segunda-feira, 30 de julho de 2012

Poupança é mais vantajosa do que 60% dos fundos para pequeno investidor



Das 72 carteiras com aplicação inicial inferior a R$ 500 oferecidas pelos cinco maiores bancos, apenas 28 têm taxa menor do que 1%

A mudança no cálculo da poupança colocou os fundos de investimento como a melhor opção para quem quer aplicar em renda fixa. A regra, contudo, só vale para as carteiras com taxa de administração inferior a 1%. Para se adequar a esse cenário, muitos bancos reduziram suas taxas, mas a medida chegou para poucos investidores. Para se ter uma ideia, das 72 carteiras com aplicação inicial inferior a R$ 500 oferecidas pelos cinco maiores bancos, apenas 28 têm taxa menor do que 1%. Ou seja, a poupança ainda é mais vantajosa do que 60% dos fundos destinados ao pequeno investidor, de acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). 

"Acostumados a um outro cenário, de juros maiores, os investidores ingressaram em carteiras com taxa de administração bem mais alta. Taxas de 3% ou 4%, por exemplo, pesavam, mas o retorno ainda era grande", explica o professor José Dutra Vieira Sobrinho, da Fipecafi.

O professor explica que o investidor ainda precisa ficar atento a outro custo do fundo: o Imposto de Renda. "A rentabilidade divulgada nos jornais e nos extratos bancários é líquida apenas da taxa de administração. Para saber quanto de fato irá ganhar, o investidor ainda deve descontar IR de 22,5% a 15% sobre o ganho, dependendo do período da aplicação", afirma (veja no gráfico o peso dos custos para os investimentos).

Redução das taxas não chega ao pequeno investidor 

Há dois meses, a indústria de fundos vem implementando mudanças para tornar o investimento mais competitivo na comparação com a poupança. As duas principais alterações foram a redução das taxas de administração e da aplicação inicial e a criação de novas carteiras. O Banco do Brasil, por exemplo, reduziu a aplicação inicial de dois dos seus fundos antes destinados a grandes investidores, de R$ 50 mil para R$ 1.

"Quisemos tornar esses dois fundos (Renda Fixa LP 50 mil e Referenciado DI LP 50 mil) mais acessíveis. Para ter acesso a essas carteiras, o investidor deve ir à agência e aderir ao programa "Bom para Todos"", explica o presidente da BB DTVM, Carlos Takahashi. Ambos cobram 1% de administração. O executivo explica que, antes da queda dos juros e da mudança na fórmula de cálculo da poupança, as taxas de administração estavam na casa dos 3%.

Na indústria de fundos em geral, contudo, o que se vê é que as reduções nesse custo não foram para todos os pequenos investidores. Ou seja, a maioria dos maiores fundos de varejo ainda não reduziu sua taxa. É o caso do Hiperfundo DI do Bradesco, do Classic DI do Santander e do Super DI do Itaú Unibanco, que figuram entre os maiores da categoria, com patrimônio líquido de R$ 5,7 bilhões, R$ 3,2 bilhões e R$ 1,1 bilhão, respectivamente. Em todos eles, o valor inicial para investimento é de R$ 100 e as taxas cobradas continuam em patamares que deixam a aplicação menos vantajosa em relação à poupança - de 4,5%, 5% e 2,5%, respectivamente.

Para justificar as taxas mais altas, os bancos afirmam que nessas carteiras o investidor possui alguns benefícios, como os sorteios. Essa opção, contudo, vai contra o objetivo de rentabilidade maior. O Social 50, do Banco do Brasil, é um deles. O banco explica que parte do valor arrecadado com a taxa de administração de 2,6% é destinada a projetos sociais do banco. Já o LP 100 sorteia prêmios financeiros, que podem chegar ao valor de um carro ou uma casa. "Os fundos têm custos legais, como tarifas com a Anbima e CVM e emissão de extratos, que outros produtos não possuem", diz Takahashi. Bradesco, HSBC, Santander e Itaú Unibanco não quiseram comentar a cobrança de taxas mais altas.

Tendência

Na busca de rentabilidade maior, os bancos já estão aumentando a parcela de títulos privados em carteira. Por regra de autorregulação da Anbima, os fundos de renda fixa devem ter pelo menos 80% em títulos públicos. Aqueles que tiverem mais de 20% em títulos privados de médio e alto risco devem levar no nome o Crédito Livre.

