sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Desemprego cai e renda no País cresce

Desemprego volta a cair em agosto e atinge menor índice em oito meses

Dados do IBGE mostram que o desemprego no País caiu pelo segundo mês consecutivo e ficou em 5,3% em agosto, recuo de 0,3 ponto porcentual em relação a julho. É o menor nível desde dezembro de 2012, quando foi de 4,6%. Após cinco meses em queda, o rendimento médio do trabalhador subiu 1,7% em agosto, para R$ 1.883, ajudado pela quedada inflação
A taxa de desemprego no Brasil caiu pelo segundo mês consecutivo, e ficou em 5,3% em agosto, um recuo de 0,3 ponto porcentual em relação a julho, de acordo com dados do IBGE. É o menor patamar desde dezembro de 2012, quando ficou em 4,6%, No acumulado de janeiro a agosto, a taxa de desemprego se manteve na média de 5,7%.
Vagas. índice de desocupação no País ficou em 5,3%, uma queda de 0,3 ponto porcentual em relação a julho e o menor desde dezembro do ano passado, quando ficou em 4,6%; para economista, indicador positivo deve continuar pressionando os salários..
"Houve uma inflexão da curva do desemprego, com entrada de pessoas no mercado do trabalho e redução na desocupação, mas não dá para dizer que o mercado está bom porque ainda temos quase 1,3 milhão de pessoas na fila do emprego", disse o gerente da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE, Cimar Azeredo.
Para o IBGE, a queda do desemprego é reflexo direto da criação de novas vagas. Alguns analistas, no entanto, chamam a atenção para o aumento do desalento, quando trabalhadores desistem de procurar emprego. Isso teria desacelerado a expansão da população economicamente ativa (PEA).
Azeredo, porém, discorda dessa análise. Ele lembrou que o número absoluto de pessoas ocupadas no País teve acréscimo de 90 mil em agosto, avanço de o,4% em um mês. O resultado acompanhou a evolução do saldo líquido de empregos formais criados em agosto, de 127.648, segundo informou o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) na semana passada.
Pressão. O sócio-diretor da Schwartsman & Associados, Alexandre Schwartsman, destacou em relatório enviado a clientes que o movimento da taxa de desemprego sugere que o mercado de trabalho vai permanecer sem muita margem no horizonte próximo, "isso manterá e eventualmente aumentará as pressões sobre salários nominais, que continuam a superar significativamente qualquer estimativa razoável de crescimento de produtividade."
Com previsão de desaceleração do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) na passagem de 2013 para 2014, Rafael Bacciotti, economista da consultoria Tendências, acredita que o mercado de trabalho pode sofrer um desaquecimento. Para ele, a taxa média de desemprego deve subir para 5,8%. Ele ressaltou que a geração de vagas é reflexo da confiança das empresas em relação ao volume de vendas no médio prazo, e as expectativas não têm se mostrado muito favoráveis para os próximos trimestres.

O avanço de 3,1% em agosto em relação ao mesmo mês do ano passado no número de trabalhadores com carteira assinada também foi um destaque nos números divulgados ontem, segundo Azeredo. Atualmente, esse contingente representa 5 50,4% do mercado de trabalho brasileiro, de acordo com a pesquisa. Já a quantidade de trabalhadores sem carteira caiu 6,2% em um ano.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Ásia: Bancos brasileiros entram e saem de cena


