quarta-feira, 30 de maio de 2012

Santander rejeita vender a operação brasileira

Santander Brasil não está à venda, afirma Marcial Portela




O presidente do Santander Brasil, o espanhol Marcial Portela Alvarez, é taxativo ao dizer que a unidade não está à venda. "Não existe qualquer negociação para a venda do banco, e a matriz não quer vender", afirmou ontem ao Valor, em referência a especulações recentes sobre negociações para venda do controle ou parte do banco no país.

Portela, que chegou ontem de Madri, após reuniões com Emilio Botín, presidente do conselho do banco, descartou também a venda de uma participação minoritária relevante. A única intenção da matriz é vender uma pequena fatia de 1,5% a pouco mais de 2% para atender às exigências da BM&FBovespa de que o banco atinja um "free float" mínimo de 25%. O mais provável é que seja uma colocação privada, e não oferta pública. "O grupo não precisa de capital".

Marcial Portela Alvarez: "Não existe qualquer negociação para venda do banco e a matriz não quer vender"

O presidente do Santander Brasil, o espanhol Marcial Portela Alvarez, é taxativo ao dizer que o banco não está à venda. "Não existe qualquer negociação para venda do banco e a matriz não quer vender", afirmou ao Valor, em referência a especulações recentes sobre negociações para venda do controle ou parte do banco no país. O Santander é o terceiro maior banco privado do país.

Em conversa na sede do banco, em São Paulo, o executivo descartou também uma venda de participação minoritária relevante. Portela chegou ontem de Madri, onde esteve reunido com Emilio Botín, o presidente do conselho do grupo, e Alfredo Sáenz, o executivo-chefe.

"O grupo não precisa de capital", argumentou o executivo. Além de ter atingido antecipadamente o novo patamar de índice de capital de melhor qualidade exigido pela Autoridade Bancária Europeia (EBA, na sigla em inglês), de 9%, o grupo deve ultrapassar o índice de 10% com a planejada abertura de capital do Santander no México, argumentou.

Da mesma forma, Portela disse que já está equacionada a necessidade de fazer provisões adicionais para a carteira de crédito imobiliário de € 5 bilhões, uma exigência do Banco de Espanha. "Não é pouco, mas já está resolvido." Parte dos recursos já está reservada e outra será coberta com o resultado gerados neste ano, segundo explicou.

Agora, o banco aguarda a condução da auditoria que o governo espanhol fará em todos as instituições do país para diagnosticar a necessidade de novas provisões para as carteiras imobiliárias. Portela disse acreditar que não haverá problema para atender a eventuais novas exigências das autoridades.

Poucas horas depois de chegar a São Paulo, ontem, onde está morando desde o ano passado quando assumiu a presidência da subsidiária brasileira, Portela afirmou que a única intenção da matriz é vender uma pequena fatia de 1% a pouco mais de 2% do banco para atender à exigência da BM&FBovespa de que o banco atinja um "free float" mínimo de 25%, aplicável a companhias listadas no Nível 2 de governança da bolsa.

O grupo Santander tem hoje 75,61% das ações do Santander Brasil e, a rigor, precisaria vender fatia de 0,61% até outubro, quando termina o prazo para se adequar à regra. Segundo ele, no entanto, a fatia a ser vendida deve ultrapassar um pouco o mínimo necessário, para que o banco não volte a ficar desenquadrado em caso de uma recompra de ações.

Pelo tamanho do negócio, que pode atingir US$ 600 milhões se forem considerados fatia de 2% e o atual valor de mercado do banco, Portela explicou que o mais provável é uma colocação privada e não uma oferta pública. "Nosso desejo é fazer isso antes de outubro, se as condições de mercado forem favoráveis", disse. A instituição já solicitou à BM&FBovespa uma prorrogação do prazo, mas, segundo o executivo, não gostaria de recorrer à possibilidade.

Na mesma linha de argumentação, em Madri, fonte da diretoria do grupo Santander insiste que o objetivo no Brasil "é crescer, não vender" o negócio local. Diz que não tem sentido abrir mão de um negócio que dá certo e é fundamental na diversificação geográfica do grupo.

O Brasil representa 27% do lucro total do Santander, comparado a menos de 10% na Espanha. No total, a América Latina faz 52% do lucro do banco. A diversificação é vista como um "colchão de proteção" para ciclos econômicos diferentes, como a crise agora na Europa, enquanto nos emergentes a situação é bem mais confortável. A direção espanhola insiste que não precisa vender ativos e, se precisasse, não venderia no Brasil, onde tem 10% do mercado e as condições para fazer o banco de varejo que deseja.

A direção também chama a atenção para uma diferenciação dentro do sistema bancário espanhol. Várias caixas estão afetadas duramente pelos ativos imobiliários tóxicos. Já o Santander nota que no ano passado gerou € 24 bilhões de lucros antes de provisões e impostos, resultando em € 6,4 bilhões de lucro líquido.

Em resposta a questionamento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ontem no fim da tarde Bradesco e Santander divulgaram comunicados ao mercado em que negam o teor de reportagem publicada no domingo pelo jornal "O Globo", sobre supostas negociações para venda do Santander ao Bradesco.

Autor(es): Por Vanessa Adachi e Assis Moreira 
Valor Econômico - 30/05/2012

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Profissões e profissionais do futuro

A cada ano que passa surgem listas e listas das profissões do futuro que tentam apontar as áreas mais promissoras para quem ainda está fazendo a primeira escolha e àqueles que pretendem dar uma guinada na carreira durante os próximos anos ou, ao menos, transformar-se a fim de se manter “vivo” em sua área.

O grande problema é que o mundo atual, marcado pela altíssima dinamicidade e imprevisibilidade, não tem consagrado os futuristas de plantão. Muito pelo contrário. Todavia, se é impossível calcular com precisão as profissões que o mundo novo demandará daqui adiante, é viável apontar algumas carreiras nas quais vale a pena ficar de olho.

O contexto favorável de desenvolvimento econômico do país combinado com grandes eventos esportivos deve manter em alta, por exemplo, profissionais formados em medicina, odontologia, direito, pedagogia, administração, economia e engenharia. Áreas tradicionais e responsáveis por apoiarem o crescimento de uma nação.

