quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Veja repercussão do aumento da taxa de juros a 11,75% ao ano pelo BC

Foi o 2º aumento seguido da taxa básica de juros da economia.
BC informa que juro deverá continuar subindo.


Apesar de a economia brasileira não estar a todo vapor, mas com inflação ainda resistente, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central acelerou o ritmo de alta e subiu a taxa básica de juros da economia em 0,5 pontos percentuais ontem quarta-feira (3/12), de 11,25% para 11,75% ao ano. Em outubro, os juros tinham avançado menos : 0,25 pontos percentual. Esse foi o segundo aumento seguido da taxa Selic, que está no maior patamar em três anos. A intensificação do aumento dos juros já era esperada por grande parte dos economistas do mercado financeiro.

Veja abaixo a repercussão da decisão:

Roberto Vertamatti, integrante do conselho de administração da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade
“Na verdade o Banco Central já deveria, diante da pressão inflacionária que a gente continua tendo, ter uma posição mais forte com relação à taxa de juros. Mais uma vez, fica claro que o novo ministério quer realmente combater a inflação. Você acaba aumentando o parâmetro de juros em toda a cadeia produtiva, infelizmente é uma medida amarga, mas necessária. A inflação continua pressionando, e nós temos duas alternativas para controla-la: uma são as medidas monetárias, que é essa do BC, e outra são medidas do Ministério da Fazenda, que é controlar gastos. Até então não temos conseguido fazer isso, o gasto público está muito alto. Juros muito altos significam uma sinalização recessiva, sem dúvida, mas nós precisamos controlar a inflação. Eu entendo que está correto o aumento, e é possível que na próxima reunião tenhamos um novo aumento, como o BC mesmo sinalizou.”

Roberto Luis Troster, coordenador do curso de bancos da Fipe – USP
“A decisão foi acertada. Estávamos com o mercado dividido antes do anúncio, com alguns analistas defensores do aumento de 0,25 em razão do baixo crescimento da economia, achando que um aperto monetário mais forte poderia prejudicar o crescimento. Todavia, os índices inflacionários estão fortes e, mais grave ainda, você tem tarifas que devem pressionar inflação, a taxa de câmbio que tem uma desvalorização forte e também influencia a inflação e um déficit fiscal considerável. É um momento em que se tem que realmente apertar os juros para evitar que a inflação continue subindo. A grande novidade do anúncio foi o uso da palavra ‘parcimônia’ pelo BC. Isso mostra que vai estar, como se diz, ‘com um olho no gato e outro na frigideira’.”

Rogério Amato, presidente da Associação Comercial de São Paulo
"A decisão do Copom de aumentar em 0,5 ponto percentual a Selic surpreendeu negativamente os empresários, pois todos os indicadores mostram que o nível da atividade econômica está muito fraco e, com a elevação dos juros, a economia deverá desacelerar ainda mais. A resistência da inflação não decorre de excesso de demanda, como revelou a informação sobre o consumo das famílias divulgada pelo IBGE, pelo que o aumento da Selic não é o remédio adequado no momento."

Miguel Torres, presidente da Força Sindical
"Ao subir os juros, o governo dá um presentão de Natal aos especuladores. O governo insiste em editar medidas de aperto monetário num país que está com a atividade econômica estagnada e com uma indústria que vem acumulando resultados negativos mês após mês. Estas políticas inflacionárias mal orientadas deprimem ainda mais a economia, em vez de fazê-la crescer. É bom ressaltar que o remédio do arrocho, em dose muito forte, pode intoxicar a economia e colocá-la na UTI. Estes juros proibitivos para o setor produtivo já comprometem as campanhas salariais das categorias com data-base no primeiro semestre de 2016. Não podemos permitir que a classe trabalhadora pague a conta dos desacertos e da equivocada equipe econômica. Para arrepio dos que defendem o desenvolvimento econômico sustentado com crescimento e geração de mais e melhores empregos, o governo que ainda não iniciou acaba de anunciar um ministro da Fazenda que promete reforçar o aperto monetário com austeridade fiscal, mantendo o câmbio flexível. Os ministros anunciados acreditam que a política de salário mínimo atingiu seu limite e não precisaria mais subir no mesmo ritmo. Em vez de recuperar a economia, essa guinada pode levar o país à recessão e ao desemprego."

Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT
"Mais uma vez, o Banco Central cedeu à chantagem insaciável dos rentistas e especuladores do mercado financeiro, os únicos que ganham, e muito, com esse segundo aumento consecutivo da Selic. Essa nova elevação vai travar ainda mais o ritmo de crescimento econômico, na contramão do desenvolvimento com mais empregos e distribuição de renda. Esse remédio amargo não dialoga com a sociedade, e é prejudicial para a economia brasileira, pois vai frear a expansão do crédito, o fortalecimento da produção e do consumo e a geração de empregos, no momento em que o país necessita de estímulos para crescer. Se não há excesso de demanda, aumentar os juros não resolve o problema da inflação. Pelo contrário, só vai fazer com que o Brasil siga crescendo pouco, gerando menos empregos, engordando os ganhos dos rentistas, especialmente os bancos, e aprofundando a concentração de renda no país."

José do Egito Frota Lopes Filho, Presidente da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados
"Em seu patamar mais alto desde dezembro de 2011, a Selic de 11,25% ao ano já atuava para desestimular a poupança e esfriar investimentos importantes no setor produtivo. Mesmo a mínima histórica de 7,25%, atingida em outubro de 2012, já era alta pelos padrões internacionais. Agora, elevada mais uma vez, a taxa tem um efeito perverso sobre o conjunto da economia, que permanece estagnada. Voltamos a afirmar que, enquanto não houver um sério comprometimento do governo com o controle das contas públicas, ao lado de um programa consistente de incentivo a investimentos na economia real, a alta de juros mais penaliza a sociedade do que contribui para o controle inflacionário."

Fecomércio RJ
"A Fecomércio RJ espera que esta nova alta dos juros básicos pelo Banco Central seja o último capítulo do arrocho monetário em curso, o que não interessa apenas ao comércio, mas à economia como um todo. A parcela de brasileiros com algum tipo de parcelamento passou de 48%, em setembro de 2013, para 37%, em igual mês deste ano, segundo pesquisa nacional Fecomércio RJ/Ipsos. Indicadores de emprego, comércio, serviços e indústria sintonizam-se a este cenário de desaceleração, o que se agrava pelo encarecimento ainda maior do crédito. Após anos em que cresceu a taxas de dois dígitos, o varejo avança atualmente entre 3% e 4% anuais. Se considerado o varejo ampliado, computados resultados de veículos e construção civil, o desempenho cai para uma média de crescimento zero. Em outras palavras, o arrefecimento da demanda já aconteceu, ao mesmo tempo em que o governo sinalizou maior rigor com o controle do gasto público pelo perfil da nova equipe econômica."

Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro

"O cenário para a política econômica é desafiador. A economia brasileira deve encerrar 2014 com crescimento do PIB próximo de zero e inflação muito perto do teto da meta estabelecida. Para 2015, as expectativas apontam para um crescimento do PIB inferior a 1% e inflação ainda mais elevada, em especial por conta da necessidade de correção dos preços administrados. O Sistema FIRJAN entende que a solução definitivamente não se resume a aumentar ainda mais a taxa de juros e sim a reduzir a pressão fiscal decorrente dos exagerados gastos públicos. Nesse sentido, o anúncio da nova equipe econômica renova as perspectivas de um maior alinhamento entre as políticas monetária e fiscal, o que permitirá ao país reduzir a inflação sem impor custos elevados em termos de investimentos, produção e geração de empregos."


O Aumento da Taxa SELIC - (explicação)

Por que se aumenta a taxa Selic para combater a inflação?

Para não ocorrer remarcações de preços, sempre que os valores sobem acima do estabelecido, o Banco Central utiliza a sua principal ferramenta, a taxa de juro, para diminuir o dinheiro em circulação, conter a expansão do crédito e, assim, evitar que o crescimento inflacionário desperte. No Brasil, como o estado quase nunca cabe dentro do PIB, os gastos públicos costumam inundar a economia com mais reais do que ela é capaz de lidar. Assim, o Banco Central se vê na obrigação de acionar sua única e, às vezes, perversa arma de aumentar o custo do dinheiro para esfriar a atividade econômica – quanto maior a taxa, menor é a demanda. Com menos pessoas e empresas consumindo bens e serviços, os preços tendem a cair.

Quais podem ser os efeitos colaterais desse aumento?

Sempre que o juro sobe a dívida pública cresce. Por isso, o sistema de metas de inflação, utilizado pelo Banco Central brasileiro desde 1999, funciona melhor em países como a Nova Zelândia do que no Brasil. A razão? Por aqui, metade da dívida é atrelada ao juro. Toda vez que o Copom eleva os juros para combater a inflação, essa metade da dívida aumenta. Como países com dívida alta em relação ao PIB precisam de juros mais altos, cria-se um círculo vicioso do qual só se sai com cortes profundos de gastos.

Aumentar a taxa SELIC, por um lado é uma boa notícia para os investidores em títulos públicos, pois a rentabilidade está atrelada à SELIC, por outro lado causa um esfriamento na economia.

