quarta-feira, 3 de julho de 2013

Com forte saída de estrangeiros, Bovespa se desvaloriza 4,24%

Bolsa tem pior nível desde 2009

Queda na produção industrial e OGX também contaminam investidores
 
O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), teve ontem perda expressiva, provocada pela perspectiva de crescimento menor da economia brasileira, pelo tombo das ações do Grupo EBX e por um movimento mais forte de venda de ações por investidores estrangeiros. O índice se desvalorizou 4,24%, aos 45.228 pontos, menor pontuação desde 22 de abril de 2009, quando bateu 44.888 pontos. Foi a maior queda percentual desde 22 de setembro de 2011, que foi de 4,83%. O volume negociado foi de R$ 8,7 bilhões. Só duas ações terminaram o dia em alta: os papéis ON (ações ordinárias, com direito a voto) da B2W Digital, com ganho de 6,64% (a R$ 6,75), e os ON da Dasa, com valorização de 2,14% (R$ 11,95).
Mercados mundiais em queda

Para operadores, a queda de 2% da produção industrial, o dobro do esperado pelo mercado, detonou a saída de investidores estrangeiros pessimistas com o país. Não foram divulgados ainda dados de julho, mas só em junho a Bovespa registrou a saída de US$ 4,073 bilhões. É o maior saldo negativo de investidores estrangeiros desde setembro de 2012, quando saíram R$ 4,17 bilhões. No acumulado do ano, o saldo ainda é positivo em R$ 4,23 bilhões.
- O recuo da produção industrial deixou o mercado nervoso desde a abertura. À tarde, houve forte movimento de venda por parte dos estrangeiros. Muitas ordens de venda são de stop loss , ou seja, a ação é vendida quando se desvaloriza certo percentual ou valor para evitar que o investidor tenha mais prejuízo - diz Luiz Roberto Monteiro, operador da corretora Renascença.

Entre as ações mais negociadas do Ibovespa, Vale PNA caiu 4,32%, a R$ 26,12. Pesou sobre os papéis da mineradora a informação de que os estoques de minério de ferro nos 25 maiores portos da China subiram pela terceira semana seguida, reforçando a perspectiva de menor demanda da indústria por commodities. Petrobras PN recuou 4,76% (R$ 15,40), contaminada pelo tombo da OGX; Itaú Unibanco perdeu 4,31% (R$ 27,27) e Bradesco PN recuou 5,03% (R$ 27,35). 
- O movimento de ontem parece pessimismo com a economia desacelerando e o crescimento potencial diminuindo. O humor já estava ruim e a produção industrial completou o cenário. A situação de emergentes está ruim, mas o Brasil está pior - disse Thiago Montenegro, operador da gestora Quantitas.
 
O dia também foi de retração nos mercados americano e europeu. Nos EUA, as Bolsas se animaram, pela manhã, com as vendas de carros acima do esperado, o incremento nas encomendas à indústria pelo segundo mês consecutivo e a alta dos preços de imóveis. Mas, ao longo do dia, a expectativa pelos dados de emprego, a serem divulgados hoje e na sexta-feira, fizeram o movimento virar. O Dow Jones fechou com queda de 0,28%; o S&P, de 0,05%; e a Nasdaq, de 0,03%. Em Londres, a perda foi de 0,06%; em Paris, de 0,66%; e em Frankfurt, de 0,92%.

Dólar avança 0,85%
 
O dólar ganhou força frente ao real, seguindo o movimento externo. A moeda americana fechou em alta de 0,85%, negociada a R$ 2,248 na compra e a R$ 2,25 na venda, maior valor desde 20 de junho, quando o câmbio fechou em R$ 2,258. Na máxima do dia, o dólar atingiu R$ 2,255. A mínima foi de R$ 2,235. Não houve intervenção do Banco Central para frear a alta.
 
Autor(es): João Sorima Neto
O Globo - 03/07/2013 www.oglobo.com.br
(Colaborou Daniel Haidar)

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