Banco do Brasil terá agência na china
O Banco do Brasil deve receber até o fim deste ano a terceira e última autorização necessária para abrir a primeira agência de um banco brasileiro em Xangai, na China. A instituição está presente no mercado chinês desde 2010 com um escritório de representação. A informação é do executivo Paulo Rogério Caffarelli, vice-presidente de Atacado, Negócios Internacionais e Private Bank do BB.
No mês passado, o regulador local, o China Banking Regulatory Commission(CBRC), realizou uma inspeção na unidade do BB e deve encaminhar documento solicitando o início dos negócios à autarquia em Pequim. Feita a análise dos documentos apresentados e do relatório da CBRC-Xangai contendo o resultado da inspeção, o banco poderá receber a licença para funcionamento da agência.
Após obter a última autorização necessária, o BB terá, segundo Caffarelli, um prazo de cerca de seis meses para transformar o escritório em agência. "Temos uma necessidade de cres- j cer na China por causa do volu- j me de negócios que o Brasil i vem fazendo com este país. Estamos na metade do caminho para transformar nosso escritório de representação em agência", disse o executivo, em entrevista ao Broadcast, sCrviço em tempo real da Agência Estado.
Em seu escritório de representação na China, 0 BB conta atualmente com 16 colaboradores, entre eles um gerente geral expatriado e 15 funcionários contratados localmente. Para transformá-lo em agência, a instituição deve contratar mais 20 pessoas, segundo Caffarelli.
Além do BB, o Itaú BBA, braço de atacado, tesouraria e investimentos institucionais do Itaú Unibanco, tem operação em Xangai e o Itaú Securitiés, corretora do conglomerado, mantém uma filial em Hong Kong. 
 Os números da balança comercial reforçam a importância da China para os bancos
brasileiros. De janeiro a agosto, enquanto as exportações nacionais para os EUA recuaram 13,5% em relação ao mesmo período de 2012, para a China avançaram mais de 9%, na mesma base de comparação, somando quase US$ 32 btjhões. "O volume de exportações que o Brasil fazia para os EUA mudou sobremaneira para a China. Com isso, ela passou a ser de grande atratividade no cenário financeiro para o BB", afirma Caffarelli.
No Japão, o Banco do Brasil está presente há 41 anos, com agências em quatro cidades, subagências em mais três e 55 mil terminais de autoatendimento.
Com a decisão do Itaú de deixar o mercado japonês - informação antecipada pelo Estado na semana passada o Banco do Brasil reforçará sua presença no país. Os cerca de 30 clientes do Itaú estão sendo orientados a transferir suas contas para o BB.
Segundo Caffarelli, a instituição também está de olho em outros mercados, com destaque para Peru, Chile e Colômbia e Estados Unidos com foco em varejo. O objetivo da instituição é crescer tanto de maneira orgânica como via aquisições. No entanto, de acordo com o executivo, o momento atual dos mercados tem exigido "mais rigor" na análise de possíveis aquisições.
Em maio, o BB desistiu de comprar a unidade do espanhol Bankía nos EUA, o City National Bank of Florida. Pesou no apetite da instituição pública, conforme fontes ouvidas pelo Sroadcast, não só o curto prazo para avaliar os números do banco, mas, principalmente, a prisão do banqueiro espanhol Miguel Blesa, acusado de irregularidades na compra do City, quando ainda era presidente da Caja Madrid.
"Estamos mais rigorosos e conservadores nas análises de aquisições no exterior, mas sem deixar de avaliar oportunidades", afirma Caffarelli, acrescentando que não há uma urgência em relação ao projeto de expansão internacional dado ao contexto global.
O Banco do Brasil tem 50 pon tos de atendimento na sua rede no exterior, dos quais 35 são agências. A estratégia de expansão internacional consiste, conforme 0 vice-presidente do BB, em dar suporte às empresas brasileiras e às multinacionais que fazem negócios com o País.
Para lembrar: Itaú fecha agência no Japão
Adicionar legenda
Com a redução nas remessas de imigrantes brasileiros, o Itaú Unibanco decidiu encerrar o atendimento a pessoas físicas no Japão. Na semana passada, oficialmente, o maior banco privado do País afirmou que a medida faz parte de um reposicionamento da atuação para "maior alinhamento do modelo operacional". O enfoque na Ásia, assim como ocorre em outros países do Hemisfério Norte, será em clientes corporativos e institucionais, private banking e serviços de asset management, que não necessitam da estrutura física de agências. A decisão faz com que o banco concentre suas atividades de varejo na América Latina, onde tem agências na Argentina, no Chile, no Paraguai e no Uruguai. A agência do Itaú em Tóquio, que tinha o envio de remessas como carro-chefe, não abre mais conta para pessoas físicas desde o fim de agosto.
O Itaú Unibanco orientou seus cerca de 30 mil clientes a transferir suas contas para o Banco do Brasil, que está no mercado japonês há 41 anos, com agências em quatro cidades, subagências em mais três e 55 mil terminais de autoatendimento. O Itau entrou no Japão em 2004.