Por que elevar a taxa SELIC esfria a economia?

A resposta é bem simples. O aumento da taxa de juros impacta diretamente os juros dos financiamentos bancários. Como grande parte do consumo nacional é produto de financiamentos e a oferta de crédito está mais “cara” (com juros mais altos), consequentemente as pessoas passam a consumir menos.

O mesmo raciocínio se aplica às empresas, que deixam de contrair empréstimos para investimentos em novos projetos, já que os juros mais altos comprometem a taxa de retorno do investimento, aumentando o risco. Consumidores gastando menos e empresas investindo menos são igual a menos dinheiro rolando na economia.

Por que o governo aumenta a taxa SELIC?

O governo trabalha com uma meta de inflação anual em torno de 4,5% a.a. Sendo que a expectativa de inflação para o ano de 2010 já estava se aproximando dos 6% a.a. Isso significa que nós, consumidores, as empresas e o governo vinham gastando mais que a oferta de bens e/ou serviços. Isso tende a elevar o preço (pela tão falada lei da demanda e da oferta) das coisas. Portanto o aumento da SELIC desestimula o consumo, diminuindo a demanda (procura por bens e/ou serviços), impedindo que os preços continuem a subir e, quem sabe, até comecem a cair. Em poucas palavras, o objetivo do governo, ao elevar a SELIC, é controlar a inflação.


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Petróleo em baixa deve afetar investimentos da Petrobras

Alto endividamento e Operação Lava Jato dificultam captação de recursos no exterior

O barril do petróleo atingiu seu menor preço em quatro anos em meados de novembro e continua abaixo de 80 dólares. Com a commodity mais barata e a expectativa da manutenção do valor nos próximos meses, a Petrobras e outras petrolíferas aguardam com ansiedade a reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), marcada para esta quinta-feira 27, em Viena, na Áustria.

A longo prazo, o baixo valor no mercado internacional pode colocar em risco o plano de investimentos da Petrobras e demais petrolíferas, que realizaram planejamentos ambiciosos apostando num barril mais caro. Em seu Plano de Negócios e Gestão (PNG) 2014-2018, a estatal brasileira previa o barril a 105 dólares em 2014; 100 dólares até 2017; e 95 dólares em 2018. A meta era investir 220,6 bilhões de dólares no período.
Números atuais mostram um cenário diferente, e se a baixa no preço do barril se mantiver, o investimento no desenvolvimento dos campos do pré-sal deve se tornar uma incógnita, avalia Gilberto Braga, professor de finanças do Ibmec/RJ. Quando as descobertas do pré-sal foram anunciadas, os preços internacionais do barril estavam acima de 120 dólares, e valia a pena o investimento pesado nestes campos.
"Mas com o valor a 80 dólares/barril, em função da vazão de produção e dos pesados investimentos exigidos, há dúvidas se alguns poços se manterão economicamente viáveis para a empresa", diz Braga. "Não se tem muita transparência sobre os reais custos de exploração, mas é fato que alguns poços não serão mais rentáveis, e isso certamente afetará o plano de investimentos da estatal."
Numa perspectiva de curto prazo, o preço mais baixo do petróleo e derivados alivia as contas da Petrobras e a balança comercial do país, já que a empresa comprava o produto por um valor no exterior e o vendia mais barato no Brasil, explica Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).
Segundo o especialista, no nível de preço atual, a defasagem do valor dos combustíveis está próxima de zero. Mas numa perspectiva de médio prazo, as consequências podem ser negativas para a empresa.
"Um preço menor do barril de petróleo vai significar mais um desafio para a Petrobras, uma vez que a empresa já tem um elevado comprometimento de despesas com o investimento para explorar as reservas adquiridas", opina Pires. "Este desafio se torna ainda mais grave se considerarmos o elevado endividamento da companhia, que já atingiu 241 bilhões de reais."
Por meio de nota, a Petrobras informou que o Plano de Negócios e Gestão (PNG) da empresa está em revisão e ainda não há previsão de divulgação. Segundo a estatal, para cada processo de planejamento é realizada uma atualização das premissas com as melhores informações disponíveis no momento.
"Na época da divulgação do PNG 2014-2018, as projeções da Petrobras se encontravam no viés mais conservador das previsões", diz a nota.
Mesmo com o petróleo em queda, a estatal aumentou os combustíveis nas refinarias desde 7 de novembro: a gasolina teve alta de 3%, e o diesel, de 5%. Apesar de estar na contramão do mercado internacional, de acordo com analistas, a medida foi correta para recompor as perdas acumuladas e reforçar o caixa da empresa, a fim de colocar em prática seus investimentos. Durante o ano eleitoral, os preços dos combustíveis ditados pela estatal se mantiveram congelados.
A decisão de aumentar os preços este mês não foi meramente econômica. Por conta da Operação Lava Jato, a empresa adiou, no dia 13 de novembro, a divulgação do balanço do terceiro trimestre e, como resultado, vai ter mais dificuldades para captar recursos no exterior e financiar os investimentos, opina o economista Maurício Canêdo Pinheiro, do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE)/Fundação Getúlio Vargas (FGV).
"Todo aumento de receita é muito bem-vindo, já que o custo de captação de recursos ficou maior e, com esses escândalos, não é uma boa ideia captar recursos de terceiros e fazer dívidas. A estatal vai ter que contar com receita própria e com o BNDES", afirma Pinheiro.


