a essa altura) o cupom fixo de 6% da caderneta de poupança (já liquido de IR) seria superior ao rendimento do Fundo DI", informou a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em estudo.

Para a Febraban, não é difícil imaginar o "desequilíbrio potencial desse cenário, que poderia levar a um fluxo significativo de recursos para as cadernetas e ao mesmo tempo escassez de funding em outros segmentos do mercado". "Teríamos excesso de exigibilidade, e com base em recursos de curto prazo, de um lado e escassez em outro. Certamente um desequilíbrio que precisa ser corrigido para viabilizar a continuidade da queda dos juros. E quanto antes melhor”, avalia a Febraban no estudo.

Alexandro Martello Do G1, em Brasília

terça-feira, 17 de abril de 2012

A vida mansa dos milionários acabou



A inflação dos ricos também é private

A vida mansa dos milionários acabou. Pelo menos quando o tema é investimentos. Com a tesoura do Banco Central pronta para cortar a taxa Selic a 9% ao ano apesar da elevada - e renitente - inflação de serviços que atinge em cheio o bolso dos ricos, a era do ganho real (descontada a inflação) fácil das aplicações ligadas ao CDI deve chegar ao fim.

Uma conta simples expõe o drama dos endinheirados. Com Selic a 9%, um fundo DI com taxa de administração de 0,5% proporciona em um ano ganho líquido de IR de 6,80%. Levando em conta o IPCA estimado para os próximos doze meses (5,47%), segundo o boletim Focus, o investidor ainda teria um ganho real. Mas quando se considera a variação dos preços de serviços, cuja taxa anual geralmente supera 8%, a coisa muda de figura - e o poder de compra acaba sangrado pela alta dos preços. "O private sempre teve que buscar um ganho maior porque estava mais sujeito à inflação de serviços. Com a queda dos juros, isso se torna mais difícil", afirma Hiram Maisonnave, diretor vice-presidente do francês BNP Paribas.

Ou seja, a diferença é que agora a inflação de serviços, em alta nos últimos dois anos, é acompanhada por uma mudança no comportamento do BC, que vem tolerando um IPCA acima do centro da meta (4,5%), puxado sobretudo pelos preços dos serviços. "A Selic praticamente no mesmo nível da inflação de serviços é uma quebra de paradigma para o private", diz Maria Eugênia López, diretora do Private Banking do Santander.

Quem mais pena com a Selic cadente é o chamado rentista, aquele investidor que vive apenas dos juros de suas aplicações financeiras. Uma simulação simples mostra o tamanho do problema. Um investidor com R$ 20 milhões que obtém ganho real de 4% ao ano terá R$ 800 mil para gastar anualmente. Se essa quantia for suficiente para ele manter seu padrão de vida, quer dizer, comprar todos os bens e serviços que deseja, tudo bem. Mas se o investidor gastar mais do que isso, sacando além dos 4% de ganho real, vai ver sua capacidade de consumo minguar ano a ano, já que seus R$ 20 milhões podem não ser corrigidos todos os anos pela variação da inflação.

E se o ganho real desse suposto investidor de R$ 20 milhões e gastos mensais de R$ 800 mil cair, por conta da redução da Selic, de 4% para 1,5% ao ano (se considerada a inflação de serviços e não a média geral)? Bem, nesse caso há algumas alternativas. Uma delas é arriscar mais para tentar manter o ganho real de 4%, abandonando o conforto das aplicações conservadoras. Outra é não mudar nada e continuar sacando os R$ 800 mil, aceitando a corrosão do patrimônio, o que pode significar perder milhões no longo prazo. Há também a opção de apertar o cinto e aprender a viver com menos. Em geral, o mais recomendável é uma combinação da primeira estratégia (arriscar um pouco mais) com a terceira (diminuir os gastos).

Para Maisonnave, do BNP, o investidor tem que tomar cuidado para não ir "abrindo novas fronteiras de diversificação" e se expor a riscos que, pelo próprio perfil, não é capaz de suportar. "A mudança da carteira pode até ocorrer, mas o principal é se conscientizar sobre o padrão de vida para proteger o patrimônio", afirma. "Vivia com R$ 1 milhão por ano, agora vai viver com R$ 800 mil; blindava todos os carros, agora não vai blindar mais".

A recomendação de Maisonnave é que o investidor calcule o ganho real para calibrar os gastos com base em um índice de inflação que corresponda a, pelo menos, uma vez e meia o IPCA. Como o índice subiu no ano passado 6,5%, a taxa de inflação do private em 2011 foi de 9,75%. Se o IPCA subir 5,08% em 2012 (previsão do boletim Focus), a inflação do private este ano seria de 7,62%. "Quem não prestar atenção nisso, não vai conseguir nem preservar seu patrimônio", diz. "Tenho clientes que dizem: "Há 20 anos, com o dinheiro que apliquei no início comprava a empresa do meu concorrente, hoje não compro nem um imóvel".