Autor(es): Aline Bronzati
O Estado de S. Paulo - 26/09/2013


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

TSE aprova a criação de mais dois partido políticos

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou ontem a criação de mais duas legendas no país: o PROS (Partido Republicano da Ordem Social) e o Solidariedade. A sessão terminou por volta das 23h10, após a ministra Cármen Lúcia desempatar a apreciação do pedido de registro da sigla liderada pelo deputado federal Paulo Pereira da Silva, eleito pelo PDT de São Paulo e ligado à Força Sindical. Com isso, são agora 32 partidos no sistema eleitoral brasileiro.
Mesmo em meio a denúncias de fraudes na coleta das 492 mil assinaturas de eleitores necessárias para sua criação, o Solidariedade conseguiu quatro votos a favor no TSE. Três ministros negaram o pedido. O relator do processo, Henrique Neves, e Luciana Lóssio votaram pela realização de novas diligências para conferir as certidões emitidas pelos cartórios regionais eleitorais. Marco Aurélio de Mello indeferiu o pedido, por ser contra o sistema definido pela Corte de permitir o envio do requerimento com as fichas de apoio dos eleitores diretamente ao TSE. Além de Cármen Lúcia, foram favoráveis à concessão do registro os ministros João Otávio Noronha, Laurita Vaz e Dias Toffoli.
Há várias denúncias de fraudes no recolhimento de assinaturas de apoio à criação do Solidariedade. O vice-procurador-geral eleitoral, Eugênio Aragão, enviou parecer ao TSE contrário à concessão do registro e pediu que a Polícia Federal investigue o caso.
No fim da sessão, Paulo Pereira da Silva, presente no plenário do TSE, afirmou que as "supostas denúncias de fraudes" dizem respeito às fichas de apoio, e os ministros do TSE analisaram as certidões emitidas pela Justiça Eleitoral atestando a regularidade das assinaturas, que somaram mais de 503 mil. "Foram feitas fora de época", afirmou. Paulinho adiantou que a sigla não deve lançar candidato próprio à Presidência da República e que deve, em princípio, apoiar um partido de oposição. Porém, ainda não está decidido. O deputado adiantou que, por ele, o Solidariedade não estará do lado da presidente Dilma em 2014.
Mais denúncias
Depois de ser acusado de fraudar a assinatura de uma chefe de cartório de Várzea Paulista e de outros eleitores de Suzano, o Solidariedade voltou a se envolver em suspeitas de irregularidades após o vazamento de uma suposta lista de apoiadores que trabalham no Congresso, exercem atividade política ou são filiados ao Sindicato dos Servidores do Legislativo Federal e do Tribunal de Contas da União (Sindilegis).
Entre os supostos apoiadores estaria a mulher do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), Gladys Buarque. "Eu soube isso no plenário, quando alguém veio me avisar. Obviamente a assinatura dela é falsificada", protestou Cristovam. "Quando você falsifica a assinatura de uma pessoa próxima a você, percebe que essa legenda não tem condições de existir", disse Cristovam. Entre os supostos apoiadores que teriam tido suas assinaturas falsificadas, estão chefes de gabinetes da Câmara, servidores da Mesa Diretora do Congresso e até funcionários do PDT, partido que perderá deputados caso o Solidariedade seja criado.
Em tempo, as legendas já poderão concorrer as eleições de 2014 é importante salientar que o PROS utilizará na urna eletrônica o número 90 e o Partido Solidariedade que ficará conhecido pela sigla SSD utilizará o número 77.
Autor(es): ANA D"ANGELO e PAULO DE TARSO LYRA

Correio Braziliense - 25/09/2013

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Banco Central já indica alta nos juros

Alexandre Tombini - Pres. Banco Central
Alexandre Tombini diz que decisão dos EUA não muda política monetária no Brasil. Taxas sobem no mercado futuro
O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, disse ontem que a decisão do Federal Reserve (Fed, a autoridade monetária dos Estados Unidos), de manter por mais tempo o programa de estímulos econômicos não altera nem a política monetária nem o programa de câmbio no Brasil. A afirmação provocou a subida dos juros no mercado futuro. O contrato para janeiro de 2015, o mais negociado, avançou 0,02%, fechando em 10,07% ao ano.

No mês passado, o BC anunciou que faria ofertas diárias de dólares ao mercado, até o fim do ano, num montante total de até US$ 60 bilhões. Tombini garantiu que o programa continuará, apesar da decisão do Fed, contrariando o que disse na semana passada o ministro da Fazenda, Guido Mantega. “Da nossa perspectiva, o programa (de câmbio) é adequado, está funcionando bem”, disse.

A venda de dólares tem ajudado a conter as cotações da divisa e a segurar as pressões inflacionárias. Mesmo assim, o mercado espera que a Selic, que vem subindo gradativamente desde abril, tenha um novo aumento em outubro, de 0,5 ponto percentual, o que levaria a taxa para 9,5% ao ano. Há dúvidas, no entanto, sobre o ritmo de aperto monetário depois disso.

Na avaliação do economista-chefe do INVX Global Partners, Eduardo Velho, os analistas já apostavam em uma Selic de 10% no mercado futuro. “Isso deverá ser reavaliado porque o dólar se acomodou em R$ 2,20 e diminuiu a pressão sobre os preços. Assim, há possibilidade de o Banco Central evitar uma alta maior da taxa”, afirmou.

Para ele, no entanto, Tombini deixou claro que a elevação da Selic na próxima reunião do Copom já está decidida. “A mudança é no mercado futuro. O aumento de meio ponto da próxima reunião deve ser consolidado, mas pode haver mudança em relação ao ciclo total de aperto monetário. Na minha opinião, ele deverá ser mais suave”, destacou.

Para o economista-chefe do Espirito Santo Investment Bank, Jankiel Santos, a alteração é pouco significativa. “Nós continuamos com nossa previsão de que a Selic vai subir 0,5 ponto percentual em outubro e 0,25 ponto na reunião seguinte, para fechar o ano em 9,75%”, disse Santos.

Na opinião do economista da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, o cenário está mais tranquilo depois da decisão do Fed. “Acho que a ideia de uma Selic acima dos dois dígitos está descartada. Trabalhamos com a expectativa de duas novas altas, com a taxa alcançando 9,75%.”