Aliás, todos os tipos de engenharia mostram-se animadores. Estudo realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com o Confea, apontou que os investimentos no setor mineral, o intenso crescimento da indústria alimentícia, as obras de infraestrutura espalhadas pelo Brasil, a necessidade permanente de inovação tecnológica e as exigências de um desenvolvimento ecologicamente sustentável já requerem um número de engenheiros superior à mão de obra existente.

Quanto às profissões da saúde, outra tendência corroborada por vários especialistas é a de que a interdisciplinaridade veio para ficar. Assim, formados em medicina, enfermagem e odontologia deverão somar ao seu portfólio especializações em diferentes áreas, como química, engenharia e física, dentro do novo paradigma médico.

Já as neoprofissões vinculadas às áreas de tecnologia, marketing e comunicação devem crescer consideravelmente a partir de agora, visto que as companhias precisam encontrar formas de estreitarem relacionamentos com seus públicos de interesse, além de se tornarem produtoras de conteúdo relevante em seus mercados de atuação.

Ao mesmo tempo, as oportunidades para profissionais técnicos e tecnólogos deverão continuar em alta, especialmente a corretagem de imóveis e as ocupações advindas do atrativo mercado de beleza e estética. O mesmo deve ocorrer na indústria, pois se o número de engenheiros cresce, é imprescindível que haja um batalhão de técnicos preparados para executarem o trabalho nos canteiros de obras e nas unidades operacionais das fábricas.

Antigamente as pessoas que se preocupavam por saber quais eram as profissões cotadas como “de futuro” eram aquelas que ainda não haviam ingressado no mercado de trabalho. No entanto, atualmente ninguém mais pode se dar ao luxo de estabelecer um casamento para a vida toda com a sua profissão de origem. Ao menos se tiver amor pela carreira que construiu.
Em meio a estas discussões a pergunta que surge é: será que os profissionais brasileiros estão preparados e qualificados para atuar frente ao novo paradigma ou estamos formando pessoas para um mundo obsoleto daqui a poucos anos?

No Rio de Janeiro e no Espírito Santo, por exemplo, os investimentos feitos pelo governo brasileiro para a captação de petróleo na região do Pré-Sal já têm exigido uma gama de competências tão específicas aos profissionais que trabalham nos quadros das fornecedoras da Petrobras que estas companhias começaram a recrutar gente de fora aos montes a fim de cumprirem os contratos existentes.

É admirável dedicarmos atenção às profissões do futuro, mas é muito mais relevante analisarmos com profundidade se estamos formando profissionais para o futuro. Enfim, chegou o momento de decidirmos o que faremos com o amanhã antes que ele não faça algo conosco.

Autor: Wellington Moreira – Palestrante e consultor empresarial nas áreas de Desenvolvimento Gerencial e Gestão de Carreiras, também é professor universitário em cursos de pós-graduação. Mestre em Administração de Empresas possui MBA em Gestão Estratégica de Pessoas e é especialista em Comunicação Empresarial. wellington@caputconsultoria.com.br

quinta-feira, 24 de maio de 2012

A taxa de desemprego no Brasil cai a 6%


A taxa de desemprego caiu para 6,0 por cento em abril no Brasil, ante 6,2 por cento em março, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira. O resultado do mês passado é o melhor para abril desde 2002, quando iniciou a série histórica.

Pesquisa da Reuters mostrou que, pela mediana das previsões de 17 analistas consultados, a taxa seria de 6,2 por cento no mês passado. As estimativas variaram de 6 a 6,4 por cento.

Apesar da melhora no nível de emprego, o rendimento médio da população ocupada caiu 1,2 por cento no mês passado ante março, mas subiu 6,2 por cento sobre abril de 2011, atingindo 1.719,50 reais.

O IBGE informou ainda que a população ocupada cresceu 0,3 por cento em abril na comparação com março e 1,8 por cento ante o mesmo período do ano anterior, totalizando 22,709 milhões de pessoas nas seis regiões metropolitanas avaliadas.

Já a população desocupada chegou a 1,462 milhão de pessoas, queda de 2,5 por cento ante março, e queda de 4,9 por cento sobre um ano antes. Os desocupados incluem tanto os empregados temporários dispensados quanto desempregados em busca de uma chance no mercado de trabalho.

O fortalecimento da renda e do emprego tem sido uma das principais armas do governo para evitar uma desaceleração ainda maior da economia brasileira. Isso porque, não se cansam de afirmar os membros da equipe econômica da presidente Dilma Rousseff, a demanda interna aquecida é importante neste momento de crise internacional.

O governo já reconheceu que a economia brasileira não começou bem este ano. Dados do próprio Banco Central mostraram que o Brasil entrou 2012 desacelerando, prejudicado principalmente pela dificuldade da indústria em lidar com a fraca demanda global.

De acordo com o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma espécie de sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), o primeiro trimestre deste ano registrou alta de 0,15 por cento quando comparado com o quarto trimestre do ano passado, abaixo da expansão de 0,20 por cento vista entre outubro e dezembro passado.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Professor: ainda o pior salário.


Professor tem o salário mais baixo do País.



Renda do magistério é a menor entre profissionais de nível superior

Levantamento feito pelo GLOBO, com base em microdados do IBGE, mostra que, em 2010, a renda média de um professor do ensino fundamental equivalia a 59% do que ganhavam os demais trabalhadores com nível superior no país. Em uma década, essa relação melhorou — era de 49%, em 2000. Nesse período, os professores da educação básica ganharam aumentos acima da média dos outros profissionais de nível universitário. 

Os acréscimos, no entanto, foram insuficientes para reverter o quadro.

Segundo o IBGE, porém, a diferença para demais profissionais com nível superior caiu
O salário dos professores da educação básica no Brasil registrou, na década passada, ganhos acima da média dos demais profissionais com nível superior, fazendo encurtar a distância entre esses dois grupos. Esse avanço, no entanto, foi insuficiente para mudar um quadro que tem trágicas consequências para a qualidade do ensino: o magistério segue sendo a carreira universitária de pior remuneração no país.

Tabulações feitas pelo GLOBO nos microdados do Censo do IBGE mostram que a renda média de um professor do ensino fundamental equivalia, em 2000, a 49% do que ganhavam os demais trabalhadores também com nível superior. Dez anos depois, esta relação aumentou para 59%. Entre professores do ensino médio, a variação foi de 60% para 72%.