Com a taxa Selic ombreando a inflação dos milionários, o setor de private banking, avalia Maria Eugênia, do Santander, tem que reforçar os serviços de orientação e assessoria patrimonial. O primeiro passo é apresentar o "novo mundo" dos juros reais menores aos clientes e, a partir daí, engajá-los em um processo de educação financeira. "Esse investidor do private sempre foi muito acomodado por conta dos juros altos", diz.

Em primeiro lugar, o investidor vai ter que abrir mão do vício do curto prazo, da liquidez imediata, ou seja, da possibilidade de ter o dinheiro acrescido de juros gordos à mão a qualquer momento. É hora de comprar mais papéis públicos prefixados e ligados à inflação longos, aceitando a oscilação dos preços no curto prazo em nome de um juro maior lá na frente.

Entram no cardápio do private com mais frequência papéis do crédito privado. E não se trata apenas das Letras de Crédito Imobiliário (LCI), que, além da isenção de IR, o que por si já turbina os ganhos, têm a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para aplicações até R$ 70 mil. "O investidor do private vai ter que sair realmente da sua zona de conforto", diz Maria Eugênia.

As apostas em crédito privado devem avançar, em um primeiro momento para as debêntures (papéis de dívidas de empresas) de primeira linha. Maisonnave, do BNP, vê oportunidades com as chamadas "debêntures de infraestrutura" emitidas por Sociedades de Propósito Específico (SPEs). Os ganhos com esses papéis, segundo o pacote de estímulo ao crédito do longo prazo lançado pelo governo, são isentos de IR. "Está aí a modernização dos aeroportos, que pode ser financiada com essas debêntures".

Maria Francisca Sachs, diretora do private banking do Banco Fator, lembra que é possível elevar o rendimento com operações ligadas ao setor agrícola, como as Cédulas do Produtor Rural (CPRs). "Dá para realizar operações pontuais que fazem a diferença para o resultado da carteira", diz ela.

Mas nem todos veem o aumento da parcela de crédito privado no portfólio como um caminho natural para o private. Para Carolina Falzoni, responsável pela gestão dos fundos exclusivos da Credit Suisse Hedging-Griffo (CSHG), não é recomendável manter o investidor preso a um título de dívida privada de longo prazo, dada a dificuldade de avaliar a capacidade de pagamento de empresas em quatro ou cinco anos. "Além disso, é difícil vender o título no mercado secundário por um bom preço, o que compromete a rentabilidade", diz.

A melhor opção de diversificação, diz Carolina, é a bolsa. Mas o investidor deve esquecer o Ibovespa, sujeito a oscilações agudas no curto prazo, e buscar fundos mais refinados, que carregam por volta de 15 ações. Ela usa um exemplo para tentar "educar" os clientes. De 2006 até o fim de março deste ano (período marcado por anos de grandes altas e baixas anuais da bolsa), o CDI acumulou variação de mais de 90%, enquanto o Ibovespa subiu menos que 90%. A escolha óbvia é o CDI, que rende mais e é menos arriscado. Então, ela mostra ao investidor um grupo de fundos de ações com ganho de 170% nesse período. "Aí, ele percebe que pode ganhar mais na bolsa se souber escolher".

Embora não veja a queda da Selic como fatal para o bolso dos milionários, o diretor do HSBC Private Bank, Gabriel Porzecanski, acredita no crescimento das chamadas operações estruturadas no Brasil. O banco montou recentemente um fundo com prazo de 18 meses que aposta na variação de uma cesta de moedas emergentes ante o dólar e o euro. O investidor pode ter um retorno potencial de até três vezes a valorização da cesta. E se o dólar e o euro subirem, ele volta para casa com o capital que aplicou. "São soluções criativas, para diversificar além da bolsa e dos fundos multimercados", afirma.

Autor(es): Por Antonio Perez | De São Paulo
Valor Econômico - 17/04/2012

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Caixa e BB admitem dificuldades no atendimento para crédito mais barato

Apesar de problemas, bancos dizem que pedidos de empréstimos cresceram

O Banco do Brasil (BB) e a Caixa Econômica Federal admitem falhas no início das operações com juros mais baixos e preparam ações para melhorar o atendimento. Reportagem publicada pelo GLOBO no fim de semana revelou que clientes à procura de novas linhas enfrentaram problemas no Rio, com informações erradas e desencontradas por parte dos gerentes, além de longas esperas nas agências.

