terça-feira, 30 de abril de 2013

Inflação pode recuar




Com queda de preços de alimentos no atacado, IGP-M recua 

Com queda de 0,12% em abril, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPA) reflete a intensificação na redução dos preços de diversos grãos e alimentos no atacado e foi a principal influência para um IGP-M abaixo das expectativas no mês (0,15%). "O IPA antecipa coisas que o consumidor verá em breve. Temos produtos importantes que vinham em queda e, neste mês, tiveram recuo ainda mais forte", disse André Braz, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Para Braz, os preços ao consumidor devem arrefecer nas próximas leituras dos IGPs, mas ao longo do ano outras pressões devem substituir os alimentos - como as passagens de ônibus -, fazendo com que o indicador se mantenha na faixa de 6% em 12 meses.

Entre os destaques dos preços no atacado, estão o milho e a soja, que caíram, respectivamente, 10,21% e 5,49% em abril. Principais componentes para diversas rações, o milho e a soja também colaboram para uma redução nos preços das aves, que foram de queda de 1,18% em março para recuo de 8,84%. Esses movimentos ajudaram a compensar elevações importantes, como a do minério de ferro, que passou de alta de 5,88% para 8,33%, e fizeram com que o grupo de matérias-primas brutas acentuasse a queda de 0,78%, em março, para 1,20% em abril.

Outra influência forte para a desaceleração do IPA e do IGP-M como um todo foram os bens finais, que incluem alimentos in natura e, na média, passaram de alta de 1% para 0,86%. Braz ressalta que essa desaceleração não é generalizada, mas sim o resultado de preços em queda em itens de peso, ao lado de outros com influência menor, mas que estão em alta.
São os alimentos também, liderados pelos in natura, os principais vilões nos preços do varejo, verificados pelo IPC, o índice de preços ao consumidor que compõe o IGP-M. O IPC-M passou de variação de 0,72% em março para 0,60% em abril, com os preços de alimentos também desacelerando, mas ainda em patamar alto - de 1,37% ara 1,26%.

"O que está puxando a alta agora são, principalmente, os produtos in natura, o que de certa forma é uma boa notícia, porque eles tendem a devolver esses ganhos depois", disse Braz. A previsão é de menos pressão em produtos domésticos, como tomate e batata, tanto no atacado quanto no varejo, a partir do próximo mês.

A redução da pressão de um lado, no entanto, não significa um IGP-M muito mais baixo nos próximos meses. Braz acredita que a tendência é que o índice ande de lado. "Há itens que indicam que irão desacelerar, enquanto há outros que indicam que irão subir. É como uma dança das cadeiras."

Em junho, por exemplo, quando a produção in natura tende a aumentar e os preços caem, devem pressionar a inflação para cima os reajustes nas tarifas de ônibus em algumas cidades, como São Paulo, que foram adiados no começo do ano a pedido do governo federal, para não puxar os índices de preços para cima.

Sec. Executivo do Ministério da Fazenda Nelson Barbosa 
Para o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, que participou ontem de evento na BM&F Bovespa, em São Paulo, a entrada da safra agrícola, e a não ocorrência de choques, deve levar a inflação para baixo neste segundo trimestre e durante o resto do ano. Segundo ele, IPCA encerrará 2013 com alta entre 5% e 5,5%.

O secretário acredita que os choques que elevaram o índice oficial de inflação desde meados do ano passado começam a ser revertidos. A partir do segundo semestre, a desaceleração do IPCA deve ficar mais clara, disse. "Trabalhamos para que a inflação convirja para o centro da meta num prazo adequado", disse Barbosa. "A inflação é uma variável importante, que nos preocupa".

Quanto ao cenário atual, de baixo crescimento e aumento da inflação, o secretário-executivo da Fazenda disse que a previsão do governo é de um avanço da economia, de cerca de 3,5% neste ano, com desaceleração dos preços. "Não há contradição entre acelerar crescimento e prever inflação para baixo em 2013", afirmou.

