sexta-feira, 26 de julho de 2013

JMJ - Prejuízo milionário com as chuvas no Rio



Chuva interdita o Campo da Fé. Prejuízo chega a R$ 5 milhões

Eventos previstos em Guaratiba são transferidos para Copacabana por causa dos temporais que atingiram o Rio e deixaram o Campo da Fé cheio de lama. Só o palco principal custou R$ 5 milhões

Campus da Fé alagado
As fortes chuvas que atingiram a capital fluminense provocaram grandes mudanças na programação da Jornada Mundial da Juventude. Os dois últimos eventos previstos, a vigília e a missa de envio, marcados para o fim de semana em Guaratiba, na Zona Oeste, foram transferidos do Campo da Fé para a praia de Copacabana, na Zona Sul. De acordo com o prefeito Eduardo Paes, os temporais que castigaram o Rio desde o início da semana deixaram o terreno enlameado e cheio de poças d’água, o que dificultaria o caminho dos peregrinos e a permanência no local durante o fim de semana.

Em entrevista coletiva na tarde de ontem, Paes pediu compreensão aos moradores de Copacabana por se tratar de um caso de força maior. Ele afirmou que a situação de Guaratiba se agravou por causa das chuvas e oferecia risco aos fiéis. “Tomamos a decisão de cancelar por causa das chuvas intensas desde segunda-feira e como tem vigília, sob o ponto de vista de saúde, colocaria pessoas em risco”, disse o prefeito, que estava acompanhado dos ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Gilberto Carvalho (secretário-geral da Presidência). Antes do cancelamento, operários que trabalhavam na obra se queixavam do alagamento. Para dom Paulo Cezar Costa, bispo auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro e que compõe o Comitê Organizador Local, “seria uma atitude irresponsável manter a vigília ali”.

Paes ainda afirmou que a mudança foi definida com antecedência, mas pode não haver tempo para que sejam transferidos todos os banheiros. Por isso, recomenda aos peregrinos que voltem para casa no sábado. Ele afirmou também que os peregrinos poderão dormir na praia de Copacabana durante a vigília, mas não poderão armar barracas e acampar no local, o que provocou reclamações nas redes sociais. Sem a proteção, o público deve sofrer com o frio. A previsão da temperatura mínima é de 11°C na sexta-feira e de 10°C no sábado. “A programação continua a mesma. A única diferença é que não se pode dormir na praia”, afirmou o padre Márcio Queiroz. “Já passamos por situações semelhantes. Em Toronto, durante a vígilia, caiu uma tempestade”, completou o padre italiano Federico Lombardi.

Os custos da obra realizada não foram divulgados, mas é certo que a mudança de última hora traz prejuízos econômicos para uma série de pessoas, desde moradores de Guaratiba que se prepararam para vender alimentos e perderam milhares de clientes, passando pelas lanchonetes contratadas, ônibus e vans que transportariam pessoas para a Zona Oeste.

Terreno

Questionado se houve erro da prefeitura na escolha do terreno destinado para a Jornada Mundial da Juventude, Eduardo Paes se defendeu. “Não tenho dificuldade em admitir erros. É regra da jornada ter dois locais.” A prefeitura do Rio prevê a aplicação de cerca R$ 26 milhões no evento como um todo por meio de serviços, logística e planejamento, que incluem desde a urbanização das vias de acesso ao Campo da Fé; limpeza e dragagem do Rio Piraquê (na região); construção de passarelas para os peregrinos, entre outras ações.

A estrutura montada para receber os cerca de 320 mil peregrinos em Guaratiba é gigantesca. O terreno de 1,3 milhão de metros quadrados foi dividido em 22 lotes, com 32 ilhas de serviço com lanchonetes, lojas oficiais, banheiros, torres de vigilância e bebedouros para dar suporte aos participantes do evento. O palco, cujo custo é estimado em R$ 5 milhões, mede 75m de largura e 68m de profundidade e já estava montado para os eventos e contornado por colunas com as palavras amor, amizade e união. Havia ainda 33 telões de LED espalhados e uma cruz de 33m de altura, uma das principais atrações do cenário. Além de toda a estrutura, o terreno precisou ser terraplanado para o evento.