Apesar do avanço, o censo revela que as carreiras que levam ao magistério seguem sendo as de pior desempenho. Entre as áreas do ensino superior com ao menos 50 mil formados na população, os menores rendimentos foram verificados entre brasileiros que vieram de cursos relacionados a ciências da Educação - principalmente Pedagogia e formação de professor para os anos iniciais da educação básica.

Em seguida, entre as piores remunerações, aparecem cursos da área de religião e, novamente, uma carreira de magistério: formação de professores com especialização em matérias específicas, onde estão agrupadas licenciaturas em áreas de disciplinas do ensino médio, como Língua Portuguesa, Matemática, História e Biologia.

Achatamento provoca prejuízos

Pagar melhor aos professores da educação básica, no entanto, é uma política que, além de cara, tende a trazer retorno apenas a longo prazo em termos de qualidade de ensino. A literatura acadêmica sobre o tema no Brasil e em outros países mostra que a remuneração docente não tem, ao contrário do que se pensou durante muitos anos, relação imediata com a melhoria do aprendizado dos alunos.

No entanto, o achatamento salarial do magistério traz sérios prejuízos a longo prazo. Esta tese é comprovada por um relatório feito pela consultoria McKinsey, em 2007, que teve grande repercussão internacional ao destacar que uma característica dos países de melhor desempenho educacional do mundo - Finlândia, Canadá, Coreia do Sul, Japão e Singapura - era o alto poder de atração dos melhores alunos para o magistério.

- Não dá para imaginar que, dobrando o salário do professor, ele vai dobrar o aprendizado dos alunos. O problema é que os bons alunos não querem ser professores no Brasil. Para atrair os melhores, é preciso ter salários mais atrativos - afirma Priscila Cruz, diretora-executiva do Todos Pela Educação.

O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto Franklin de Leão, concorda com o diagnóstico da baixa atratividade da profissão. Ele afirma que a carreira de professor, salvo exceções, acaba atraindo quem não tem nota para ingressar em outra faculdade. Para Roberto Leão, salário é fundamental, mas não o suficiente para melhorar a qualidade do ensino.

- Sem salário, não há a menor possibilidade de qualidade. Agora, claro que é preciso mais do que isso: carreira, formação e gestão.

Priscila Cruz também diz que o salário é só parte da solução:

- É preciso melhorar salários para que os alunos aprendam mais. Mas o profissional também tem que ser mais cobrado e responsabilizado por resultados. Não pode, por exemplo, faltar e ficar tantos dias de licença, como é frequente.

Autor(es): Antônio Gois, Demétrio Weber
O Globo - 21/05/2012www.oglobo.com.br

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Dengue: Rio tem mais casos no país


Município registrou o maior número de contaminações (64.675) e de mortes (15) pela doença
De janeiro a abril deste ano, 74 pessoas morreram no Brasil após contrair dengue. O número é 80,2% menor do que no mesmo período do ano passado, quando foram registrados 374 óbitos. Também caiu 43,7% o número de casos da doença: de 507.798 nos quatro primeiros meses de 2011 para 286.011 no primeiro quadrimestre de 2012. O Rio, no entanto, lidera o ranking dos municípios, tanto em mortes quanto em casos notificados. Um número maior de cariocas, inclusive, contraiu a doença este ano, se comparado a 2011. Os números foram divulgados ontem pelo Ministério da Saúde.

A queda no país foi mais acentuada nos casos graves da doença, com diminuição de 87,5%. Segundo a pasta, o primeiro quadrimestre é a época do ano com a maior incidência da dengue, que atinge seu pico no mês de abril. Para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a redução foi possível graças a antecipação das ações contra a doença, que foram tomadas já no segundo semestre do ano passado, antes portanto do período em que é registrada a maior parte dos casos. Ele destacou que contribuiu para a queda a ação coordenada entre o ministério e os estados e municípios. Segundo Padilha, também foi importante a redução do tempo de espera para o começo do tratamento.

Por estado, o Rio de Janeiro é o que concentra mais casos: 80.160 (28% do total). Em seguida vêm Bahia (28.154) e Pernambuco (27.393). Mas a maior incidência é em Tocantins, com 837,7 casos por 100 mil habitantes. O município do Rio também foi o que teve mais óbitos confirmados por dengue, tanto em 2011 como em 2012. No primeiro quadrimestre do ano passado, foram 43 mortes, número que caiu para 15 este ano. Em seguida vêm Fortaleza (cinco mortes nos primeiros quatro meses deste ano) e Salvador (três óbitos). O Rio também é o município com maior número de casos nos primeiros quatro meses de 2012: 64.675, frente a 49.593 no mesmo período do ano anterior. Ou seja, houve um crescimento de 30,4%.

Segundo Padilha, o aumento de casos se explica pela introdução do vírus do tipo 4, que ainda não havia circulado no Rio. Quem contrai um tipo de dengue fica imune a ele, mas não aos outros tipos.

- Toda a população do Rio estava suscetível ao dengue tipo 4 - disse o ministro, acrescentando que ainda assim o número ficou aquém dos 145 mil de 2002: - Nós conseguimos evitar a maior epidemia da história do Rio, mas tivemos uma situação epidêmica ainda.

O tipo 4 da doença foi o predominante no Norte e Nordeste. No Sul e Centro-Oeste houve mais casos do tipo 1. No Sudeste, o Rio teve mais casos do tipo 4, enquanto nos demais estados predominou o tipo 1. Em todo o país, o tipo 1 foi responsável por 59,3% dos casos e o tipo 4 respondeu por 36,4%.

Autor(es): agência o globo:André de Souza
O Globo - 18/05/2012

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Dólar alto já afeta viagem de brasileiros

Dólar alto desfaz sonhos

Os turistas que sonhavam fazer compras no exterior estão replanejando seus gastos. Com a moeda dos EUA a R$ 2, os custos subiram consideravelmente. E a previsão é de que continuem em ascensão, já que impasse na Grécia mantém instabilidade na economia global.

Brasileiros que aproveitavam promoções de passagens aéreas internacionais refazem as contas e mudam de planos

A forte alta do dólar nos últimos dias já está sendo sentida pelo consumidor. Um dos principais efeitos da valorização da moeda — que ontem ficou estável a R$ 2,002 pressionado pela crise européia — é o encarecimento dos pacotes de viagem para fora do Brasil. O câmbio atingiu em cheio os planos de brasileiros como o publicitário Pedro Rafael da Costa Barbosa, 26 anos, que viu o seu projeto de ir para Miami ruir. Apaixonado pelo basquete norte-americano, ele pretendia conhecer os Estados Unidos no mês que vem não apenas para se divertir, mas também para comprar produtos e revender no Brasil, a fim de complementar o orçamento enquanto aguarda nomeação em um órgão público.

