terça-feira, 21 de maio de 2013

Vem aumento da SELIC por aí

Aumentam as apostas em alta mais forte da Selic no Copom de maio

Pela terceira sessão seguida na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) cresceram as apostar no aumento de 0,50 ponto percentual para a taxa básica de juros no encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) da semana que vem. Esse movimento, iniciado na quinta-feira, após Alexandre Tombini afirmar que "está vigilante e fará o que for necessário, com a devida tempestividade, para colocar a inflação em declínio no segundo semestre", pode se consolidar hoje.
O presidente do BC fala às 15h na Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização, na Câmara dos Deputados. Segundo operadores, a uma semana do Copom, esse evento pode consolidar as apostas na trajetória de alta firme dos juros.

Ontem, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) de vencimento em julho de 2013 subiu a 7,530% de 7,508% na sexta-feira. Na mesma comparação, o DI de janeiro de 2014 avançou a 8,12% de 8,08%.
Desde que Tombini optou pelas expressões tempestividade e vigilante em detrimento do termo cautela, na quinta-feira, não apenas as taxas subiram na BM&F como aumentou também o volume de contratos de prazos até janeiro de 2014 - que melhor representam as apostas do mercado no atual ciclo de aperto monetário. Essas posições ganharam 930 mil contratos.

Simultaneamente, a taxa real de juros, medida pela diferença entre o contrato de swap de 360 dias e a inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 12 meses, atingiu 2,47% sexta-feira, ante 2,35% de segunda-feira passada.
O reposicionamento chegou às áreas de economia dos bancos. Ontem, o Itaú Unibanco revisou a trajetória da taxa Selic, passando agora a contemplar ajuste de 0,5 ponto percentual no próximo Copom, ante 0,25 ponto. de aumento na estimativa anterior. A expectativa do banco para o orçamento total passou de 1 ponto para 1,5 ponto percentual, o que significa Selic de 8,75% no fim do ciclo de aperto monetário. "O impacto da redução de impostos e a queda temporária nos preços dos alimentos, de fato, reduziram a inflação, mas de forma menos acentuada do que o previsto", aponta relatório o banco.

Operadores apontam que ainda há uma parte do mercado que não se mexeu desde a quinta-feira, podendo aderir aos ajustes na BM&F para projetar um ciclo de aperto monetário mais intenso. Essa tese teve respaldo no boletim Focus, divulgado ontem pelo Banco Central, que mostrou estabilidade nas projeções para o IPCA e para a Selic em 2013, em 5,80% e 8,25% respectivamente.
O dólar teve um dia travado, de fluxos equilibrados, e depois de pequenas altas e baixas, a moeda encerrou a segunda-feira com ganho de 0,10%, a R$ 2,040. Foi o quinto pregão consecutivo de valorização ante o real. Pela primeira vez em semanas, a moeda fechou na contramão do mercado externo. Lá fora, a moeda americana caiu em relação à maioria de seus principais pares, incluindo países exportadores como o Brasil.

"O mercado não mexeu muito, os fluxos ficaram muito equilibrados", disse Diego Donadio, estrategista-chefe do Banco BNP Paribas.
O BC continuou fora do mercado, mesmo com a moeda mais uma vez fechando acima de R$ 2,028, patamar que deflagrou a última intervenção da autarquia no câmbio, em 27 de março.

Um dos fatores que paralisaram o câmbio foi a expectativa do mercado em relação ao discurso do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, amanhã, quando pode sinalizar se a instituição vai ou não antecipar o início do processo de normalização monetária nos Estados Unidos.
"Tanto aqui como lá, o mercado está esperando a ata do Fed e a fala do Bernanke", disse o operador de câmbio de uma corretora em São Paulo. "Depois disso, aí sim o mercado vai se mexer. Até lá, vai ficar mais travado."

Autor(es): Por João José Oliveira, Lucinda Pinto e José Sergio Osse
Valor Econômico - 21/05/2013 www.valoronline.com.br

 

 

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Mais da metade dos inadimplentes deve mais de R$ 500, diz pesquisa

25,96% dos devedores têm mais de 65 anos, segundo SPC e CNDL.
Em abril, 53,77% dos inadimplentes são mulheres, contra 46,23% homens.


Mais da metade dos inadimplentes do comércio varejista em abril têm dívidas com valor acima de R$ 500, de acordo com detalhamento do índice mensal de inadimplência feito pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL)).

De acordo com a pesquisa, 50,49% do total dos consumidores inadimplentes no têm dívidas com valores superiores a R$ 500; enquanto 15,64% devem até R$ 500; 18,17% têm dívidas de até R$ 250; e o valor da dívida dos 15,7% restantes é de até R$ 100.
Na avaliação dos economistas do SPC Brasil, este resultado é reflexo das compras de bens duráveis, que na maioria das vezes, são parceladas ao longo de vários meses. “Mesmo com o recente desempenho do mercado de trabalho e a melhora no nível da renda do brasileiro, muitas pessoas acabam por assumir um número elevado de financiamentos e não conseguem cumprir todos os seus compromissos financeiros”, diz, em nota, a economista Ana Paula Bastos.

