quinta-feira, 28 de março de 2013

Antes usado para definir a altura, números dos ovos de Páscoa perde função e confunde consumidor


Os ovos de números iguais podem ter pesos e apresentações diferentes.
Tradição entre fabricantes pode confundir a escolha do consumidor

Se na década de 1990, o número impresso nas embalagens dos ovos de Páscoa era uma espécie de padronização de altura, hoje não passa de uma tradição que alguns fabricantes mantêm – mas que pode confundir os consumidores.
Com o passar dos anos e com a diversificação da produção das indústrias, os números perderam a utilidade. Hoje, as apresentações e os pesos de um ovo com mesmo número podem variar muito entre si: seja porque um tem mais recheio na casca ou porque outro vem com brinde dentro.

“Isso [uso de números] vem de muito tempo. Antigamente, as empresas usavam os números para mostrar a altura dos moldes. Nunca teve relação com o peso. As fábricas usam até hoje mais por costume, não é nenhuma exigência do Inmetro, por exemplo”, disse o vice-presidente do setor de chocolates da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), Ubiracy Fonseca.



Por isso, a orientação dos órgãos de defesa do consumidor é que o número do ovo jamais seja considerado, mas sim o peso, que obrigatoriamente deve estar estampado no produto. “Os números não informam absolutamente nada, e o consumidor acaba sendo induzido ao erro ao achar que está levando mais chocolate ao olhar para o número do ovo. Fizemos uma pesquisa  há uns três anos entre consumidores, nessa época de Páscoa. A conclusão foi de que muitos ainda consideram o número do ovo na hora de comprar”, disse Karina Alfano, gerente do Instituto de relacionamento do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

Se quiser tirar a prova, basta que o consumidor vá até um supermercado e compare as opções de ovos à venda. Foi feita uma comparação de tamanho e o peso de quatro ovos de Páscoa de marcas e fabricantes distintos, mas do mesmo número: 15. A diferença de peso chega a 41%. Enquanto um ovo Serenata de Amor, da Garoto, pesa 240 gramas, um Hot Wheels, da Lacta, com um carrinho de brinde, tem 170 gramas.

Ovos mais caros
“Antes de comprar, além de descartar essa informação sobre os números, o consumidor deve ficar atento aos preços, que costumam ter uma variação muito grande dentro da mesma cidade”, alertou a gerente do Idec.

O ovo de Páscoa está pelo menos 6,42% mais caro este ano, na comparação com a celebração do ano passado, de acordo com pesquisa divulgada pela Fundação Getulio Vargas (FGV. A alta supera a inflação acumulada pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC/FGV) entre março de 2012 e fevereiro de 2013, que foi de 6,04%.

terça-feira, 26 de março de 2013

Cesta básica: produtos em alta após a desoneração


A desoneração de produtos da cesta básica ainda não gerou a redução de preços esperada para o consumidor. Alguns itens até dobraram de preço. A maioria dos 14 produtos monitorados, em quatro supermercados no Rio e em três São Paulo, ainda não ficaram mais baratos. Apenas seis produtos ficaram os preços menores na capital fluminense e cinco na paulista. E, contrariando as expectativas, sete produtos ficaram mais caros nos supermercados paulistanos: os preços chegaram a dobrar esta semana.

No Rio, a maioria dos preços permaneceu estável. A exceção foi em um Mundial da Tijuca, onde café, arroz, feijão carioquinha, óleo de soja e farinha de mandioca ficaram até 6,92% mais baratos. Com exceção das promoções, a maior queda foi registrada no Prezunic do Catumbi, onde o preço do açúcar caiu 7,75%. Em um Guanabara de Vila Isabel, nenhum preço foi alterado entre segunda e nesta quarta-feira.

Os aumentos em São Paulo variaram de 1,45% a 100%, caso da pasta de dente em uma loja do Extra no Centro. Já as reduções, mais tímidas, ficaram entre 1,38% 4,18% na comparação com os valores do primeiro dia da semana. Na terça-feira, havia constatado diminuição média de 2% no preço de quatro produtos sobre os valores de segunda-feira e aumento médio de 44% em dois itens no mesmo período.

— Estamos pleiteando há algum tempo dois tipos de desoneração: a de tributos e a de operação. Tivemos parte do nosso pleito atendido com a desoneração da cesta básica. A partir de agora, os repasses dos produtos ao consumidor serão de 100% com base nos repasses da indústria — garantiu o presidente da Associação Paulista de Supermercados, João Galassi.