Mais uma semana

Os símbolos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), a cruz peregrina e o ícone de Nossa Senhora, permanecerão no Brasil após o retorno do papa ao Vaticano, no próximo domingo. Eles ficarão no Rio até 6 de agosto. Durante o período, deverão percorrer mais de 30 presídios e unidades de correção socioeducativas. 

Convite aos presidentes

A presidente Dilma Rousseff convidou os presidentes de todos os países da América do Sul para a missa de encerramento da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), no próximo domingo. Até agora, três confirmaram presença na cerimônia: a presidente da Argentina, Cristina Kirchner; o da Bolívia, Evo Morales; e o do Suriname, Dési Astori, além do vice-presidente do Uruguai, Danilo Astori. O convite de Dilma aos líderes sul-americanos foi feito há cerca de duas semanas. A presidente também vai participar da missa, que também marcará a despedida pública do papa no Brasil. Francisco embarcará de volta ao Vaticano no começo da noite de domingo. O vice-presidente Michel Temer representará o governo brasileiro na cerimônia de despedida, na Base Aérea do Galeão.

Autor(es): PEDRO VENANCIO
Correio Braziliense - 26/07/2013 www.correioweb.com.br

terça-feira, 23 de julho de 2013



Mesmo com PIB pequeno, arrecadação é recorde

Os brasileiros nunca pagaram tantos impostos em um primeiro semestre. Segundo dados da Secretaria da Receita Federal, no acumulado do ano até junho, a arrecadação bateu em R$ 543,9 bilhões, um recorde para o período. Apesar do resultado positivo, o crescimento comparado a 2012 foi pequeno, um avanço de apenas 0,49%. O fraco desempenho da economia, a pior rentabilidade das aplicações financeiras e as desonerações dadas para estimular o país foram barreiras para um resultado melhor. Ainda assim, para o ano, o Fisco mantém a estimativa de expansão do recolhimento entre 3% e 3,5%.

A arrecadação total de junho ficou em R$ 85,6 bilhões — cifra 1% menor do que a observada no mesmo mês de 2012. Foi o pior junho desde 2007, antes da crise financeira mundial. Segundo Carlos Alberto Barreto, secretário da Receita, a alta real neste ano e o novo recorde só foram possíveis devido ao recolhimento extraordinário de R$ 4 bilhões do PIS, do Cofins, do IRPJ e da CSLL em decorrência de depósitos judiciais e da venda de participação societária. Ainda de acordo com os dados divulgados ontem pelo Fisco, sem essas operações, o resultado seria negativo no acumulado de 2013.

O lento crescimento da arrecadação foi influenciado pela forte volatilidade dos títulos públicos nos últimos meses, que atrapalhou a receita com aplicações financeiras. E, também, pelas desonerações, que até junho alcançaram R$ 35 bilhões. Para Barreto, os programas de concessões podem afetar positivamente o recolhimento, mas indiretamente. Ele explicou que os investimentos e a contratação de trabalhadores, além da compra de produtos e serviços, a partir dessas concessões, podem se tornar fatos geradores de tributos. "Todo investimento é fato gerador para a arrecadação", afirmou.

Correio Braziliense - 23/07/2013

sábado, 20 de julho de 2013

Alimento tem alta de 11,94%


Com a ajuda do congelamento das passagens de ônibus e metrô, resultado das manifestações populares iniciadas em junho, e da redução no preço dos alimentos, a inflação deu uma trégua momentânea aos brasileiros. O índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) teve aumento de apenas 0,07% na prévia da primeira quinzena deste mês
 Apesar da boa notícia, ainda não há muito o que comemorar. Nos últimos 12 meses, o indicador acumula elevação de 6,4%, e o grupo dos alimentos e bebidas, um dos que mais pesam no bolso da população, chegou a encarecer 11,94%, quase o dobro da inflação oficial. Em algumas capitais, como Recife e Fortaleza, a pressão foi ainda maior, e as altas alcançaram 15,92% e 16,66%, respectivamente.

