quinta-feira, 2 de maio de 2013

INFLAÇÃO NO PALANQUE DO DIA DO TRABALHADOR


INFLAÇÃO DETONA GUERRA ENTRE GOVERNO E OPOSIÇÃO

Nas comemorações do Dia do Trabalho, Aécio Neves e centrais sindicais condenam a "leniência" com a alta de preços. Ministro Gilberto Carvalho rebate as críticas, e presidente Dilma Rousseff reafirma o compromisso com a estabilidade.

Em São Paulo, Aécio afirma que Planalto tem sido leniente com a economia e acusa governo de apoiar projetos antidemocráticos. Na TV, Dilma garante "luta constante" contra a alta de preços

As comemorações do Dia do Trabalho transformaram-se num cabo de guerra entre governo e oposição. No dia em que o presidenciável e senador Aécio Neves (PSDB-MG) pôs o dedo na ferida e acusou a administração petista de ser "leniente" com a alta dos preços, a presidente Dilma Roussef utilizou o pronunciamento oficial na televisão para rebater as críticas, assegurando que não vai permitir a retomada da inflação. Ela também pediu apoio ao projeto que destina os recursos do royalties do petróleo para investimentos em educação.

"É importante que o Congresso Nacional aprove nossa proposta de destinar os recursos do petróleo para a educação. Peço a vocês que incentivem o seu deputado e o seu senador para que eles apoiem esta iniciativa", afirmou a presidente. O Planalto terá que enviar uma nova proposta para o Congresso relacionada aos royalties. A Medida Provisória sobre a destinação dos recursos perde a validade em 16 de maio.

Em evento comandado pela Força Sindical, em São Paulo, Aécio usou o Plano Real de Fernando Henrique Cardoso para atacar a gestão petista. "Desde que votou contra o Plano Real, apresentado pelo governo do presidente Fernando Henrique, e a partir do momento em que começa a governar, o governo não tratou com aquilo que chamamos de tolerância zero à inflação. Não há uma meta real, a meu ver, buscada pelo governo", criticou Aécio.

Dilma rebateu o ataque afirmando que o governo não vai "descuidar nunca do controle da inflação". De acordo com a presidente, "esta é uma luta constante, imutável, permanente. Não abandonaremos jamais os pilares da nossa política econômica, que tem por base o crescimento sustentado e a estabilidade".

O senador tocou ainda em outros pontos espinhosos para o governo federal, como a queda de braço entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso e, ainda, a repercussão negativa à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 37, que retira o poder de investigação do Ministério Público. "Estaremos vigilantes, acima dos partidos políticos, para impedir qualquer ataque àquela outra grande conquista dos brasileiros que foi a democracia, a liberdade. Sempre que quiserem atacá-la, cerceando, por exemplo, as atribuições do Supremo Tribunal Federal, impedindo o Ministério Público de investigar, e inibindo a formação de legendas partidárias fora do guarda-chuva do governo, estaremos firmes e vigilantes porque o Brasil é um Brasil de todos", discursou Aécio.

Contraponto

O tucano saudou a classe trabalhadora com um convite: "Vamos juntos fazer o Brasil retomar o seu crescimento, qualificando sua mão de obra, para que não sejamos vítimas da importação de mão de obra estrangeira para suprir a baixa qualificação da nossa. Isso é responsabilidade de governo e estaremos atentos para cobrar", garantiu Aécio.

Também presente ao ato da Força, representando a presidente Dilma Rousseff — que permaneceu em Brasília — o ministro da Secretaria-Geral da Presidência afirmou que a chefe do executivo "zela como uma leoa" para defender os trabalhadores e conter a alta inflacionária. "Não é verdade que a inflação vai subir. Ela teve sim um pico nos últimos meses, e vocês sabem por quê. E agora ela começou a cair", discursou o ministro.

Durante o evento em São Paulo, o prefeito da capital paulista, Fernando Haddad (PT), lembrou as conquistas da gestão petista à frente da Presidência da República.

No pronunciamento da TV, a presidente evitou entrar em polêmica. Logo no início, Dilma prometeu ampliar a oferta de emprego, o salário e o poder de compra do trabalhador. "É por isso que nós, brasileiras e brasileiros, estamos tendo, nos últimos anos, a alegria de comemorar o 1º de Maio com recordes sucessivos no emprego, na valorização do salário e nas conquistas sociais dos trabalhadores", afirmou.

Lula 2018

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, que também participou do evento organizado pela Força Sindical, ventilou a possibilidade de o ex-presidente Lula concorrer às eleições presidenciais em 2018. "Quem sabe um dia Lula volte à Presidência. Ele está bem de saúde", disse o petista, ao iniciar discurso para os trabalhadores que participavam da festa. Na saída, comentou novamente o assunto ao ser questionado por jornalistas. "Em 2018, por que não?

Correio Braziliense - 02/05/2013

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