Mudança total só em abril

Os preços mais altos foram registrados em uma loja do Extra, no Centro paulistano, e também num Pão de Açúcar da Zona Oeste. Estavam mais caros nas duas lojas, além da pasta de dente, o sabonete, o açúcar, o feijão e a batata. O Grupo Pão de Açúcar, que administra os dois supermercados, já havia iniciado as desonerações na segunda-feira e informou em nota que “apoia a medida e tomou todas as providências para aplicá-la imediatamente e beneficiar os consumidores brasileiros”.

Os preços mais baixos — de açúcar, arroz, óleo de soja, café e alcatra — foram encontrados em um Carrefour da Zona Sul da capital paulista e em um Pão de Açúcar da Zona Oeste. O Carrefour explicou que, no primeiro dia útil desta semana, as desonerações ainda não tinham sido repassadas e que os descontos começaram na terça-feira e continuarão até atingir o percentual “integral e todos os produtos da cesta básica”.
Luis Otávio de Souza Leal, economista-chefe do banco ABC Brasil, explica que é normal essa demora no repasse: — Só em abril, os supermercados vão girar o estoque e ter redução dos seus custos.

Roberta Scrivano, Clarice Spitz, Marcello Corrêa
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segunda-feira, 18 de março de 2013

Escolaridade sobe, mas salário não acompanha

Em dez anos, renda dos que têm ensino superior cresceu só 0,7%



O rendimento médio real dos trabalhadores com ensino superior foi o que menos cresceu na última década nas seis principais regiões metropolitanas do país, mas ao mesmo tempo deu a principal contribuição para o aumento da renda da população ocupada no período. Segundo cálculos do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a alta de apenas 0,7% da remuneração dos ocupados com esse nível de escolaridade entre 2003 e 2012 foi responsável por mais de 60% do avanço total dos salários nos últimos nove anos, descontada a inflação.

O rendimento médio real dos trabalhadores com ensino superior foi o que menos cresceu na última década nas seis principais regiões metropolitanas do país, mas ao mesmo tempo deu a principal contribuição para o aumento da renda da população ocupada no período. Segundo cálculos do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV) com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a alta de apenas 0,7% da remuneração dos ocupados com esse nível de escolaridade entre 2003 e 2012 foi responsável por mais de 60% do avanço total dos salários nos últimos nove anos, descontada a inflação.

De acordo com o IBGE, a renda real nas regiões analisadas pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME) cresceu 27,2% no período. Rodrigo Leandro de Moura, pesquisador do Ibre-FGV, trabalhou em seus cálculos com uma alta de 25%, porque nem todos os entrevistados informam seu nível de estudo. Deste total, 15,5 pontos percentuais foram gerados pela população ocupada com formação universitária. Na outra ponta, a faixa que reúne os trabalhadores sem instrução e com menos de oito anos de estudo - que viu seus rendimentos saltarem 37% de 2003 a 2012 - contribuiu negativamente, com menos 2,6 pontos, para a variação da renda total na mesma comparação.

"A renda da economia cresceu não porque a renda de quem tem ensino superior cresceu, mas porque aumentou a proporção de trabalhadores com essa formação. Quando a população fica mais educada, ela passa a ganhar mais", explica o pesquisador do Ibre. Os profissionais com 11 anos ou mais de estudo representaram 62% da população economicamente ativa (PEA) no ano passado, ante 45,8% em 2003. Em igual período, a fatia de pessoas sem instrução ou com menos de oito anos de estudo na PEA recuou de 34% para 21%.

O movimento de escolarização da força de trabalho, diz Moura, puxou para cima o rendimento dos ocupados, já que, mesmo com ganho real ínfimo se comparado a categorias que têm seus salários reajustados de acordo com o mínimo, a remuneração de um trabalhador com mais anos de estudo já parte de uma base maior. Ele nota que, a despeito do avanço real de quase 40% na última década, o rendimento médio do segmento menos qualificado pesquisado pelo IBGE foi de R$ 952,67 em 2012, menos de 25% dos R$ 4098,08 recebidos, em média, por quem tem curso superior no ano passado.

Mesmo assim, especialistas afirmam que nem sempre o bacharelado é garantia de um salário mais alto, o que explica o baixo ganho real dos ocupados com esse título. Em 2012, quando o avanço médio de 4,1% do rendimento real foi recorde da nova série da PME, os profissionais com ensino superior viram sua renda subir só 0,4%. "Houve uma grande ampliação da oferta de cursos superiores com baixa qualidade, e o reflexo disso são muitas pessoas que não trabalham em ocupações associadas à sua formação", diz o diretor-técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio.