Correio Braziliense - 24/09/2013

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

O que é PIB e como é calculado?
O Produto Interno Bruto (PIB) é usado para medir a atividade econômica do país. Quando há queda de dois trimestres consecutivos no índice, a economia está em recessão técnica. Os economistas costumam dizer que o PIB é um bom indicador de crescimento, mas não de desenvolvimento, que deveria incluir outros dados como distribuição de renda, investimento em educação, entre outros aspectos.
É possível calcular o PIB de duas maneiras. Uma delas é pela soma das riquezas produzidas dentro do país, incluindo nesse cálculo empresas nacionais e estrangeiras localizadas em território nacional. Nesse cálculo entram os resultados da indústria (que respondem por 30% do total), serviços (65%) e agropecuária (5%). Entra no cálculo apenas o produto final vendido, ou seja, um carro e não o aço e ferro da produção. Evita-se, assim, a contagem dupla de certas produções.
Outra maneira de medir o índice é pela ótica da demanda, ou seja, de quem compra essas riquezas. Nesse caso, são considerados o consumo das famílias (60%), o consumo do governo (20%), os investimentos do governo e de empresas privadas (18%) e a soma das exportações e das importações (2%). Esses dois cálculos devem sempre chegar ao mesmo resultado.
No Brasil, o cálculo do PIB é feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), instituição federal subordinada ao Ministério do Planejamento, desde 1990. Antes disso, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) era responsável pela medição.
Quando o PIB é divulgado, junto, também podemos ouvir sobre a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que é justamente a conta de investimentos do PIB e mede o quanto as empresas aumentaram os bens de capital – aqueles que servem para produzir outros bens, como máquinas, equipamentos e construção civil.
PIB nominal, PIB real e PIB per capita
O PIB nominal é calculado a preços correntes, ou seja, considera os valores do ano em que o produto for produzido e comercializado. Já o PIB real exclui os efeitos da inflação.
Já o PIB per capita é calculado a partir da divisão do PIB pelo número de habitantes da região e indica quanto cada habitante produziu em determinado período.
Produto Nacional Bruto
Existe também o Produto Nacional Bruto (PNB), no qual entra toda a produção nacional, em território do Brasil ou não. Assim, empresas brasileiras que tenham fábricas no exterior também se somam a este indicador. Em geral, países desenvolvidos possuem PNB maior do que o PIB, mostrando assim que a soma da produção nacional é mais forte do que a soma da riqueza produzida em território nacional, que inclui as empresas estrangeiras localizadas ali.

O primeiro cálculo de produção nacional foi publicado em 1953 nas Nações Unidas, baseado em um documento do economista Richard Stone. O título era 1ª Versão do Manual de Contas Nacionais. Stone foi eleito em 1984 o Prêmio Nobel de Economia.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Mercado de Trabalho Informal

A formalização da Informalidade

Nas cidades da América Latina, a informalidade salta à vista. Mas a realidade é que vai muito além dos vendedores ambulantes ou dos taxistas sem licença, pois envolve quase metade da força de trabalho e milhões de unidades produtivas, gerando uma atividade econômica vital para os países. Em meio a esse cenário, a formalização da informalidade surge como grande desafio político.
A informalidade está estreitamente vinculada à persistência da pobreza e da desigualdade nos países latino-americanos. Para os que não têm outra opção laboral, o trabalho precário é fonte de desalento e frustração, o que afeta a estabilidade social, a confiança nas instituições e, inclusive, a governabilidade.
Existe consciência sobre os problemas da informalidade e alguns países começaram a tomar medidas para enfrentar o problema. O Brasil, por exemplo, aumentou sua taxa de formalidade por meio de medidas como a Lei do Simples que simplifica e unifica contribuições favorecendo o registro de microempreendedores individuais e de negócios, bem como o fortalecimento da institucionalidade de apoio às pequenas e médias empresas.
Para a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a formalização da informalidade é tema prioritário e, por isso, lançamos a primeira estratégia regional para apoiar os esforços dos países, o Programa Forlac. A informalidade é um fenômeno heterogêneo e multidimensional, complexo e arraigado na sociedade e, para enfrentá-lo, é necessário usar uma combinação de políticas.
Existem na região pelo menos 127 milhões de trabalhadores na informalidade. A maioria não está ali por vontade própria, mas porque essa é a única maneira de obter a renda necessária para sobreviver. A informalidade tem maior frequência entre os mais vulneráveis: jovens, mulheres, migrantes, pobres.
A informalidade gera emprego e renda, e, em alguns casos, inclusive pode parecer um bom negócio, ainda que para a maioria significa estar em empregos mal remunerados, instáveis, sem proteção nem direitos, sem perspectivas, fora das estruturas jurídicas e institucionais.
Segundo dados do Programa Forlac, entre os 20% da população com maior renda é possível detectar cerca de 30% de taxa de informalidade. Por seu lado, entre os 20% mais pobres a informalidade afeta 73,4% dos que têm ocupação. Existe um vínculo entre informalidade e pobreza.
Além disso, estão na informalidade 83% dos trabalhadores por conta própria, 78% dos trabalhadores domésticos e 59% dos trabalhadores em microempresas. Por setores, a informalidade atinge 71% na construção civil, 56,1% no comércio, restaurantes e hotéis, 50,9% na exploração de minas e pedreiras e 39,6% na indústria de transformação.
A informalidade é predominante nos setores de menor produtividade, em regiões em que existe uma situação de heterogeneidade na qual convivem setores de produtividade muito alta e pouco emprego, com outros em que a produtividade é baixíssima mas demandam grande quantidade de mão de obra.
A informalidade expressa no plano laboral o que, no plano social, é a desigualdade. Nesse cenário, geram-se as condições para um mercado laboral excludente.
A exclusão no mercado de trabalho se manifesta no desemprego aberto e também na informalidade. Há casos de pessoas que, tendo emprego formal, podem estar em situação de exclusão, sobretudo quando não são remuneradas adequadamente, ou quando não lhes reconhecem seus direitos essenciais.
A formalização da informalidade é, portanto, uma estratégia de inclusão social. Mas, ao aproveitar potencial tão valioso de nossa economia, também é uma ferramenta para impulsionar o crescimento econômico.
Existe um argumento forte sobre a necessidade de se assumir esse desafio político: a informalidade não desaparecerá sozinha, são necessárias estratégias deliberadas para enfrentá-la. Se a região crescer a 4%, como ocorre agora, somente em 50 anos será possível reduzir a taxa de emprego informal à metade.

