sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Banco Central reduz redescontos bancários

BC reduz os os juros no "cheque especial" usado pelos bancos



Para economistas, objetivo é diminuir custo de instituições e clientes

Banco Central (BC) reduziu os juros para linhas de liquidez ou redesconto usadas pelas instituições financeiras para fechar diariamente suas contas, uma espécie de "cheque especial dos bancos". Nas operações mais rotineiras, de um dia, por exemplo, o custo cairá de taxa básica (Selic) mais 6% para Selic mais 1%. Segundo o BC, foi feito um ajuste técnico porque o país vive um novo patamar de juros e o que era cobrado dos bancos estava defasado. Já os economistas falam que é um jeito de estimular o crédito no cenário de baixo crescimento sem ter de alterar a política monetária.

- O BC já mostrou diversas vezes que tem o foco na atividade econômica - disse o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini. - Ao reduzir os custos dos bancos, sinaliza que a inflação ainda não preocupa a ponto de sacrificar a atividade.

Segundo comunicado divulgado pelo BC, as instituições que precisarem ficar no cheque especial mais tempo também serão menos oneradas. As taxas das transações de até 15 dias úteis passou de Selic mais 4% ao ano para Selic mais 2%. As novas regras entrarão em vigor na segunda-feira.

Os bancos que tiverem dificuldade para recolher os depósitos compulsórios (parte do dinheiro dos clientes recolhida pelo BC) também terão custo mais baixo por estarem desenquadrados. O custo caiu de Selic mais 14% ao ano para Selic mais 4%. O propósito do BC, segundo sua assessoria, é adequar a cobrança à realidade atual. Quando a regra foi criada, em 2002, a Selic era de 18,5% ao ano. Hoje, é de 7,25% ao ano. A medida faz parte do programa OtimizaBC que pretende reduzir custos para as instituições financeiras e os consumidores.

O BC fez ainda ajuste na conta dos depósitos compulsórios para unificar várias circulares sobre o tema. Como existiam muitas regras, havia casos em que os bancos teriam de começar a recolher compulsórios antes de o prazo para o cálculo ter terminado. Não há data certa para a entrada da nova norma em vigor. O BC apenas informou que será em meados de abril.

Prevenção contra problemas

Segundo Eduardo Velho, economista-chefe da Planner, a redução das taxas busca prevenir novos problemas com bancos de pequeno e médio portes, após os casos de Cruzeiro do Sul, Prosper e BVA. Ele acrescenta que a redução sinaliza que o BC segue monitorando de perto os balanços dos bancos, num momento de inadimplência em patamar elevado.

- Não é que exista um descontrole, mas seria um sinal ruim ver outras instituições com problema num momento que o governo quer estimular o crédito - diz Velho, para quem a decisão também ajuda a equalizar a taxa de redesconto após a queda da Selic.

Para Ricardo Corrêa, da Ativa Corretora, a regra ajuda bancos que passam "por período de estresse", com dificuldades:

- Os bancos passam o dia tomando dinheiro emprestado e emprestando dinheiro. No fim do dia, pegam seus balanços e emprestam entre eles. Quando não conseguem resolver nessas operações, precisam recorrer ao BC, que tem taxas punitivas.

Autor(es): Gabriela Valente
O Globo - 22/02/2013 www.oglobo.com.br

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