Segundo Lúcio, o fraco aumento real dos salários de formados não invalida a análise de que há um gargalo de mão de obra qualificada. O que puxa para baixo o avanço médio desses rendimentos, diz o diretor do Dieese, é o descompasso entre o excesso de pessoas formadas em áreas menos demandadas pelo mercado, enquanto a procura por outras profissões cresce muito mais, sem que a oferta acompanhe esse movimento. "É muito difícil que um tecnólogo ou um engenheiro não receba ofertas de bons empregos, mas 70% dos formados são de humanas."

O coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper e professor associado da FEA-USP Naercio Menezes Filho afirma que há falta de profissionais formados em setores específicos, e até mesmo de trabalhadores dos quais são exigidos apenas nível médio completo (caso dos técnicos), mas as matrículas que mais cresceram junto à expansão da chamada "nova classe C" foram destinadas aos cursos de administração, direito e pedagogia, entre outros, mais baratos e com conteúdo menos técnico.

Pesquisa do Insper em parceria com a Brasil Investimentos & Negócios (BRAiN) aponta que essas e outras profissões, como turismo e enfermagem, tiveram reduções salariais na última década devido à expansão da oferta. Por outro lado, carreiras como medicina, odontologia, quase todas as engenharias e economia, entre outras, foram bem mais valorizadas.

"A pessoa que se forma em administração, por exemplo, vai ser pouco mais valorizada do que alguém que tenha segundo grau completo", diz João Saboia, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o que, em sua visão, não quer dizer que o apagão de mão de obra qualificada não exista. Para ele, a política de valorização do mínimo ainda é a principal explicação para a diferença entre o avanço da renda de trabalhadores menos e mais qualificados.

Autor(es): Por Arícia Martins | De São Paulo
Valor Econômico - 18/03/2013 www.valoronline.com.br

quinta-feira, 14 de março de 2013

Marx ainda é Atual.

Eu preciso reproduzir este texto do Prof. Delfin Netto, pela sua singularidade e pela minha surpresa, mas enfim, até os direitistas um dia vira-se para a esquerda. Portanto deleitem-se com este artigo que saiu ontem na folha de São Paulo



Marx
Karl Marx
Em 22 de fevereiro último, Cassiano Elek Machado publicou, nesta Folha, erudita nota sobre a nova tradução de "O Capital", realizada pelo competente marxólogo Rubens Enderle. Esta será publicada pela editora Boitempo (o terceiro volume sai até 2015), que já tem no seu catálogo outras obras em traduções muito bem cuidadas dos textos restabelecidos pelas edições críticas (Mega) das obras completas da dupla Marx-Engels.

Cassiano colocou uma mesma pergunta ("Por que ler Marx hoje?") a mim e a três brilhantes filósofos, seguramente mais conhecedores da obra de Marx do que eu. Eles deram respostas argumentadas e definitivas. Eu, um modesto economista, pensei em me livrar dela respondendo simplesmente: "Porque Marx não é moda. É eterno".

Ledo engano. Recebi a cobrança de alguns elegantes leitores para que a explicitasse. Pois bem, os "marxismos" que continuam a infestar a história são modas: produtos de ocasião de pensadores menores. Há sérias dúvidas, aliás, que Marx tenha alguma vez se reconhecido como "marxista".

Mas a problemática que ele colocou --o que é o homem e como pode realizar plenamente a sua humanidade diante dos constrangimentos que lhe impõe a organização da sociedade-- é eterna. Ele teve muito cuidado em não explicitar a sua solução. Cuidado que não tiveram alguns que se pensaram como seus discípulos no século 20. Quando no poder, decidiram levar a sério a construção do "homem novo", o que terminou em tragédia.

Para dar um pequeno exemplo da intuição de Marx, basta lembrar que, no "Manifesto Comunista" (1848), ele revelou a propensão do capitalismo financeiro emergente e avassalador de produzir uma crescente concentração do poder econômico que, se não fosse coibido pelo poder político, levaria ao desastre social.

A financeirização que ele previa continua forte e abrangente no século 21. Por exemplo, nos últimos dez anos, as commodities tornaram-se ativos financeiros de fundos de investimento internacionais. Em 2000, estes não chegavam a US$ 10 bilhões. Em 2012, passaram de US$ 400 bilhões, um aumento de 40% ao ano! Há menos de 20 anos existiam mais de 20 "traders" de cada commodity (as oito mais importantes tinham mais de 160!). Houve a verticalização e fusão antecipadas por Marx.