Autor(es): Elizabeth Tinoco

Correio Braziliense - 20/09/2013 www.correioweb.com.br

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Estímulos foram resposta pouco usual à crise de 2008
 BCs e governos do mundo inteiro inovaram para evitar depressão
A esperada retirada de estímulos do Fed — que, para a surpresa dos analistas, deve ficar para- dezembro —- marcará o fim, nos EUA, de uma era de políticas extraordinárias, adotadas por BCs e governos de países ricos e emergentes desde 2008, quando a quebra do banco Lehman Brothers detonou uma crise financeira sem precedentes. Para evitar uma depressão na economia, foi preciso reinventar manuais de políticas econômicas.
— Fora do manual mesmo foi a magnitude do choque (de 2008). O mix de políticas teve que acompanhar — diz Gian-Maria Ferretti, chefe da missão do FMI para avaliação dos EUA.
Monica Baumgarten de Bolle, sócia-diretora da MBB/Galanto Consultoria, lembra que o Fed foi o primeiro a agir de forma pouco usual. Em 2008, interveio no mercado de notas promissórias, no primeiro "afrouxamento mo­netário" de mais de US$ 1 trilhão. Dois anos depois, passou a comprar títulos diretamente do Tesouro americano, em US$ 600 bilhões. A terceira leva de intervenções começou em 2012.
O juro chegou a zero e a economia não reagiu. Por isso, foi preciso que os bancos centrais recorressem a esses expedientes não convencionais — diz José Júlio Senna, ex-diretor do Banco Central e chefe do Centro de Estudos Monetários do Ibre/FGV.
Senna alerta que, por serem políticas novas, o processo de retirada dos estímulos do Fed pode criar riscos, principalmente para as economias emergentes.
Monica lembra que o banco central do Reino Unido também fez compras maciças de títulos. E o Banco Central Europeu socorreu os países da zona do euro sob risco de insolvência. Foram € 209 bilhões na primeira rodada, em 2010. No ano passado, o programa foi renovado.

O Globo - 19/09/2013
Luciana Rodrigues, Lucianne Carneiro e Flávia Barbosa


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Crédito cresce e calote recua nos últimos dez nos

