sábado, 4 de janeiro de 2014

Resultado fiscal é ‘notícia boa’ para quem, cara pálida?

O clima no Ministério da Fazenda em Brasília hoje dia 03/01/14 era ou é de comemoração. O ministro Guido Mantega estava todo faceiro para apresentar o resultado do superávit primário do chamado governo central – que exclui estados, municípios e estatais da conta de poupança para o pagamento dos juros da dívida pública.
“Queria começar o ano dando boas notícias do ponto de vista central. O governo central cumpriu o compromisso fiscal acima de R$ 73 bilhões”, anunciou Mantega, ressaltando que esse resultado ainda pode sofrer alteração, já que o fechamento dessa conta só acontecerá em fevereiro.
Notícia boa para quem, “cara pálida”? Porque para os investidores, analistas de mercado e agências de classificação de risco não foi. Talvez pudesse ser um anúncio com algum propósito eleitoral, já que nos aproximamos do pleito nacional. Mas superávit primário não tira nem dá voto, ainda!
Os analistas que avaliam a trajetória da dívida pública de um país consideram o resultado geral, com todo mundo dentro – não só o governo central. Certamente, quando este número chegar, daqui a um mês, o governo deverá evitar anúncios pomposos. Afinal, já se sabe que a outra parte da conta, os estados, municípios e estatais, não conseguiram chegar perto da meta estipulada para eles.
Com essa turma “de mercado”, a conversa tem que ser séria. Eles fazem as mesmas contas que o governo e sabem o quê e onde falta posicionamento e transparência das autoridades. São eles que orientam os investidores sobre aplicar ou não no Brasil. Se somos ou não um país seguro no longo prazo.
Dito isto, acrescento que o anúncio do ministro Mantega conseguiu surpreender apenas pelo que ele não disse. Ao ser questionado sobre o compromisso fiscal para este ano que começa, Mantega disse e repetiu que ainda não há nada acertado.
Há quem diga que, no Brasil, até o passado é incerto. Então, toda cautela é pouca na hora de apreciar os dados já conhecidos. Mesmo assim, para decidir se vêm ou não para cá, os investidores querem saber do futuro – e já passou da hora de alguém em Brasília dizer para onde vamos.


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