A Caixa informou que depois de amanhã vai instalar guichês de atendimento específicos para os novos programas em todas as grandes agências das capitais. O objetivo é evitar que o cliente que queira abrir conta ou refinanciar sua dívida com juros mais baixos fique perdido dentro da agência, disse o vice-presidente de Atendimento da Caixa, José Henrique Marques da Cruz.

O BB reunirá hoje pela manhã, três vice-presidências e 18 diretorias para avaliar o funcionamento do programa em suas agências em todo o país.

- É óbvio que algumas questões vão acontecer nesse início do programa, que são frutos de um processo de amadurecimento - reconheceu Paulo Rogério Caffarelli, vice-presidente de Atacado e Área Internacional do BB.

Apesar dos problemas detectados, os dois bancos fazem um balanço positivo na primeira semana em que anunciaram cortes drásticos nas taxas de juros. No balanço geral a ser divulgado hoje, a Caixa vai comemorar os resultados do programa, que começou a funcionar na terça-feira passada.

BB cria central para orientar funcionários

O banco passou a abrir duas mil contas por dia a mais (a média diária passou de oito mil para dez mil); cerca de 1.300 correntistas transferiram seus pagamentos de outras instituições para a Caixa; foram emitidos 2,5 mil cartões (Azul) e 2,6 mil empresas de pequeno e médio portes consultaram a instituição, que emprestou R$ 69 milhões para capital de giro, montante que corresponde a 72% do volume concedido ao segmento em todo mês de março, nessa modalidade.

No BB, que começou a cobrar juros mais baixos na quinta-feira, segundo a instituição, foram registradas 29 mil adesões às novas linhas de crédito.

- O prazo ainda é pequeno para avaliar, mas estamos muito satisfeitos com os resultados - disse Caffarelli.

Ele disse que os problemas detectados no Rio são pontuais e garantiu que os funcionários da instituição foram treinados para a entrada em vigor de novas taxas. Informou, ainda, que foi criada uma central de atendimento só para os empregados do banco tirarem dúvidas sobre as novas linhas.

O BB disse que não orienta suas agências a agendar ou limitar o número de abertura de contas, um problema detectado pela reportagem. De acordo com o banco, qualquer dificuldade, o cliente poderá ligar para o serviço de atendimento no 0800 7290722, ou na ouvidoria (0800 7295678).

O vice-presidente da Caixa esclareceu que a taxa mais baixa da instituição para o cheque especial (de 1,35% ao mês) depende do relacionamento do cliente com o banco (medido em pontos). Mas, que todos os correntistas da instituição terão o repasse automático do corte de 59% nessa modalidade, que saiu de 8,24% ao mês em média, para 4,27%. No cartão, cujas taxas variavam entre 9% e 13%, a redução foi de 40% e, também imediata.

Autor(es): agência o globo:Geralda Doca
O Globo - 16/04/2012

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Continua a queda de braço com os juros Governo X Bancos

Juros: Bancos pedem garantias

Bancos apresentam fatura à Fazenda

Instituições privadas admitem reduzir taxas, como fizeram BB, CEF e BRB, mas tem lista de exigências. E cobram fatura de R$ 300 milhões do governo

Instituições privadas admitem reduzir se governo aceitar parte de uma lista de mais de 20 exigências. Febraban cobra R$ 300 milhões da Receita

Com a pressão crescente do governo federal, os bancos privados já admitem a possibilidade de reduzir as taxas de juros de empréstimos e financiamentos. Ontem, depois de uma longa reunião com o secretário executivo do Ministério da Fazenda, o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Murilo Portugal, afirmou que gigantes a exemplo de Bradesco, Itaú Unibanco, Santander e HSBC devem mexer em breve em suas tabelas, como quer a presidente Dilma Rousseff. As instituições apresentaram, porém, uma lista com mais de 20 exigências para que sigam o exemplo dado pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federal, que cortaram os custos das suas principais linhas de crédito. "A bola, agora, está com o ministério", afirmou Portugal.

Na avaliação do governo, não há nada que justifique tamanha diferença entre o que os bancos pagam aos investidores, 9,75% ao ano, em média, e os 45,7% anuais que cobram das pessoas físicas. Essa diferença, chamada de spread, é considerada uma anomalia por Dilma, por não ter precedentes no mundo. O presidente da Febraban disse, porém, que os bancos têm razões de sobra para tamanha gula. Segundo ele, "apenas 30%" do spread representam o lucro das instituições financeiras. Os 70% restantes são custos. "A inadimplência representa 29% do spread, a tributação e os depósitos compulsórios (que o sistema financeiro é obrigado a recolher ao Banco Central) equivalem a 26% e os custos administrativos, a 13%", afirmou.