Apesar de o volume de crédito na economia brasileira ter dado um salto nos últimos dez anos, a inadimplência, especialmente das pessoas físicas, recuou. Entre junho de 2013, o saldo total das carteiras de crédito, incluindo pessoas físicas e jurídicas, crédito livre e direcionado, somou R$ 2,5 trilhões, um crescimento de 563,8% desde junho de 2003.
No caso do crédito livre destinado ao consumidor, a taxa de crescimento foi ainda maior no período: 766,7%. Enquanto isso, o calote do consumidor caiu mais da metade: era 15,5% do saldo da carteira emjunho de 2003 e, no mesmo mês deste ano, recuou para 7,2%.
"O avanço do crédito no Brasil não configurou uma bolha de inadimplência como a que ocorreu em outros países", afirma o diretor executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas daAsso-ciação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e
Contabilidade (Anefac), Miguel Ribeiro de Oliveira. Com base nos dados de crédito coletados mensalmente pelo Banco Central (BC), ele analisou a evolução dos indicadores no País nos últimos dez anos.
Segundo o economista, que realiza esse tipo de análise pelo segundo ano seguido, todos os indicadores do crédito num período de dez anos foram positivos, mas o que chamou a atenção foi a forte redução da inadimplência. "O grande temoi era que um avanço expressivo do crédito pudesse gerar mais inadimplência. Mas não foi isso o que se viu, porque os bancos foram seletivos na aprovação dos financiamentos", afirma Ribeiro de Oliveira.
Ele faz essa afirmação olhando para os indicadores por período mais longo, de dez anos. No curto prazo, no entanto, houve aumento do calote desde meados do ano passado, que agora já dá sinais de queda, por causa do avanço da inflação e do endividamento excessivo do consumidor.
De toda forma, Ribeiro de Oliveira pondera que 7,2% de inadimplência do consumidor, que foi a taxa média em junho deste ano e considerada na análise para o período de dez anos, não é o nível mais baixo de calote dos últimos meses. Essa taxa também está acima dos padrões internacionais para economias de países fora de períodos de crise, como a enfrentada hoj e por economias desenvolvidas, observa.
Entre junho de 2003 e junho deste ano, a taxa dejuros ao consumidor caiu 46,5 pontos porcentuais: de 81,4% ao ano para 34,9%. O spread, que é a diferença entre o custo de captação dos bancos e as taxas dejuros cobradas dos clientes, teve retração de 34 pontos porcentuais, de 58,5% ao ano para 24,5%. Em contrapartida, os prazos médios foram alongados e cresce-iam 388,8%, passando de 9,8 meses para 47,9 meses.
"As condições do crédito melhoraram substancialmente e poderiam ser melhores ainda, se não fosse o baixo crescimen-10 da economia brasileira", diz Ribeiro de Oliveira. Na análise feita em 2012, também para o período de dez anos, a fatia do crédito total, consumidor e empresas, no PIB estava em 50,6%. Neste ano, atingiu 55,2%.


Autor(es): Márcia De Chiara
O Estado de S. Paulo - 18/09/2013

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Americana EIG assume controle da LLX, de Eike, por R$ 1,3 bi


Empréstimo-ponte de R$ 518 milhões com BNDES vence este –Rio e Sãopaulo- A LLX, empresa de logísti­ca de Eike Batista, anunciou ontem que fechou acordo definitivo para venda de seu controle para a companhia america­na de energia EIG por R$ 1,3 bilhão. O acordo prevê uma operação de aumento de capital da companhia, em que Eike terá sua participação diluída, dos atuais 53% para 21%. O novo grupo terá pela frente a tarefa de quitar ou renegociar R$ 2 bilhões em dívidas da empresa, das quais R$ 518 milhões referentes a um empréstimo-ponte obtido junto ao BN­DES, que vencem este mês. A operação de aumento de capital deve ser iniciada em 20 dias e levar dois meses para ser concluída. Nela, Eike cederá seu direito de preferência sobre a subscrição das ações à EIG. Os mino­ritários terão seu direito garantido, mas a EIG já se comprometeu a subscrever as "sobras" A composição societária da LLX, portanto, vai depender da adesão dos minoritários à transação. Hoje, o fim do de pensão de professores cana­denses TPP tem 18% da LLX, e o restan­te é pulverizado. A LLX trabalha com dois cenários: ade­são à oferta de ações por todos os minori­tários e compra das ações apenas pela EIG. No primeiro, a companhia america­na ficaria com 33% da LLX. No segundo, com 61%. Em ambos os casos, a fatia de Eike cairá para 21%, e a EIG assume o controle da empresa. As ações terão o preço de emissão fixado em R$ 1,20. Eike, que já deixou a presidência do Conselho de Administração da LLX este mês, manterá o direito de indicar um membro do Conselho. O acordo prevê ainda que os 30% que o empresário tem na subsidiária LLX Açu (responsável pe­lo porto do Açu, em São João da Barra, no Norte Fluminense) serão cedidos sem contrapartida de valor para a LLX. O BTG Pactuai ficou de fora da transa­ção da LLX. O que se comenta no mercado é que o acordo foi viabilizado graças à ajuda de Ricardo Antunes, ex-presidente da LLX e hoje presidente da mineradora Manabi, controlada pela EIG. Isso seria um dos pontos para que a relação entre Eike e BTG tivesse se desgastado. O gru­po EIG tem US$ 12,8 bilhões sob gestão. MINORITÁRIO QUER ANULAR ASSEMBLEIA As ações da LLX subiram ontem 2,98% na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) a R$ 1,73, a terceira maior alta do pregão. Já os papéis ON (com voto) da MMX, empresa de mineração de Eike, encerraram com a maior baixa do pregão: perda de 6,88% a R$ 1,76. A OSX (construção naval) se tornou ré de uma ação protocolada semana passa­da no Tribunal de Justiça do Rio. O autor da ação é a Tramp 011, representante no Brasil da World Fuel Services, que atua no suprimento de combustível para em­barcações. O processo trata da OSX-3, I plataforma da OSX construída em Cingapura. Nem a OSX nem a Tramp Oil quiseram comentar a ação. Ontem, o minoritário da OGX Marcio de Melo Lobo enviou carta à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em que pede a anulação da eleição de Julio Al­fredo Klein Junior e de Pedro de Moraes Borba, ambos indicados por Eike, para o Conselho de Administração da empresa. Lobo alega conflito de interesse, no caso de Klein Junior, já que ele também é con­selheiro da OSX. No caso de Borba, se­gundo o minoritário, sua candidatura apresentada no dia da assembleia, vio­lando a Lei das S.A. A CCX, empresa de mineração de carvão do grupo, firmou acordo com a Transwell Enterprises para venda dos projetos de mineração Canaverales e Papayal, na Colômbia, por US$ 75 milhões, em negociação que ainda não foi con­cluída. (Colaborou João Sorima Neto) •