Na variação anual, o índice calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ficou pouco abaixo do limite de tolerância de 6,5%. Isso significa que o Banco Central terá de suar muito a camisa para trazer os preços para o centro da meta, de 4,5%.

Não à toa, o banco inglês Barclays aposta que a autoridade monetária terá de recorrer a novas altas de juros. Ao Correio, o economista-chefe para a América Latina, Marcelo Solomon, disse esperar mais duas elevações da taxa Selic ainda em 2013. Com isso, ela chegaria a 9,25% ao ano e lá ficaria ao longo de 2014, enterrando de vez a bandeira do governo Dilma Rousseff de ter levado os juros básicos ao menor patamar histórico.

"O governo já sentiu o custo político que é tolerar uma a inflação elevada por muito tempo. Além do consumo ter enfraquecido, porque a renda real dos trabalhadores começou a cair, o crescimento da economia veio fraquíssimo no primeiro semestre", disse Solomon.

Neste mês, o grupo transportes registrou deflação de 0,55% e, sozinho, foi responsável por uma redução de 0,11 ponto percentual do IPCA-15. Alimentação e bebidas, com deflação de 0,18%, retirou mais 0,04 ponto do índice total. "Essa ajuda, no entanto, é temporária. Acredito que, depois de algum alívio nos próximos dois ou três meses, o indicador deverá retornar ao nível normal de altas de 0,50% a cada mês", avaliou o economista Jankiel Santos, do banco português BES Investimento.

Além disso, a alta do dólar, que ontem encerrou o dia cotado a R$ 2,24, com elevação de 0,69%, ainda pode trazer mais prejuízos ao bolso do consumidor. Nos cálculos da economista Cassiana Fernandez, do banco norte-americano JP Morgan, o repasse do câmbio para a inflação será de 0,6% mensais no quarto trimestre, o triplo da pressão que a divisa exercia até agora sobre os preços. "Isso fará o IPCA encerrar 2013 em 5,9%", disse ela. Se a previsão se confirmar, será o quarto ano consecutivo em que o índice ficará acima do centro da meta de 4,5%.