Autor(es): Por Juliana Elias e Arícia Martins
Valor Econômico - 30/04/2013 www.valoronline.com.br

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Os juros do FIES


Aluno contrata crédito sem considerar juro


À semelhança do que acontece com a maioria dos consumidores em suas compras no varejo, os universitários se preocupam mais com o tamanho da parcela do financiamento estudantil - se ela cabe no bolso - do que com os juros cobrados.

Uma prova disso é que a Ideal Invest não sentiu uma debandada de seus alunos para o Fies, financiamento do governo federal que cobra um juro quase cinco vezes inferior ao praticado por essa gestora de crédito. Ao contrário, a empresa viu sua carteira de alunos crescer 17% e atingir 35 mil estudantes em 2012. A Ideal Invest cobra em média juros de 15,6% ao ano. O Fies, 3,4%. Esse percentual é o mesmo ao adotado nos financiamentos estudantis nos Estados Unidos, onde uma grande parcela da população estuda com crédito.

A Ideal fez uma pesquisa com alunos, seus clientes. Ela estava cobrando, à época, juro mensal de 1,9%. " Perguntamos se eles trocariam o financiamento por outro com juros de 2,5% e todos aceitaram no ato. Eles não sabiam que seus financiamento tinham um juro menor [de 1,9%]", disse Carlos Furlan, diretor-executivo da Ideal Invest. "Para eles, o mais importante é se a parcela cabe no bolso e se livrar das burocracias de um empréstimo".

Apesar de uma parcela da sua clientela não estar tão atenta aos juros, a empresa também vem investindo em financiamentos mais competitivos. Para isso está fechando parcerias com faculdades que subsidiam uma parte ou até 100% dos juros do crédito estudantil. Hoje, 20 faculdades - como a Unimonte, em Santos, e a Feevale, no Rio Grande do Sul - já oferecem o empréstimo sem o custo adicional.

A aposta de Furlan nessas parcerias é porque muitas faculdades ainda resistem ao Fies porque têm receio de levar um calote do governo, como aconteceu em 2010 quando o Ministério da Educação (MEC) atrasou por muito tempo o repasse do crédito e várias faculdades quase quebraram.

"Além disso, no nosso financiamento, a faculdade pode cobrar a mensalidade cheia e não tem custos para captação e renovação de alunos, que é um trabalho feito por nós", diz Furlan. No caso do Fies, vale apenas o menor valor da mensalidade (normalmente as faculdades dão desconto quando o pagamento é feito até determinada data). Segundo ele, pesando na balança esses itens, a conta fica equilibrada para a faculdade.

A gestora também está oferecendo financiamentos para cursos de ensino a distância e de pós-graduação. Esses dois tipos de cursos não são atendidos pelo Fies que somente no ano passado atendeu a mais 365 mil estudantes.

Outra novidade é o lançamento de um fundo de investimento de cerca de R$ 100 milhões em direitos creditórios (FIDC) de cerca de R$ 100 milhões para antecipação de recebíveis de faculdades. "As faculdades têm nos procurado pedindo crédito. Esse adiantamento é usado, principalmente, para capital de giro e alongamento de passivo", disse Furlan.

Essa demanda ocorre porque no início de suas atividades, em 2002, a atividade principal da empresa era antecipar recebíveis de mensalidades em troca de crédito. Na época, a Ideal tinha um FIDC no valor de R$ 350 milhões para essa finalidade. Somente em 2006, a empresa passou a oferecer o empréstimo estudantil.

A Ideal Invest tem como sócios o fundo de investimento DLJ South American e o IFC, braço para negócios privados do Banco Mundial, e os fundadores que são majoritários. O banco Itaú Unibanco também é um dos sócios, com uma fatia minoritária, mas essa participação ainda não foi definida. Depende da conclusão de uma operação de aumento de capital.