sexta-feira, 14 de novembro de 2014

OMC diz que acordo comercial global pode ser fechado em duas semanas

Chance é alta de acordo para simplificar as regras aduaneiras globais.
Informações são do diretor-geral da OMC, Roberto Azevêdo.

A Organização Mundial do Comércio (OMC) disse hoje sexta-feira 14/11 que existe uma "probabilidade alta" de que um acordo para simplificar as regras aduaneiras globais seja implementado dentro de duas semanas, depois de um acordo fechado entre Índia e Estados Unidos para resolver um impasse.

"Eu diria que nós temos uma probabilidade alta de que o pacote de Bale seja implementando muito em breve", disse o diretor-geral da OMC, o brasileiro Roberto Azevêdo, referindo-se ao Acordo de Facilitação do Comércio negociado na ilha indonésia.

"Tenho esperança de que podemos fazer isso em um período de tempo bastante curto, dentro

Emb. Roberto Azevêdo - Diretor Geral da OMC
das próximas duas semanas", acrescentou Azevêdo, falando antes de uma cúpula do G20, grupo das principais economias do mundo, em Brisbane, na Austrália.

Na quinta-feira, Índia e Estados Unidos resolveram uma disputa que vinha travando o acordo na OMC e ameaçava impedir as reformas, que devem acrescentar cerca de 1 trilhão de dólares ao comércio global.


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Dólar opera em queda após seis dias seguidos de alta

Movimento vem em linha com os mercados internacionais.
Na sexta-feira, dólar fechou na maior cotação desde abril de 2005.

O dólar opera em queda hoje segunda-feira 10/11, após seis dias consecutivos de ganhos sobre o real. A variação no cenário interno segue linha dos mercados internacionais, após números mais fracos que o esperado sobre o emprego nos Estados Unidos reforçarem na sexta-feira 7/11 a percepção de que os juros norte-americanos só começarão a subir no segundo semestre de 2015.

Por volta das 15h20, a moeda norte-americana era vendida a R$ 2,5438, em baixa de 0,76%.

No cenário doméstico, investidores continuam no aguardo do anúncio do próximo ministro da Fazenda e de mais sinais sobre como será a política econômica no segundo mandato de Dilma Rousseff.

Reginaldo Siaca
"O dólar tem sido muito pressionado nas últimas semanas e hoje, com a agenda fraca, está dando um respiro e seguindo lá fora", disse à Reuters o superintendente de câmbio da corretora TOV Reginaldo Siaca.

Na sexta-feira, o dólar fechou em alta de 0,11%, a R$ 2,5634, no maior valor desde abril de 2005. Na semana, a moeda subiu 3,42%. No mês, há valorização acumulada de 3,42% e no ano, de 8,73%. Segundo a agência Reuters, o dólar subiu durante oito das últimas nove semanas, período em que acumulou avanço de quase 15%.

Nesta manhã, o Banco Central vendeu a oferta total de até 4 mil swaps, que equivalem a venda futura de dólares, pelas atuações diárias. Foram vendidos 2,2 mil contratos para 1º de junho e 1,8 mil para 1º de setembro de 2015, com volume correspondente a US$ 197,4 milhões.

O BC também vendeu nesta sessão a oferta total de até 9 mil swaps para rolagem dos contratos que vencem em 1º de dezembro. Ao todo, a autoridade monetária já rolou cerca de 22% do lote total, equivalente a US$ 9,831 bilhões.


quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Desemprego ficou em 6,8% no 2º trimestre

No primeiro trimestre, taxa havia ficado em 7,1%.
População desocupada somou 6,8 milhões no período.

No segundo trimestre, a taxa de desemprego ficou em 6,8%, segundo dados divulgados hoje quinta-feira 6/11/2014 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O dado faz parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, que substituirá a tradicional Pnad anual e a Pesquisa Mensal de Emprego (PME). No primeiro trimestre, taxa havia ficado em 7,1% e no segundo de 2013, em 7,4%.