fonte: www.correioweb.com.br
 

quinta-feira, 18 de julho de 2013

BNDES busca investidor para salvar grupo de Eike

Prioridades são o Porto de Açu e a empresa de mineração MMX; banco não participa da busca de soluções para a empresa de petróleo OGX A busca por investidores que levem à frente projetos do grupo EBX passou a contar com a contribuição efetiva do BNDES, segundo duas fontes que acompanham as negociações. Entre as prioridades, estão o Porto do Açu e ativos da empresa de mineração MMX. O banco não participa, porém, da busca de soluções para a OGX, a empresa de petróleo que era a maior aposta de Eike Batista e tem sido a principal causa da derrocada do grupo. Empresas do setor automotivo encabeçam os esforços do banco na busca por novos investidores no Porto do Açu, no município de São João da Barra, no Rio. A avaliação é que, com 70% dos investimentos já prontos, o porto pode ser concluído com financiamento do banco, já com novos empreendedores. A fabricante chinesa de caminhões Foton Motors, que anunciou no início do mês o projeto de uma montadora no Rio, tendo como opções as localidades de Seropédica ou Itatiaia, no Rio, pode ter o alvo desviado para o Açu. Com condições diferenciadas de financiamento, outras duas empresas automobilísticas estariam sendo sondadas. Outro setor atraente é o da indústria farmacêutica. Já houve tentativas infrutíferas com. representantes da indústria de alimentos e de eletrodomésticos da linha branca. Antes da fase mais profunda da crise do grupo X, a área técnica do BNDES estava avaliando um empréstimo de longo prazo para o porto, que teve sua análise suspensa até a definição da situação do empreendimento. O empréstimo-ponte de R$ 518 milhões - liberado em duas parcelas, a última em dezembro de 2012 -, que fez parte desse pacote, vence em setembro, para quando o banco esperava a aprovar o financiamento definitivo. Há um ano, em seu relatório de resultados, a LLX informava que o investimento total estimado para o Superporto do Açu, considerando o icuido para a instalação da Unidade de Construção Naval da OSX, totaliza R$ 3,8 bilhões, dos quais R$ 974 milhões para a LLX Minas-Rio e R$ 2,8 bilhões para a LLX Açu. No BNDES, o Porto do Açu é tido como "ativo bom" no grupo X. Mas o projeto, concebido como um polo industrial e não apenas uma zona portuária, tem sofrido com os revezes de Eike. A intenção é só retomar o programa com a certeza de que as áreas serão ocupadas por empreendimentos. "O Porto do Açu vai sair sozinho. Não precisa de incentivos", argumenta o secretário estadual de Desenvolvimento, Julio Bueno. MPX. Dentro de um mês deve ser concluído o aumento de capital da MPX, empresa de geração de energia elétrica que terá o nome alterado para desvincular a empresa definitivamente da marca de Eike Batista. A alemã E.On, que passou a deter 36% da companhia, já informou que aportará R$ 400 milhões, como parte do aumento de capital de R$ 800 milhões. No BNDES, segundo uma fonte ouvida pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, há intenção de acompanhar o aumento e o banco ainda avalia a possibilidade de elevar sua participação na empresa. A MPX mereceu mais da metade dos R$ 10,7 bilhões destinados pelo banco às empresas do grupo X. É considerada uma empresa líquida e com bom retorno. Autor(es): Irany Tereza O 

Estado de S. Paulo - 18/07/2013 www.estadao.com.br

quarta-feira, 17 de julho de 2013


Inadimplência cresce 5,6% no 1º semestre de 2013, diz Serasa

Apesar do aumento, essa é a menor variação para o período desde 2011. Na comparação mensal - junho contra maio - índice caiu 4% e na anual, 3%.

A inadimplência do consumidor fechou o primeiro semestre de 2013 com avanço de 5,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com pesquisa da  Serasa Experian, divulgada hoje quarta-feira (17/7). Essa é a menor variação para o período desde 2011, quando a inadimplência do consumidor cresceu 21,6%.

Na variação mensal, de junho contra maio, o índice caiu 4% e na anual, 3%.

O que mais contribuiu para o crescimento do indicador no primeiro semestre do ano foi dívidas não bancárias (junto aos cartões de crédito, financeiras, lojas em geral e prestadoras de serviços como telefonia e fornecimento de energia elétrica, água etc.), com variação positiva de 12,6%.

A inadimplência com bancos também cresceu 1,3%. Já os cheques sem fundos apresentaram queda de 9,4% e os títulos protestados também caíram 1,4%.

De acordo com a Serasa, o valor médio da inadimplência não bancária apresentou queda de 10,9% no primeiro semestre de 2013, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Em relação aos títulos protestados, o recuo foi de 2,2%. Já as dívidas com os bancos e os cheques sem fundos registraram alta de 5,4% e 10,4%,

Na avaliação dos economistas da Serasa Experian, o consumidor está mais cauteloso em relação à sua situação financeira neste primeiro semestre do ano. "A inflação reduziu o poder aquisitivo e o ciclo de elevação dos juros tem penalizado aqueles que utilizam intensamente o cheque especial e o rotativo do cartão de crédito. Diante deste cenário, o consumidor evita novas compras a prazo e prioriza o pagamento e a renegociação das dívidas", disse a Serasa, em nota.