Autor(es): Danielle Nogueira
O Globo - 17/09/2013

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Governo está longe da meta de superávit primário de 2,3% do PIB




Reserva de R$10 bilhões da Fazenda não cobrirá gastos dos estados Brasília - Se não lançar mão de receitas extraordinárias, como fez no ano passado, o governo dificilmente alcançará a meta de superávit primário de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB). O compromisso assumido pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, já considera o abatimento de gastos com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Projeção do núcleo fiscal da Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara dos Deputados mostra que, sem receitas extraordinárias ou novos artifícios, a economia para o pagamento de juros da dívida chegará, no máximo, a R$ 94,8 bilhões ou 1,96% do PIB. O problema principal é a parcela do superávit de responsabilidade de estados e municípios. O Ministério da Fazenda anunciou que dispõe de uma reserva de R$ 10 bilhões para compensar a economia que não será alcançada por esses entes, mas, pelos cálculos dos técnicos, serão necessários R$ 16,4 bilhões para alcançar a meta. A estimativa é que, em vez de economizar 0,79% do PIB, os governos regionais conseguirão realizar um esforço fiscal de, no máximo, 0,45% do PIB. ECONOMIA ESTÁ EM 1,96% DO IPSB O especialista em finanças públicas Gabriel Leal de Barros, da Fundação Getulio Vargas (FGV), destacou que a União tem aumentado o limite de endividamento de estados e municípios para permitir a ampliação dos investimentos em infraestrutura e aquecer a economia. Na prática, porém, ao se comprometer com mais empréstimos, os governos regionais economizam menos: — Os governos regionais reduziram pela metade o esforço fiscal que vinham fazendo na última década. No ano passado, o resultado foi de 0,5% e não deve passar disso este ano. No governo federal, destacou Barros, as despesas têm crescido em ritmo mais acelerado do que as receitas. Além disso, as desonerações têm dificultado o fechamento das contas. De janeiro a julho, os cofres públicos deixaram de arrecadar R$ 43,7 bilhões — 75% a mais que o registrado no mesmo período de 2012. Pelos dados do Banco Centrai, o superávit primário do setor público consolidado — governos central, regionais e estatais — alcançou R$ 88,2 bilhões ou 1,91% do PIB no acumulado dos 12 meses completados em julho. A economia feita pelos governos regionais, por sua vez, está em R$ 16,4 bilhões ou 0,36% do PIB. Para alcançar o resultado esperado pelo governo, estados e municípios precisariam economizar mais R$ 21,6 bilhões entre agosto e dezembro — média de R$ 4,3 bilhões por mês. O economista Mansueto Almeida, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ponderou que, mesmo se a economia ficar em torno de 2% do PIB, o resultado não fará diferença para o mercado, pois permitirá a continuidade da redução da dívida líquida em proporção ao PIB — sinal da capacidade do país de honrar seus compromissos. Mas, alertou: — No entanto, o mercado enxerga como tendência uma piora nos resultados fiscais nos próximos anos, devido ao crescimento das despesas — disse ele, lembrando que, no ano que vem, os gastos devem aumentar devido às eleições.

Autor(es): Cristiane Bonfanti

O Globo - 16/09/2013

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Alta do dólar deixa brasileiro 'mais pobre'

Em dólar, o brasileiro já perde poder de compra. Ao final de 2013, a cota de riqueza individual será de US$ 10.920, quase 5% abaixo do valor do final do ano passado. Será a primeira vez, desde 2009, que o resultado ficará abaixo de US$ 11 mil. Como a cotação do dólar baliza o preço de uma série de produtos, o efeito do câmbio é generalizado. "Não apenas o consumidor fica mais pobre em dólar, mas também o empresário, que paga mais para importar e para investir", diz o economista da USP Juarez Rizzieri.

