quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Após duas altas seguidas, dólar cai nesta quarta feira


Leilão de títulos bem-sucedido na Itália melhorou sentimento do investidor.
Na véspera, moeda fechou em alta de 0,44%, a R$ 1,986 na venda. 

O dólar interrompia uma sequência de dois dias seguidos de altas e registrava queda nos primeiros negócios desta quarta-feira (27), depois que um leilão de títulos bem-sucedido na Itália ajudou a melhorar o sentimento do investidor no exterior.

Às 9h20, a moeda norte-americana caía 0,38%, para R$ 1,9785 na venda.

O dólar comercial fechou alta em relação ao real nesta terça-feira (26), após um resultado inconclusivo nas eleições italianas impulsionarem os investidores a buscar segurança na moeda dos Estados Unidos, considerada um ativo de risco menor.

O dólar fechou em alta de 0,44%, a R$ 1,986 na venda.

A tensões sobre o futuro político da Itália e seus possíveis desdobramentos sobre a zona do euro pesam sobre o sentimento do investidor.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013


Inflação tem forte recuo nos indicadores semanais

Dois índices que acompanham semanalmente a evolução dos preços - o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação instituto de Pesquisas Econômicas (IPC/Fipe) e o Índice de Preços ao Consumidor-Semanal da Fundação Getulio Vargas (IPC-S/FGV) - mostraram expressiva desaceleração na passagem da segunda para a terceira semana de fevereiro. No índice da Fipe, a alta passou de 0,83% para 0,52%, enquanto no dado coletado pela FGV a variação passou de 0,55% para 0,26%. No caso da FGV, em três semanas o indicador de inflação passou de 1,01% para 0,26%.

O dado da terceira semana surpreendeu os economistas da Fipe, que reduziram a projeção esperada para fevereiro de 0,45% para 0,37%. Na FGV, a expectativa é de uma leve alta no índice da quarta semana por uma maior influência dos preços dos combustíveis. Por enquanto, as projeções dos economistas para a variação do IPCA, considerado o índice oficial de inflação, é de uma alta entre 0,4% e 0,45% em fevereiro. Na prévia do índice, referente ao dia 15 de fevereiro, a alta ficou em 0,68%.

Na Fipe, os preços dos alimentos continuaram desacelerando na terceira semana de fevereiro e foram a principal surpresa do IPC. Esse grupo de despesas subiu 0,54%, ante 1,04% na quadrissemana anterior e 2,10% na mesma medição de janeiro, levando o índice a subir 0,52% ante 0,83% na segunda semana. Foram os alimentos que fizeram a instituição revisar a estimativa de inflação para fevereiro.

De acordo com o coordenador do IPC-Fipe, Rafael Costa Lima, a maior influência para a desaceleração dos alimentos veio de produtos in natura. "Foi um arrefecimento maior do que esperávamos. Os in natura subiram muito em janeiro. Não estão em queda, mas já perderam força", destacou. Os itens in natura registraram inflação de 8,25% no fim de janeiro e passaram a subir 2,37% na terceira quadrissemana de fevereiro.

Lima afirmou que em conjunto com a surpresa favorável dos produtos alimentícios, o IPC Fipe também recuou por efeitos que já eram previstos, como o fim do impacto do aumento dos cigarros e dos reajustes de mensalidades escolares. Também contribuiu a retração de 2,53% registrada nas tarifas de energia elétrica, que começou a ser captada pelo índice. De acordo com Lima, a tendência é que o efeito deflacionário de energia continue nas próximas medições, uma vez que, pela metodologia da Fipe, a tarifa só causa impacto no indicador quando o consumidor paga a conta efetivamente.

O economista André Braz, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV, afirmou que o efeito da queda dos preços da energia elétrica sobre os condomínios foi o principal responsável para aprofundar a desaceleração do IPC-S na quadrissemana encerrada em 22 de fevereiro. Energia elétrica e condomínio contribuíram para que o item habitação passasse de uma deflação de 1,25% na segunda quadrissemana de fevereiro para uma queda de 1,87% na quadrissemana encerrada no dia 22.

A energia elétrica caiu 17,24% - ante 13,39% na quadrissemana encerrada dia 15 -, enquanto o condomínio recuou 3,94%. Segundo Braz, sem a influência desses dois itens, o IPC-S teria subido 0,88%. Para o próximo resultado, que será fechado dia 28, o economista prevê leve aceleração do índice por causa do reajuste da gasolina, ocorrido no fim de janeiro.