Faixa etária
Na análise por faixa etária, a pesquisa indica que a maior parte dos consumidores com dívidas no comércio têm mais de 65 anos (25,96%), grupo seguido de perto pelos de 30 a 39 anos (22,16%).

Para a CNDL e o SPC Brasil, isso ocorre, porque muitos idosos se encontram em uma situação em que têm que arcar com altas despesas como remédios e planos de saúde, além das outras despesas rotineiras. “Além disso, a facilidade que aposentados e pensionistas têm para conseguir empréstimos consignados, aliada ao fraco planejamento financeiro, acaba por comprometer uma parcela significativa da renda destas pessoas”, avalia Ana Paula.
Gênero

No quesito gênero, houve um ligeiro equilíbrio. No mês de abril, 53,77% dos inadimplentes foram mulheres, enquanto 46,23% foram de CPFs de consumidores do sexo masculino. Na visão das entidades, apesar de haver forte disparidade entre o comportamento de homens e mulheres no mês de abri, esse dado mostra a crescente participação das mulheres na vida financeira de suas famílias, dado que muitas delas passaram a serem as principais responsáveis pelas despesas domésticas.

 

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Resenha do Livro Sonho Grande



Sonho grande

"Meu amigo – e agora sócio – Jorge Paulo e sua equipe estão entre os melhores homens de negócios do mundo. Ele é uma pessoa fantástica e sua história deveria ser uma inspiração para todos os brasileiros, assim como é para mim.” - Warren Buffett

Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira ergueram, em pouco mais de quatro décadas, o maior império da história do capitalismo brasileiro e ganharam uma projeção sem precedentes no cenário mundial.

Nos últimos cinco anos eles compraram nada menos que três marcas americanas conhecidas globalmente: Budweiser, Burger King e Heinz. Tudo isso na mais absoluta discrição, esforçando-se para ficar longe dos holofotes.

A fórmula de gestão que desenvolveram, seguida com fervor por seus funcionários, se baseia em meritocracia, simplicidade e busca incessante por redução de custos.

Uma cultura tão eficiente quanto implacável, em que não há espaço para o desempenho medíocre. Por outro lado, quem traz resultados excepcionais tem a chance de se tornar sócio de suas companhias e fazer fortuna.

Sonho grande é o relato detalhado dos bastidores da trajetória desses empresários desde a fundação do banco Garantia, nos anos 70, até os dias de hoje.

****

Em 1971, período de euforia da bolsa brasileira, Jorge Paulo Lemann, um carioca formado em Harvard, campeão de tênis e praticante de pesca submarina, decidiu iniciar um novo negócio. Atraiu alguns sócios e colocou um anúncio no jornal: “Compra-se corretora.” Dias depois, Lemann começava a tocar o que foi o embrião de sua fortuna e de mais de duas centenas de pessoas. Seu nome: Garantia.

No início, ele tinha a seu favor a obstinação pelo trabalho e os exemplos de negócios que o impressionavam, como o banco Goldman Sachs e o grupo varejista Walmart. A partir deles, criou o “modelo Garantia”, baseado em uma filosofia que unia meritocracia, eficiência e a possibilidade de que os melhores funcionários se tornassem acionistas.


Foi um marco do capitalismo brasileiro, que serviu – e serve – de inspiração até hoje para diversas empresas. Com base nesse modelo, Jorge Paulo transformou em sócios dois de seus funcionários – Marcel Telles e Beto Sicupira – e formou um triunvirato sem paralelos na economia do país.

Os banqueiros deram sua primeira tacada na economia real em 1982, com a compra da Lojas Americanas. Menos de uma década depois, em 1989, foi a vez da cervejaria Brahma. Chegaram, literalmente, derrubando paredes. Estabeleceram metas para todos os funcionários, tiraram carros particulares e secretárias das diretorias, otimizaram a produção e multiplicaram os lucros.

Depois vieram a maior fusão que o Brasil havia visto até então, da Brahma com a Antarctica, criando a Ambev; a internacionalização que deu origem à InBev e, por fim, a tão sonhada compra da Anheuser-Busch, criando a AB InBev, a maior cervejaria do mundo. A cultura forjada pelo trio – considerada eficiente por seus entusiastas e excessivamente agressiva por seus críticos – começava a ganhar o planeta.