Hoje, não passam de 15 organizações que financiam, compram, armazenam, transportam, vendem e especulam com o resultado do trabalho de bilhões de agricultores que não têm o menor controle sobre sua produção. A maior delas, a Glencore, que comercializa tudo, de petróleo e metais a açúcar e trigo, acaba de aumentar sua integração. Comprou uma participação na Ferrous Resources, em Minas Gerais.


Antonio Delfin Netto, ex ministro da Fazenda (governos costa e Silva e Médici), é economista, ex-deputado federal, Professor catedrático na USP
 


terça-feira, 12 de março de 2013

Desoneração inclui filé e até 'foie gras'



Até o "foie gras", cujo quilo pode custar mais de R$ 1,5 mil, entrou na lista de alimentos que serão desonerados pelo governo federal. A desoneração prevista na Medida Provisória nº 609, que zerou PIS/Pasep e Cofins, não se limitou a produtos da cesta básica. O corte de impostos anunciado pela presidente Dilma Rousseff, na sexta-feira, inclui peixes nobres, como bacalhau e salmão, e carnes como o filé mignon. Estão na lista produtos mais populares: toucinho, carne salgada e miúdos de animais. A abrangência da medida está explicitada na MP, que se refere especificamente a produtos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI)

Link da Medida Provisória no Portal do governo Federal

Até o foie gras, iguaria da culinária francesa cujo quilo pode custar mais de R$ 1,5 mil em elegantes empórios, entrou na lista de alimentos que serão desonerados pelo governo federal. O exemplo mostra que a desoneração prevista na Medida Provisória (MP) nº 609, que zerou PIS/Pasep e Cofins, não se limitou a produtos da cesta básica. Foi bem mais ampla.

O corte de impostos anunciado pela presidente Dilma Rousseff, na sexta-feira, inclui também peixes nobres, como bacalhau e salmão, e carnes de primeira, como o filé mignon. Além desses, estão presentes produtos mais populares: toucinho, carne salgada, manteiga e miúdos de animais. A abrangência da medida está explicitada na MP, que se refere especificamente a produtos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi).

O grupo de trabalho que atualizou os produtos da cesta básica para efeito da desoneração tomou como base o Decreto nº 399, de 1938, de Getúlio Vargas, o primeiro a listar o conteúdo da cesta básica. Naquele decreto constavam as carnes verdes e conservadas, aves, camarões e peixes, entre outros itens. Os técnicos do governo até pensaram em especificar que tipo de carne, que espécie de vísceras de animais seriam incluídas, mas consideraram que se chegaria a uma discussão burocrática interminável. Optaram, assim, por manter o caráter genérico do decreto de Vargas, adicionando apenas alguns itens de higiene pessoal.

Por isso as carnes foram desoneradas, independentemente do corte, preço ou apresentação - se fresca ou congelada. No código de aves da Tipi constam patos e gansos e a subcategoria de fígados gordos (o foie gras). Já no item dos peixes, a medida provisória excluiu especificamente as ovas, deixando de fora da desoneração o caviar. Na categoria café em pó, todos os tipos são desonerados, seja em grãos, solúveis e em pó, descafeinados ou não.

A MP publicada ontem faz um corte geral de tributos dos seguintes produtos: carnes (bovina, suína, ovina, caprina e de aves), peixes, café, açúcar, óleo de soja, manteiga, margarina, sabonete, pasta de dente e papel higiênico. Esses três últimos itens não faziam parte da cesta básica e foram acrescentados à lista pelo governo. Outros produtos da cesta básica como arroz, feijão, farinha de trigo ou massa, batata, legumes, pão e frutas, já eram isentos de impostos federais.

Produtos de higiene pessoal, que não constavam da cesta básica de Vargas, foram incluídos: dentifrícios em geral, fio dental e pós e cremes para facilitar a aderência de dentaduras. Sabonetes de todos os tipos e marcas e papel higiênico também passam a ser parte da cesta.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem após reunião com empresários, que eles se comprometeram a repassar a desoneração tributária de itens da cesta básica ao preço final dos produtos e, com isso, vai haver impacto no controle da inflação. A redução de preço da carne ao consumidor deve chegar aos 7%, avaliou o presidente da União Nacional da Indústria da Carne (Uniec), Francisco Victer. Ao todo, o governo abre mão de R$ 5,5 bilhões em arrecadação em 2013 e R$ 7,386 bilhões por ano a partir de 2014.
O ministro adiantou, ainda, que o governo estuda novas desonerações da folha de pagamento.

Autor(es): Por Tarso Veloso | De Brasília
Valor Econômico - 12/03/2013 www.valoronline.com.br