sábado, 20 de julho de 2013

Alimento tem alta de 11,94%


Com a ajuda do congelamento das passagens de ônibus e metrô, resultado das manifestações populares iniciadas em junho, e da redução no preço dos alimentos, a inflação deu uma trégua momentânea aos brasileiros. O índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) teve aumento de apenas 0,07% na prévia da primeira quinzena deste mês
 Apesar da boa notícia, ainda não há muito o que comemorar. Nos últimos 12 meses, o indicador acumula elevação de 6,4%, e o grupo dos alimentos e bebidas, um dos que mais pesam no bolso da população, chegou a encarecer 11,94%, quase o dobro da inflação oficial. Em algumas capitais, como Recife e Fortaleza, a pressão foi ainda maior, e as altas alcançaram 15,92% e 16,66%, respectivamente.

Na variação anual, o índice calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ficou pouco abaixo do limite de tolerância de 6,5%. Isso significa que o Banco Central terá de suar muito a camisa para trazer os preços para o centro da meta, de 4,5%.

Não à toa, o banco inglês Barclays aposta que a autoridade monetária terá de recorrer a novas altas de juros. Ao Correio, o economista-chefe para a América Latina, Marcelo Solomon, disse esperar mais duas elevações da taxa Selic ainda em 2013. Com isso, ela chegaria a 9,25% ao ano e lá ficaria ao longo de 2014, enterrando de vez a bandeira do governo Dilma Rousseff de ter levado os juros básicos ao menor patamar histórico.

"O governo já sentiu o custo político que é tolerar uma a inflação elevada por muito tempo. Além do consumo ter enfraquecido, porque a renda real dos trabalhadores começou a cair, o crescimento da economia veio fraquíssimo no primeiro semestre", disse Solomon.

Neste mês, o grupo transportes registrou deflação de 0,55% e, sozinho, foi responsável por uma redução de 0,11 ponto percentual do IPCA-15. Alimentação e bebidas, com deflação de 0,18%, retirou mais 0,04 ponto do índice total. "Essa ajuda, no entanto, é temporária. Acredito que, depois de algum alívio nos próximos dois ou três meses, o indicador deverá retornar ao nível normal de altas de 0,50% a cada mês", avaliou o economista Jankiel Santos, do banco português BES Investimento.

Além disso, a alta do dólar, que ontem encerrou o dia cotado a R$ 2,24, com elevação de 0,69%, ainda pode trazer mais prejuízos ao bolso do consumidor. Nos cálculos da economista Cassiana Fernandez, do banco norte-americano JP Morgan, o repasse do câmbio para a inflação será de 0,6% mensais no quarto trimestre, o triplo da pressão que a divisa exercia até agora sobre os preços. "Isso fará o IPCA encerrar 2013 em 5,9%", disse ela. Se a previsão se confirmar, será o quarto ano consecutivo em que o índice ficará acima do centro da meta de 4,5%.

fonte: www.correioweb.com.br
 

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