Autor(es): Por Beth Koike
Valor Econômico - 29/04/2013 www.valoronline.com.br  

quarta-feira, 24 de abril de 2013

GOVERNO INCENTIVA ÁLCOOL PARA SEGURAR INFLAÇÃO

GOVERNO INCENTIVA ETANOL E MIRA INFLAÇÃO

Na bomba. Governo não garante queda de preços do etanol aos consumidores. Objetivo é elevar investimentos e produção nas usinas

O governo lançou ontem um pacote de R$ 8,4 bilhões para incentivar os setores químico e de etanol. As ações incluem a desoneração do PIS/Cofins e a liberação de linhas de crédito com juros reduzidos para produção e estocagem. Outro incentivo será o aumento de 20% para 25% da mistura de etanol na gasolina a partir do dia 1º de maio. Segundo especialistas, as medidas anunciadas beneficiam diretamente a Petrobras, com a redução das importações de gasolina, sem gerar as pressões inflacionárias de um reajuste de preços dos combustíveis. Já os consumidores podem não sentir o benefício das medidas no bolso. Nem o ministro da Fazenda, Guido Mantega, nem a presidente Dilma Rousseff quiseram se comprometer com a redução do preço nas bombas.

- O aumento da mistura (do etanol) vai reduzir o preço da gasolina. O primeiro passo é este. Em relação ao preço do etanol, o objetivo principal é viabilizar as condições para que o setor faça mais investimentos. Não quer dizer, necessariamente, que o setor vai repassar (o incentivo) para o preço. O que nós estamos condicionando ao setor é que ele aumente os investimentos, a produção e a oferta, porque, ao aumentar a oferta, o preço vai ser reduzido - disse Mantega, destacando que isso também ajuda no combate à inflação.

IMPORTAÇÃO DE GASOLINA deve CAIR

Luís Otávio Leal, economista do banco ABC Brasil, acredita que as medidas beneficiam a Petrobras, sem que haja necessidade de novos aumentos de preço na gasolina, o que pressionaria a já elevada inflação. Já a redução do preço do álcool, se chegar ao consumidor, terá um impacto positivo de apenas 0,05 ponto percentual na inflação:

- A medida vai aliviar bastante o caixa da Petrobras, que tem fortes prejuízos com a importação de gasolina.

Segundo o especialista Adriano Pires Rodrigues, o aumento do álcool anidro na mistura resultará numa redução de cerca de 50% nas importações de gasolina da Petrobras, aliviando seu caixa.

A presidente Dilma afirmou que o governo tem que ajudar os produtores de cana-de-açúcar para fortalecer o setor do etanol, justificando que ele veio para ficar.

- Eu não creio que seja uma decisão que eu posso tomar aqui, eu chego aqui para vocês e digo: o preço vai ser assim ou assado. Tem de ver como é que está o mercado. Eu não tenho como adiantar isso para vocês - disse Dilma.

O governo vai conceder um crédito presumido de PIS/Cofins aos produtores de cana. Na prática, esse benefício zera o tributo e reduz os custos do setor. É uma renúncia fiscal de R$ 970 milhões no ano, a partir de 1º de maio.

Além disso, o governo vai liberar duas linhas de financiamento com juros mais baixos. A primeira, de R$ 4 bilhões, é destinada à renovação e à implantação de novos canaviais. Ela faz parte do programa Prorenova, do BNDES, com taxas de juros que caíram de 9,5% para 5,5% ao ano. O prazo do financiamento será de 72 meses, com carência de 18 meses. Como o Tesouro equalizará os juros, haverá um custo de R$ 334 milhões para a União.

Outra linha, de R$ 2 bilhões, será voltada para a estocagem do etanol. Neste caso, o prazo do financiamento será de 12 meses, com juros de 7,7% ao ano.

Já o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse que as medidas consolidarão o setor de etanol. Este ano, as usinas produzirão 28 bilhões de litros do combustível, ante uma safra de 23 bilhões de litros em 2012:

- Estamos procurando manter essa alternativa do setor energético.