O novo indicador mostra um desemprego maior que o calculado pela PME, que fechou o segundo trimestre em 4,87%.

A cada trimestre, a Pnad Continua investiga 211.334 domicílios em aproximadamente 16 mil setores censitários, distribuídos em cerca de 3.500 municípios. Esta é a quarta divulgação do índice. “É uma mostra bastante espalhada, tem avanço metodológico bastante robusto, é um aprimoramento em relação à PME. 

A pesquisa, no entanto, só terá dados completos divulgados – como dados de renda, além da desocupação – a partir de seis de janeiro de 2015. Azevedo ressaltou que “do momento que a pesquisa começar a divulgar dados mensais, a PME será desativada”.

“A Pnad Contínua mostra igualdade em relação a 2013 [no nível de ocupação] e avanço em relação ao primeiro trimestre. Esse avanço é sazonal, teve dispensa no mercado de trabalho no começo do ano e agora ele volta.”

A população desocupada somou 6,8 milhões no segundo trimestre deste ano, depois de atingir 7,3 milhões no mesmo período de 2013.

No 2º trimestre de 2014, as regiões que apresentaram os maiores percentuais de pessoas trabalhando entre aquelas com idade de trabalhar foram as  Centro-Oeste (61,5%) e a Sul (61,1%).

Segundo o IBGE, 78,1% dos empregados do setor privado tinham carteira de trabalho assinada, resultado acima do verificado no segundo trimestre de 2013. Os menores percentuais foram vistos nas regiões Norte (65,6%) e Nordeste (63,7%).

Entre os trabalhadores domésticos, 31,7% tinham carteira de trabalho assinada, contra 30,8% no ano passado. Os militares e servidores estatutários correspondiam a 69% dos empregados do setor público.

Na análise da taxa de desocupação por idade, o IBGE aponta que o índice entre jovens de 18 a 24 anos de idade ficou em 15,3% - resultado visto nas cinco grandes regiões analisadas pela pesquisa.

Nordeste

No 2º trimestre de 2014, 38,9% das pessoas em idade de trabalhar foram classificadas pelo IBGE como "fora da força de trabalho", ou seja, aquelas que não estavam trabalhando nem procurando emprego.

Entre as regiões pesquisadas, o Nordeste registrou o maior percentual, 43,1%, e as regiões Centro-Oeste (34,8%) e Sul (36,2%), os menores. Na análise de gênero, as mulheres representavam 66,5% desse grupo de pessoas. Do total de pessoas que não estavam ocupadas nem desocupadas, 34% era idosa; 29,2% eram jovens com menos de 25 anos e 36,8% eram adultos, com idades de 25 a 59 anos.

Nível de ocupação

As regiões Sul e Centro-Oeste registraram os maiores níveis de ocupação no segundo trimestre, com índices de 61,1% e 61,5%, respectivamente. Na outra ponta está a região Nordeste, cujo nível de ocupação ficou em 51,9%. No 2º trimestre, o nível da ocupação foi estimado em 68,4% para os homens e 46,4%, para as mulheres. A maior diferença foi vista no Norte e menor, no Sul.

A pesquisa mostrou que apenas duas regiões que ultrapassam 50% são a Sul e o Centro Oeste no nível de ocupação por sexo. Esse desnivelamento entre homens e mulheres não é novidade. “São aquelas mazelas da dificuldade da mulher se inserir no mercado de trabalho, ela tem jornada em casa muitas vezes, a gente sabe que existe [diferença] na hora da inserção como existe na hora de valor e rendimento.”

Entre os jovens de 25 a 39 anos, o nível de ocupação foi estimado em 75,8% e entre o grupo de 40 a 59 anos, em 69,4%. Entre os jovens de 18 a 24 anos, ficou em 57,5% e entre os menores de idade (de 14 a 17 anos), em 16,3%. Já entre os idosos ficou em 21,9%.

PME  X  PNAD

Segundo o IBGE, a diferença dos resultados da Pnad  e da PME, que mostrou uma taxa menor de desemprego, os indicadores não são comparáveis. "E não são comparáveis não só por questão de abrangência, mas por processo, de metodologia de amostra, de definição de indicadores. A Pnad continua está melhor ajustada às recomendações internacionais do que a PME e a Pnad”, daí se percebe que existe a diferença do que é população ocupada a e desocupada entre essas pesquisas e, por isso que não se pode comparar os resultados.




terça-feira, 4 de novembro de 2014

O Nobel de Economia de 2014 – Jean Tirole

Prof. Jean Tirole
O prêmio nobel de Economia concedido a Jean Tirole pela Academia Real das Ciências da Suécia é um reconhecimento às importantes contribuições teóricas do economista francês em várias áreas, mas “acima de tudo ao seu esforço para a compreensão e a regulação de setores dominados por poucas empresas muito poderosas ou por um monopólio”, segundo a instituição. O professor da Universidade de Toulouse receberá um prêmio de 8 milhões de coroas suecas, equivalentes a pouco mais de 1 milhão de dólares.

