quinta-feira, 11 de julho de 2013

BC eleva juro em 0,5 ponto preocupado com dólar

Copom eleva taxa de juros para 8,5% ao ano e mercado prevê novas altas
Em decisão unânime, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a taxa básica de juros da economia em 0,5 ponto porcentual, na terceira alta consecutiva, levando a Selic para 8,5% ao ano. Um fator que pesou ontem foi a escalada do dólar. No comunicado, o colegiado repetiu a justificativa da primeira alta de 0,5 ponto, dada em maio, de que a decisão ajudaria a colocar a inflação em declínio e asseguraria a continuidade da tendência em 2014. Analistas do mercado financeiro já contam com uma nova alta no fim de agosto.
Política monetária. Decisão foi unânime, e argumento é que o movimento "ajudaria a colocar a inflação em declínio e a assegurar a continuidade dessa tendência no próximo ano"; economistas já contam com uma nova alta de 0,5 ponto na próxima reunião
 
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou ontem a taxa básica de juros da economia em 0,5 ponto porcentual, na terceira alta consecutiva do ano, levando a Selic para 8,5%. Logo após a decisão, analistas do mercado financeiro já passaram a contar com uma nova alta na mesma magnitude no fim de agosto. A decisão de ontem era amplamente aguardada e joga mais para a frente as discussões entre os economistas sobre até quando e até quanto o BC pretende levar os juros.
No comunicado que se seguiu à decisão de ontem, o colegiado optou por repetir a justificativa da alta de 0,5 ponto porcentual da Selic dada em maio. O BC argumentou que a decisão ajudaria a colocar a inflação em declínio e também a assegurar a continuidade dessa tendência no próximo ano. A definição pelo aumento de meio ponto foi unânime entre os diretores e o presidente do BC.
"A decisão só confirma a avaliação de que vão continuar esse ciclo na mesma velocidade", avaliou o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco Lima Gonçalves. Para ele, o Copom promoverá mais uma alta de 0,5 ponto porcentual em agosto e outra em outubro, quando já será possível vislumbrar a desaceleração da inflação acumulada em 12 meses.
Para o estrategista-chefe do Banco WestLB do Brasil, Lucia-no Rostagno, a decisão de ontem mostrou que o BC está no "meio de um ciclo de aperto monetário". Ele prevê mais dois aumentos de 0,5 ponto e outro de 0,25 ponto nas próximas reuniões do Copom, levando a Selic a 9,75% ao final do ano.
O economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Camargo Rosa, também avaliou que, dado o comunicado idêntico ao dareunião anterior, o "plano de voo" traçado pelo Banco Central será mantido. "O BC continua mandando o recado de que está preocupado em manter a trajetória de inflação de maneira declinante não só neste ano, mas também no ano que vem", observou.
Segundo a pesquisa Focus divulgada no início desta semana, a aposta majoritária de analistas é de que a taxa encerre 2013 em 9,25% ao ano, mas a média das estimativas já tem revelado uma tendência de alta nos últimos dias. E não só paraeste ano, mas para todo o prazo consultado pelo BC, até 2017.
Um fator que passou pela mesa de discussões ontem foi a escalada do dólar. Ainda que o diretor de Política Econômica, Carlos Hamilton de Araújo, tenha enfatizado recentemente que o repasse do câmbio para a inflação é menor hoje do que há uma década, analistas já refazem suas previsões paraos índices de preço deste e do próximo ano levando em conta mais essa pressão. Desde a reunião do Copom de maio, a valorização da moeda americana foi de pouco mais de 7% em relação ao real.
A avaliação do BC sobre esse item será um dos pontos mais aguardados pelos analistas na leitura da ata do Copom de ontem. O documento serádivulga-do daqui a uma semana e costuma traçar um panorama mais detalhado sobre os dados e hipóteses que levaram os diretores a tomarem a decisão de ontem.
Para Juan Jensen, sócio da Tendências Consultoria, a ata do Copom terá de mostrar a preocupação com a alta do dólar e seus impactos na inflação. "O impacto do câmbio vai aparecer na inflação e será a novidade na próxima ata. Outra novidade deve ser a maior fraqueza do crescimento da economia."
Segundo ele, o crescimento modesto da economia deve frear o ciclo de aperto monetário e, após mais uma alta de 0,50 ponto porcentual, a Selic deve encerrar 2013 em 9%. "O cenário deve se deteriorar bastante, o que fará com que a Selic fique estável após uma nova alta."
Promessa. Assim que a presidente Dilma Rousseff assumiu o governo, em 2011, a economia brasileira passou por um ciclo de aperto monetário que levou a Selic ao pico de 12,5%. Na sequência, no entanto, teve início uma trajetória de afrouxamento que acomodou a taxa em 7,25% ao ano em outubro do ano passado,omenordegraudosju-ros da história do País. O nível foi mantido até abril deste ano, quando subiu para 7,5%.
Com o aumento de ontem, a taxa voltou ao patamar verificado em maio do ano passado. Mesmo assim, o juro real brasileiro continua abaixo dos 2% ao ano prometidos por Dilma. Isso porque a inflação em 12 meses até junho está em 6,7%, acima, portanto,do teto de 6,5% da meta perseguida pelo BC (4,5%).
COLABORARAM GUSTAVO PORTO E FLAVIO LEONELO
Estado de S. Paulo - 11/07/2013 www.estadao.com.br

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