No caso do setor químico, o governo concedeu um crédito presumido de PIS/Cofins nas compras de matérias-primas. Com isso, haverá uma redução dos custos de toda a cadeia produtiva. A renúncia fiscal será de R$ 1,1 bilhão este ano. Mantega afirmou que a indústria química merece atenção, pois é fornecedora de diversos outros setores da economia, como os de brinquedos, embalagens, borracha, pneus, couros, material de construção e têxtil.

PRODUTORES COMEMORAM PACOTE

A presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, disse que as
medidas ajudarão a melhorar a competitividade do setor:

- As medidas por si só não resolverão os problemas do setor de etanol, mas a desoneração do PIS/Cofins é muito bem-vinda e melhora a competitividade.

Após visitar exposição de Carlinhos Brown, a presidente Dilma disse que seu governo não flerta, nem negocia com a inflação. Ela voltou a dizer que teve a fala distorcida quando declarou, há um mês, ser contra medidas de combate à inflação que inibam o crescimento da economia.

- O Brasil não negocia com inflação, não flerta com inflação. Nós temos o histórico de combate e controle da inflação. Agora, eu não vou, em hipótese alguma , porque eu tenho uma responsabilidade presidencial, dar base para qualquer especulação que se faça - afirmou Dilma.

A presidente disse ainda que é possível que o Brasil precise aumentar a participação de usinas térmicas na matriz energética nacional. Segundo ela, como o impacto ambiental das antigas hidrelétricas, com grandes reservatórios, é muito grande, o país terá de fazer mais hidrelétricas a fio d"água ou aumentar o volume de térmicas, altamente poluentes.

Autor(es): Martha Beck, Eliane Oliveira
O Globo - 24/04/2013 www.oglobo.com.br

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Inflação faz COPOM elevar SELIC a 7,5% aa, primeira alta desde 2011


Decisão do BC acontece em meio a temor de disparada da inflação. Alta de 0,25 é a menor praticada pelo BC; medida deve encarecer crédito.



Para tentar conter a inflação elevada, o Comitê de Política Monetária (COPOM) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira dia 17/04 elevar a taxa de juros de 7,25% para 7,5% ao ano. Trata-se da primeira elevação da Selic desde julho de 2011 – quando a taxa subiu de 12,25% para 12,5%.

A decisão, já esperada por parte dos analistas de mercado, interrompe o período de juros na mínima histórica, que nos últimos meses havia levado ao barateamento do crédito, com consequente aumento do consumo pelas famílias brasileiras. A taxa de 7,25% era o menor patamar histórico da Selic e vigorava desde outubro de 2012.

“O Comitê avalia que o nível elevado da inflação e a dispersão de aumentos de preços, entre outros fatores, contribuem para que a inflação mostre resistência e ensejam uma resposta política monetária”, diz nota divulgada pelo Banco Central na noite desta quarta, após o fim da reunião do Copom, e que justifica a elevação da Selic.

“Por outro lado, o Copom pondera que incertezas internas e, principalmente, externas cercam o cenário prospectivo para a inflação e recomendam que a política monetária seja administrada com cautela”, completa a nota, indicando a explicação para a alta de apenas 0,25 ponto percentual, a menor praticada pelo Banco Central.

A alta dos juros não foi unânime entre os membros do colegiado: foram seis votos a favor e outros dois pela manutenção da taxa em 7,25%. Votaram pela elevação: Alexandre Tombini (presidente do BC), Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, Luiz Edson Feltrim e Sidnei Corrêa Marques. Já pela manutenção em 7,25%, votaram os membros Aldo Luiz Mendes e Luiz Awazu Pereira da Silva.

Inflação

O aumento da Selic ocorre num momento em que cresce o temor de descontrole da inflação em 2013. Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o IPCA acumula alta de 6,59% em 12 meses até março, acima do teto da meta de inflação estabelecida pelo BC para o ano.

Com a alta dos juros, o Banco Central mira justamente a inflação. A decisão deve levar a um encarecimento do crédito, o que deve levar as famílias a frearem o consumo. Com menos compras, a tendência é que o preço dos produtos caia.

