sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Brasileiro pagaria menos imposto se tabela do IR fosse corrigida pela inflação


De acordo com cálculos, um trabalhador com salário de R$ 4.465,01, por exemplo, poderia pagar cerca de 44% menos imposto 


O brasileiro poderia pagar menos imposto se a tabela do IRPF (Imposto de Renda da Pessoa Física) fosse corrigida pela inflação.
De acordo com cálculos realizados pela Ernst & Young Terco, um trabalhador com salário de R$ 4.465,01, por exemplo, poderia pagar cerca de 44% menos imposto, se não houvesse a defasagem da tabela do IR.

Isso porque, demonstram os cálculos, este trabalhador passaria a figurar entre os que pagam alíquota de 22,5% e não mais nos 27,5% atuais. Dessa forma, o imposto devido passaria de R$ 471,35 para R$ 263,81.
No caso de um trabalhador com ganhos mensais tributáveis de R$ 7.437,56, a diferença entre o imposto devido sem e com a correção da tabela é de 20%, passando de R$ 1.288,80 para R$ 1.030,29. Nos dois casos, contudo, a alíquota continuaria de 27,5%.

Correção

A Ernst & Young Terco ressalta que a tabela do IR é atualizada anualmente desde 2005. Entretanto, em alguns anos o ajuste da tabela progressiva foi menor que a inflação, como por exemplo, nos últimos dois anos.
Dessa forma, segundo o sócio de human capital da empresa, Carlos Martins, tendo em vista que nos últimos 15 anos o ajuste da tabela progressiva foi, no geral, menor que a inflação, conclui-se que o contribuinte perdeu poder compra.

Por Gladys Ferraz Magalhães 
Infomoney


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

BC reduz SELIC a 7,5% e indica estabilidade

BC corta juro básico básico para 7,5% ao ano

Novo corte, só com "máxima parcimônia", afirma. Brasil recua da 3ª para a 5ª posição em juros reais

Um ano após ter iniciado uma sequência de cortes na taxa básica de juros, o Banco Central (BC) fez ontem mais uma redução na Selic, de 8% para 7,5% ao ano, mas avisou que esse ciclo chegou ao fim e indicou que, se houver uma nova redução, será feita com a "máxima parcimônia". A justificativa é que os estímulos do governo para impulsionar o crescimento têm recuperado o nível de atividade no Brasil. Com essa decisão unânime do Comitê de Política Monetária (Copom), a Selic caiu ao menor patamar de todos os tempos, como previam os economistas.

"Considerando os efeitos cumulativos e defasados das ações de política implementadas até o momento, que em parte se refletem na recuperação em curso da atividade econômica, o Copom entende que, se o cenário prospectivo vier a comportar um ajuste adicional nas condições monetárias, esse movimento deverá ser conduzido com a máxima parcimônia", disse o BC.

A expressão foi entendida pelos analistas do mercado financeiro como uma brecha para que um corte menor, de apenas de 0,25 ponto percentual.

- Eles estão confiantes de que os estímulos fiscais e monetários estão surtindo efeito e 2013 será melhor - disse o economista-chefe da corretora Votorantim, Roberto Padovani.
Se houver outro corte, a Selic chegaria ao piso histórico de 7,25% ao ano, patamar esperado pela maioria dos analistas, segundo pesquisa semanal do BC. Mas há quem tenha cenários mais audaciosos. O economista-chefe da corretora Gradual, André Perfeito, por exemplo, acredita que pode haver cortes até o patamar de 7% ao ano. Segundo Perfeito, a pressão sobre a inflação deve ser aliviada em breve, abrindo espaço para a atuação do BC:

- A queda de arrecadação amarrou as mãos do Palácio do Planalto e jogou toda a responsabilidade de fazer o Brasil crescer no colo do BC.

O mercado projeta o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no ano em 5,19%, acima do centro da meta (4,5%), mas na margem de tolerância de dois pontos percentuais. Mas espera-se crescimento de 1,73% em 2012, longe dos 3% previstos pelo governo.