Nos últimos anos, ainda se tornaram donos de outros dois ícones americanos: a rede mundial de lanchonetes Burger King, presente em quase 80 países, e a marca de alimentos Heinz.
Os bastidores da trajetória desses discretíssimos empresários são agora revelados por uma jornalista que acompanha sua história há mais de uma década.


segunda-feira, 13 de maio de 2013

O brasileiro Rico da Microsoft


O brasileiro que prevê o futuro para a Microsoft

O pesquisador-chefe do Microsoft Research, área de pesquisa da dona do Windows, é brasileiro. Conhecido como Rico, o engenheiro Henrique Malvar, de 55 anos, trabalha com o futuro. Uma tecnologia presente no Kinect, o sensor de movimentos que funciona com o console Xbox, começou a ser estudada por Malvar há 15 anos. Ele também trabalhou no padrão de compressão do H.264, que distribui vídeos em alta definição.
Em seu currículo, Rico tem 115 patentes registradas e outras 10 ou 15 em processo de avaliação. "Fico feliz em saber que uma coisa da qual participei tem um impacto na vida das pessoas", disse ao Valor. 
O brasileiro Henrique Malvar, ou Rico, como é mais conhecido, trabalha com o futuro. Rico não recorre a recursos esotéricos ou a quaisquer outros métodos de adivinhação para prever o que vem por aí. Sua ferramenta para antecipar o futuro é a tecnologia. Com a mente voltada para a ciência e a inovação, o cientista-chefe da Microsoft Research, área de pesquisa da dona do Windows, comanda projetos em sete países. O resultado desse trabalho está presente no dia a dia de milhões de pessoas.
Um produto que resultou dessas pesquisas é uma tecnologia usada no Kinect, o sensor de movimentos que funciona com o console Xbox, da Microsoft. Conhecida como "rede de microfones", a tecnologia começou a ser estudada por Malvar há 15 anos e é usada para determinar quantas pessoas estão em um ambiente e qual a posição de cada uma delas. Malvar também foi um dos engenheiros que trabalharam no padrão de compressão de vídeo H.264, amplamente usado na distribuição de vídeo em alta definição.
Em seu currículo, o pesquisador carioca de 55 anos tem 115 patentes registradas e mais de 10 em processo de avaliação. "Fico feliz em saber que uma coisa da qual participei tem um impacto na vida das pessoas", diz ele, em entrevista ao Valor.
Formado em engenharia elétrica pela Universidade de Brasília, Malvar é Ph.D. em ciência da computação e engenharia elétrica pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) - umas das mais renomadas instituições de ensino e pesquisa do setor.
Há 16 anos na Microsoft Research, Malvar começou como pesquisador e já chefiou o
principal laboratório da companhia, hoje com 350 pessoas, localizado na sede, em Redmond, pequena cidade próxima a Seattle. Nos últimos dois anos passou a acumular duas funções: é responsável por iniciativas conjuntas dos dez centros mundiais de pesquisa e responde integralmente pelos três Laboratórios de Tecnologia Avançada (ATLs, na sigla em inglês) - divisão da Microsoft Research que se dedica a projetos de pesquisa aplicada. Na primeira área, o foco é mais aberto. Na segunda, com os ATLs, a ideia é usar o que é criado para melhorar produtos ou serviços.
No fim do ano entrará em operação o ATL do Brasil, no Rio. A unidade foi anunciada no fim do ano passado como parte de um investimento de R$ 200 milhões da Microsoft no país. O montante inclui a criação de um fundo de investimento e uma aceleradora de negócios, uma estrutura que ajuda companhias ainda iniciantes, mas que já saíram das fases mais básicas de negócios.
No laboratório brasileiro serão pesquisadas novas tecnologias para o buscador Bing, concorrente do Google. "Como brasileiro, fico feliz de ver como tem evoluído e melhorado o cenário de pesquisa no país com os estímulos dos Estados e do governo federal. Há também uma nova mentalidade de quem está estudando, que já enxerga a possibilidade de fazer uma pesquisa mais prática, ou abrir uma empresa", diz Malvar.
A expectativa é que as iniciativas brasileiras estimulem a colaboração com centros de pesquisa globais da empresa e com instituições de ensino locais e internacionais.
A carreira de Malvar na Microsoft começou em 1997, quando deixou a PictureTel, especializada em sistemas de videoconferência, mais tarde comprada pela Polycom. Ao ingressar na PictureTel, em 1993, Malvar mudou-se para os Estados Unidos, onde tornou-se responsável pela área de pesquisa e desenvolvimento da companhia. Em um determinado momento, sentiu a necessidade de voltar a fazer pesquisas mais básicas. Por isso, enviou um e-mail a Nathan Mhyrvold, então responsável pela Microsoft Research, com sugestões de projetos. As propostas lhe renderam um emprego.
Hoje, a rotina de Malvar envolve mais o gerenciamento de equipes do que a pesquisa em si. "Ainda guardo um tempinho para fazer coisas técnicas. Mas não passa de 10% do meu tempo", diz. Um dia típico pode começar às 7 da manhã com discussões com equipes na Europa e terminar 12 horas mais tarde em ligações com a China ou a Índia. Nessas conversas são definidos rumos e objetivos dos diferentes projetos em andamento. "A maioria das coisas não vira produto, mas muitas viram. O que tentamos fazer é detectar rapidamente o que deu errado e achar um caminho que dê certo", diz.
Os investimentos da Microsoft em pesquisa e desenvolvimento somam quase US$ 10 bilhões por ano. A maior parte dos recursos, segundo Malvar, vai para a área de desenvolvimento, que é a criação de produtos propriamente dita. Sem revelar quanto é direcionado para cada atividade, ou quantas pessoas estão sob seu comando direto, Malvar diz que não é barato manter a estrutura de pesquisa: dos mil pesquisadores distribuídos pelo mundo, mais de 800 têm doutorado - o que significa salários elevados.
Mais de 90% do que a Microsoft produz em termos de pesquisa é compartilhado, de forma gratuita, com a comunidade acadêmica. Segundo Malvar, dividir iniciativas que, na avaliação de muitos, deveriam ser guardadas a sete chaves, é benéfico para a Microsoft. "Fomentamos um ecossistema que vai entender melhor os benefícios da tecnologia da informação e da computação. [Essa comunidade] vai testar e dar retorno do que funciona ou não, e assim acabamos aprendendo", diz.
E o que o futuro reserva para os próximos anos? Entre as ideias pesquisadas estão computadores um milhão de vezes mais velozes que os atuais, sistemas de tradução simultânea que simulam a voz do usuário com sotaque e entonação perfeitos, e computadores comandados por gestos e voz, que pedem desculpa quando uma operação não é executada da forma esperada. Algumas dessas tecnologias podem chegar ao mercado em poucos anos, outras, levar décadas. "É importante olhar o futuro. Às vezes temos obtemos respostas para problemas que vão surgir mais adiante", diz.
Autor(es): Por Gustavo Brigatto | De São Paulo
Valor Econômico - 13/05/2013 www.valoronline.com.br