Efeito no PIB

Parte dos analistas de mercado, porém, apostava na manutenção da Selic em 7,25% nesta quarta. Isso porque, junto com a inflação, também existe a preocupação do governo em manter a economia aquecida para combater os efeitos da crise internacional.

No ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,9%. Com a alta dos juros nesse momento, a previsão é de que a retomada do crescimento da economia brasileira fique mais difícil – com impacto na criação de empregos e no salário dos trabalhadores.

Sistema de metas de inflação

Pelo sistema de metas que vigora no Brasil, o BC tem de calibrar os juros para atingir as metas pré-estabelecidas, tendo por base o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Ao subir os juros, o BC atua para controlar a inflação e, ao baixá-los, julga, teoricamente, que a inflação está compatível com a meta.

Para 2013 e 2014, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Deste modo, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.

Rendimento da poupança

A elevação dos juros básicos aumenta a rentabilidade da caderneta de poupança. Pelas regras definidas pelo governo, a poupança passou a ser atrelada aos juros básicos da economia, rendendo 70% da aplicação, mais a Taxa Referencial, quando a taxa básica estiver abaixo de 8,5% ao ano.

Com juros em 7,5% ao ano, a remuneração da poupança sobe de 5,07% para 5,25% ao ano mais TR. Antes da mudança das regras, a poupança rendia, pelo menos, 6,17% ao ano, mais TR. Na poupança, porém, não é cobrada taxa de administração e nem Imposto de Renda (IR) - ao contrário dos investimentos em fundos. Os recursos podem ser sacados a qualquer momento.

Fábio Amato Do G1, em Brasília

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Maior CEO do Século 20 mostra 5 tipos de conselheiros que não dão resultados


Jack Welch
Em um artigo publicado no LinkedIn, Jack Welch afirma que, além de atrapalharem outros membros, alguns conselheiros não contribuem como deveriam. Veja quem são eles

Se você já esteve em um Conselho de Administração de uma empresa existem chances de você já ter convivido com um executivo ineficiente em um momento ou outro.

Mesmo que cada executivo adicione valor à empresa, alguns deles são tolerados por performances questionáveis. E é por isso que alguns conselhos, tanto no setor privado como no público, não contribuem como deveriam, na opinião de Jack Welch, considerado o melhor CEO (Chief Executive Officer) do Século 20, em um artigo publicado no LinkedIn.

“Estamos nos referindo aos executivos que não cometem crimes contra a empresa, porém são igualmente destrutivos por sua ineficiência”, afirmou o fundador do Jack Welch Management Institute. Para ele, existem pelo menos cinco tipos de membros disfuncionais no conselho, confira:

Fundador do Jack Welch Management Institute diz que existem pelo menos cinco tipos de membros disfuncionais no conselho (Reprodução Wikipedia)

O “faz nada”

Apelidados de “aquecedores de cadeiras” por Welch, esses executivos estão muito ocupados com suas próprias companhias, outras diretorias e seus problemas pessoais para se preocuparem com o conselho administrativo. Alguns deles nem se interessam pela empresa e outros estão apenas pela segurança: com salário de US$ 25 mil a US$ 100 mil, diretores corporativos recebem um bom dinheiro, além do prestígio que o cargo oferece.

“Então, aqueles que não fazem nada raramente questionam ou investigam alguma coisa. Da mesma forma, também não fazem nenhum esforço para verificar se o que eles ouvem no conselho sobre valores e estratégia está adequado com o que os colaboradores sentem”.

O “pacífico”

Aqueles que não fazem nada são ruins por não acrescentar, mas não chegam perto dos que Welch chama de “pacíficos”. Esses executivos, continua o artigo, vivem com medo de arranjar intrigas pessoais por qualquer tipo de desentendimento. Isso significa que eles não têm a característica essencial de qualquer membro de um conselho: coragem.