Autor(es): Por Gabriel Caprioli e Luciana Bruno | De São Paulo e do Rio
Valor Econômico - 26/02/2013 www.valor.com.br

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

A largada do IR

Chegou a hora de enfrentar o leão



A entrega das declarações começa na sexta-feira 01 de março e vai até 30 de abril

Softwares para a declaração do Imposto de Renda 2013 estão disponíveis a partir de hoje no site da Receita Federal. Entrega começa na sexta e vai até 30 de abril

A Receita Federal disponibiliza aos contribuintes, a partir de hoje, os softwares que serão usados para a declaração do Imposto de Renda 2013. Os brasileiros que se encaixam na faixa de rendimentos estipulada pelo Fisco para declarar o IR podem fazer o download do formulário para pessoa física por meio do portal da Receita (www.receita.fazenda.gov.br). O período para enviar o documento é entre 1º de março e 30 de abril. Quem perder esse prazo terá que pagar multa mínima de R$ 165,74 e adicional de 1% ao mês, limitado a 20% do total de imposto devido.

Neste ano, 26 milhões de brasileiros —1 milhão a mais do que no ano passado — devem declarar o IR. São obrigados a entregar a declaração aqueles que tiverem rendimentos tributáveis acima de R$ 24.556,65 durante 2012, o equivalente a R$ 2.046,38 por mês. Também devem entregar parte dos ganhos ao Leão os contribuintes com rendimento acima de R$ 122.783,25 proveniente de atividade rural, quem teve bens declarados acima de R$ 300 mil e as pessoas com rendimentos isentos — aplicações na poupança, 13º salário e prêmio de loteria — acima de R$ 40 mil.

O diretor executivo da Confirp Contabilidade, Richard Domingos, afirma que, apesar do prazo de mais de dois meses para enviar a declaração, é importante se adiantar. “O contribuinte que declarar primeiro terá prioridade na restituição. Deve receber ainda nos primeiros lotes”, afirma. Para aqueles que têm imposto a pagar, Domingos também recomenda que a entrega não seja deixada para a última hora. “A pessoa vai ter a comodidade de quitar as oito parcelas por débito em conta. Caso o formulário seja entregue em abril a primeira parcela terá que ser paga diretamente no banco”, completa.

Amerson Magalhães, diretor do Easynvest, da Título Corretora, enfatiza que deixar o preenchimento para a última hora pode resultar em dores de cabeça. “Sempre podem existir dúvidas ou o contribuinte pode perceber que não tem as informações necessárias. Então, quanto antes a pessoa começar a preparar a declaração, mais tempo vai ter para resolver esses questionamentos e correr atrás de um eventual documento que não tenha em mãos”, diz.

Com o aumento do número de contribuintes, a Receita tem investido na melhora e simplificação dos softwares. Neste ano, por exemplo, será possível importar, mediante a apresentação do código referente à prestação de contas preenchida em 2012, informações de pagamentos e deduções das declarações passadas.

Também houve mudanças nas deduções por dependentes e nos gastos com a educação. O abatimento para filhos, enteados e cônjuge, no IR 2013 poderá ser de até R$ 1.974,72. Já as despesas escolares poderão abater do imposto devido até R$ 3.091,35 por dependente ou pelo contribuinte declarante. No caso das despesas médicas, não há valor máximo para abatimento.

A proximidade do período de declaração do imposto de renda já deixa os contribuintes em alerta. É época de reunir toda a documentação referente às despesas e receitas de 2012 e ter atenção redobrada no preenchimento do formulário, sob o risco de cair na malha fina. Apesar do prazo de mais de dois meses para a entrega da declaração, no entanto, muitos dos contribuintes deixam para a última hora e acabam sem tempo e cheios de dúvidas. É o caso da secretária Nádia Figueiredo, 31 anos, e da auditora Morgana Franco, 25. “A gente fica adiando, enrolando, e quando vê já está no limite do prazo de entrega”, afirma Morgana. Segundo Nádia, parte da culpa pelo adiamento vem da dificuldade em preencher o questionário, que ela considera confuso. “As questões não são claras, principalmente na parte de imóveis. Eu sempre coloco o que eu acho que é”, diz.

Amerson Magalhães, diretor do Easynvest, da Título Corretora, enfatiza que deixar o preenchimento para a última hora pode resultar em dores de cabeça. “Sempre podem existir dúvidas ou o contribuinte pode perceber que não tem todas as informações. Então, quanto antes a pessoa começar a preparar a declaração, mais tempo vai ter para resolver esses questionamentos e correr atrás de um eventual documento que não tenha em mãos”, diz.
O assistente financeiro Mutahi Matos, 34, já aprendeu que não pode deixar para declarar os bens em cima da hora. “Sempre surge uma dúvida e a gente tem que correr atrás da resposta”, afirma. Para ele, a principal dificuldade está nos documentos necessários e na interpretação dos informes de rendimentos enviados por empresas. “Nunca sei quais são exatamente os bens que tenho que declarar”, reclama.