"A rentabilidade aumenta conforme aumenta o risco. O investidor deve estar ciente disso", diz o administrador de carteiras, Fábio Colombo. Nesse contexto, ele avalia que taxas até 1,5% no curto prazo e 2% no longo prazo são competitivas na comparação com a poupança. "A rentabilidade destes fundos com crédito privado na média está em 110% do CDI."

Todos os bancos foram consultados na reportagem, mas Bradesco, HSBC, Itaú Unibanco e Santander não deram retorno. A Caixa Econômica Federal não oferece atualmente nenhum fundo com taxa acima de 2%.

O Estado de S. Paulo - 30/07/2012

quinta-feira, 26 de julho de 2012

País gasta valor recorde de R$ 100 bi por ano com pensão para viúvas



A marca, alcançada no ano passado, é um recorde mundial; governo prepara mudanças nas regras para concessão de pensões por morte

O Brasil gastou no ano passado mais de R$ 100 bilhões com pagamento de pensões por morte. A inédita marca é recorde mundial. Por causa de aberrações como essa, o governo quer fazer várias mudanças nas leis que regem a Previdência Social. A intenção era mandar a proposta ao Congresso já em agosto, mas o governo desistiu do prazo, pois a equipe econômica não chegou a um consenso sobre o tema.

O valor de R$ 100 bilhões correspondeu a 2,8% do Produto Interno Bruto (PIB) de 2011, segundo o secretário de Políticas de Previdência Social, Leonardo Rolim, e tende a crescer este ano. "O Brasil é, com certeza, quem mais gasta com pagamento de pensões no mundo." A fatia gasta pelos demais países, segundo o secretário, não chega a 1,6% do PIB. "Isso deixa claro que o Brasil protege bem os pensionistas e os aposentados." Desse total, a Previdência desembolsou cerca de R$ 60 bilhões apenas para beneficiários do INSS - os demais são do setor público e militares. Para se ter uma ideia, o volume de trabalhadores da iniciativa privada que recebia esse tipo de recurso há um ano era de 7,6 milhões de pessoas.

Além de amenizar injustiças, a proposta do Executivo aproxima mais os sistemas previdenciários público e privado. "Havia a intenção de votar o projeto em agosto, mas por causa do calendário de medidas provisórias não foi possível avançar nas negociações com o Congresso", disse o secretário.

Em entrevista ao Estado, o ministro Garibaldi Alves Filho também mostrou desânimo. "Realmente, nós tivemos aquela expectativa de uma votação rápida no Congresso, mas a coisa perdeu o ímpeto."

Sem unidade. O calendário não é o único problema. Garibaldi admitiu que o Executivo também não fechou sua proposta. Além da Previdência, se debruçam sobre as novas medidas os Ministérios da Fazenda e do Planejamento. Ele explicou que o principal obstáculo é a intenção de fixar uma idade mínima para as novas aposentadorias, que teria de ser elevada progressivamente, de acordo com o envelhecimento da população. "Os parlamentares querem votar, mas talvez não aceitem isso."

Essa mudança está relacionada com a intenção de extinguir o fator previdenciário. No seu lugar, entraria a fórmula conhecida como 85-95, que é a soma da idade e período de contribuição de mulheres e homens, respectivamente. Além de fazer uma seleção mais criteriosa para o pagamento de pensão por morte e acabar com o fator, a Previdência propõe que o sistema de cotas seja respeitado. Hoje, segundo o secretário, mesmo quando um beneficiado que perde o pai atinge a maioridade, por exemplo, sua cota é transferida para a mãe. "Assim, nunca deixamos de fazer o pagamento integral."
O governo também quer evitar o pagamento de pensões vitalícias a viúvas jovens e exigir um período de carência. Rolim citou que há casos em que uma pessoa faz apenas uma contribuição pelo teto para a Previdência e o governo paga à viúva com base nesse valor. Ao mesmo tempo, um trabalhador que contribui durante 35 anos só consegue receber o valor máximo se desembolsar o teto em 80% do tempo. "É uma injustiça", resumiu.

Autor(es): CÉLIA FROUFE
O Estado de S. Paulo - 26/07/2012

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Alta do dólar reduz gasto do brasileiro no exterior


O dólar a R$ 2 já faz estragos no turismo internacional. Em junho, os brasileiros gastaram US$ 6 milhões a menos por dia nas viagens pelo mundo. Dados do Banco Central (BC) mostram que as despesas dos turistas diminuíram 9,8% na comparação com igual período de 2011. Na média, viajantes desembolsaram US$ 56,1 milhões por dia no mês passado, menos que os US$ 62,2 milhões de igual período de 2011.

