segunda-feira, 29 de abril de 2013

Os juros do FIES


Aluno contrata crédito sem considerar juro


À semelhança do que acontece com a maioria dos consumidores em suas compras no varejo, os universitários se preocupam mais com o tamanho da parcela do financiamento estudantil - se ela cabe no bolso - do que com os juros cobrados.

Uma prova disso é que a Ideal Invest não sentiu uma debandada de seus alunos para o Fies, financiamento do governo federal que cobra um juro quase cinco vezes inferior ao praticado por essa gestora de crédito. Ao contrário, a empresa viu sua carteira de alunos crescer 17% e atingir 35 mil estudantes em 2012. A Ideal Invest cobra em média juros de 15,6% ao ano. O Fies, 3,4%. Esse percentual é o mesmo ao adotado nos financiamentos estudantis nos Estados Unidos, onde uma grande parcela da população estuda com crédito.

A Ideal fez uma pesquisa com alunos, seus clientes. Ela estava cobrando, à época, juro mensal de 1,9%. " Perguntamos se eles trocariam o financiamento por outro com juros de 2,5% e todos aceitaram no ato. Eles não sabiam que seus financiamento tinham um juro menor [de 1,9%]", disse Carlos Furlan, diretor-executivo da Ideal Invest. "Para eles, o mais importante é se a parcela cabe no bolso e se livrar das burocracias de um empréstimo".

Apesar de uma parcela da sua clientela não estar tão atenta aos juros, a empresa também vem investindo em financiamentos mais competitivos. Para isso está fechando parcerias com faculdades que subsidiam uma parte ou até 100% dos juros do crédito estudantil. Hoje, 20 faculdades - como a Unimonte, em Santos, e a Feevale, no Rio Grande do Sul - já oferecem o empréstimo sem o custo adicional.

A aposta de Furlan nessas parcerias é porque muitas faculdades ainda resistem ao Fies porque têm receio de levar um calote do governo, como aconteceu em 2010 quando o Ministério da Educação (MEC) atrasou por muito tempo o repasse do crédito e várias faculdades quase quebraram.

"Além disso, no nosso financiamento, a faculdade pode cobrar a mensalidade cheia e não tem custos para captação e renovação de alunos, que é um trabalho feito por nós", diz Furlan. No caso do Fies, vale apenas o menor valor da mensalidade (normalmente as faculdades dão desconto quando o pagamento é feito até determinada data). Segundo ele, pesando na balança esses itens, a conta fica equilibrada para a faculdade.

A gestora também está oferecendo financiamentos para cursos de ensino a distância e de pós-graduação. Esses dois tipos de cursos não são atendidos pelo Fies que somente no ano passado atendeu a mais 365 mil estudantes.

Outra novidade é o lançamento de um fundo de investimento de cerca de R$ 100 milhões em direitos creditórios (FIDC) de cerca de R$ 100 milhões para antecipação de recebíveis de faculdades. "As faculdades têm nos procurado pedindo crédito. Esse adiantamento é usado, principalmente, para capital de giro e alongamento de passivo", disse Furlan.

Essa demanda ocorre porque no início de suas atividades, em 2002, a atividade principal da empresa era antecipar recebíveis de mensalidades em troca de crédito. Na época, a Ideal tinha um FIDC no valor de R$ 350 milhões para essa finalidade. Somente em 2006, a empresa passou a oferecer o empréstimo estudantil.

A Ideal Invest tem como sócios o fundo de investimento DLJ South American e o IFC, braço para negócios privados do Banco Mundial, e os fundadores que são majoritários. O banco Itaú Unibanco também é um dos sócios, com uma fatia minoritária, mas essa participação ainda não foi definida. Depende da conclusão de uma operação de aumento de capital.

Autor(es): Por Beth Koike
Valor Econômico - 29/04/2013 www.valoronline.com.br  

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