 

terça-feira, 16 de julho de 2013


Número de famílias com dívidas volta a subir em julho, diz CNC

Percentual chegou a 65,2%, o segundo maior desde 2010.
Em relação a julho de 2012, o aumento foi de 7,6 pontos percentuais.

O percentual de famílias brasileiras com dívidas subiu para 65,2% em julho, enquanto que em junho o percentual foi de 63%, informou nesta hoje terça-feira (16/7) a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) em sua Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). Foi o segundo maior resultado da série iniciada em 2010, segundo a CNC.

O número de endividados também aumentou na comparação com julho de 2012, quando foi 57,6%, um acréscimo de 7,6 pontos percentuais. Aos entrevistados foi perguntado se tinham dívidas em cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro.

Os percentuais de famílias com dívidas e contas em atraso e sem condições de pagar também cresceram tanto na comparação com junho como com julho de 2012, segundo a Peic, que informou ainda que o número de famílias que têm percepção de endividamento elevado alcançou o maior percentual nos últimos 12 meses.

Mas a pesquisa mosta que a percepção das famílias em relação às dívidas e à capacidade de pagamento ainda está em patamares favoráveis.

"Esse comportamento positivo se explica por leve arrefecimento da inflação e mercado de trabalho ainda aquecido, entre outros fatores que proporcionam condições positivas para os indicadores de inadimplência", diz a Peic.

A Peic é apurada mensalmente pela CNC desde janeiro de 2010. Os dados são coletados em todas as capitais dos estados e no Distrito Federal, com cerca de 18 mil consumidores.

Número de famílias com dívidas volta a subir em julho, diz CNC
Percentual chegou a 65,2%, o segundo maior desde 2010.
Em relação a julho de 2012, o aumento foi de 7,6 pontos percentuais.


O percentual de famílias brasileiras com dívidas subiu para 65,2% em julho, enquanto que em junho o percentual foi de 63%, informou nesta hoje terça-feira (16/7) a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) em sua Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). Foi o segundo maior resultado da série iniciada em 2010, segundo a CNC.

O número de endividados também aumentou na comparação com julho de 2012, quando foi 57,6%, um acréscimo de 7,6 pontos percentuais. Aos entrevistados foi perguntado se tinham dívidas em cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro.

Os percentuais de famílias com dívidas e contas em atraso e sem condições de pagar também cresceram tanto na comparação com junho como com julho de 2012, segundo a Peic, que informou ainda que o número de famílias que têm percepção de endividamento elevado alcançou o maior percentual nos últimos 12 meses.

Mas a pesquisa mostra que a percepção das famílias em relação às dívidas e à capacidade de pagamento ainda está em patamares favoráveis.

"Esse comportamento positivo se explica por leve arrefecimento da inflação e mercado de trabalho ainda aquecido, entre outros fatores que proporcionam condições positivas para os indicadores de inadimplência", diz a Peic.

A Peic é apurada mensalmente pela CNC desde janeiro de 2010. Os dados são coletados em todas as capitais dos estados e no Distrito Federal, com cerca de 18 mil consumidores. 

quinta-feira, 11 de julho de 2013

BC eleva juro em 0,5 ponto preocupado com dólar

Copom eleva taxa de juros para 8,5% ao ano e mercado prevê novas altas
Em decisão unânime, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a taxa básica de juros da economia em 0,5 ponto porcentual, na terceira alta consecutiva, levando a Selic para 8,5% ao ano. Um fator que pesou ontem foi a escalada do dólar. No comunicado, o colegiado repetiu a justificativa da primeira alta de 0,5 ponto, dada em maio, de que a decisão ajudaria a colocar a inflação em declínio e asseguraria a continuidade da tendência em 2014. Analistas do mercado financeiro já contam com uma nova alta no fim de agosto.
Política monetária. Decisão foi unânime, e argumento é que o movimento "ajudaria a colocar a inflação em declínio e a assegurar a continuidade dessa tendência no próximo ano"; economistas já contam com uma nova alta de 0,5 ponto na próxima reunião
 