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Diplomata Brasileiro ganha OMC.

PAÍSES EMERGENTES PÕEM BRASILEIRO NA DIREÇÃO DA OMC

SEM OS VOTOS DE EUA E EUROPA, AZEVÊDO VAI COMANDAR A OMC

A vitória de Roberto Azevêdo para a direção-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), o mais importante cargo internacional já ocupado por um brasileiro, abre espaço para uma nova relação entre países emergentes e desenvolvidos nas negociações mundiais. O candidato do Brasil será o primeiro de um país dos Brics a dirigir uma organização multilateral-chave, que tem na liberalização comercial seu principal objetivo. Os emergentes brigaram pelo cargo para tentar equilibrar o comando da governança global, já que a Europa dirige o FMI e os EUA, o Banco Mundial.
 
A vitória do brasileiro Roberto Azevêdo para a direção-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), sobre o mexicano Hermínio Blanco, estimula esperanças de começo de uma nova relação entre países emergentes e desenvolvidos nas negociações internacionais. O candidato do Brasil será o primeiro de um país dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) a dirigir uma organização multilateral chave, que tem na liberalização comercial e na disciplina das regras do jogo no mercado os pilares essenciais para a economia mundial.
Azevêdo ganhou do candidato do México, Herminio Blanco, apesar dos votos dados a ele pelos Estados Unidos e pela União Europeia (UE). No entanto, americanos e europeus "qualificaram" seus votos, na linguagem da OMC, deixando claro que ficariam satisfeitos também com a vitória brasileira.
Nunca se saberá exatamente o número de votos, pelo fato de a escolha ser altamente secreta, mas as estimativas são de que, além dos 28 votos da UE, Blanco não teria obtido mais de 30 outros votos, significando frágil apoio nos países em desenvolvimento - o contrário do representante brasileiro, com apoio espalhado nas regiões e tipos de países. Na verdade, teria sido difícil a comissão de seleção explicar aos 159 países da OMC uma eventual vitória do candidato mexicano, e a entidade teria entrado num novo clima de acrimônia.
 
Desde o ano passado, ficou claro que os países emergentes queriam brigar pela direção da OMC para tentar equilibrar o comando da governança global, já que o Fundo Monetário Internacional (FMI) é dirigido por uma europeia e os americanos mantêm o controle do Banco Mundial (Bird).
A expectativa, agora, é que, com a eleição de um diretor-geral com amplo apoio, forte credibilidade entre os três grupos de países - desenvolvidos, emergentes e os mais pobres -, seja bem menos difícil criar um ambiente de confiança para retomar as negociações de liberalização global. Além disso, o que for bem sucedido na OMC em termos de entendimento tende a ter efeito em várias outras negociações internacionais onde emergentes e desenvolvidos continuam a se afrontar, como na área climática. Não é que Azevêdo tenha a varinha mágica. Mas, como notam observadores, ele pode ser capaz de mediar entendimentos.
Os países industrializados podem, por outro lado, argumentar agora também que os
emergentes precisam de fato assumir mais responsabilidades na governança global. Além disso, com um brasileiro no comando da OMC, a política comercial do país poderá ser gradualmente "estimulada" a seguir com mais cuidado as regras globais.
O dia ontem foi de tensão em Genebra. Apesar da tensão provocada pelos votos da UE ao mexicano, a própria Comissão Europeia, braço executivo dos 27 países membros, mantinha a fé na vitória de Azevedo. Num clima de enorme expectativa e tensão, a UE e os EUA foram os últimos a votar, por volta do meio-dia. Os dois gigantes comerciais deram voto a Blanco, mas ressalvando que estariam cômodos com uma vitória de Azevêdo.
Logo cedo, novos detalhes da escolha feita pela UE foram conhecidos. A grande surpresa na Comissão Europeia continuava sendo o militantismo do Reino Unido contra Azevêdo. Na votação decisiva na segunda-feira no bloco comunitário, o governo de David Cameron de novo ameaçou vetar um consenso em torno do candidato brasileiro. Para Londres, Blanco era o símbolo da abertura comercial e precisava ser apoiado.
No bloco europeu, as línguas começavam a se soltar e ajudavam a explicar votos contra o Brasil. No caso da França, foi atribuído a uma forma de "dar o troco" a uma polêmica declaração da presidente Dilma Rousseff sobre suposto neocolonialismo pela intervenção do exército francês no Mali, que irritou profundamente o governo de François Hollande.
A vitória de Roberto Azevêdo será confirmada oficialmente hoje pela OMC no começo da tarde.
Valor Econômico - 08/05/2013 – www.valoronline.com.br

