quinta-feira, 1 de agosto de 2013



BC intervém para evitar dólar acima de R$ 2,30 

Banco Central intervém no mercado para evitar dólar acima de R$ 2,30

O Banco Central fez ontem três intervenções no mercado de câmbio para evitar que o dólar fechasse o dia acima de R$ 2,30. A moeda americana, que chegou a R$ 2,302, desacelerou após os leilões e fechou o dia em R$ 2,278, queda de 0,13%. Em julho, a alta acumulada foi de 2,11%. O dólar comercial lidera o ranking de investimentos do ano, com valorização de 11,39%. A Bolsa subiu 1,64% em julho, no primeiro mês de alta.

O Banco Central realizou ontem três intervenções no mercado de câmbio para evitar flue o dólar fechasse o dia acima de R$ 2,30. A ação da autoridade monetária ajudou a segurar temporariamente a cotação, que chegou a R$ 2,302 pela manhã, mas desacelerou após os leilões.

A tarde, a divulgação do comunicado do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) contribuiu para uma virada na cotação. A moeda americana fechou o dia vendida a R$ 2,278, queda de 0,13%. A divisa acumulou alta de 2,11% em julho e subiu 11,39% este ano. O dólar turismo fechou o dia vendido a R$ 2,387.

Os leilões do Banco Central foram realizados entre 10 horas e 12 horas, horário em que o volume de negócios é maior, por causa da definição da taxa média do dia, que influencia a maioria dos contratos negociados no mercado financeiro. No fechamento do mês, a disputa por essa taxa é ainda maior, por causa do vencimento de vários contratos entre bancos, exportadores e grandes investidores.

Primeiro, o Banco Central vendeu US$ 1,5 bilhão em contratos de swap cambial, uma operação que eqüivale à oferta de moeda estrangeira no mercado e vem sendo realizada com certa frequência nos últimos meses. Uma hora depois, o BC ofereceu mais US$ 1,5 bilhão, mas vendeu pouco mais da metade. No terceiro leilão, tentou vendera outra metade, mas não houve negócios. Mesmo com o dólar ainda em alta, o BC ficou fora do mercado pelo resto do dia.

Falta de dólares. "Isso mostra que o nosso problema é moeda", disse Sidney Nehme, eco. nomista da NGO Corretora. "Swap não paga a conta, não liquida dívida. O que o mercado precisa efetivamente é de dólar", defendeu o profissional "Não temos mais uma demanda só por proteção no mercado futuro, o que antes justificava as atuações por swap. Precisamos também de moeda no mercado à vista."

Profissional da mesa de câmbio de um grande banco disse que é difícil determinar se, no terceiro leilão do BC, não houve venda de contratos por falta de demanda ou em razão dos preços pedidos pelos participantes. "Pelo comportamento da moeda na hora em que saiu o terceiro (leilão), deve ter sido preço", disse.

Em 2013, o BC atuou apenas uma vez usando as reservas em dólar. E, mesmo assim, por meio de empréstimo de recursos, e não de venda.

No início da tarde, mesmo após os leilões feitos pelo BC, a moeda já estava novamente próxima dos R$ 2,30, patamar que não era alcançado durante o dia desde 1° de abril de 2009.

Pouco depois, foi divulgada a decisão de política monetária nos Estados Unidos. O BC americano manteve os juros entre zero e 0,25%. Também não mudou a política de compra de títulos. Em trechos novos no documento, o Fed sinalizou, ainda, ver riscos de a inflação ficar baixa, e não alta, por isso reduziram-se as apostas de uma elevação dos juros (leia mais à página B7). Com isso, as Bolsas de Valores passaram a subir e o dólar perdeu valor em relação a várias moedas, incluindo o real.

Preocupação. Apesar da ligeira queda de ontem, as preocupações com o patamar do dólar permanecem. Os analistas são unânimes em afirmar que a tendência para a moeda americana é de alta.

E o Banco Central, ainda segundo os analistas, se encontra numa situação delicada, porque não tem espaço, considerando a inflação corrente, para deixar o dóíar subir muito mais. Além disso, os leilões de swap podem não ser eficazes para segurar a moeda.

Autor(es): Eduardo Cucolo / Fabrício de Castro
O Estado de S. Paulo - 01/08/2013

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