Livres de regulação, os setores monopolizados produzem resultados com frequência “socialmente indesejáveis”, entre eles preços exageradamente elevados em relação aos custos ou empresas improdutivas que só sobrevivem por meio do bloqueio do ingresso de concorrentes novos e mais produtivos. A análise do economista sobre as empresas com grande poder de mercado propõe caminhos para o governo lidar com fusões e cartéis e regular os monopólios. Sugere a adaptação meticulosa da regulação às condições específicas de atuação de cada setor, do financeiro ao de telecomunicações.

O espaço para a valorização de trabalhos como o de Tirole ampliou-se após a crise de 2008 tornar evidentes as lacunas regulatórias no sistema financeiro. Outro estímulo foi a resistência crescente ao poder de mercado de empresas como o Google e a Apple, especialmente na Europa, palco também de um longo litígio com a Microsoft em anos anteriores.

Pelo segundo ano consecutivo, a academia sueca premiou economistas críticos ao pressuposto dos mercados eficientes defendido por pesquisadores da Universidade de Chicago, tradicionalmente acolhidos nas premiações da instituição.

O domínio do mercado por monopólios ou oligopólios é uma característica central da economia contemporânea. A autorregulação pretendida pelo neoliberalismo é irrealizável, na definição do Prêmio Nobel Joseph Stiglitz, e a única alternativa é a regulação promovida pelo Estado.

Michel Aglietta, autor de Regulação e Crises do Capitalismo, é o pioneiro da chamada escola regulacionista francesa, representada também por Robert Boyer e Alain Lipietz, entre outros. Os regulacionistas tornaram-se mais conhecidos no mundo acadêmico e entre o público leigo a partir da sua interpretação da dinâmica do capitalismo no período posterior à Segunda Guerra Mundial. Aglietta destacou-se por seus estudos originais sobre a moeda e as instabilidades financeiras. Segundo alguns economistas, sua obra tem envergadura superior à de Tirole e o tornaria merecedor do Nobel.

*Reportagem publicada originalmente na edição 822 de CartaCapital, com o título "Antimonopólio"


sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Juro bancário cai pelo 2º mês seguido e é o menor desde maio

Informações sobre o mês de setembro foram divulgadas pelo Banco Central.
Com alta da taxa básica nesta quarta, juro bancário tende a subir no futuro.

Os juros cobrados pelos bancos das pessoas físicas, nas operações com recursos livres (tirando crédito rural, habitacional e do BNDES), recuaram pelo segundo mês consecutivo em setembro, informou o Banco Central ontem 30/10

No mês passado, a taxa média nas operações com recursos livres caiu para 42,8% ao ano, contra de 43,1% ao ano em agosto. Com isso, os juros bancários cobrados das pessoas físicas atingiram o menor patamar desde maio de 2014 (42,5% ao ano).

Já a taxa de juros média das operações de crédito com empresas ficou estável em 22,8% ao ano em setembro. A taxa de todas as operações (pessoas físicas e jurídicas), ainda com recursos livres, recuou de 32,2% ao ano em agosto para 31,9% ao ano em setembro.

Alta dos juros básicos

Os números foram divulgados pelo BC um dia após o Comitê de Política Monetária (Copom) da instituição ter retomado o processo de elevação dos juros básicos da economia – o que tende a pressionar para cima as taxas de juros cobradas pelos bancos de seus clientes pessoa física e empresas nos próximos meses.

Quarta-feira 29/10, em sua primeira reunião após a reeleição da presidente Dilma Rousseff, o COPOM elevou a taxa básica de juros da economia brasileira de 115 para 11,25% aa (conforme está no blog notícia anterior a esta). Foi a primeira elevação desde abril deste ano, o que levou a taxa de juros ao maior patamar desde o fim de 2011.

'Spread' recua em setembro

A redução das taxas de juros bancários de pessoa física em setembro deste ano contribuiu para reduzir o chamado "spread bancário" – que é a diferença entre o que os bancos pagam pelos recursos e quanto cobram de seus clientes. O spread nas operações com pessoas físicas caiu de 31,5 pontos em agosto para 31,2 pontos percentuais em setembro.

O spread é composto pelo lucro dos bancos, pela taxa de inadimplência, por custos administrativos, pelos depósitos compulsórios (que são mantidos no Banco Central) e pelos tributos cobrados pelo governo federal, entre outros. Apesar da queda em agosto, o spread dos bancos registrou forte alta no ano.