terça-feira, 7 de maio de 2013

INFLAÇÃO TORNA-SE A PRINCIPAL PREOCUPAÇÃO DE EMPRESÁRIOS
A inflação voltou ao topo das preocupações dos executivos brasileiros. Em uma lista de seis problemas imediatos - inflação, câmbio, mão de obra, inadimplência, custo do crédito e demanda fraca -, o aumento dos preços recebeu notas de oito a dez para a maioria dos 23 premiados na 13ª edição do "Executivo de Valor", durante evento realizado ontem à noite, em São Paulo. O prêmio é concedido aos melhores executivos em 23 setores da economia.
"Tudo o que a indústria tenta ganhar em produtividade para ser mais competitiva perde na inflação. Essa escalada inflacionária é uma grande ameaça", diz Fábio Venturelli, presidente do grupo sucroalcooleiro São Martinho. "A inflação reduz a capacidade de compra das pessoas e quem mais sofre são os que têm os menores salários", diz Márcio Utsch, presidente da Alpargatas.
 A inflação voltou ao topo da preocupação dos executivos brasileiros. Em uma lista de seis preocupações imediatas - inflação, câmbio, mão de obra, inadimplência, custo do crédito e demanda fraca -, o efeito perverso dos aumentos de preços dos insumos, dos serviços e dos bens finais, que reduzem a renda real da população, recebeu nota de oito a dez entre a maioria dos 23 premiados na 13ª edição do prêmio "Executivo de Valor", em evento ontem à noite em São Paulo.
 
Na sequência das preocupações, a qualificação da mão de obra - temor número um em 2012 - veio em segundo lugar, acompanhada de perto pelo câmbio, enquanto o custo do crédito, o aumento da inadimplência e a falta de demanda não passaram despercebidos, mas foram itens cuja preocupação variou muito de acordo com o setor de atuação de cada executivo.
 
Se a inflação é uma preocupação de curto prazo e seu controle uma condição indispensável para o Brasil voltar a crescer, a receita dos executivos para um Produto Interno Bruto (PIB) mais robusto e sustentável nos próximos anos passa por uma palavra-chave: competitividade. E isso depende, dizem eles, de políticas públicas mais claras que devolvam a confiança para que as empresas invistam, seja na produção, seja em infraestrutura.
 
O presidente da Microsoft, Michel Levy, diz que a inflação está indiretamente afetando os negócios de sua empresa, pois ela reduz o poder aquisitivo das pessoas. "Se a tendência de alta perdurar, ela poderá, sim, afetar nossos negócios de forma mais direta", diz Levy. O impacto da inflação sobre a renda real das famílias também está no topo das preocupações de Márcio Utsch, diretor-presidente da Alpargatas, junto com o câmbio. "A inflação reduz a capacidade das pessoas de comprar e quem mais sofre são os que têm os menores salários", diz Utsch. A inflação de serviços, ressalva, tem um impacto ainda maior, tornando o aumento do nível de preços uma preocupação generalizada.
 
Operando em um setor cuja demanda está diretamente ligada à renda da população, o presidente da BRF Foods, José Antonio do Prado Fay, acredita que, no curto prazo, o país precisa controlar a inflação e retomar uma expectativa positiva para o futuro, destravando a agenda de investimentos. A inflação, diz ele, é um entrave que afeta a todos os consumidores. "E como tudo que afeta o consumo se reflete na cadeia produtiva, por consequência, há impactos para as empresas", diz Fay.
 
O grupo sucroalcooleiro São Martinho avalia que a inflação mais alta já vem afetando os negócios da companhia, sobretudo com impacto decorrente do maior preço dos insumos e na folha de pagamento. "Tudo o que a indústria tenta ganhar de produtividade para ser mais competitiva perde na inflação. Essa escalada inflacionária é uma grande ameaça", diz Fábio Venturelli. presidente do grupo. "A inflação rouba renda do consumidor", afirma o presidente da Ambev, João Castro Neves. "O problema do aumento do custo da mão de obra, sempre se pode administrar, mas com a inflação isso não é possível", diz ele.
 
