segunda-feira, 13 de maio de 2013

O brasileiro Rico da Microsoft


O brasileiro que prevê o futuro para a Microsoft

O pesquisador-chefe do Microsoft Research, área de pesquisa da dona do Windows, é brasileiro. Conhecido como Rico, o engenheiro Henrique Malvar, de 55 anos, trabalha com o futuro. Uma tecnologia presente no Kinect, o sensor de movimentos que funciona com o console Xbox, começou a ser estudada por Malvar há 15 anos. Ele também trabalhou no padrão de compressão do H.264, que distribui vídeos em alta definição.
Em seu currículo, Rico tem 115 patentes registradas e outras 10 ou 15 em processo de avaliação. "Fico feliz em saber que uma coisa da qual participei tem um impacto na vida das pessoas", disse ao Valor. 
O brasileiro Henrique Malvar, ou Rico, como é mais conhecido, trabalha com o futuro. Rico não recorre a recursos esotéricos ou a quaisquer outros métodos de adivinhação para prever o que vem por aí. Sua ferramenta para antecipar o futuro é a tecnologia. Com a mente voltada para a ciência e a inovação, o cientista-chefe da Microsoft Research, área de pesquisa da dona do Windows, comanda projetos em sete países. O resultado desse trabalho está presente no dia a dia de milhões de pessoas.
Um produto que resultou dessas pesquisas é uma tecnologia usada no Kinect, o sensor de movimentos que funciona com o console Xbox, da Microsoft. Conhecida como "rede de microfones", a tecnologia começou a ser estudada por Malvar há 15 anos e é usada para determinar quantas pessoas estão em um ambiente e qual a posição de cada uma delas. Malvar também foi um dos engenheiros que trabalharam no padrão de compressão de vídeo H.264, amplamente usado na distribuição de vídeo em alta definição.
Em seu currículo, o pesquisador carioca de 55 anos tem 115 patentes registradas e mais de 10 em processo de avaliação. "Fico feliz em saber que uma coisa da qual participei tem um impacto na vida das pessoas", diz ele, em entrevista ao Valor.
Formado em engenharia elétrica pela Universidade de Brasília, Malvar é Ph.D. em ciência da computação e engenharia elétrica pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) - umas das mais renomadas instituições de ensino e pesquisa do setor.
Há 16 anos na Microsoft Research, Malvar começou como pesquisador e já chefiou o
principal laboratório da companhia, hoje com 350 pessoas, localizado na sede, em Redmond, pequena cidade próxima a Seattle. Nos últimos dois anos passou a acumular duas funções: é responsável por iniciativas conjuntas dos dez centros mundiais de pesquisa e responde integralmente pelos três Laboratórios de Tecnologia Avançada (ATLs, na sigla em inglês) - divisão da Microsoft Research que se dedica a projetos de pesquisa aplicada. Na primeira área, o foco é mais aberto. Na segunda, com os ATLs, a ideia é usar o que é criado para melhorar produtos ou serviços.
No fim do ano entrará em operação o ATL do Brasil, no Rio. A unidade foi anunciada no fim do ano passado como parte de um investimento de R$ 200 milhões da Microsoft no país. O montante inclui a criação de um fundo de investimento e uma aceleradora de negócios, uma estrutura que ajuda companhias ainda iniciantes, mas que já saíram das fases mais básicas de negócios.
No laboratório brasileiro serão pesquisadas novas tecnologias para o buscador Bing, concorrente do Google. "Como brasileiro, fico feliz de ver como tem evoluído e melhorado o cenário de pesquisa no país com os estímulos dos Estados e do governo federal. Há também uma nova mentalidade de quem está estudando, que já enxerga a possibilidade de fazer uma pesquisa mais prática, ou abrir uma empresa", diz Malvar.
A expectativa é que as iniciativas brasileiras estimulem a colaboração com centros de pesquisa globais da empresa e com instituições de ensino locais e internacionais.
A carreira de Malvar na Microsoft começou em 1997, quando deixou a PictureTel, especializada em sistemas de videoconferência, mais tarde comprada pela Polycom. Ao ingressar na PictureTel, em 1993, Malvar mudou-se para os Estados Unidos, onde tornou-se responsável pela área de pesquisa e desenvolvimento da companhia. Em um determinado momento, sentiu a necessidade de voltar a fazer pesquisas mais básicas. Por isso, enviou um e-mail a Nathan Mhyrvold, então responsável pela Microsoft Research, com sugestões de projetos. As propostas lhe renderam um emprego.
Hoje, a rotina de Malvar envolve mais o gerenciamento de equipes do que a pesquisa em si. "Ainda guardo um tempinho para fazer coisas técnicas. Mas não passa de 10% do meu tempo", diz. Um dia típico pode começar às 7 da manhã com discussões com equipes na Europa e terminar 12 horas mais tarde em ligações com a China ou a Índia. Nessas conversas são definidos rumos e objetivos dos diferentes projetos em andamento. "A maioria das coisas não vira produto, mas muitas viram. O que tentamos fazer é detectar rapidamente o que deu errado e achar um caminho que dê certo", diz.
Os investimentos da Microsoft em pesquisa e desenvolvimento somam quase US$ 10 bilhões por ano. A maior parte dos recursos, segundo Malvar, vai para a área de desenvolvimento, que é a criação de produtos propriamente dita. Sem revelar quanto é direcionado para cada atividade, ou quantas pessoas estão sob seu comando direto, Malvar diz que não é barato manter a estrutura de pesquisa: dos mil pesquisadores distribuídos pelo mundo, mais de 800 têm doutorado - o que significa salários elevados.
Mais de 90% do que a Microsoft produz em termos de pesquisa é compartilhado, de forma gratuita, com a comunidade acadêmica. Segundo Malvar, dividir iniciativas que, na avaliação de muitos, deveriam ser guardadas a sete chaves, é benéfico para a Microsoft. "Fomentamos um ecossistema que vai entender melhor os benefícios da tecnologia da informação e da computação. [Essa comunidade] vai testar e dar retorno do que funciona ou não, e assim acabamos aprendendo", diz.
E o que o futuro reserva para os próximos anos? Entre as ideias pesquisadas estão computadores um milhão de vezes mais velozes que os atuais, sistemas de tradução simultânea que simulam a voz do usuário com sotaque e entonação perfeitos, e computadores comandados por gestos e voz, que pedem desculpa quando uma operação não é executada da forma esperada. Algumas dessas tecnologias podem chegar ao mercado em poucos anos, outras, levar décadas. "É importante olhar o futuro. Às vezes temos obtemos respostas para problemas que vão surgir mais adiante", diz.
Autor(es): Por Gustavo Brigatto | De São Paulo
Valor Econômico - 13/05/2013 www.valoronline.com.br

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