"O contribuinte que declarar primeiro terá prioridade na restituição. Deve receber ainda nos primeiros lotes" Richard Domingos, diretor executivo da Confirp Contabilidade
26 milhões

Brasileiros que devem apresentar  à Receita informações sobre seus rendimentos

Correio Braziliense - 25/02/2013

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Banco Central reduz redescontos bancários

BC reduz os os juros no "cheque especial" usado pelos bancos



Para economistas, objetivo é diminuir custo de instituições e clientes

Banco Central (BC) reduziu os juros para linhas de liquidez ou redesconto usadas pelas instituições financeiras para fechar diariamente suas contas, uma espécie de "cheque especial dos bancos". Nas operações mais rotineiras, de um dia, por exemplo, o custo cairá de taxa básica (Selic) mais 6% para Selic mais 1%. Segundo o BC, foi feito um ajuste técnico porque o país vive um novo patamar de juros e o que era cobrado dos bancos estava defasado. Já os economistas falam que é um jeito de estimular o crédito no cenário de baixo crescimento sem ter de alterar a política monetária.

- O BC já mostrou diversas vezes que tem o foco na atividade econômica - disse o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini. - Ao reduzir os custos dos bancos, sinaliza que a inflação ainda não preocupa a ponto de sacrificar a atividade.

Segundo comunicado divulgado pelo BC, as instituições que precisarem ficar no cheque especial mais tempo também serão menos oneradas. As taxas das transações de até 15 dias úteis passou de Selic mais 4% ao ano para Selic mais 2%. As novas regras entrarão em vigor na segunda-feira.

Os bancos que tiverem dificuldade para recolher os depósitos compulsórios (parte do dinheiro dos clientes recolhida pelo BC) também terão custo mais baixo por estarem desenquadrados. O custo caiu de Selic mais 14% ao ano para Selic mais 4%. O propósito do BC, segundo sua assessoria, é adequar a cobrança à realidade atual. Quando a regra foi criada, em 2002, a Selic era de 18,5% ao ano. Hoje, é de 7,25% ao ano. A medida faz parte do programa OtimizaBC que pretende reduzir custos para as instituições financeiras e os consumidores.

O BC fez ainda ajuste na conta dos depósitos compulsórios para unificar várias circulares sobre o tema. Como existiam muitas regras, havia casos em que os bancos teriam de começar a recolher compulsórios antes de o prazo para o cálculo ter terminado. Não há data certa para a entrada da nova norma em vigor. O BC apenas informou que será em meados de abril.

Prevenção contra problemas

Segundo Eduardo Velho, economista-chefe da Planner, a redução das taxas busca prevenir novos problemas com bancos de pequeno e médio portes, após os casos de Cruzeiro do Sul, Prosper e BVA. Ele acrescenta que a redução sinaliza que o BC segue monitorando de perto os balanços dos bancos, num momento de inadimplência em patamar elevado.

- Não é que exista um descontrole, mas seria um sinal ruim ver outras instituições com problema num momento que o governo quer estimular o crédito - diz Velho, para quem a decisão também ajuda a equalizar a taxa de redesconto após a queda da Selic.

Para Ricardo Corrêa, da Ativa Corretora, a regra ajuda bancos que passam "por período de estresse", com dificuldades:

- Os bancos passam o dia tomando dinheiro emprestado e emprestando dinheiro. No fim do dia, pegam seus balanços e emprestam entre eles. Quando não conseguem resolver nessas operações, precisam recorrer ao BC, que tem taxas punitivas.

Autor(es): Gabriela Valente
O Globo - 22/02/2013 www.oglobo.com.br

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Inadimplência das famílias crescem
Número de famílias que disseram ter dívidas passou de 60,2% para 61,5%
Percentual de famílias com dívidas em atraso também aumentou.
O percentual de famílias que disseram ter dívidas entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro aumentou, passando de 60,2%, em janeiro, para 61,5% em fevereiro, segundo aponta a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Em fevereiro de 2012, 57,4% haviam declarado ter dívidas.

O percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso também registrou alta em fevereiro. O percentual de famílias inadimplentes chegou a 22,1% em fevereiro de 2013, ante 21,2% em janeiro de 2013 e 20,5% em fevereiro de 2012.

