terça-feira, 6 de maio de 2014

Dólar fecha em alta por preocupação com crescimento da China

Moeda norte-americana subiu 1,24%, para R$ 2,2468.
Intervenção do BC para diminuir valor da moeda caiu pela metade.

O dólar fechou em alta em relação ao real nesta segunda-feira (5/5), influenciado por preocupações com o crescimento econômico da China e as turbulências em torno da Ucrânia – que fazem com que investidores procurem o dólar como investimento. Por outro lado, o Banco Central brasileiro diminuiu a intervenção no câmbio pela metade e deixou de fazer pressão para desvalorizar a moeda americana.

A moeda norte-americana subiu 1,24%, para R$ 2,2468.

No mês de maio, a cotação tem alta acumulada em 0,75%, mas no ano há queda de 4,7%.

Na primeira metade do pregão, a entrada de dólar no país limitou a alta da moeda, mas no início da tarde a divisa dos EUA passou a subir mais. "Houve algumas entradas importantes, que poderiam até fazer o dólar cair, mas a cena externa, com Ucrânia e China, e a rolagem menor do BC estão sustentando o dólar", resumiu à Reuters o diretor de câmbio do Banco Paulista, Tarcísio Rodrigues, que acredita que o dólar deve continuar oscilando entre R$ 2,20 e R$ 2,25 no curto prazo.

Intervenção menor do BC

Na sexta-feira, o BC anunciou que iniciaria nesta segunda a rolagem dos swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares, com vencimento em 2 de junho, mas reduziu pela metade a oferta de contratos em relação às rolagens anteriores. Quanto mais moeda dos EUA o BC coloca no mercado, menor tende a ser seu valor.

Nesta segunda, a autoridade monetária vendeu a oferta integral de 5 mil swaps no leilão, equivalentes a cerca de 2,5% do lote total, que corresponde a US$ 9,653 bilhões.

"A redução da oferta mostra que o BC está confortável com o dólar nesses patamares", afirmou à agência o superintendente de câmbio da corretora Advanced, Reginaldo Siaca. A interpretação é que o nível atual do câmbio ajuda no combate à inflação e, ao mesmo tempo, não prejudica a indústria.

Em relação às atuações diárias, a autoridade monetária continuou vendendo a oferta total de até 4 mil swaps. Pela manhã, colocou 500 contratos para 1º de dezembro deste ano e 3,5 mil para 2 de março do próximo, com volume equivalente a US$ 198,4 milhões.

China e Ucrânia

Na área internacional, as preocupações com a China, segunda maior economia do mundo, ganharam novo fôlego nesta segunda depois que o Índice Gerente de Compras (PMI, na sigla em inglês) mostrou que a atividade industrial do país diminuiu pelo quarto mês seguido, alimentando a cautela nos mercados globais.

A tensão na Ucrânia também afetou o mercado. O ministro do Interior ucraniano, Arsen Avakov, disse ter destacado uma nova unidade de operações especiais para a cidade portuária de Odessa, após uma "ultrajante" falha da polícia local em conter separatistas pró-Rússia durante um fim de semana em que a violência deixou dezenas de mortos.

"O cenário externo continua pesando sobre o ânimo dos mercados. É um fator que empurra o dólar para cima", afirmou o operador de uma corretora nacional à Reuters.


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