Portugal garantiu que "há interesse dos bancos em reduzir os spreads", mas, a seu ver, é preciso deixar claro "que existe uma confusão, pois acham que tudo é lucro". Ele destacou que, para cortarem as taxas de juros, as instituições exigem, por exemplo, o aumento de garantias aos empréstimos e financiamentos. A meta é usar recursos aplicados em fundos de previdência ou mesmo imóveis atrelados às operações para quitar dívidas em atraso.

Outra proposta é a concessão de incentivo fiscal a programas de renegociação de débitos vencidos. Os bancos querem ampliar para todos os clientes um benefício hoje restrito às pessoas físicas e às dívidas agrícolas e limitado a R$ 30 mil. Nesses casos, a Receita Federal permite a diluição do pagamento de impostos que incidiriam no ato da renegociação dos débitos atrasados. Com a alteração, não haveria redução de tributos, mas parcelamento de seu recolhimento.

Como já se tornou rotina, os banqueiros também pediram a redução de impostos sobre suas receitas. Os principais alvos são a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) cobrado nas operações de crédito. Eles querem ainda reduzir a obrigatoriedade de recolherem recursos ao BC sobre tudo que está em conta-corrente e o que é aplicados em renda fixa e na caderneta da poupança. Esses depósitos compulsórios totalizam R$ 411,9 bilhões. Mas, segundo Portugal, as instituições já se contentariam com um alívio no recolhimento compulsório dos recursos à vista, que somam R$ 70,4 bilhões.

Não é só. O presidente da Febraban pediu a regulamentação do Cadastro Positivo, lista que inclui os consumidores com histórico de bons pagadores. A finalidade é reduzir os juros a essas pessoas. Para o presidente da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), Roque Pellizzaro Júnior, que também participou das reuniões na Fazenda, a regulamentação está "90% encaminhada" e deve sair em até 40 dias.

Contrapartidas

Além de apresentar uma longa lista de contrapartidas à equipe da presidente Dilma Rousseff, a Febraban pediu que o governo pague uma dívida de cerca de R$ 300 milhões com os bancos. De acordo com Murilo Portugal, o débito se refere a um contrato firmado no ano passado com a Receita Federal para que as instituições financeiras recebam dos contribuintes os tributos devidos. Ele assinalou que, para cada Documento de Arrecadação Fiscal (Darf) pago nas agências, as instituições financeiras recebem uma tarifa que varia de R$ 0,40 (pagamento feito no caixa eletrônico) a R$ 1,39 (na boca do caixa). "Eles vão examinar a possibilidade de estabelecer um cronograma para o pagamento", disse.

Ao chegar à sede do Ministério da Fazenda, na tarde de ontem, o ministro Guido Mantega reagiu com ironia ao pedido dos bancos. "Eu pensei que eles viessem trazer os R$ 300 milhões", alfinetou. Além de colocar a fatura na mesa, Portugal propôs uma ampliação no recolhimento de impostos por débito automático.

Lojistas em ação

O Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) preparam um plano para orientar os mais de 800 mil lojistas associados a estimularem os consumidores a renegociar suas dívidas. O objetivo é aproveitar as taxas de juros mais baixas, principalmente depois dos anúncios das novas tarifas do Banco do Brasil e da Caixa.

Exigências

Confira os principais pleitos apresentados pelos bancos para baratear os empréstimos e os financiamentos
» Redução dos depósitos recolhidos compulsoriamente pelo sistema financeiro ao BC. Hoje, o saldo é de R$ 440 bilhões. A proposta é liberar parte dos R$ 70,4 bilhões sobre depósitos à vista.
» Diminuição da tributação sobre os bancos. Os alvos principais são a CSLL e o IOF cobrado nas operações de crédito.

» Regulamentação do Cadastro Positivo aprovado pelo Congresso Nacional. Trata-se de um banco de dados dos bons pagadores do sistema bancário.

» Aumento das garantias para os empréstimos. Os bancos poderão sacar recursos de fundos de previdência para quitar prestações em atraso. As instituições também querem usar imóveis dos devedores como proteção contra eventual calote.

» Concessão de incentivo fiscal para estimular programas de renegociação de dívidas em atraso. Hoje, esse benefício já existe para débitos de pessoas físicas de até R$ 30 mil.

» Maior agilidade da Justiça para resolver pendências entre bancos e devedores. Da forma como está a lei hoje, leva-se anos para retomar um carro financiado e não pago.

Fonte: Febraban
Autor(es): Cristiane Bonfanti
Correio Braziliense - 11/04/2012