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou ontem a taxa básica de juros da economia em 0,5 ponto porcentual, na terceira alta consecutiva do ano, levando a Selic para 8,5%. Logo após a decisão, analistas do mercado financeiro já passaram a contar com uma nova alta na mesma magnitude no fim de agosto. A decisão de ontem era amplamente aguardada e joga mais para a frente as discussões entre os economistas sobre até quando e até quanto o BC pretende levar os juros.
No comunicado que se seguiu à decisão de ontem, o colegiado optou por repetir a justificativa da alta de 0,5 ponto porcentual da Selic dada em maio. O BC argumentou que a decisão ajudaria a colocar a inflação em declínio e também a assegurar a continuidade dessa tendência no próximo ano. A definição pelo aumento de meio ponto foi unânime entre os diretores e o presidente do BC.
"A decisão só confirma a avaliação de que vão continuar esse ciclo na mesma velocidade", avaliou o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco Lima Gonçalves. Para ele, o Copom promoverá mais uma alta de 0,5 ponto porcentual em agosto e outra em outubro, quando já será possível vislumbrar a desaceleração da inflação acumulada em 12 meses.
Para o estrategista-chefe do Banco WestLB do Brasil, Lucia-no Rostagno, a decisão de ontem mostrou que o BC está no "meio de um ciclo de aperto monetário". Ele prevê mais dois aumentos de 0,5 ponto e outro de 0,25 ponto nas próximas reuniões do Copom, levando a Selic a 9,75% ao final do ano.
O economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Camargo Rosa, também avaliou que, dado o comunicado idêntico ao dareunião anterior, o "plano de voo" traçado pelo Banco Central será mantido. "O BC continua mandando o recado de que está preocupado em manter a trajetória de inflação de maneira declinante não só neste ano, mas também no ano que vem", observou.
Segundo a pesquisa Focus divulgada no início desta semana, a aposta majoritária de analistas é de que a taxa encerre 2013 em 9,25% ao ano, mas a média das estimativas já tem revelado uma tendência de alta nos últimos dias. E não só paraeste ano, mas para todo o prazo consultado pelo BC, até 2017.
Um fator que passou pela mesa de discussões ontem foi a escalada do dólar. Ainda que o diretor de Política Econômica, Carlos Hamilton de Araújo, tenha enfatizado recentemente que o repasse do câmbio para a inflação é menor hoje do que há uma década, analistas já refazem suas previsões paraos índices de preço deste e do próximo ano levando em conta mais essa pressão. Desde a reunião do Copom de maio, a valorização da moeda americana foi de pouco mais de 7% em relação ao real.
A avaliação do BC sobre esse item será um dos pontos mais aguardados pelos analistas na leitura da ata do Copom de ontem. O documento serádivulga-do daqui a uma semana e costuma traçar um panorama mais detalhado sobre os dados e hipóteses que levaram os diretores a tomarem a decisão de ontem.
Para Juan Jensen, sócio da Tendências Consultoria, a ata do Copom terá de mostrar a preocupação com a alta do dólar e seus impactos na inflação. "O impacto do câmbio vai aparecer na inflação e será a novidade na próxima ata. Outra novidade deve ser a maior fraqueza do crescimento da economia."
Segundo ele, o crescimento modesto da economia deve frear o ciclo de aperto monetário e, após mais uma alta de 0,50 ponto porcentual, a Selic deve encerrar 2013 em 9%. "O cenário deve se deteriorar bastante, o que fará com que a Selic fique estável após uma nova alta."
Promessa. Assim que a presidente Dilma Rousseff assumiu o governo, em 2011, a economia brasileira passou por um ciclo de aperto monetário que levou a Selic ao pico de 12,5%. Na sequência, no entanto, teve início uma trajetória de afrouxamento que acomodou a taxa em 7,25% ao ano em outubro do ano passado,omenordegraudosju-ros da história do País. O nível foi mantido até abril deste ano, quando subiu para 7,5%.
Com o aumento de ontem, a taxa voltou ao patamar verificado em maio do ano passado. Mesmo assim, o juro real brasileiro continua abaixo dos 2% ao ano prometidos por Dilma. Isso porque a inflação em 12 meses até junho está em 6,7%, acima, portanto,do teto de 6,5% da meta perseguida pelo BC (4,5%).
COLABORARAM GUSTAVO PORTO E FLAVIO LEONELO
Estado de S. Paulo - 11/07/2013 www.estadao.com.br

