quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Eike Batista vai do topo ao chão em menos de uma década

O anúncio do pedido de recuperação judicial da petroleira OGX não marca apenas um ruidoso tombo corporativo. A notícia é o episódio mais marcante da dramática queda do empresário Eike Batista, empresário brasileiro de renome internacional que já foi o bilionário número um do país. No auge de seu sucesso, chegou a declarar que estava a caminho de se tornar o homem mais rico do mundo.

Aos 56 anos, Eike viu sua fortuna pessoal reduzida em mais de US$ 30 bilhões nos últimos 18 meses, com investidores punindo as ações das empresas de seu grupo EBX listadas na Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa). O valor de mercado da OGX, por exemplo, despencou em quase US$ 45 bilhões desde o pico, atingido em 15 de outubro de 2010, quando chegou a R$ 75,2 bilhões. No fechamento de ontem, estava em R$ 744 milhões, o que representa uma perda de R$ 74 bilhões em três anos e quatro meses, ou uma queda de 99%.

Criada em 2007, a OGX estreou na Bolsa em junho de 2008 com grande estardalhaço. Foi a maior abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) da história do Brasil. Naquele dia de estreia na BM&FBovespa obteve R$ 6,6 bilhões com a abertura de capital. Seus papéis subiram 18% no primeiro dia de negócios. A companhia encerrou aquele pregão histórico com um valor de mercado de R$ 36,5 bilhões. Isso sem ter produzido um só barril de petróleo. Sua operação rendeu um prejuízo acumulado, em seis anos e meio, de R$ 6,9 bilhões.

Para se ter uma ideia da catástrofe corporativa, basta lembrar que a petroleira de Eike já foi avaliada pelo mercado como a 10ª maior empresa de capital aberto da América Latina e 8ª do Brasil, segundo dados da consultoria Economática.

Reação

A notícia ontem de pedido de recuperação judicial repercutiu na imprensa de todo o mundo. Arthur Byrnes , diretor do fundo Deltec Asset Management de Nova York, resumiu em entrevista ao jornal britânico Financial Times que o tombo de Eike era “uma história triste”. “Ele era o tipo de pessoa que podia fazer coisas boas para o Brasil em termos de infraestrutura e concorrência no setor privado. Em vez disso, tudo explodiu”, concluiu o executivo.


“Foi uma queda impressionante para Batista, que já foi um símbolo da rápida ascensão do Brasil como uma potência econômica mundial”, divulgou o site do jornal New York Times.

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