segunda-feira, 17 de junho de 2013

Preço de títulos públicos se recupera após ação do Tesouro
A Atuação do Tesouro Nacional e o alívio nos mercados globais garantiram uma recuperação no valor dos títulos públicos na quinta-feira. As NTN-Bs, papéis atrelados ao IPCA, registraram ganho de 2,10%, segundo o IMA-B, índice que mede o desempenho do mercado secundário. Com o resultado, a perda acumulada no mês diminuiu para 2,14% e, no ano, para 7,19%.
Também os papéis prefixados melhoraram sua performance. O IRF-M, que capta o desempenho tanto de LTN quanto de NTN-F, registrou alta de 0,47%, reduzindo para 0,56% a perda no mês. A variação no ano, agora, passa a ser levemente positiva, em 0,10%. Os papéis com prazo superior a um ano, no entanto, tiveram valorização de 0,66%, mas ainda amargam prejuízo de 1% no acumulado em 2013.
Especialistas atribuem boa parte desse alívio à clara melhora de humor que se viu no exterior, com a queda importante do juro da T-note de 10 anos para perto de 2,14%. Mas, antes desse movimento, a ação do Tesouro já tinha surtido efeito. Ao anunciar o leilão, o Tesouro garantiu a saída para uma parcela - pequena, é verdade - de agentes que precisavam vender seus papéis. Mais do que comprá-los, o Tesouro deu ao mercado uma referência de preço, para que eles pudessem voltar a negociar.
Ao se propor a comprar títulos, o Tesouro não tem por objetivo estancar perdas de agentes, mas corrigir desequilíbrios que paralisem os negócios. Então, não se espera que o Tesouro entre recomprando papéis com frequência, mas apenas em situações em que a volatilidade alcance níveis excessivos. "Não é uma estratégia que funciona sempre, além de ter uma certa dose de risco", explica um especialista. "Se o Tesouro for agressivo na compra, ele vai dar saída a investidores e pagar mais caro por isso."
Recomprar títulos de longo prazo, como fez o Tesouro ontem, pode ajudar a dar um fôlego ao mercado, mas é uma estratégia incapaz de interromper a dinâmica negativa dos mercados. A atuação, por si, só tem como efeito colateral um encurtamento de prazos - uma vez que são os títulos longos os que são retomados pelo Tesouro. E, quando se olha para o resultado do leilão tradicional de títulos, realizado simultaneamente, o que fica evidente é que o apetite do mercado está mesmo dirigido para títulos de curto prazo e pós-fixados.
Na quinta-feira da semana passada foram vendidos 2 milhões de LFT para 2018. A última vez que o Tesouro fez uma oferta de papéis pós-fixados desse tamanho foi em 17 de março de 2011, em um leilão em que apenas metade do lote foi efetivamente vendido. Na contramão, encolheu sensivelmente o volume de LTN, papéis prefixados. Foi a leilão um lote de 800 mil títulos de três vencimentos. Para se ter uma ideia, no início de maio, o Tesouro chegou a ofertar de 7 milhões de LTNs. Antes de definir o volume de títulos que irá a leilão, o Tesouro faz uma consulta de demanda junto aos dealers para evitar uma oferta além do que o mercado tem condição de absorver.
 
Valor Econômico - 17/06/2013 www.valoronline.com.br
 

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