segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A nova SELIC e a proposta para 2014

Qual será a Selic a vigorar a partir de 16 de janeiro? É isso o que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central irá decidir depois de amanhã
De cada dez analistas, onze apostam tudo o que têm na certeza de que, na quarta-feira, o Copom irá elevar a Selic de 9,5% para 10%. Trata-se de fato consumado que, contudo, renderá manchetes alardeando o fim do tabu político do juro básico de dois dígitos. Não é isso o que o mercado quer saber. O consenso termina no início da noite do dia 27, encerrada a última reunião do ano do Copom. Há muita divergência entre os analistas sobre o que o Comitê irá fazer no ano que vem. E principalmente sobre a decisão que tomará no dia 15 de janeiro, data do primeiro encontro de 2014, ano de Copa do Mundo e de radicalização política.
Como o Copom poderá indicar já agora a taxa de 16 de janeiro? Não será nada complicado. O BC vem sinalizando com muita eficiência o rumo certeiro da política monetária - de forma tão eficaz que praticamente a cada Copom toma duas decisões, não uma - por meio do comunicado expedido ao término dos encontros. Nas últimas quatro reuniões, a nota não se alterou, indicando a intenção, sempre cumprida, de persistir elevando a Selic ao ritmo de 0,50 ponto por reunião.
O texto é o seguinte: "Dando prosseguimento ao ajuste da taxa básica de juros, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic, sem viés. O Comitê avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano". Se, na quarta-feira, ele mantiver intocada a nota o mercado entenderá que no dia 15 de janeiro a taxa básica subirá para 10,5%.
Mas o mercado está bem dividido sobre a manutenção ou a mudança do comunicado. Há três correntes. A menos numerosa sustenta que o BC irá encerrar o ciclo de alta da taxa, iniciado em abril quando estava em 7,25%, justamente depois de amanhã, quando a Selic chegar a 10%. Para sinalizar o fim do movimento ascendente, o Copom terá de promover uma diminuta revisão do comunicado. Bastará substituir o "dando prosseguimento" por "dando por encerrado" e acrescentar depois que o efeito cumulativo do ciclo de aperto de 2,75 pontos irá "colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano".
A segunda ala de analistas é bem mais encorpada que a primeira. Ela alinha-se à projeção do Boletim Focus segundo a qual o Copom irá, no dia 15, finalizar o ciclo com uma alta de 0,25 ponto. Mudará o ritmo de avanço justamente para indicar o fim da escalada. Mas isso irá exigir alterações mais profundas no comunicado. A terceira corrente, a que congrega o maior número de economistas de instituições, está dispersa entre prognósticos que vão de 10,5% a até 12%.
Há um certo consenso, provisório, de que o Copom tenderá a ser mais comedido no ano que vem. Ele precisa dar um tempo no ciclo de alta para avaliar com mais precisão o impacto das altas já realizadas sobre a inflação. Como uma decisão de política monetária tem um retardo estimado entre seis a nove meses, toda a potência do juro de 10% estará agindo apenas no terceiro trimestre de 2014, às vésperas da eleição. Se o BC comprar o cenário do Boletim Focus (a mediana de cem instituições do mercado) é bem possível mesmo que ponha fim ao ciclo de alta quando a Selic chegar a 10,25%. Pelo Focus, taxa nesse nível, desde que o câmbio não vá além de R$ 2,40, conseguirá produzir um IPCA de 5,91%. Trata-se de uma taxa que está abaixo da meta de inflação de 6,5% da presidente Dilma Rousseff.
Há um bom argumento para o BC moderar o peso de sua mão direita, a hawkish. Os analistas estão pessimistas acerca do ritmo de expansão da economia no ano que vem. O crédito está em desaceleração, as desonerações tributárias já se esgotam, o mercado de trabalho envia sinais de arrefecimento e os investimentos podem ser freados até se ter certeza de quem assumirá o governo em 2015 e qual será a sua política econômica. Nesse ambiente, o Copom não pode errar na dose.
O que o BC pode fazer, ele está fazendo, mas o grande problema é que não controla plenamente a variável-chave de tudo isso: a taxa de câmbio. Esta será definida de fora, a partir das decisões do Federal Reserve (Fed) e da reação a elas dos mercados globais. O programa de intervenções cambiais apenas consegue atenuar o viés principal desde que as expectativas racionais não cedam lugar ao tropel ensandecido da manada em fuga.

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