Embora afirme que a inflação ainda não afeta os negócios, o presidente da farmacêutica Sanofi para América Latina, Heraldo Marchezini, apontou a alta generalizada de preços como o principal entrave econômico do momento. Na Whirlpool, a alta da inflação, principalmente das commodities, tem deixado mais cara a produção dos equipamentos da linha branca, disse o presidente da empresa na América Latina, João Carlos Brega. Segundo Brega, a Whirpool, dona da marca Brastemp, tem lançado novos produtos e investido em inovação e tecnologia para driblar o impacto da alta de custos.
 
O presidente da EcoRodovias, Marcelino Rafart de Seras, listou inflação e falta de mão de obra qualificada como os principais problemas da economia brasileira. Para o presidente da EcoRodovias, o país precisa fazer investimentos "pesados" em infraestrutura, além das reformas fiscal, trabalhista e política, para voltar a crescer de maneira mais expressiva. "É importante também recuperar a confiança do investidor estrangeiro e reduzir gastos correntes, aumentando o superávit primário", diz.
 
A demanda fraca e o câmbio estão entre as maiores preocupações de Harry Schmelzer Jr., presidente da fabricante de motores elétricos WEG. "A indústria passa por um momento difícil no Brasil, o que pode ser percebido pela perda gradual de dinamismo e participação do setor no crescimento da economia", afirma Schmelzer, que mesmo assim se diz otimista com relação à economia brasileira.
 
Medidas adotadas pelo governo federal - como a redução do custo do crédito, o câmbio mais competitivo e a desoneração da folha de pagamento - ajudaram a mitigar os problemas da indústria, segundo Schmelzer. Uma retomada rápida do crescimento brasileiro, entretanto, envolve, na opinião dele, mais investimentos em infraestrutura e na melhora das condições logísticas para o escoamento da produção.
 
Operando em um setor com déficit comercial crescente, o presidente da petroquímica Braskem, Carlos Fadigas, também colocou o câmbio no topo de suas preocupações, seguido da inflação. Outro empresário com o mesmo temor é o presidente da Positivo Informática, Hélio Rotenberg. Para voltar a crescer, diz ele, o Brasil precisa equilibrar os gastos públicos, e para efeitos de médio e longo prazo na expansão da economia, Rotenberg defende mais investimentos em educação, e tornar a educação pública de qualidade.
 
A preocupação com a inflação também está presente no setor de serviços. A manutenção do poder de compra da população, crescente nos últimos anos, é essencial para o avanço do setor de telecomunicações, diz Antonio Carlos Valente, presidente da Vivo, por isso, diz ele, "todos os esforços para manter níveis administráveis de inflação são muito positivos".
 
Na opinião de Valente, o governo tem acertado ao promover desoneração tributária para a indústria, atingida pela concorrência de produtos importados. A medida para ele, pode contribuir para o crescimento econômico do país. O consumo, para ele, não deve ficar para trás. "O país deve continuar a incentivar o consumo interno e, especialmente, o investimento privado", diz.
 
O presidente do BTG, André Esteves, afirma que, embora a alta recente da inflação seja uma questão que precisa ser monitorada, não se trata de um problema da magnitude de duas décadas atrás. Para ele, a pressão sobre os índices de preço deve ser combatida da maneira tradicional, ou seja, com política monetária, e sem muita "celeuma". Em uma escala de zero a dez sobre os maiores problemas da economia brasileira hoje - quanto mais alta, maior a preocupação -, o presidente do BTG Pactual classificou a inflação com nota 5. O executivo coloca a questão da mão de obra, incluindo encargos e educação, como um dos principais entraves para o país, com nota 10.
 
O presidente da rede O Boticário, Artur Grynbaum, diz que a rede sentiu uma leve desaceleração no primeiro trimestre e em abril houve uma recuperação dos resultados, mas não acredita que isso tenha a ver com a inflação. "Ninguém hoje repassa todo o aumento de custo para a ponta, ao consumidor, por isso os preços no nosso setor não sentem todo esse efeito de custos maiores", disse. "O que percebemos como maior pressão inflacionária é no custo da mão de obra. Ninguém quer a volta da inflação, é uma preocupação."
 
Apesar das medidas de desoneração adotadas pelo governo, alguns executivos continuaram apontando a carga tributária como um grande entrave ao crescimento do país. Para o executivo José Galló, presidente da Renner, a "burocracia paralisante, a alta carga tributária e os altos custos da mão de obra no país", estão entre os fatores que mais o preocupam.
 
Numa lista de seis itens que mais preocupam o presidente da Ambev, João Castro Neves, ele cita, em primeiro lugar, a carga tributária - aspecto que não estava mencionado na lista apresentada pelo Valor aos executivos premiados. A demanda fraca também entra como alta preocupação, seguida da inflação, câmbio e mão de obra.
 
