quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Estímulos foram resposta pouco usual à crise de 2008
 BCs e governos do mundo inteiro inovaram para evitar depressão
A esperada retirada de estímulos do Fed — que, para a surpresa dos analistas, deve ficar para- dezembro —- marcará o fim, nos EUA, de uma era de políticas extraordinárias, adotadas por BCs e governos de países ricos e emergentes desde 2008, quando a quebra do banco Lehman Brothers detonou uma crise financeira sem precedentes. Para evitar uma depressão na economia, foi preciso reinventar manuais de políticas econômicas.
— Fora do manual mesmo foi a magnitude do choque (de 2008). O mix de políticas teve que acompanhar — diz Gian-Maria Ferretti, chefe da missão do FMI para avaliação dos EUA.
Monica Baumgarten de Bolle, sócia-diretora da MBB/Galanto Consultoria, lembra que o Fed foi o primeiro a agir de forma pouco usual. Em 2008, interveio no mercado de notas promissórias, no primeiro "afrouxamento mo­netário" de mais de US$ 1 trilhão. Dois anos depois, passou a comprar títulos diretamente do Tesouro americano, em US$ 600 bilhões. A terceira leva de intervenções começou em 2012.
O juro chegou a zero e a economia não reagiu. Por isso, foi preciso que os bancos centrais recorressem a esses expedientes não convencionais — diz José Júlio Senna, ex-diretor do Banco Central e chefe do Centro de Estudos Monetários do Ibre/FGV.
Senna alerta que, por serem políticas novas, o processo de retirada dos estímulos do Fed pode criar riscos, principalmente para as economias emergentes.
Monica lembra que o banco central do Reino Unido também fez compras maciças de títulos. E o Banco Central Europeu socorreu os países da zona do euro sob risco de insolvência. Foram € 209 bilhões na primeira rodada, em 2010. No ano passado, o programa foi renovado.

O Globo - 19/09/2013
Luciana Rodrigues, Lucianne Carneiro e Flávia Barbosa


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