Com esta personalidade, qualquer intriga no conselho é motivo para esse executivo colocar “panos quentes” e tentar chegar em um acordo apenas para acabar com o conflito - ainda que isso signifique abdicar de benefícios para empresa.

O “oportunista”

O terceiro tipo de membro ineficaz é aquele que senta quietamente nos encontros, quase sempre indo a favor da posição da maioria dos conselheiros, até que seus interesses estejam em jogo, “assim começam a manipular o conselho indiretamente” disse Welch.

Em alguns casos, bons membros do conselho percebem essa manipulação e repelem essa manipulação. Mas, esse tipo de conselheiro pode ser o próprio comitê executivo. O resultado é um grupo controlador de oportunistas dentro do conselho, que segue inserindo outros membros com as mesmas características.

O “intrometido”

Bons conselheiros focam no todo, com sucessões e estratégias. Por contraste, afirma Jack, o quarto tipo gosta de “implicar” com a administração. Em vez de participar de encontros com os talentos da firma e discutir as dinâmicas da indústria, os intrometidos acabam implicando em detalhes operacionais. “Eles parecem esquecer que os membros do conselho estão lá para fornecer sabedoria, conselhos e julgamentos, e não para fazer sugestões sobre o dia a dia do negócio”.

O “pregador”

Por último, existe executivo que não se satisfaz com seu próprio trabalho, principalmente quando está opinando sobre assuntos de “interesse geral”, como eventos mundiais, tendências sociais, a história da companhia ou a sua própria área de expertise. Como os intrometidos, os pregadores distraem os conselhos de suas verdadeiras funções.

“Como um membro de um conselho de administração, é fácil esperar alguns ‘faz nada’ se aposentarem, é possível tolerar alguns outros pacíficos enquanto outros lidam com crises e até mesmo isolar pregadores, oportunistas e intrometidos”, acrescenta Jack. “Contudo, imaginem o quão melhor seria se os comitês fizessem questão de evitar esses tipos?”, finaliza.

Por Luiza Belloni Veronesi

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terça-feira, 16 de abril de 2013

Dica de leitura


Desenvolvimento às Avessas
Reinaldo Gonçalves
Ed. LTC, Rio de Janeiro, 2013

SUMÁRIO
Introdução
Capítulo 1 Economia primário-exportadora, modernização e subdesenvolvimento
1. Sistema colonial (1500-1822)
2. Independência e economia agroexportadora-escravista (1822-1889)
3. República Velha e hegemonia da cafeicultura (1889-1930)
4. Síntese
Capítulo 2 Da Era Desenvolvimentista ao Modelo Liberal Periférico
1. Era Desenvolvimentista e a formação de uma economia industrial (1930-79)
2. Crise, instabilidade e transição (1980-94)
3. Modelo Liberal Periférico (de 1995 em diante)
4. Síntese
Capítulo 3 Desempenho econômico de longo prazo
1. Indicadores macroeconômicos
2. Fases do desenvolvimento econômico
3. Desempenho segundo o mandato presidencial
4. Ciclo de vida da indústria de transformação
5. Síntese
Capítulo 4 Modelo Liberal Periférico e problemas estruturais
1. Estrutura produtiva: retrocesso
1.1 Desindustrialização
1.2 Dessubstituição de importações
2. Padrão de comércio: Reprimarização das exportações
3. Progresso técnico: Dependência tecnológica
4. Origem de propriedade: Desnacionalização
5. Competitividade internacional: Perda
6. Vulnerabilidade externa estrutural: Passivo externo crescente
7. Concentração de capital: grupos dominantes
8. Política econômica: Dominação financeira
9. Síntese
Capítulo 5 Vulnerabilidade externa estrutural
1. Deterioração das contas externas
2. Desequilíbrios de fluxos e estoques
3. Retornos sobre ativos e passivos externos
4. Síntese
Capítulo 6 Custos das reservas internacionais
1. Níveis estratégico, ótimo e crítico
ii
2. Custos cambial e fiscal
3. Empréstimo ao FMI
4. Síntese
Capítulo 7 Desigualdade da renda
1. Diferentes visões
2. Comparações regionais
3. Comparações internacionais
4. Governabilidade, legitimidade e redistribuição de renda
5. Síntese
Capítulo 8 Conclusões
1. Principais resultados
2. Reformas estruturais
3. Considerações gerais
Bibliografia

quinta-feira, 11 de abril de 2013

A inflação está fora de controle?