Também avançou o percentual de famílias que afirmaram não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso entre janeiro e fevereiro, passando de 6,6% para 7,0%. No entanto, na comparação anual, recuou. Em fevereiro de 2012, 7,3% haviam declarado que continuariam inadimplentes.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Novo modelo macroeconômico


Prof. José Luís Oreiro
Professor do departamento de economia da Universidade de Brasília e vice-presidente da Associação Keynesiana Brasileira (joreiro@unb.br) O debate sobre a permanência ou não do tripé macroeconômico herdado do segundo mandato de FHC é irrelevante, pois os objetivos para os quais foi desenhado — estabilização e redução da taxa de inflação e da relação dívida pública/PIB — foram obtidos e consolidados nos últimos 10 anos. O desafio agora consiste em desenhar novo modelo capaz de assegurar taxa de crescimento robusta e sustentável do PIB e o crescimento dos salários reais a nível aproximadamente igual ao da produtividade do trabalho.

O tripé, vivo ou morto, não foi desenhado para esse fim. O governo da presidente Dilma Rouseff ainda não apresentou nenhuma proposta consistente para novo modelo. A política econômica do governo parece ser conduzida de forma amadora e casuística, com medidas sendo implementadas ao sabor dos acontecimentos, sem estarem inseridas no bojo de um regime macroeconômico claro e consistente.

Um modelo macroeconômico consistente precisa assegurar a obtenção simultânea dos seguintes objetivos: crescimento robusto do PIB, taxa real de câmbio competitiva, taxa de inflação baixa e estável, equilíbrio das finanças públicas e crescimento dos salários reais em linha com a produtividade do trabalho. Para obter esses objetivos, propomos a adoção de quadripé macroeconômico composto pelas políticas fiscal, monetária, cambial e salarial.

A política fiscal deve ser pautada não mais pela meta de superavit primário, mas pela meta de superavit em conta-corrente do governo. O saldo em conta-corrente do governo é definido como a diferença entre a arrecadação e os gastos correntes, o que inclui o pagamento de juros sobre a dívida pública, mas exclui os gastos com investimento. Grosso modo é o equivalente a poupança do governo. No Brasil atual o saldo em conta-corrente é negativo em torno de 1,5% do PIB (resultado de um superavit primário de 2% do PIB, investimento de 2% do PIB e juros iguais a 5,5% do PIB).

Isso significa que a poupança é negativa em 1,5% do PIB, o que explica, em parte, o nível baixo do investimento público. Para acelerar a taxa de crescimento, é fundamental que o governo aumente os investimentos públicos na área de infraestrutura, o que demanda aumento considerável da poupança pública. Dessa forma, sugerimos a adoção de metas crescentes de superavit em conta-corrente do governo. A título de exemplo, o governo poderia adotar uma meta de 0,5% do PIB em 2014 e aumentá-la gradualmente em 0,5% do PIB até alcançar 5% do PIB em 2023.

Deve-se ressaltar que esse processo de aumento progressivo não implica necessariamente contração fiscal caso venha acompanhado de aumento proporcional do investimento público. Nesse caso, o governo estará mudando apenas a composição do gasto público (menos consumo e mais investimento), não a sua magnitude.

Na política monetária, deve-se abandonar de vez o regime de metas de inflação e substituí-lo por regime de mandato duplo a exemplo do FED nos Estados Unidos. Nesse caso, a política monetária terá como objetivo a obtenção de taxa robusta de crescimento do PIB e taxa de inflação baixa e estável (em torno de 4% ao ano). Para evitar influência do ciclo político-eleitoral, a mudança do regime monetário deve ser acompanhada pela concessão formal (ou seja, em lei) de autonomia operacional para o Banco Central.

A política cambial, conduzida pelo Banco Central, deverá manter a taxa real de câmbio a nível competitivo a médio e longo prazo. Para tanto, o Banco Central terá total autonomia para introduzir ou remover controles à entrada e saída de capitais do país. Os controles de capitais, somados às operações de compra e venda esterelizadas de reservas internacionais, permitirão que a autoridade monetária controle juros e câmbio simultaneamente, contornando os problemas citados no teorema da impossibilidade de Mundell.

Por fim, a política salarial tem de ter como meta a fixação da taxa de crescimento dos salários nominais a taxa igual à meta de inflação (definida pelo CMN) e ao ritmo de crescimento da produtividade do trabalho. Dessa forma, a política salarial será importante reforço no controle da taxa de inflação e na obtenção de taxa de câmbio competitiva a médio e longo prazo.

Autor(es): José Luís Oreiro
Correio Braziliense - 19/02/2013