Em junho, ao todo, os brasileiros gastaram US$ 1,68 bilhão no exterior e estrangeiros deixaram US$ 462 milhões em viagens pelo Brasil. Com isso, a conta do turismo encerrou o mês com saldo negativo de US$ 1,22 bilhão.

Ao divulgar os números ontem, o chefe adjunto do departamento econômico do BC, Fernando Rocha, explicou que a queda das despesas em viagem é resultado do dólar mais alto. "O câmbio é decisivo na tomada de decisão para gastar no exterior", disse, ao lembrar que a moeda norte-americana saiu de um patamar de R$ 1,70, em fevereiro, para algo próximo de R$ 2, nas últimas semanas.

Valendo o dobro do real, o dólar tem feito muitos brasileiros trocarem o destino das férias para opções mais baratas. Por isso, o gasto total com passeios caiu 3% no segundo trimestre de 2012 ante igual período do ano passado.

O Estado de São Paulo - 25/07/2012 www.estadao.com.br

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Cartão de crédito lidera inadimplência


Cartão de crédito lidera calote dos brasileiros


Para 31% dos consumidores pesquisados, facilidades oferecidas pelo "dinheiro plástico" ajudam a inflar a lista de atrasos no varejo


O cartão de crédito é apontado pelo consumidor brasileiro como o principal meio de pagamento que o levou ao calote. No mês passado, 31% dos inadimplentes indicaram o cartão como o vilão da crise de suas finanças pessoais, revela pesquisa da Boa Vista Serviços, que administra o Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). Em março deste ano, esse indicador para os cartões estava em 29% e, seis meses antes, em 23%.

O resultado de junho para os cartões supera de longe a importância dos carnês e boletos bancários (22%) e dos cheques (24%)como vilões da inadimplência. Em março, o cartão já havia desbancado o carnê e passou a liderar o ranking dos meios de pagamento que levaram o consumidor a engrossar a lista da inadimplência.

Especialistas ressaltam que o avanço do uso do cartão sobre outros meios de pagamento e a multiplicação dos plásticos explicam parte do resultado.

Este ano deve fechar com 193,2 milhões de cartões de crédito, segundo projeções da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). A marca supera a população do País que, de acordo com o Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) somou 190,7 milhões de pessoas. Significa que cada brasileiro, do bebê de colo ao idoso, carrega mais de um cartão de crédito na carteira.

Se forem considerados os cartões de crédito e os de lojas, o total de plásticos até dezembro deve atingir 462 milhões, o equivalente a 2,4 cartões por pessoa, segundo a Abecs. Levando-se em conta o total de cartões de crédito e de lojas em relação à População Economicamente Ativa (PEA), isto é, aquela em idade produtiva, o número de cartões por brasileiro sobe para 4,4.

Juros. Além da multiplicação dos plásticos, a elevada taxa de juros cobrada pelos cartões joga mais lenha na inadimplência dessa linha de crédito. Dados do Banco Central mostram que o calote do cartão acima de 90 dias atingiu 29,5% em maio, a maior marca em 12 anos. Durante 28 meses seguidos, de fevereiro de 2010 a junho deste ano, a taxa média de juros do cartão ficou estacionada em 10,69% ao mês, revela pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). A resistência da taxa de juros do cartão, a mais alta entre as várias linhas de crédito ao consumidor, vai na contramão até da taxa básica de juros, a Selic, que já caiu três pontos porcentuais entre dezembro de 2011 e a semana passada.

"O cartão é o meio de pagamento vilão da inadimplência", afirma o diretor do SCPC, Fernando Cosenza, responsável pela pesquisa trimestral que consulta 1.100 inadimplentes para traçar seu perfil. Ele ressalta que, na edição de junho, o cartão de crédito foi uma unanimidade entre os consumidores como principal meio de pagamento que levou à inadimplência. Em todos os estratos de renda (alta, média e baixa), entre homens e mulheres e também entre trabalhadores formais e informais.

Cosenza diz que a facilidade de se obter crédito no cartão, que é pré-aprovado e está na carteira do consumidor, combinada à falta de informações centralizadas do sistema financeiro sobre os limites totais de crédito concedido a cada consumidor por cartão, agravam o quadro da inadimplência.

O Estado de S. Paulo - 16/07/2012