Não se combate tomate caro com juros'

Professor da PUC-Rio alerta que a inflação está elevada há três anos. Sobre a atuação do BC, diz: "Não se pode dizer que está preocupado e não fazer nada"

A inflação não está descontrolada. Não há risco de aceleração nos próximos meses. O número de abril será menor que o março e o de maio será menor que o de abril. A questão é que o clima está afetando os preços do grupo de alimentos, especialmente os in natura, que sofrem muito com os extremos climáticos.

Mas o nível não está elevado?

A inflação deve desacelerar nos próximos meses, estimo que chegue a 0,35% em abril, por exemplo. Ainda assim teremos uma inflação em 12 meses acima de 6% no primeiro semestre, que é um nível alto.

O Banco Central tem sido leniente com a inflação?

O Banco Central aparentemente tem olhado para a inflação, mas também para o emprego. Só que o mandato do BC é inflação, enquanto o banco central americano tem mandato duplo, para inflação e para o emprego. Há uma preocupação do governo de que a alta de juros afete o emprego. Mas é bom lembrar que a inflação alta traz consequências.

O governo está certo com esta preocupação?

A permanência da inflação em nível muito acima do centro da meta sugere que a meta é de 5,5% e não 4,5%. Esse é o sinal que é dado aos atores. A questão da inflação é muito complexa. Políticas pontuais de desoneração, por exemplo, podem ajudar apenas a curto prazo. É uma questão mais ampla. O país pode conviver de maneira sustentável com uma inflação de 5,5%, 6%? Não se combate preço de tomate aumentando a taxa de juros, mas se os preços agrícolas se mantêm elevados é preciso parar e pensar. Se tiver algum tipo de desvalorização cambial, como fica?

Qual deve ser o caminho hoje?

É preciso um conjunto de instrumentos, que inclua política monetária que sinalize a preocupação com a inflação acima da meta e política fiscal que não traga preocupações para o futuro. Hoje é possível fazer desonerações, mas não se sabe o futuro. Nossa inflação ainda não é preocupante, mas está se mostrando insistentemente em nível elevado nos últimos três anos. E isso é um sinal preocupante. O Banco Central já deixou claro que está preocupado com a inflação. Mas não pode dizer que está preocupado e não fazer nada. Acho que podemos ter surpresas positivas na inflação de abril e maio, mas isso não muda o quadro de preocupação.

Autor(es): Lucianne Carneiro
O Globo - 11/04/2013

quarta-feira, 10 de abril de 2013

A volta do monstro da inflação

O dia D contra a inflação


Divulgação do IPCA, hoje, pode levar Dilma e o BC a subirem os juros: o custo de vida resiste às ações do governo nos últimos anos.
Diante do estouro da meta de inflação, BC terá de explicitar para onde vão os juros.

O monstro da inflação ataca mais uma vez
Hoje é o dia D para a presidente Dilma Rousseff mudar — ou não — os rumos da política monetária. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga, às 9h, os dados de março do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial. A previsão dos analistas é de que o custo de vida acumulado em 12 meses tenha superado o teto da meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 6,5%. Será a segunda vez, na atual administração, que a carestia ultrapassará o limite de tolerância. Em quatro das 11 capitais pesquisadas pelo IBGE, o indicador já havia saído do controle em fevereiro: Belém (8,75%), Fortaleza (8,31%), Recife (7,44%) e Salvador (7,05%).

