quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Com inflação alta, varejo cresce só 0,5%, pior junho desde 2003


Após estabilidade em maio, as vendas do varejo cresceram 0,5% em junho, puxadas por combustíveis e lubrificantes. O índice ficou abaixo do esperado e foi o pior para junho desde 2003, quando houve queda de 5,6%. Pela primeira vez no ano, a alta do dólar surgiu como obstáculo, com impacto em aparelhos de informática e comunicação. O segmento registrou queda de 0,5% na comparação com o mês anterior, apesar da alta de 7,8% sobre junho de 2012, apontou a Pesquisa Mensal de Comércio, divulgada ontem pelo IBGE.

No acumulado do semestre, o varejo cresceu 3%, pior taxa desde 2005, quando houve recuo de 1,9%. Já na comparação com junho de 2012, houve aumento de 1,7%, puxado pelas vendas de combustíveis e lubrificantes. Artigos de uso pessoal e domésticos (7,8%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (6,6%) foram as outras contribuições positivas.

As vendas do segmento de hipermercados foram mais uma vez afetadas pela inflação. O consumo caiu 0,4% em junho contra maio e 0,8% na comparação com igual período do ano passado.

- Os alimentos subiram mais que 10% em 2012, mas só a partir de 2013 as famílias incorporaram a alta. Antes elas consumiam, apesar dos preços. Agora, os itens mais caros foram substituídos. Houve acomodação do consumo - disse Aleciana Gusmão, coordenadora de serviços e comércio do IBGE

Impacto das manifestações

A expectativa é que as vendas cresçam no segundo semestre porque a inflação recuou em junho (de 0,37% para 0,26%) e manteve a trajetória de queda em julho, quando o IPCA recuou para 0,03%, menor índice desde julho de 2010. A alimentação em domicílio teve deflação no mês (-0,36%).

- Vai demorar um pouco mais para o efeito dos preços dos alimentos dissiparem. A perspectiva para alguns setores não é boa. Os consumidores já começaram a devolver veículo em razão da inadimplência, que também vai ser a culpada pela queda na sustentação do consumo de bens duráveis - analisa José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator.

O comércio varejista ampliado, que inclui os setores de veículos, motos, partes e peças e de material de construção, registrou alta de 1% sobre maio, com ajuste sazonal. Comparado com o mesmo mês do ano anterior (sem ajuste sazonal), o volume de vendas caiu 2%. No setor de veículos, motos, partes e peças, houve alta de 0,9% em relação a maio, mas, comparando com junho do ano passado, a queda bateu 9,3%. Segundo Aleciana Gusmão, o mês de junho de 2012 contou com um boom de vendas (20,7%), proporcionado pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

As manifestações populares, que levaram ao fechamento do comércio em algumas capitais durante por vários dias, também influenciaram no resultado do varejo, segundo analistas.
- As perturbações sociais claramente afetam a dinâmica do varejo - afirma Daniel Cunha, analista da XP Investimentos.

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