Mas Barbosa desistiu dos planos após acompanhar a alta nos preços das passagens e dos outros custos da viagem. Quando começou a pesquisar, no início de maio, o bilhete mais barato saía por cerca de R$ 1,9 mil. Agora, o mesmo trecho custa mais de R$ 2 mil. Isso sem falar na fatura do cartão de crédito que ele receberia na volta. "O turista se sente lesado. Ele pensa: "se eu podia pagar mais barato antes, por que vou desembolsar mais agora", avalia Barbosa.

José Luís Oreiro, professor de economia da Universidade de Brasília (UnB), explicou que, de fato, o efeito imediato da alta do dólar é para quem vai viajar. Se, dentro dos próximos dois ou três meses a moeda não se desvalorizar, os brasileiros também vão ver os preços de itens importados, como eletrônicos, roupas e vinhos, subirem. "Isso abrirá espaço para que os produtos nacionais fiquem mais caros. Mas ainda não sabemos qual será o comportamento da moeda", observou. Até aqui, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tem considerado positivo para a indústria brasileira o patamar de R$ 2, que ajuda o país a recuperar competitividade em alguns produtos, sobretudo aqueles ofertados no exterior. Como o Banco Central (BC) tem evitado nos últimos dias a intervir por meio de leilão de dólares, analistas financeiros acreditam que o patamar de R$ 2 por um dólar é considerado ideal pelo governo.
Para Felipe Queiroz, analista da Austin Rating, muito mais do que a situação do mercado interno, o movimento do câmbio será determinado pelas condições político-econômicas na Zona do Euro, evidenciadas pela possibilidade de saída da Grécia da União Europeia. "O problema é no setor externo. Muitos investidores tiram seus recursos daqui para recompor suas posições nos países de origem ou compram ativos de mais segurança, como títulos do tesouro norte-americano", afirmou.

Pacotes

O drama é sentido também pelos empresários. De acordo com o gerente operacional da agência de viagens Intravel, Paulo Ruel, a procura por pacotes para o exterior nos últimos dois meses foi 10% menor do que no mesmo período do ano passado. "O maior problema é a oscilação do câmbio, que deixa o turista inseguro, e não o seu valor. Se o dólar estiver estabilizado, o cliente continua comprando mesmo com a moeda em um patamar alto", disse.
Com a nova cotação, os pacotes subiram na casa das centenas. Ruel calculou que o total pago por passagens e estadia para uma semana em Miami, um dos destinos mais procurados pelos turistas, passou de R$ 4,3 mil há dois meses para R$ 5 mil no início de maio. Apesar do recuo na procura por voos internacionais, o gerente não acredita que a empresa perderá em faturamento. "Esses turistas que viajariam para o exterior não desistem das férias, apenas transferem o passeio para destinos nacionais, principalmente para o Nordeste e Sul do país", afirmou. É o caso de Barbosa, que deve usar parte do dinheiro poupado para viajar para Natal ou mudar o local de compras para o Paraguai. "Até porque não seria vantajoso revender os produtos por valores absurdos no Brasil", disse.

A aproximação das férias também ajuda as empresas a não ficarem no prejuízo. A assessoria de imprensa da CVC afirmou que, mesmo com valores mais caros, a procura por pacotes internacionais continua aquecida, sobretudo para Bariloche, Caribe e Estados Unidos.

O educador financeiro Reinaldo Domingos recomendou que, se possível, as pessoas adiem a viagem. Se não der, ele orientou que o ideal é levar dinheiro em espécie ou utilizar um cartão pré-pago, evitando, dessa forma, o uso do crédito para as compras. "A cotação no período de fechamento da fatura pode estar mais alta, e isso sempre causa descontrole nas finanças posteriormente, além, é claro da taxa de 6,38%% do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) com a utilização do cartão", afirmou. As promoções anunciadas por empresas de viagens continuam em cartaz, mas algumas delas preparam para o fim de semana novas campanhas publicitárias, segundo informou uma grande agência paulista.

» Sem impacto na inflação

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, rebateu ontem as afirmações de que a valorização cambial pressionará a inflação, como têm alertado os analistas de mercado. Ele disse que os preços da indústria, os mais afetados pela oscilação do câmbio, estão baixos e que a inflação tem sido influenciada, sobretudo, pelo setor de serviços. Observou ainda que o novo cenário fará a entidade rever a sua estimativa de crescimento para o setor, de 2% para um intervalo entre 2,5% e 3% este ano. "A taxa ao redor de R$ 2,00 é suficiente para se obter uma recuperação importante, e esperamos que venha a subir com a continuidade da queda dos juros", disse.

Autor(es): » CRISTIANE BONFANTI
Correio Braziliense - 17/05/2012 www.correioweb.com.br

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Os Conflitos de gerações nas empresas

Pela primeira vez na história cinco gerações estão trabalhando simultaneamente nas companhias brasileiras e uma das principais razões deste fenômeno é que muitos profissionais têm adiado sua aposentadoria por diferentes motivos. Se trocavam o terno e o tailleur pelo pijama aos 50 anos, agora é comum concluírem suas carreiras depois dos 65.

No entanto, tamanha diversidade tem causado um efeito colateral: os conflitos de relacionamento. O que se vê na prática é que esses trabalhadores possuem perspectivas, aspirações e visões de mundo díspares que os leva a buscar o mesmo objetivo a seu modo. Atitude que preocupa as empresas, principalmente aquelas que ainda não sabem lidar com este tipo de problema.

É claro que a faixa etária não é suficiente para caracterizar alguém como membro de uma determinada tribo, especialmente porque os paradigmas, valores e vivências históricas também precisam ser compartilhados. Assim, alguém pode fazer parte de uma geração e ter a idade comum a de integrantes de outra.

E quais são estas gerações? Os Tradicionais são aqueles nascidos até 1950, que se dedicam integralmente ao trabalho, dão grande valor a todo tipo de sacrifício necessário para alcançarem seus propósitos, cultuam a hierarquia e compreendem que as recompensas muitas vezes demoram pra chegar. Seu lema preferido é: o dever vem antes do prazer.