Força Sindical elogia decisão

Com o corte de ontem, o Brasil recuou da terceira para a quinta posição no ranking dos juros mais altos do mundo,no qual ficou no topo por muitos anos. Projeção da Cruzeiro do Sul Corretora, considerando a inflação prevista para os próximos 12 meses, mostra a taxa de juro real brasileira agora em 1,8%, atrás de China (4,1%), Chile (2,4%), Austrália (2,3%) e Rússia (2,3%).
Segundo analistas, uma taxa real de juro menor deve reduzir a atratividade dos investimentos de renda fixa (cuja base de cálculo é a Selic), sobretudo para os estrangeiros. Além disso, deve aliviar as taxas dos empréstimos bancários, o que não vem ocorrendo na velocidade esperada, afirmou o economista Jason Vieira, responsável pelo levantamento da Cruzeiro do Sul.

Nos últimos 12 meses, período em que a Selic recuou de 12,5% para 7,5%, a taxa média anual de juros cobrada dos consumidores (incluindo varejo e bancos) caiu de 121,21% para 102,97% ao ano, segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

Paulo Skaf - Presidente da FIESP
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) consideraram a decisão acertada e em sintonia com o cenário de desaceleração da economia. Mas o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, ressaltou que isso ainda não basta para retomar o crescimento:

- Já estamos no segundo semestre e os efeitos da demora em reduzir juros rapidamente estão batendo na nossa porta - disse Skaf.

O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, disse que a decisão do Copom mostra que o governo está no caminho certo "ao atender os apelos dos trabalhadores".

Autor(es): Gabriela Valente, Roberta Scrivano e Lino Rodrigues
O Globo - 30/08/2012


BC reduz SELIC a 7,5% ao ano


BC corta juro básico para 7,5% ao ano

Novo corte, só com "máxima parcimônia", afirma. Brasil recua da 3ª para a 5ª posição em juros reais.

Um ano após ter iniciado uma sequência de cortes na taxa básica de juros, o Banco Central (BC) fez ontem mais uma redução na Selic, de 8% para 7,5% ao ano, mas avisou que esse ciclo chegou ao fim e indicou que, se houver uma nova redução, será feita com a "máxima parcimônia". A justificativa é que os estímulos do governo para impulsionar o crescimento têm recuperado o nível de atividade no Brasil. Com essa decisão unânime do Comitê de Política Monetária (Copom), a Selic caiu ao menor patamar de todos os tempos, como previam os economistas.

"Considerando os efeitos cumulativos e defasados das ações de política implementadas até o momento, que em parte se refletem na recuperação em curso da atividade econômica, o Copom entende que, se o cenário prospectivo vier a comportar um ajuste adicional nas condições monetárias, esse movimento deverá ser conduzido com a máxima parcimônia", disse o BC.

A expressão foi entendida pelos analistas do mercado financeiro como uma brecha para que um corte menor, de apenas de 0,25 ponto percentual.

- Eles estão confiantes de que os estímulos fiscais e monetários estão surtindo efeito e 2013 será melhor - disse o economista-chefe da corretora Votorantim, Roberto Padovani.
Se houver outro corte, a Selic chegaria ao piso histórico de 7,25% ao ano, patamar esperado pela maioria dos analistas, segundo pesquisa semanal do BC. Mas há quem tenha cenários mais audaciosos. O economista-chefe da corretora Gradual, André Perfeito, por exemplo, acredita que pode haver cortes até o patamar de 7% ao ano. Segundo Perfeito, a pressão sobre a inflação deve ser aliviada em breve, abrindo espaço para a atuação do BC:

- A queda de arrecadação amarrou as mãos do Palácio do Planalto e jogou toda a responsabilidade de fazer o Brasil crescer no colo do BC.

O mercado projeta o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no ano em 5,19%, acima do centro da meta (4,5%), mas na margem de tolerância de dois pontos percentuais. Mas espera-se crescimento de 1,73% em 2012, longe dos 3% previstos pelo governo.

Força Sindical elogia decisão

Com o corte de ontem, o Brasil recuou da terceira para a quinta posição no ranking dos juros mais altos do mundo,no qual ficou no topo por muitos anos. Projeção da Cruzeiro do Sul Corretora, considerando a inflação prevista para os próximos 12 meses, mostra a taxa de juro real brasileira agora em 1,8%, atrás de China (4,1%), Chile (2,4%), Austrália (2,3%) e Rússia (2,3%).