Medido em dólares, PIB per capita deve chegar ao final deste ano 5% menor

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A alta do dólar em relação ao real nos últimos meses tornou o brasileiro "mais pobre". Apesar de o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, divulgado na sexta-feira, ter ficado acima das expectativas, com alta de 1,5% sobre o trimestre anterior, o fato é que, em dólar, o brasileiro já perde poder de compra.

O PIB per capita, que mostra a divisão da criação de riqueza dopais peio número de habitantes, vem encolhendo. Depois de atingir o pico de US$ 12.690 em 2011, caiu para US$ 11.460 no ano passado. O repique do PIB no segundo trimestre fez esse ganho voltar para a casa de US$ 12 mil; mas, para o encerramento deste ano, a perspectiva de baixa permanece.

Segundo cálculo da analista Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria Integrada, ao final de 2013, a cota de riqueza de cada brasileiro será de US$ 10.920, quase 5% abaixo do valor ao final do ano passado - considerando-se um crescimento de 2,1% do PIB e uma taxa de câmbio de R$ 2,40. Será a primeira vez, desde 2009, que o resultado ficará abaixo de US$ 11 mil. Naquele ano, o PIB per capita foi de US$ 8.470.

A queda na riqueza individual não é um mero efeito contábil. Na vida real, a cotação do dólar baliza - direta e indiretamente - o preço de uma série de produtos. Os importados exprimem a variação de maneira instantânea. Se há alta, como agora, o preço sobe na hora.

Um iPad básico, na loja em Nova York, custa US$ 499 desde o lançamento pela Apple, em 2010. O turista brasileiro pagou o equivalente a R$ 989 por ele em abril deste ano, quando o dólar estava abaixo de R$ 2,00. Mas vai desembolsar R$ 1.189 se quiser levá-lo hoje.

Insumos. Mas não é preciso sair do País para ver o efeito do câmbio nos preços. Insumos e componentes importados estão embutidos numa incontável lista de produtos produzidos dentro das fronteiras.

O Brasil importa mais da metade do trigo que consome - e trigo vira farinha, a essência do pãozinho. Apesar de as cervejas nacionais terem na composição misturas a base de milho e arroz produzidos no mercado interno, por volta de 40% dos ingredientes de uma loira gelada são importados.
No celular, o aparelho que está na mão de praticamente todos os brasileiros, 70% dos componentes são comprados com moeda estrangeira.

De 2007 para cá, o chamado índice de penetração de importados, que mede a participação de insumos e componentes estrangeiros nas linhas de produção brasileiras, só fez aumentar. Nos produtos feitos a base de petróleo, passou de 11% para 21%. Nos têxteis, de 12% para 22%. Na metalurgia, foi de 13% para 20%.

"O câmbio pega de forma generalizada", comenta o economista Juarez Rízzieri, professor da Universidade de São Paulo. "Assim, não apenas o consumidor fica mais pobre em dólar, mas também o empresário, que paga mais para importar e para investir."
Prof. Juarez Rizzieri

Alimentos. Um simples passeio por uma padaria pode dar a dimensão de como a valorização do dólar tornou-se parte do dia a dia do brasileiro. A Galeria dos Pães, no bairro de Higienópolis, na capital paulista, é um bom exemplo. O estabelecimento é praticamente uma fábrica de guloseimas. Instalado num prédio de 600 metros quadrados, nunca fecha e, para oferecer mais de 200 tipos de pães, bolos e doces aos 5 mil clientes que recebe diariamente, compra quase duas toneladas de farinha por mês.

De acordo com Milton Guedes de Oliveira, sócio-fundador da Galeria dos Pães, os aumentos dolarizados estão vindo de todos os lados. Suas castanhas, frutas cristalizadas, vinhos, salames e queijos mais finos, como brie, são importados e acompanham a variação do cambio. "Curiosamente, o preço do cacau, do açúcar, da castanha de caju e do óleo de soja - 100% brasileiros - também seguem o câmbio, porque são produtos típicos de exportação e têm seus preços formados no exterior.

Nos últimos meses, três dos sete ingredientes básicos utilizados na fabricação do pão francês tiveram alta: a farinha (18%), o açúcar (15% no acumulado, mas chegou a ter alta de 40%) e o fermento (10%). Oliveira nem repassou os aumentos e já sente a retração dos clientes. "Estamos voltando no tempo", diz ele. "Os fornecedores temem fazer encomendas porque não sabem quanto vão pagar pelo pedido e há quem faça o reajuste sem nenhum planejamento."

Riqueza

Depois de atingir o pico de US$ 12.890 em 2011, o PIB per capta caiu para US$ 11.460 no ano passado e com estimativa de nova queda este ano.

Contaminação
"Assim, não apenas o consumidor fica mais pobre em dólar, mas também o empresário, que paga mais para importar e investir."

Juarez Rizzieri
PROFESSOR DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

O Estado de S. Paulo - 02/09/2013 www.estadao.com.br