Já os chamados baby-boomers são os profissionais que nasceram após a Segunda Guerra Mundial (de 1951 a 1964), tem por característica trabalharem com foco no curto prazo, são independentes, acreditam num mundo altamente competitivo e são revolucionários por natureza.

A Geração X, que nasceu entre 1965 e 1983 é formada por pessoas mais céticas, empreendedoras, que buscam o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, acreditam na liderança por meio da competência e trazem consigo o pragmatismo. Além disso, trata-se de um grupo marcado pela inserção das mulheres no mercado e que transformou muitos dos costumes da sociedade contemporânea.

Por sua vez, os integrantes da Geração Y, que vieram ao mundo entre 1984 e 1990, são otimistas, multifuncionais e aprenderam desde cedo a aceitarem a diversidade em suas relações cotidianas. Decididos e autoconfiantes, não pensam duas vezes em mudar de emprego quando já não consideram enfrentar desafios que os impulsionem e ainda têm pressa por galgarem novas posições.

E há também a Geração Z, que conta com profissionais de 17 a 20 anos de idade totalmente ligados à alta tecnologia, que aprenderam desde cedo a serem autodidatas e valorizam os relacionamentos virtuais, mas exatamente por causa disto também apresentam dificuldades quando precisam interagir presencialmente.

Qualquer empresa é capaz de perceber que estas diferentes gerações ajudam a compor o quadro ideal para competirem num mercado cada vez mais mutante. O maior desafio dos seus líderes é justamente criarem o ambiente que possibilite às pessoas o espírito de tolerância para conviverem com aqueles que se guiam por outros paradigmas e, por isso, podem completá-los.

Na prática, mecanismos e ferramentas que facilitem o gerenciamento dos conflitos que nascem das discordâncias cotidianas entre gerentes mais velhos e subordinados mais novos – ou o inverso – e até entre os pares, já que muita energia é gasta desnecessariamente quando o trabalho precisa ser executado num ambiente de discórdia e conflitos disfuncionais periódicos.

Ao mesmo tempo, da próxima vez que você estiver com vontade de esgoelar o gerente de sua área ou a equipe toda que trabalha contigo por resistirem a perceber o mundo da mesma forma que você o vê, aproveite para rir de si mesmo. Talvez a visão míope seja a sua.

Autor: Wellington Moreira – Palestrante e consultor empresarial nas áreas de Desenvolvimento Gerencial e Gestão de Carreiras, também é professor universitário em cursos de pós-graduação. Mestre em Administração de Empresas, possui MBA em Gestão Estratégica de Pessoas e é especialista em Comunicação Empresarial. wellington@caputconsultoria.com.br

terça-feira, 15 de maio de 2012

Europa em  crise derruba Bolsas e dólar bate em R$ 2,00

Europa derruba Bovespa

Possível saída da Grécia da Zona do Euro e indicadores apontando recessão mais grave e prolongada foram o combustível dos pregões

O principal índice da bolsa brasileira fechou o pregão ontem com a maior queda em quase oito meses e atingiu o menor patamar de fechamento do ano face ao temor dos rumos da economia europeia e a expectativa, cada vez mais real, de que a Grécia venha a desembarcar da Zona do Euro. Com isso, o Ibovespa fechou com recuo de 3,21%, a 57.539 pontos, o menor patamar desde 29 de dezembro, quando encerrou a 56.754 pontos. Foi também a maior queda diária desde 22 de setembro, quando o pregão bateu em 4,83% negativos.

A bolsa brasileira atuou em sintonia com as bolsas da própria Europa, Ásia e Estados Unidos, todas movidas pela inesperada retração de 0,3% na produção industrial dos 17 países da Zona do Euro em março em relação a fevereiro. Os dados da agência de estatísticas Eurostat evidenciam que a recessão na região pode ser mais grave e prolongada do que acreditavam analistas.

O fato de a Grécia caminhar para eleições peblicitárias é fator preocupante. Menos pela saída em si daquele país do Mediterrâneo, mas pelo fato de abrir portas para que Espanha e Portugal tomem medida similar face ao desconforto dos programas de austeridade.

A presidente Dilma Rousseff não ficou indiferente ao cenário internacional. Disse ontem, durante cerimônia no Palácio do Planalto, que “hoje, mais uma vez, volta a crise da Zona do Euro (a tomar conta do noticiário) e vários fantasmas que pareciam afastados pelas expansões monetárias bastante significativas, os dinheiros colocados nos bancos pelo mundo afora, todo esse processo começa a ser questionado politicamente. Não só pelo que aconteceu na França, pelo que aconteceu na Grécia e pelo que aconteceu naquele estado alemão, que é um dos estados mais ricos da Alemanha, que é a Renânia do Norte, Westfalia…”. A presidente se referia à derrota da primeira-ministra Angela Merkel, defensora das medidas de austeridade, nas urnas.

A lenta recuperação da economia americana, tanto na produção como no emprego, apesar dos esforços do presidente Barack Obama, em campanha pela reeleição, também tem impactado negativamente os números da economia chinesa, que entra em estágio de incertezas com impacto em várias economias, inclusive no Brasil, grande exportador de minério de ferro para o país.

Dominó

O cenário levou o índice FTSEurofirst 300, que reúne as principais ações europeias, a fechar em queda de 1,79%, aos 1.004 pontos, puxando Londres (-1,97%), Frankfurt (-1,94%), Paris (-2,29%), Milão (-2,74%), Madri (-2,66%) e Lisboa (-1,94%). Na Ásia, a queda também foi generalizada e, nos EUA, o Dow Jones, principal índice, recuou 0,98%.
A situação dos bancos espanhóis, necessitando urgentemente de recursos para prover créditos duvidosos de imóveis é outra questão delicada e que se agrava. Analistas de mercado temem, porém, que a crise europeia como um todo possa adquirir novos contornos com o francês François Hollande e uma derrota, de fato, de Merkel. Então, fogem para o dólar.