Apesar da queda do spread bancário em setembro, ele ainda permanece em patamar elevado. Em abril do ano passado, por exemplo, o spread bancário nas operações com pessoas físicas estava em 25,4 pontos percentuais. Em maio deste ano, já estava em 30,5 pontos percentuais. No acumulado deste ano, o spread dos bancos nas operações com pessoas físicas avançou 4,8 pontos percentuais.

Inadimplência fica estável

Segundo números do BC, a taxa de inadimplência das pessoas físicas, nos empréstimos bancários com recursos livres (sem contar crédito rural e habitacional), que mede atrasos nos pagamentos acima de 90 dias, registrou estabilidade em 6,6% em setembro deste ano - mesmo patamar de julho e agosto. A inadimplência das pessoas físicas está mais baixa do que em 2013 – quando operou entre 6,6% e 7,9%.

Já a taxa de inadimplência das operações dos bancos com as empresas, ainda no segmento com recursos livres, permaneceu inalterada em 3,6% em setembro. Em julho, estava em 3,5%, passando para 3,6% no mês seguinte. Este é o maior patamar desde maio do ano passado, quando estava em 3,7%.

Considerando a taxa total de inadimplência, que engloba operações com as pessoas físicas e empresas, ainda nas operações com recursos livres, houve estabilidade em 5% em setembro. Nesse caso, não são considerados créditos habitacional e rural e as operações do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).


Alexandro Martello

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

COPOM  sobe  juros  para  11,25%  ao  ano

Mercado financeiro acreditava que juros seriam mantidos em 11% ao ano.
Inflação soma 6,75% em 12 meses até setembro, mas atividade está fraca.



Em sua primeira reunião após a reeleição da presidente Dilma Rousseff, o Comitê de Política Monetária (Copom) surpreendeu ao elevar a taxa básica de juros da economia brasileira de 11% para 11,25% ao ano. Foi a primeira elevação desde abril deste ano, o que levou a taxa de juros ao maior patamar desde o fim de 2011.

A decisão surpreendeu a maior parte dos economistas do mercado financeiro, que apostavam maciçamente em nova manutenção da taxa básica da economia em 11% ao ano. A decisão acontece em um momento de fraca atividade econômica, tendo o Produto Interno Bruto (PIB) registrado retração no primeiro e segundo trimestres deste ano – o que configura recessão técnica – embora a inflação em doze meses até setembro tenha somado 6,75%, acima do teto de 6,5% do sistema de metas brasileiro.

O próprio Banco Central havia sinalizado, na ata da última reunião, ocorrida em setembro, que os juros não deveriam ser reduzidos, mas não havia deixado claro que a taxa poderia ser elevada. Na ocasião, informou que seria plausível afirmar que, levando em conta estratégia de não redução do instrumento de política monetária (juro), a inflação tenderia a entrar em trajetória de convergência para a meta nos trimestres finais do horizonte de projeção (2016).

Segundo analistas, vários fatores que influenciam a inflação se contrapõem neste momento. O baixo nível de atividade e a queda dos preços das "commodities" (produtos básicos com cotação internacional) atuam para conter a inflação, ao mesmo tempo em que a alta do dólar e dos preços administrados (como telefonia, água, energia, combustíveis e tarifas de ônibus, entre outros), continuam pressionando os preços. Além disso, a inflação de serviços, impulsionada pelos ganhos reais de salários, segue elevada.

Decisão não foi unânime

A decisão do Copom, entretanto, não foi unânime. Votaram pela elevação da taxa Selic o presidente da instituição, Alexandre Tombini, além dos diretores Aldo Mendes, Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Hamilton e Sidnei Corrêa Marques. Votaram pela manutenção da taxa Selic em 11% ao ano os seguintes integrantes do Comitê: Altamir Lopes, Luiz Awazu Pereira da Silva e Luiz Edson Feltrim.

Ao fim do encontro, foi divulgada a seguinte explicação: "Para o Comitê, desde sua última reunião, entre outros fatores, a intensificação dos ajustes de preços relativos na economia tornou o balanço de riscos para a inflação menos favorável. À vista disso, o Comitê considerou oportuno ajustar as condições monetárias de modo a garantir, a um custo menor, a prevalência de um cenário mais benigno para a inflação em 2015 e 2016".

Metas de inflação

Pelo sistema de metas de inflação vigente na economia brasileira, o BC tem de calibrar os juros para atingir objetivos pré-determinados. Para 2014, 2015 e 2016, a meta central de inflação é de 4,5%, mas o IPCA, que serve de referência para o sistema brasileiro, pode oscilar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.

