sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Juro bancário cai pelo 2º mês seguido e é o menor desde maio

Informações sobre o mês de setembro foram divulgadas pelo Banco Central.
Com alta da taxa básica nesta quarta, juro bancário tende a subir no futuro.

Os juros cobrados pelos bancos das pessoas físicas, nas operações com recursos livres (tirando crédito rural, habitacional e do BNDES), recuaram pelo segundo mês consecutivo em setembro, informou o Banco Central ontem 30/10

No mês passado, a taxa média nas operações com recursos livres caiu para 42,8% ao ano, contra de 43,1% ao ano em agosto. Com isso, os juros bancários cobrados das pessoas físicas atingiram o menor patamar desde maio de 2014 (42,5% ao ano).

Já a taxa de juros média das operações de crédito com empresas ficou estável em 22,8% ao ano em setembro. A taxa de todas as operações (pessoas físicas e jurídicas), ainda com recursos livres, recuou de 32,2% ao ano em agosto para 31,9% ao ano em setembro.

Alta dos juros básicos

Os números foram divulgados pelo BC um dia após o Comitê de Política Monetária (Copom) da instituição ter retomado o processo de elevação dos juros básicos da economia – o que tende a pressionar para cima as taxas de juros cobradas pelos bancos de seus clientes pessoa física e empresas nos próximos meses.

Quarta-feira 29/10, em sua primeira reunião após a reeleição da presidente Dilma Rousseff, o COPOM elevou a taxa básica de juros da economia brasileira de 115 para 11,25% aa (conforme está no blog notícia anterior a esta). Foi a primeira elevação desde abril deste ano, o que levou a taxa de juros ao maior patamar desde o fim de 2011.

'Spread' recua em setembro

A redução das taxas de juros bancários de pessoa física em setembro deste ano contribuiu para reduzir o chamado "spread bancário" – que é a diferença entre o que os bancos pagam pelos recursos e quanto cobram de seus clientes. O spread nas operações com pessoas físicas caiu de 31,5 pontos em agosto para 31,2 pontos percentuais em setembro.

O spread é composto pelo lucro dos bancos, pela taxa de inadimplência, por custos administrativos, pelos depósitos compulsórios (que são mantidos no Banco Central) e pelos tributos cobrados pelo governo federal, entre outros. Apesar da queda em agosto, o spread dos bancos registrou forte alta no ano.

Apesar da queda do spread bancário em setembro, ele ainda permanece em patamar elevado. Em abril do ano passado, por exemplo, o spread bancário nas operações com pessoas físicas estava em 25,4 pontos percentuais. Em maio deste ano, já estava em 30,5 pontos percentuais. No acumulado deste ano, o spread dos bancos nas operações com pessoas físicas avançou 4,8 pontos percentuais.

Inadimplência fica estável

Segundo números do BC, a taxa de inadimplência das pessoas físicas, nos empréstimos bancários com recursos livres (sem contar crédito rural e habitacional), que mede atrasos nos pagamentos acima de 90 dias, registrou estabilidade em 6,6% em setembro deste ano - mesmo patamar de julho e agosto. A inadimplência das pessoas físicas está mais baixa do que em 2013 – quando operou entre 6,6% e 7,9%.

Já a taxa de inadimplência das operações dos bancos com as empresas, ainda no segmento com recursos livres, permaneceu inalterada em 3,6% em setembro. Em julho, estava em 3,5%, passando para 3,6% no mês seguinte. Este é o maior patamar desde maio do ano passado, quando estava em 3,7%.

Considerando a taxa total de inadimplência, que engloba operações com as pessoas físicas e empresas, ainda nas operações com recursos livres, houve estabilidade em 5% em setembro. Nesse caso, não são considerados créditos habitacional e rural e as operações do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).


Alexandro Martello

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