» Provisões

Os cinco maiores bancos da Espanha irão reservar uma quantia extra de 15 bilhões de euros em provisões. A quantia é cerca da metade do que previa o governo espanhol na semana passada. Esta é a quarta tentativa do país de lidar com a quebra do mercado imobiliário de 2008 que levou a grandes perdas de credores e elevou os temores de que a Espanha precise de um resgate internacional. As últimas demandas, que se  somam aos 54 bilhões de euros em provisões feitos em fevereiro, elevaram a pressão sobre os bancos com investidores preocupados sobre onde eles encontrarão o dinheiro e se será suficiente. O governo está disposto a ajudar até o limite de 15 bilhões de euros.


segunda-feira, 14 de maio de 2012

BANCOS INTENSIFICAM O AUMENTO DE TARIFAS

TARIFA MAIOR PODE ANULAR VANTAGEM DE JURO REDUZIDO

Os dados dos quatro maiores bancos de capital aberto do país, Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander, apontam para uma alta de 17% na receita de tarifas e prestação de serviços no primeiro trimestre de 2012 em relação ao mesmo período do ano passado. O ritmo de alta deste início de ano supera o crescimento anual observado em 2011 e 2010, de 13% e 14%, respectivamente.

Com o processo de fusões, maior regulação do Banco Central e pressão por aumento de salários, entre 2009 e 2011 os bancos perderam eficiência ao se comparar a relação entre as receitas de serviços e as despesas com pessoal. Se em 2009 os bancos tinham R$ 138 de receita com serviços para R$ 100 gastos em salários, a relação caiu para R$ 135 no ano passado. No primeiro trimestre, o índice subiu para 142%, ante 137% um ano antes.

Para ter acesso às melhores condições de juros, como o cheque especial de 3,94% ao mês, os clientes do Banco do Brasil terão que aceitar pagar de 36% a 52% mais em tarifas por seu pacote de serviços. Em empréstimos mais curtos e de menor valor, o custo mais alto com a tarifa pode anular a economia com os juros oferecidos no programa "Bom Pra Todos".

O gasto adicional com tarifa varia de R$ 73 a R$ 124 por ano.

Apenas como exemplo, trocar um empréstimo de R$ 1 mil com prazo de 12 meses com taxa de juros de 3,5% ao mês por outro de 2% ao mês, gera uma economia de R$ 107 ao longo do período.

Quanto maiores os valores e os prazos, mais relevantes passam a ser os juros menores.

"O pacote é por adesão, ele não é imposto a ninguém. Cada cliente vai analisar sua situação e ver se é bom para ele ou não", diz Dan Conrado, vice-presidente de varejo, distribuição e operações do Banco do Brasil.

Apesar dos nomes iguais e da cesta de serviços ser praticamente idêntica, o BB diz que os pacotes não são comparáveis. "O novo tem alguns serviços agregados como consultoria financeira", diz.

O banco destaca ainda que não é preciso aderir ao pacote "BomPra Todos" para ter redução dos juros no financiamento de veículos e no crédito pessoal, inclusive consignado. E que a maior parte dos benefícios ligados a taxas mais baixas para fundos de investimento também valem para todos os clientes. Até a semana passada, 160 mil clientes tinham aderido ao programa.
O BB informou ainda que manteve as tarifas entre 2008 e 2010, e que em 2011 e 2012 "realizou dois movimentos de correção", em percentuais, "em média", inferiores à inflação do período. Ainda assim, a receita do Banco do Brasil, apenas com pacotes de serviços, aumentou 45% entre 2009 e 2011, para R$ 3,25 bilhões, enquanto a base de correntistas cresceu 3%.

Segundo Conrado, o lançamento de pacotes de serviços que geram bônus para celular, que atraiu um público grande de clientes das classes mais baixas, ajuda a explicar a receita maior.

O Itaú Unibanco não deu entrevista sobre seus pacotes de serviços que garantem juros menores, mas que são mais caros que outros de mesmo nome oferecidos pelo banco. Informou apenas que os clientes devem observar o conteúdo de cada cesta de serviços.
Entre os três com mesmo nome, o "Simples" é o que possui mais diferenças. Por um preço 56% mais caro por mês, o número de folhas de cheque sobe de 12 para 20, o de saques em ATMs de 14 para 22 e o de transferências entre contas do banco sobe de 12 para 34. 

Valor Econômico - 14/05/2012 www.valoronline.com.br

sexta-feira, 11 de maio de 2012


Educação: as mudanças de que o Brasil precisa



O Brasil vive situação complexa e alarmante do ponto de vista da educação básica. A deficiência histórica de desempenho dos estudantes alcança hoje a esfera da escassez de mão de obra qualificada, o que torna crítica a situação do setor produtivo em momento de crescimento econômico. A agenda da transformação educacional no país pode ser entendida em duas etapas: a inclusão dos alunos em sala de aula e a melhoria contínua nos níveis de desempenho estudantil. 

Na primeira, houve significativos avanços nos últimos anos, embora o problema esteja longe de ser resolvido. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o percentual de estudantes que concluem o ensino médio até os 19 anos é de apenas 50%. O relatório indica que o Brasil tem ainda 3,8 milhões de crianças e jovens de 4 a 17 anos fora da escola, ou 8,5% da população nessa faixa etária. A dificuldade maior consiste em manter os alunos da rede pública de ensino médio nas salas de aula. Por uma série de motivos, uma vaga na escola não garante a permanência ou a dedicação do estudante brasileiro.

A segunda parte da agenda, a melhoria do desempenho, é ainda mais crítica. Segundo dados oficiais do documento De olho nas metas 2011, elaborado pelo movimento Todos pela Educação, apenas 32,5% dos alunos da 5º ano (antiga 4ª série) do ensino fundamental têm desempenho adequado em matemática, número que cai para apenas 20% na Região Nordeste. No 9º ano (8ª série) esse índice cai para 14,7% na média nacional, com 8,3% na Região Norte. O quadro piora no fim do ensino médio: apenas 11% dos alunos têm o desempenho desejável, sendo que no Norte esse percentual cai para 4,9% e, no Nordeste, para 6,8%. 

O cenário exige soluções inovadoras, metas claramente definidas e um choque na gestão educacional, com engajamento direto da sociedade. A primeira parte da agenda, da inclusão dos alunos em sala de aula, não se resolve apenas com investimentos públicos em expansão da oferta educacional. É necessária uma avaliação das razões da evasão escolar, para que se identifiquem as diferentes soluções a serem adotadas em cada região do país.

