sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Mercado já espera alta de juros em 2013
A inflação de janeiro, divulgada pelo IBGE, está feia por fora e por dentro. O IPCA do primeiro mês de 2013 ficou em 0,86%, acima das média das expectativas – 0,83%. Olhando para “dentro” do resultado, vê-se que o índice de difusão do IPCA ultrapassou 75%. Isso quer dizer que o aumento de preços está cada vez mais espalhado na economia.

Ambos – o resultado e a difusão – tiveram o pior comportamento desde 2003. Algumas diferenças entre o presente e o passado: em 2002, o IPCA foi de 12,53%. Em 2003, fechou em 9,3%. Já faz tanto tempo que nem parece verdade, mas a meta de inflação de dez anos atrás era de 4%, depois foi ajustada pra 8,5%, porque ficou claro que seria impossível cumprir a anterior.

Ainda em 2003, depois de sentir o aperto, o Conselho Monetário Nacional (CMN), responsável por estipular a meta de inflação a ser perseguida pelo BC, caiu na real e definiu os 4,5% para o IPCA de 2005. Desde então, mantemos esse objetivo, mesmo com os avanços macro e micro econômicos que o país viveu na última década.

Esse breve histórico mostra como a inflação ainda é um problema persistente e resistente no Brasil. Não é e nem está fácil quebrar essa resistência e possibilitar que o país tenha uma inflação menor, mais próxima à de economias emergentes, ou até mesmo das latino-americanas. Na Colômbia, a inflação de 2012 foi de 2,4%; no México, 3,6%; no Chile, 1,5%; no Peru, 2,6%.

Em entrevista à jornalista Miriam Leitão, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, reconheceu que a inflação atual não está “confortável”. Não está mesmo. Importante ouvir o comandante do BC porque, no combate à inflação, a comunicação é um dos instrumentos mais fortes. E, vamos combinar, ela anda bastante ruidosa ultimamente.
Outro recado de Tombini, que parece inócuo pela forma, mas tem um forte conteúdo, é de que ele está incomodado e “avaliando tudo”. Foi suficiente para o mercado financeiro reagir, interpretando a fala do presidente do BC como uma sinalização de que os juros podem subir em 2013, contrariando os últimos comunicados do Copom, avisando que a taxa Selic ficaria estável por longo período de tempo.

No mercado de juros futuros já apareceu no horizonte dos investidores uma pequena possibilidade de o Copom elevar a taxa já na próxima reunião, em março. Mas foram os contratos com fechamento em junho deste ano que tiveram a maior elevação, indicando que o mercado dá quase como certa uma alta dos juros até o final do primeiro semestre.

O BC está agora numa situação que, em jargão do mercado se diz: “data dependent”- dependente de dados. Se a inflação continuar na mesma trajetória com poucos sinais de arrefecimento, principalmente na difusão da alta dos preços, o Copom só ganha mais pontos se agir para segurar o dragão, para não ser engolido por ele.

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