Segundo analistas, uma taxa real de juro menor deve reduzir a atratividade dos investimentos de renda fixa (cuja base de cálculo é a Selic), sobretudo para os estrangeiros. Além disso, deve aliviar as taxas dos empréstimos bancários, o que não vem ocorrendo na velocidade esperada, afirmou o economista Jason Vieira, responsável pelo levantamento da Cruzeiro do Sul.



A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) consideraram a decisão acertada e em sintonia com o cenário de desaceleração da economia. Mas o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, ressaltou que isso ainda não basta para retomar o crescimento:
- Já estamos no segundo semestre e os efeitos da demora em reduzir juros rapidamente estão batendo na nossa porta - disse Skaf.
O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, disse que a decisão do Copom mostra que o governo está no caminho certo "ao atender os apelos dos trabalhadores".

Autor(es): Gabriela Valente, Roberta Scrivano e Lino Rodrigues
O Globo - 30/08/2012

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Arrecadação cresce e ameniza o rombo bilionários da previdência


Receita soma R$ 22,3 bi, 7,1% mais do que em julho de 2011, é a 2ª maior da história, mas déficit vai a R$ 2,6 bilhões

A expansão da arrecadação ajudou a amenizar o rombo da Previdência Social em julho, que bateu em R$ 2,6 bilhões. Só no mês passado, o saldo das receitas foi de R$ 22,3 bilhões, 7,1% mais do que em julho de 2011. O resultado é o segundo maior da história, se descontados os meses de dezembro, quando as contas previdenciárias são infladas pelo pagamento do 13.º salário.

O aumento do recolhimento de julho foi avaliado como "bastante elevado" pelo secretário de políticas de Previdência Social, Leonardo Rolim, mas ainda ficou abaixo da média acumulada no ano, de 8,5%. A boa notícia, segundo ele, é que as receitas estão crescendo mais do que as despesas no ano até julho. Nesse período, o pagamento de benefícios somou R$ 173,4 bilhões, uma alta de 7,5% em relação aos primeiros sete meses de 2011.

"Os números casam com o resultado do Caged, que mostra julho melhor do que junho", comparou Rolim. Pelos números do Ministério do Trabalho, que divulga o Caged mensalmente, foram criadas 142,5 mil vagas com carteira assinada no mês passado. É a contribuição desses trabalhadores formais que sustentam a Previdência.

A melhora nesse mercado levou o déficit previdenciário de julho a ficar 6,8% menor do que o de junho. Não foi suficiente, no entanto, para evitar uma alta de 17,5% em relação a julho do ano passado, saldo já corrigido pela inflação do período.

O ministro da Previdência, Garibaldi Alves Filho, salientou que, apesar de ainda negativas, as contas previdenciárias passam ao largo da crise internacional. "A crise não chegou a levar o País à recessão. Desacelerou a economia, mas não implicou na redução dos salários", disse.

Pesou sobre o resultado de julho o aumento das despesas com passivo judicial. O governo desembolsou no mês passado com essa rubrica R$ 580 milhões, um aumento de 47,1% sobre julho de 2011. Já para agosto e setembro, é o pagamento das primeiras parcelas do 13.º salário que deve impactar as contas.

No acumulado do ano até julho, o déficit já soma R$ 23,5 bilhões, 1,8% mais do que em igual período de 2011. Para o ano, a expectativa é de um rombo de R$ 38 bilhões. Também de janeiro a julho, a Previdência arcou com um impacto de R$ 1,2 bilhão, fruto do programa de desoneração da folha de pagamentos para os setores de tecnologia da informação e comunicação, móveis, confecções e artefatos em couro. A expectativa de renúncia no ano é de R$ 3,4 bilhões. Até o momento, a Previdência já assegurou o repasse de R$ 1,7 bilhão para fazer essa compensação, mas o Tesouro Nacional ainda não transferiu os recursos.

Autor(es): CÉLIA FROUFE
O Estado de S. Paulo - 29/08/2012