Solucionar a segunda parte da agenda de reformas é mais complicado. Em primeiro lugar, é preciso derrubar o mito da avaliação externa independente e da relação entre desempenho escolar e remuneração dos docentes. Sindicatos de professores país afora ainda gritam contra a ideia de que o desempenho estudantil pode sim ser medido e diretamente correlacionado à efetiva atuação do professor em sala de aula, com recompensa para os que têm melhor performance. Isso foi feito nos países que trataram a educação com seriedade.
O segundo mito é a carência de infraestrutura e baixos salários, mas esse também não para em pé, pois não há correlação direta entre salários e condições físicas das escolas e o desempenho estudantil. O terceiro ponto é o mecanismo de escolha de diretores, que deve passar por um processo de capacitação para a gestão escolar e por avaliação independente antes que possam se considerar elegíveis para o cargo.

A evidência demonstra que mesmo escolas em regiões muito pobres do país conseguem ter desempenho superior, porque têm um diretor competente como gestor; um time dedicado de professores; um sistema claro de metas, pelas quais os professores são recompensados; e o engajamento dos pais e da comunidade no processo de educação das crianças. 

Felizmente, há exemplos de transformações em vários estados brasileiros que superaram esses antigos mitos. Em Pernambuco, o governador exonerou 14 diretores de escola, após a primeira reunião do comitê de acompanhamento da educação, por terem apresentado dados falsos sobre suas escolas. Em Goiás, a revolução na gestão da educação incluiu a introdução de um processo seletivo (com prova, pasmem!) para os professores que se candidatam ao cargo de diretor, além de publicar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) na porta dos estabelecimentos de ensino, para que os pais coloquem os filhos na melhor escola do bairro. Ainda temos muito a fazer pela educação no Brasil, mas esses exemplos apontam na direção correta, de um país mais justo, sustentável e competitivo.

Autor(es): Erik Camarano
Correio Braziliense - 11/05/2012 www.correioweb.com.br


quinta-feira, 10 de maio de 2012

Inflação dá salto e BC pode frear juro baixo

No caminho dos juros, a inflação

IPCA triplica para 0,64%, levantando dúvidas sobre continuidade de cortes na Selic

A inflação brasileira triplicou em abril. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) saiu de 0,21% em março para 0,64% - a maior taxa em um ano. Apenas três itens (cigarro, empregado doméstico e remédios) concentraram quase 40% da taxa de abril. Mas os preços maiores, frisam analistas, aparecem disseminados na economia. Assim, o índice acumula variação de 1,87% no ano e 5,10% nos últimos 12 meses. Números que já levantam dúvidas no mercado: uma inflação mais salgada pode dar um basta aos cortes dos juros? A princípio, não. Mas a resposta, para especialistas, depende do nível da atividade da economia e dos desdobramentos da crise internacional - indicadores que mexem com câmbio, demanda e, naturalmente, com a inflação. Na semana passada, o governo mexeu no rendimento da caderneta de poupança, com a intenção de permitir um corte maior dos juros.

- O IPCA de março triplicou, com uma alta abrupta. Apesar de três itens concentrarem 38% da alta, há aumentos generalizados - disse Eulina Nunes, gerente do IBGE, em referência a aumentos dos preços de cigarros e remédios e nos salários de empregados domésticos, de 15,04%, 1,58% e 1,86%, respectivamente.

Os gastos nos supermercados subiram no mês passado. Só o grupo de Alimentos e Bebidas saiu de 0,25% para 0,51% em abril. O feijão carioca - o mais consumido no país - enfrentou problemas com a seca no Nordeste, e o consumidor pagou 12,66% a mais pelo alimento. Também encareceram itens como o feijão mulatinho (13,09%), a farinha de mandioca (6,58%) e o alho (6,33%). Além disso, o efeito da alta do dólar começa a aparecer na conta do supermercado. Segundo Eulina, os artigos de limpeza, com alta de 1,38%, ficaram mais caros por causa, em parte, do dólar mais valorizado. Insumos dessa indústria são importados.

- E há indícios de que o óleo de soja tenha sofrido influência do câmbio: o dólar mais alto estimulou a exportação do produto, reduzindo a oferta interna - explicou Eulina.

Contrato futuro sobe com a inflação

A inflação veio acima das projeções de 0,58%, segundo o último boletim Focus. Para maio, a expectativa de um IPCA mais suave, em 0,47%.

- O que se viu em abril não é uma tendência: é um comportamento pontual. Essa alta não deve alterar os planos do Banco Central (BC), que na próxima reunião deve reduzir 0,50 ponto percentual a taxa básica de juros, a Selic. Os cortes devem continuar até uma Selic de 8%, quando o governo vai parar e olhar a atividade - disse Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do BC.

Freitas explica que é possível fazer mais cortes na Selic porque o nível de atividade ainda está fraco, com perspectivas de crescimento abaixo dos 3% em 2012. Além disso, a crise empurrou a demanda mundial para baixo, levando o Brasil a importar deflação do mundo. Uma opinião compartilhada com Eduardo Velho, economista da Prosper Corretora, que espera uma inflação de 0,42% em maio.

- Acredito em mais dois cortes nos juros, de 0,50 ponto percentual. A Selic pode até entrar 2013 em 7,5%. A inflação de agora não se trata de uma ameaça: esse problema o governo empurrou para 2013, quando a economia pode estar mais aquecida.

Apesar da crença dos analistas, o IPCA de 0,64% influenciou o mercado de juros futuros. A taxa do contrato com vencimento em janeiro de 2013 passou de 7,97% para 8,03%, num movimento de alta verificado na maioria dos contratos. O IPCA de ontem foi o segundo indicador seguido a apontar aceleração da inflação - na terça-feira, foi a vez do IGP-DI.

As taxas dos contratos futuros de juros vinha em movimento contínuo de queda. Na semana passada, o movimento acelerou-se, com a decisão do governo de mudar a regra da poupança.

- O mercado parecia estar acreditando muito que, sem a restrição da poupança, a Selic poderia ir abaixo de 8%, mas começou a reavaliar os preços, incluindo outras variáveis, como a inflação - explica Rogério Freitas, sócio da Teórica Investimentos.

André Perfeito, economista da Gradual Investimentos, não está tão certo de que o BC siga cortando a Selic. Para ele, o BC deve cortar 0,50 ponto percentual em fins de maio, mas deve indicar na ata que o período de afrouxamento monetário chega ao fim por causa de incentivos já dados à economia.