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Juro maior busca controlar inflação e pode aliviar pressão sobre o câmbio. Entretanto, também pode ter impacto no crescimento da economia brasileira.


Copom deve subir juro para 8,5% ao ano em reunião que termina hoje, esperam analistas

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne hoje quarta-feira (10/7) e deve elevar a taxa básica de juros da economia brasileira de 8% para 8,5 aa, segundo opinião quase consensual de analistas do mercado financeiro.

A decisão, se confirmada, tem por objetivo tentar conter o crescimento da inflação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), utilizado como referência no sistema de metas de inflação brasileiro, apesar de ter recuado em junho, somou 6,7% em dozes meses. Com isso, ficou acima da meta central de inflação deste ano (4,5%) e, também, do teto de 6,5% existente no sistema de metas. As metas, porém, só valem para anos fechados.

A alta de juros, segundo economistas, também pode impactar, entretanto, o crescimento da economia brasileira, que tem sido constantemente revisado para baixo. No fim de 2012, o mercado financeiro estimava que o Produto Interno Bruto (PIB) do país avançaria 3,30% neste ano. Na semana passada, a previsão já havia recuado para um crescimento de 2,34% e já há economistas falando em 2% de alta.

Metas de inflação e atuação do BC

Apesar de existir uma meta central de 4,5% para este ano, na qual teoricamente o BC estaria mirando ao fixar os juros básicos da economia, o presidente da instituição, Alexandre Tombini, somente assegurou, no fim do ano passado, que o IPCA será menor do que os 5,84% registrados em 2012.

Os dados mostram que o BC manteve a taxa básica de juros inalterada na mínima
Prof. Alcides Leite
histórica, em 7,25% ao ano, entre outubro do ano passado e abril de 2013, mesmo com a deterioração do cenário de inflação registrado no primeiro trimestre deste ano – explicitado no relatório de inflação e nas atas do COPOM. Em abril deste ano, o BC iniciou o processo de alta dos juros e começou a endurecer o discurso de maio em diante, quando a elevação da taxa básica foi intensificada.

"Mesmo com o BC apertando a política de juros, acho que a inflação vai continuar perto de 6% neste ano e em 2014. Se não apertar, piora. Eu acho que o BC, depois de ter promovido uma queda muito grande anteriormente nos juros, sem ter a garantia de que a inflação estava sob controle, demorou muito para começar a subir a taxa básica", avaliou Alcides Leite, economista e professor da Trevisan Escola de Negócios.

Corte de gastos

Para ele, também é importante que o Ministério da Fazenda anuncie um corte de gastos públicos para tentar ajudar o Banco Central no controle da inflação. Economistas avaliam que estas duas ações (alta de juros e corte de gastos públicos) almejam o retorno da confiança e da credibilidade à política econômica.

"O BC é mais um instrumento. Acho que tem um limite de atuação do BC, pois não vai levar os juros a um patamar altíssimo", avaliou Alcides Leite. O próprio economista, porém, analisou que o corte adicional de gastos de até R$ 15 bilhões, anunciado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, "não ajuda em nada". "Parte do corte é orçamentário e o orçamento é uma previsão de gastos. Não muda", declarou.