O desconforto com os reajustes é enorme. Pelas contas do economista Delfim Netto, que, anteontem, almoçou com a presidente Dilma Rousseff no Palácio da Alvorada, nos oito anos do governo Lula, a inflação média anual foi de 5,8%, para uma meta central de 4,5% perseguida pelo Banco Central. Na atual administração, o IPCA médio chega a 6,2% ao ano. Perante esse quadro, se nada for feito para levar o custo de vida a níveis mais civilizados, os empresários tenderão a olhar para trás a fim de aumentar os preços como forma de proteção. Com isso, a carestia vai se retroalimentar e o risco de sair do controle será enorme. Não se pode esquecer, segundo ele, que a memória inflacionária ainda é latente no país.

Na avaliação de Delfim, caso o Comitê de Política Monetária (Copom), que se reunirá na próxima semana, avalie que há necessidade de aumentar a taxa básica de juros (Selic), atualmente em 7,25% ao ano, não haverá motivo para queixas. Será, no entender dele, uma ação correta, uma vez que o arrocho tende a ser moderado, apenas para corrigir eventuais distorções. O mercado financeiro está dividido. Mesmo depois de o presidente do BC, Alexandre Tombini, alertar que está pronto para agir, parte dos analistas acredita em elevação da Selic neste mês, parte aposta em subida na reunião de maio.

Alimentos

BC já indicou que não poderá mais aceitar a atual disseminação de reajustes. Dos 350 grupos de produtos e serviços acompanhados pelo IBGE, 75% apontaram correção em fevereiro. Como declarou o diretor de Política Econômica da instituição, Carlos Hamilton, o chamado índice de difusão deve ser de, no máximo, 60%. Mas não é só. Desde que o sistema de metas de inflação foi adotado no país, em 1999, em apenas quatro anos (2000, 2006, 2007 e 2009), o IPCA ficou abaixo do centro da meta. A tendência, segundo o BC, é de que, ao longo de todo o governo Dilma, a carestia fique acima de 5%.

Os economistas chamam ainda a atenção para o fato de o centro da meta inflacionária aqui ser muito superior ao que se observa nos países emergentes (3%) e nos desenvolvidos (2%). Ou seja, mesmo buscando um objetivo superior ao de seus parceiros, o Brasil não consegue alcançá-lo. É como se o alvo fosse ampliado e, mesmo assim, o governo não conseguisse atingi-lo, por ter uma pontaria ruim — no caso, políticas que estimulam mais o consumo do que os investimentos produtivos. A equipe econômica atribui a péssima pontaria a constantes choques de preços. O principal deles, o de alimentos.

Na avaliação dos especialistas, é verdade que a alimentação tem sido uma vilã incômoda. Mas, enquanto a comida encarece no Brasil, os preços estão em queda na maior parte do mundo. Para o economista-chefe do Banco ABC Brasil, no ano passado, houve um encarecimento da comida em todo o globo, sobretudo por causa da seca nos Estados Unidos. Mas, depois, os valores começaram a cair em vários países — menos aqui.

A disparidade, na avaliação de Leal, se explica basicamente pelo aumento de custo do frete, que subiu, em média, 50% neste ano no Brasil. “Isso aconteceu, em grande parte, pelo incremento da demanda, com a safra recorde de grãos que está sendo colhida, pelas duas altas nos preços do diesel e pelas novas regras de descanso para os caminhoneiros”, disse. O economista do ABC Brasil citou ainda a tendência de os varejistas repassarem aos consumidores os custos provenientes do aumento de salários de seus funcionários. “Eles podem fazer isso porque o consumo segue forte”, ponderou. Outro fator é o climático. Com excesso de chuvas no Paraná e em Goiás, as principais regiões produtoras de tomate, o fruto acumulou alta de 100% em um ano e se tornou símbolo da alta do custo de vida no país.

Diante desse quadro nada animador, o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas Gomes, é taxativo: “É preciso que o Banco Central dê um sinal mais transparente de como será a condução da política monetária”.


Autor(es): ROSANA HESSEL » PAULO SILVA PINTO
Correio Braziliense - 10/04/2013