Autor(es): agência o globo:Fabiana Ribeiro
O Globo - 10/05/2012

quarta-feira, 9 de maio de 2012

A crise na Educação brasileira




Dados do Censo de 2010 divulgados recentemente pelo IBGE confirmam que o país da sexta economia mundial ainda é uma nação de extremos em seus indicadores sociais. É fora de dúvida que o Brasil vem crescendo numa curva estimulante, superando ou, ao menos, enfrentando crônicas demandas. São contenciosos agravados por conta de décadas de renitente inapetência, por parte de sua elite, de adotar programas capazes de, se não promover integralmente, mas no mínimo abrir caminhos para as faixas de poder aquisitivo mais baixo, crescerem no contexto de uma distribuição de renda mais justa. Isso é fato, e não se tirem os méritos das políticas sociais empregadas pelos últimos governos.

Mas, em alguns setores, essenciais para o desenvolvimento social, econômico e cultural do país, o avanço tem sido tímido. Retrato pronto e acabado dessa Belíndia está na Educação. Ao mesmo tempo em que, no topo da pirâmide, dobrou, de 4% para 8%, a proporção de brasileiros que se formaram em universidades desde o recenseamento de 2000, o que é louvável, o Brasil mantém quase a metade da população (45%) sem o ensino fundamental completo. Está certo que, há dez anos, esse percentual era de 60%, o que indica um avanço - mas muito tímido para uma nação que almeja alcançar um lugar de destaque no cenário internacional.

Neste aspecto, há desafios enormes a serem superados. Dificuldades como desigualdades regionais formam uma barreira considerável para o acesso da população de mais baixa renda à Educação. Mas não se trata de fator determinista - ou seja, se o caminho para a dignidade pelo ensino é árduo, que sejam potencializados os esforços para que ele seja trilhado.

Nunca é demais nos voltarmos para o exemplo clássico do dínamo que as escolas representam para o crescimento de um país: nos anos 40, o Japão saiu arrasado de seus erros na Segunda Guerra para se tornar uma potência graças a uma política educacional que esteve na base de todos os passos dados por aquela nação no sentido da superação e da autodeterminação.

No entanto, o Brasil ainda parece hesitar em apostar suas fichas na Educação. E nem se pode atribuir exclusivamente às desigualdades regionais a ainda vergonhosa performance do país no que diz respeito a oportunidades de acesso à escola. O pressuposto das distinções se aplica corretamente a estados que, historicamente, apresentam indicadores educacionais sofríveis, como Alagoas (60% da população sem o diploma do ensino fundamental), Piauí (58%) e Paraíba (57%). Mas entes onde as estatísticas sociais (economia, rede escolar, renda per capita etc.) são mais generosas também se desenvolvem timidamente nessa rubrica. No Rio, por exemplo, é injustificável que 36% de sua população não tenham o fundamental completo.

Uma boa pista para se começar a buscar, de fato, saídas para este triste quadro é estudar o perfil da rede pública de ensino no país. É nesse universo que se tem a gênese do processo de aquisição da educação básica dos brasileiros - excetuados, obviamente, aqueles privilegiados cujas famílias podem investir na formação em escolas privadas, de excelência, mas totalmente fora dos padrões orçamentários da absoluta maioria da população. Apenas para citar um dado, em 2009 um levantamento do Ministério da Educação apontava que, entre mil escolas com as piores notas no Enem, 965 eram estaduais. Um sinal tão alarmante quanto inequívoco de que algo vai mal, muito mal na base da Educação brasileira.

LUIZ MARTINS é deputado estadual (PDT/RJ) e integrante da Comissão de Educação na Assembleia do Rio.
Autor(es): agência o globo:Luiz Martins O Globo - 09/05/2012

terça-feira, 8 de maio de 2012

Dilma Tranquiliza poupadores e reforça que alteração não é confisco.

"Quem sempre acreditou na caderneta será recompensado", afirma presidente

Preocupada com a repercussão da mudança nos rendimentos da poupança, a presidente aproveitou seu primeiro programa semanal de rádio após o anúncio das alterações na caderneta para passar um recado aos poupadores, especialmente os pequenos, garantindo que eles não serão prejudicados. A presidente disse que o governo tem a obrigação de proteger a poupança e que a decisão de mudar o rendimento desse tipo de aplicação foi tomada para torná-la mais rentável e evitar que vire alvo de especuladores. Dilma destacou que a aplicação continua sendo segura, que ela própria tem dinheiro na poupança e que deixará o investimento lá quietinho.

- A poupança continua sendo um investimento excelente, rentável e com a mesma segurança de sempre. Continua e continuará como o melhor tipo de investimento para a maioria dos brasileiros. Eu mesma tenho o meu dinheiro na poupança, e ele vai ficar lá -garantiu a presidente.

A mudança foi feita por meio de uma medida provisória (MP) que ainda precisa ser aprovada pelo Congresso. O rendimento para novos depósitos passa a ser calculado a partir de 70% da Selic mais a TR se a taxa básica cair para 8,5% ao ano ou menos.

No programa "Café com a Presidenta", Dilma explicou que só será afetado pelas mudanças quem abriu uma caderneta a partir do dia 3 de maio ou fez novos depósitos a partir dessa data. Segundo a presidente, quem aplicou na poupança será recompensado. O governo justificou a medida como parte de uma ampla estratégia de redução dos juros para os consumidores.

- Nós fizemos uma mudança simples, justa e correta, capaz, ao mesmo tempo, de proteger o pequeno poupador e de permitir que as taxas de juros continuem caindo. Quem sempre acreditou e apostou na caderneta durante todo esse tempo será recompensado - disse Dilma.

Ela fez mais uma ressalva sobre a decisão de mexer justamente no investimento que mais gerou traumas na população, desde que o então presidente Fernando Collor de Mello sequestrou a poupança dos brasileiros. Segundo Dilma, a medida de seu governo em nada se assemelha à tomada por Collor:

- O rendimento dos depósitos antigos das 100 milhões de cadernetas de poupança que o país tem hoje não sofrerá qualquer mudança. Eu quero destacar três regras importantes que continuam valendo para todas as poupanças, velhas ou novas: a primeira, não há cobrança de Imposto de Renda; a segunda, a rentabilidade é segura; e a terceira, o poupador pode sacar o seu dinheiro a qualquer momento.

Durante a campanha presidencial, em 2010, Dilma foi criticada pela oposição após ter informado, em sua declaração de bens à Justiça Eleitoral, ter R$ 47 mil aplicados na poupança e outros R$ 113 mil guardados em espécie.

Agência o globo:Catarina Alencastro
O Globo - 08/05/2012  www.oglobo.com.br