Formação de mão de obra e custo do crédito bancário são dois problemas econômicos do país que mais preocupam o empresário Marcelo Odebrecht, presidente da Odebrecht. "É fundamental o crédito para a pequena e média empresa, para o consumidor final e financiamentos para projetos", afirmou o executivo. Sobre a qualificação de mão de obra, ele afirmou que é um problema atrelado ao tema da educação. "Sempre falo: no longo prazo, tem de se preocupar com a formação da futura geração; no curto prazo, a qualificação profissional."
 
Valor Econômico - 07/05/2013 www.valoronlie.com.br

O Retorno do medo da Inflação


INFLAÇÃO TORNA-SE A PRINCIPAL PREOCUPAÇÃO DE EMPRESÁRIOS

A inflação voltou ao topo das preocupações dos executivos brasileiros. Em uma lista de seis problemas imediatos - inflação, câmbio, mão de obra, inadimplência, custo do crédito e demanda fraca -, o aumento dos preços recebeu notas de oito a dez para a maioria dos 23 premiados na 13ª edição do "Executivo de Valor", durante evento realizado ontem à noite, em São Paulo. O prêmio é concedido aos melhores executivos em 23 setores da economia.

"Tudo o que a indústria tenta ganhar em produtividade para ser mais competitiva perde na inflação. Essa escalada inflacionária é uma grande ameaça", diz Fábio Venturelli, presidente do grupo sucroalcooleiro São Martinho. "A inflação reduz a capacidade de compra das pessoas e quem mais sofre são os que têm os menores salários", diz Márcio Utsch, presidente da Alpargatas.
A inflação voltou ao topo da preocupação dos executivos brasileiros. Em uma lista de seis preocupações imediatas - inflação, câmbio, mão de obra, inadimplência, custo do crédito e demanda fraca -, o efeito perverso dos aumentos de preços dos insumos, dos serviços e dos bens finais, que reduzem a renda real da população, recebeu nota de oito a dez entre a maioria dos 23 premiados na 13ª edição do prêmio "Executivo de Valor", em evento ontem à noite em São Paulo.

Na sequência das preocupações, a qualificação da mão de obra - temor número um em 2012 - veio em segundo lugar, acompanhada de perto pelo câmbio, enquanto o custo do crédito, o aumento da inadimplência e a falta de demanda não passaram despercebidos, mas foram itens cuja preocupação variou muito de acordo com o setor de atuação de cada executivo.
Se a inflação é uma preocupação de curto prazo e seu controle uma condição indispensável para o Brasil voltar a crescer, a receita dos executivos para um Produto Interno Bruto (PIB) mais robusto e sustentável nos próximos anos passa por uma palavra-chave: competitividade. E isso depende, dizem eles, de políticas públicas mais claras que devolvam a confiança para que as empresas invistam, seja na produção, seja em infraestrutura.

O presidente da Microsoft, Michel Levy, diz que a inflação está indiretamente afetando os negócios de sua empresa, pois ela reduz o poder aquisitivo das pessoas. "Se a tendência de alta perdurar, ela poderá, sim, afetar nossos negócios de forma mais direta", diz Levy. O impacto da inflação sobre a renda real das famílias também está no topo das preocupações de Márcio Utsch, diretor-presidente da Alpargatas, junto com o câmbio. "A inflação reduz a capacidade das pessoas de comprar e quem mais sofre são os que têm os menores salários", diz Utsch. A inflação de serviços, ressalva, tem um impacto ainda maior, tornando o aumento do nível de preços uma preocupação generalizada.
Operando em um setor cuja demanda está diretamente ligada à renda da população, o presidente da BRF Foods, José Antonio do Prado Fay, acredita que, no curto prazo, o país precisa controlar a inflação e retomar uma expectativa positiva para o futuro, destravando a agenda de investimentos. A inflação, diz ele, é um entrave que afeta a todos os consumidores. "E como tudo que afeta o consumo se reflete na cadeia produtiva, por consequência, há impactos para as empresas", diz Fay.

O grupo sucroalcooleiro São Martinho avalia que a inflação mais alta já vem afetando os negócios da companhia, sobretudo com impacto decorrente do maior preço dos insumos e na folha de pagamento. "Tudo o que a indústria tenta ganhar de produtividade para ser mais competitiva perde na inflação. Essa escalada inflacionária é uma grande ameaça", diz Fábio Venturelli. presidente do grupo. "A inflação rouba renda do consumidor", afirma o presidente da Ambev, João Castro Neves. "O problema do aumento do custo da mão de obra, sempre se pode administrar, mas com a inflação isso não é possível", diz ele.
Embora afirme que a inflação ainda não afeta os negócios, o presidente da farmacêutica Sanofi para América Latina, Heraldo Marchezini, apontou a alta generalizada de preços como o principal entrave econômico do momento. Na Whirlpool, a alta da inflação, principalmente das commodities, tem deixado mais cara a produção dos equipamentos da linha branca, disse o presidente da empresa na América Latina, João Carlos Brega. Segundo Brega, a Whirpool, dona da marca Brastemp, tem lançado novos produtos e investido em inovação e tecnologia para driblar o impacto da alta de custos.