Esta visão é compartilhada por Mansueto Almeida, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). "Eles reestimam as despesas previstas para todo este ano para baixo. E no último trimestre do ano corrigem [novamente os gastos para cima]. É coisa para inglês ver [o corte que será anunciado]. Para tentar ganhar a confiança do mercado. Eles dizem que vão cortar custeio [gastos correntes] ligados a terceirizados e fornecedores, mas grande parte está ligado aos programas sociais", declarou ele.

Alta do dólar

O economista Alcides Leite, da Trevisan, acrescentou que o fator que mais vai influenciar o Copom a subir os juros nesta quarta-feira é a alta do dólar - que opera acima de R$ 2,20 devido à sinalização dos Estados Unidos em retirar os estímulos monetários nos próximos meses, e também por conta de dúvidas sobre a condução da política econômica no Brasil. Até meados de maio, a moeda norte-americana oscilava ao redor de R$ 2.

O dólar alto aumenta a competividade das vendas externas brasileiras, tornando-as mais baratas, e também encarece as importações. Ao mesmo tempo, porém, também pode impulsionar a inflação, uma vez que torna a compra de produtos importados do exterior, assim como insumos, mais caros, e esses preços mais altos são repassados para o mercado interno.

Analistas do mercado analisam que uma alta de R$ 0,10 no preço do dólar poderia ter um impacto de, no máximo, 0,2 ponto no IPCA deste ano. Deste modo, se o dólar estava em cerca de R$ 2 antes da sinalização do BC norte-americano e passou, atualmente, para cerca de R$ 2,20, o impacto seria de até 0,4 ponto percentual no IPCA de 2013. Entretanto, o dólar teria de permanecer neste patamar.

O próprio BC informou, no fim do mês passado, que o repasse dda alta do dólar para a inflação “tende a ser suavizado pelo ciclo de ajuste da política monetária {aumento do juros} ora em curso Antes da alta recente do dólar, a expectativa dos economistas dos bancos era de que o aumento dos juros total previsto para este ano seria de um ponto percentual, passando de 7,25% para 8,25% ao ano no fim de 2013. Após a disparada do câmbio, os economistas dos bancos passaram a prever um ciclo bem maior de alta dos juros: para 9,25% ao ano no fim de 2013.

Atração de capitais

Além de combater os efeitos do dólar alto nos preços, a alta de juros, segundo analistas do mercado financeiro, também contribuirá para evitar uma pressão maior de alta na cotação da moeda norte-americana. Isso porque, com juros maiores, haveria uma maior atração por capitais em busca de uma remuneração também mais alta.

Desde o início de junho, o governo retirou uma série de travas que existiam ao ingresso de dólares no Brasil. O Ministério da Fazenda zerou o IOF sobre aplicações de estrangeiros em renda fixa. Até aquele momento, a alíquota era de 6%, além de ter zerado também o tributo sobre a venda de dólares no mercado futuro – facilitando estas transações – que têm impacto no preço do dólar no mercado à vista.

O BC também alterou as regras dos depósitos compulsórios dos bancos (recursos que têm de ser mantidos na autoridade monetária), facilitando a venda de dólares pelas instituições financeiras e, com isso, diminuindo a pressão de alta na cotação da moeda norte-americana, além de ter permitido que os empresários possam buscar empréstimos no exterior para realizar liquidação antecipada de suas vendas externas sem prazo limitado.

Os números do BC mostram que as medidas do governo federal melhoraram o perfil da chamada "conta financeira" – que registrou saída líquida de US$ 771 milhões em junho - o melhor resultado desde o ingresso de US$ 2,37 bilhões em janeiro deste ano. Por esta conta, transitam os investimentos estrangeiros diretos e os recursos para aplicações financeiras, além das remessas de lucros e dividendos e empréstimos tomados no exterior, entre outros.
Alexandro Martello do G1