quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Banco Central: Juros mais altos contra inflação resistente.

Diretor indica que o aperto monetário vai continuar e pode se estender até o início
de 2014, mesmo com campanha à reeleição da presidente Dilma correndo a todo vapor
Diante da desconfiança generalizada em relação ao governo, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, partiu ontem para o ataque a fim de manter o que ainda resta de credibilidade na instituição. Sem rodeios, assumiu que, apesar dos festejos do governo com os números melhores do Índice Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ente junho e setembro, a inflação continua alta e resistente. Com isso, reforçou o aviso de que o Comitê de Política Monetária (Copom) manterá firme o aumento da taxa básica de juros (Selic). A expectativa é de que a elevação seja de 0,5 ponto percentual, de 9,50% para 10% ao ano.
Hoje, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará o resultado do IPCA de outubro. Na média, o mercado aposta em um índice de 0,57%, com viés de alta, devido aos reajustes mais fortes dos alimentos e aos repasses do dólar para os preços ao consumidor. São fortes as apostas de que, depois de três meses em baixa, a inflação acumulada em 12 meses pode apontar para cima. Não à toa, os juros futuros estão em disparada. Os investidores acreditam que o BC manterá o aperto monetário no início de 2014, a despeito do início da campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff. “O BC já queimou credibilidade demais para insistir em submeter a política monetária aos interesses do Palácio do Planalto”, afirmou um respeitado analista com trânsito no governo.
Leniência
Segundo Hamilton, a missão do BC é assegurar o poder de compra da moeda. No entender dele, a inflação alta prejudica, sobretudo, os mais pobres e mina o crescimento econômico. Para comprovar isso, assinalou que o avanço do Produto Interno Bruto (PIB) foi menor nos anos em que os preços dispararam, afetando, inclusive, o mercado de trabalho. Ele destacou ainda que a arrancada do dólar e os choques dos alimentos registrados até o segundo semestre deste ano ajudam a explicar o porquê de o IPCA dos 12 meses encerrados em setembro (5,86%) ter ficado acima do computado no mesmo período de 2012 (5,28%).
“Além da dinâmica da demanda e da oferta, tivemos a desvalorização do real que, em alguma
Ministro da Fazenda Guido Mantega
medida, se manifestou na dinâmica dos índices de preços no atacado e no varejo”
, disse o diretor do BC. “Também houve choque de alimentos no segundo semestre de 2012 e nos primeiros seis meses de 2013”, acrescentou. Na tentativa de manter o otimismo — pelo menos, publicamente —, ele afirmou acreditar que a inflação deste ano poderá ficar abaixo dos 5,84% registrados em 2012. Essa é uma promessa do presidente do BC, Alexandre Tombini. Por isso, a resistência de integrantes do governo na liberação do reajuste da gasolina e do diesel pleiteado pela Petrobras.
A posição mais firme contra a inflação não se repetiu, contudo, em relação às contas públicas, que estão em forte processo de deterioração. Hamilton voltou a dizer, para espanto dos especialistas, que a política fiscal do governo converge para uma zona de neutralidade, ou seja, não afeta a inflação, a despeito de toda a gastança. “De acordo a nossa medida (superavit estrutural), temos a visão de que a política fiscal para se deslocar para a neutralidade dentro do horizonte relevante da política monetária, que vai até 2015”, destacou. Em setembro, o setor público consolidado registrou rombo de R$ 9 bilhões. Em 12 meses, até setembro, a economia para o pagamento dos juros da dívida ficou em apenas 1,58% do PIB, longe dos 2,3% que nem mais o ministro da Fazenda, Guido Mantega, promete cumprir.


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