O presidente da EcoRodovias, Marcelino Rafart de Seras, listou inflação e falta de mão de obra qualificada como os principais problemas da economia brasileira. Para o presidente da EcoRodovias, o país precisa fazer investimentos "pesados" em infraestrutura, além das reformas fiscal, trabalhista e política, para voltar a crescer de maneira mais expressiva. "É importante também recuperar a confiança do investidor estrangeiro e reduzir gastos correntes, aumentando o superávit primário", diz.

A demanda fraca e o câmbio estão entre as maiores preocupações de Harry Schmelzer Jr., presidente da fabricante de motores elétricos WEG. "A indústria passa por um momento difícil no Brasil, o que pode ser percebido pela perda gradual de dinamismo e participação do setor no crescimento da economia", afirma Schmelzer, que mesmo assim se diz otimista com relação à economia brasileira.

Medidas adotadas pelo governo federal - como a redução do custo do crédito, o câmbio mais competitivo e a desoneração da folha de pagamento - ajudaram a mitigar os problemas da indústria, segundo Schmelzer. Uma retomada rápida do crescimento brasileiro, entretanto, envolve, na opinião dele, mais investimentos em infraestrutura e na melhora das condições logísticas para o escoamento da produção.

Operando em um setor com déficit comercial crescente, o presidente da petroquímica Braskem, Carlos Fadigas, também colocou o câmbio no topo de suas preocupações, seguido da inflação. Outro empresário com o mesmo temor é o presidente da Positivo Informática, Hélio Rotenberg. Para voltar a crescer, diz ele, o Brasil precisa equilibrar os gastos públicos, e para efeitos de médio e longo prazo na expansão da economia, Rotenberg defende mais investimentos em educação, e tornar a educação pública de qualidade.

A preocupação com a inflação também está presente no setor de serviços. A manutenção do poder de compra da população, crescente nos últimos anos, é essencial para o avanço do setor de telecomunicações, diz Antonio Carlos Valente, presidente da Vivo, por isso, diz ele, "todos os esforços para manter níveis administráveis de inflação são muito positivos".

Na opinião de Valente, o governo tem acertado ao promover desoneração tributária para a indústria, atingida pela concorrência de produtos importados. A medida para ele, pode contribuir para o crescimento econômico do país. O consumo, para ele, não deve ficar para trás. "O país deve continuar a incentivar o consumo interno e, especialmente, o investimento privado", diz.

O presidente do BTG, André Esteves, afirma que, embora a alta recente da inflação seja uma questão que precisa ser monitorada, não se trata de um problema da magnitude de duas décadas atrás. Para ele, a pressão sobre os índices de preço deve ser combatida da maneira tradicional, ou seja, com política monetária, e sem muita "celeuma". Em uma escala de zero a dez sobre os maiores problemas da economia brasileira hoje - quanto mais alta, maior a preocupação -, o presidente do BTG Pactual classificou a inflação com nota 5. O executivo coloca a questão da mão de obra, incluindo encargos e educação, como um dos principais entraves para o país, com nota 10.

O presidente da rede O Boticário, Artur Grynbaum, diz que a rede sentiu uma leve desaceleração no primeiro trimestre e em abril houve uma recuperação dos resultados, mas não acredita que isso tenha a ver com a inflação. "Ninguém hoje repassa todo o aumento de custo para a ponta, ao consumidor, por isso os preços no nosso setor não sentem todo esse efeito de custos maiores", disse. "O que percebemos como maior pressão inflacionária é no custo da mão de obra. Ninguém quer a volta da inflação, é uma preocupação."

Apesar das medidas de desoneração adotadas pelo governo, alguns executivos continuaram apontando a carga tributária como um grande entrave ao crescimento do país. Para o executivo José Galló, presidente da Renner, a "burocracia paralisante, a alta carga tributária e os altos custos da mão de obra no país", estão entre os fatores que mais o preocupam.

Numa lista de seis itens que mais preocupam o presidente da Ambev, João Castro Neves, ele cita, em primeiro lugar, a carga tributária - aspecto que não estava mencionado na lista apresentada pelo Valor aos executivos premiados. A demanda fraca também entra como alta preocupação, seguida da inflação, câmbio e mão de obra.

Formação de mão de obra e custo do crédito bancário são dois problemas econômicos do país que mais preocupam o empresário Marcelo Odebrecht, presidente da Odebrecht. "É fundamental o crédito para a pequena e média empresa, para o consumidor final e financiamentos para projetos", afirmou o executivo. Sobre a qualificação de mão de obra, ele afirmou que é um problema atrelado ao tema da educação. "Sempre falo: no longo prazo, tem de se preocupar com a formação da futura geração; no curto prazo, a qualificação profissional."

Valor Econômico - 07/05/2013 www.valoronlie.com.br