No fim de setembro, o Banco Central estimou, por meio do relatório de inflação, um IPCA de 6,3% para este ano e de 5,8% a 6,1% para 2015, ou seja, valor ainda distante da meta central de 4,5% para ambos os anos. Segundo a autoridade monetária informou naquele momento, a inflação começará a convergir mais fortemente para a meta central somente em 2016.

Em doze meses até setembro, o IPCA somou 6,75% - acima do teto de 6,5% do sistema de metas brasileiro. Entretanto, o governo considera que a meta foi cumprida ou não apenas com base no acumulado em 12 meses até dezembro de cada ano.

Política econômica

A política econômica foi alvo de ataques da oposição durante a campanha presidencial deste ano. O baixo crescimento da economia brasileira, assim como o fato de a inflação estar oscilando ao redor de 6% nos últimos anos, foi atacada pelo candidato do PSDB, Aécio Neves.

De acordo com Silvio Campos Neto, economista-sênior da Tendências Consultoria, houve "perda de credibilidade" do BC, uma vez que a inflação oscilou ao redor de 6% nos últimos anos e meses, mais próxima do teto do sistema de metas, do que do objetivo central de 4,5%. Para ele, a instituição teria de promover um aumento muito grande da taxa neste momento para tentar retomar a confiança.

"A politica macroeconômica está muito desajustada, especialmente o lado fiscal [gastos públicos] nos últimos anos. Isso dificulta ainda mais o lado da política monetária [definição dos juros]. É importante recolocar a parte macroeconômica em ordem, com uma política mais consistente fiscal e monetária, e mostrar como lidar com o câmbio, zerando o jogo, e passar para a sociedade quais são os objetivos", avaliou o economista da Tendências, antes da reunião do Copom.


Alexandro Martello do G1, em Brasília

terça-feira, 28 de outubro de 2014

85,8% dos que guardam dinheiro investem em poupança

Número de famílias que poupam atingiu 19,1%, maior nível da série.
Menor confiança no futuro leva 66,6% a poupar para eventualidades.

Uma pesquisa realizada pela Fecomércio RJ/Ipsos revelou que nove em cada dez brasileiros (85,8%) que poupam dinheiro afirmaram utilizar a caderneta de poupança como principal investimento em 2014. Isso representa um avanço de 5 pontos percentuais em relação ao ano de 2013.

Os fundos de investimento aparecem em seguida com 2,5% dos entrevistados. Já os que preferem guardam dinheiro em casa e não realizar qualquer tipo de investimento totalizam 10,4%.

Segundo o gerente de economia da Fecomércio RJ, Christian Travassos, os depósitos na poupança voltaram a render 0,5% ao mês mais TR a partir de agosto de 2013, quando o Banco Central elevou a Selic de 8,5% para 9% ao ano, o que incentivou os poupadores a optarem por essa modalidade de investimento.
“A caderneta de poupança voltou a ganhar a adesão de parte dos brasileiros que haviam feito a opção por fundos de investimento quando da mudança na regra de remuneração da caderneta. Enquanto os juros básicos situavam-se iguais ou inferiores a 8,5% ao ano, o rendimento da aplicação era de 70% da Selic mais TR”, explicou, em nota.

Menor confiança

A análise mostrou ainda que houve um aumento de 3,1 pontos percentuais no número de famílias com algum dinheiro guardado, entre julho de 2013 e o mesmo mês em 2014, alcançado 19,1% do total. Este é o maior nível para o indicador desde o início do levantamento, em 2006.

De acordo com Travassos, esse aumento ocorre por causa da menor confiança do consumidor em relação ao futuro diante da conjuntura econômica. 

“Uma parcela da população acredita que poupar é a maneira mais correta de se precaver contra imprevistos no mercado de trabalho, o que se mostra bastante razoável se analisarmos o custo elevado, e em alta, do crédito no país”, afirmou o economista.

Preocupação com o futuro

Do total entre os que guardam dinheiro, 66,6% afirmaram que o fazem para alguma eventualidade. Em 2013, esse percentual era de 65,8%.

Entre aqueles que pretendem comprar um imóvel com as reservas, estão 8,3%. Em 2013, foram registrados 7,1%. Esse percentual é o maior dos últimos quatro anos para esse indicador.

Houve redução de 4,2 pontos percentuais, no entanto, entre as famílias com reservas que pretendem reformar a casa, atingindo 5,9%, o menor nível da série. No ano anterior, 10,1% dos poupadores tinham essa intenção.

A pesquisa foi realizada pela Fecomércio RJ/Ipsos, entre os dias 20 e 31 de julho e ouviu mil consumidores em 70 municípios brasileiros.