quarta-feira, 30 de abril de 2014

Nos EUA, contra a pobreza, governo luta para aprovar reajuste do salário mínimo

A criação de uma política de valorização do salário mínimo ganhou status de principal tema das eleições legislativas de 2014 nos EUA, que vão renovar um terço do Senado e toda a Câmara americana, em passo inédito na mais rica economia do planeta. É um sinal dos tempos. No radar dos democratas desde o ano passado, a campanha pelo aumento do piso nacional de US$ 7,25 a hora para US$ 10,10 _ reajuste de quase 40% _ revela a necessidade de ação governamental para recompor a renda dos americanos. Os rendimentos foram achatados nos últimos 40 anos e pela Grande Recessão, em meio aos fenômenos da polarização do mercado de trabalho entre vagas de baixa e alta qualificações e da desigualdade crescente numa nação acostumada com a certeza da mobilidade social.



Se o reajuste do salário mínimo tiver aval legislativo, 16,5 milhões de trabalhadores que recebem o piso e 8 milhões que têm salários diretamente atrelados a ele seriam beneficiados, adicionando pelo menos US$ 17 bilhões à renda nacional, segundo o Escritório de Orçamento do Congresso (CBO, na sigla em inglês). Para se ter uma ideia mais precisa do impacto, basta contabilizar o efeito no salário anual de trabalhadores de baixa renda nos EUA: subiria de US$ 14.500 _ mais de US$ 4 mil abaixo da linha de pobreza para uma família de três pessoas _ para US$ 20.200.

Não só a política está se mobilizando em torno do tema. Na academia, 600 economistas dos mais renomados dos EUA _ incluindo sete ganhadores do Nobel, como Joseph Stiglitz, Kenneth Arrow, Robert Solow, Thomas Schelling e Peter Diamond _ escreveram uma carta aos líderes dos poderes Executivo e Legislativo endossando o reajuste do mínimo como boa política para os EUA. A discussão animou as entidades conservadores do outro lado, que acusam sistematicamente o governo Barack Obama de intervencionismo estatal e se opõem aos estados que têm elevado seus pisos regionais.

No campo corporativo, a disputa de imagem também se fortaleceu. O presidente Obama está entre as figuras do alto escalão que vêm citado nominalmente empresas _ de pequeno e grande portes _ que concederam reajustes em seus salários-base, como as varejistas Costco e Gap. Do outro lado, empresas como Wal-Mart e McDonald´s têm sido vistas como vilãs do achatamento salarial, com boa parte dos funcionários ganhando o mínimo realizando greves de um dia em diversos pontos dos EUA, nos últimos 15 meses.

O mínimo americano, negligenciado especialmente desde o início dos anos 1980, representava pouco mais de 50% do salário médio dos trabalhadores em 1968 e, hoje, não passa de 37%, a relação mais baixa entre diversas economias ricas, da Nova Zelândia (51%) ao Reino Unido (39%), segundo estudo do economista Gary Burtless, do Brookings Institution. A perda de valor é fruto de uma matemática que combina 40 anos de reajustes abaixo da inflação e o represamento do aumento da produtividade das pessoas empregadas, que dobrou no mesmo período mas não apareceu em forma de ganhos nos contracheques.

O mínimo federal foi elevado pela última vez em julho de 2009, quando subiu 11%, sob o patrocínio dos democratas, que controlavam as duas casas do Congresso. De lá para cá, a Casa Branca já ensaiou novos reajustes, mas a Câmara, da qual os republicanos assumiram a maioria em 2010, bloqueia as discussões.

Nos últimos seis meses, os democratas voltaram à carga e apresentaram um projeto de correção de 39,3% no valor do piso federal a partir de 2015, com indexação à inflação ao consumidor daí em diante. Obama, que fez do tema um dos destaques de seu último discurso sobre o Estado da União, agarrou com unhas e dentes o assunto, dedicando boa parte de suas aparições públicas fora de Washington para promover a ideia e deixar a oposição numa saia justa.

Dois terços da população americana aprovam o reajuste do piso e por isso os governistas estão fazendo dela uma bandeira de campanha, já que estão ameaçados de perder o controle do Senado. Republicanos, porém, não morderam a isca e partiram para o confronto, insistindo na máxima teórica de que a intervenção federal em um preço fundamental da economia vai gerar distorções, a principal delas a demissão em massa de trabalhadores por empresas com o caixa estrangulado.

Combustível na fogueira da disputa, o apartidário CBO divulgou há dois meses um estudo que forneceu munição para os dois lados. Segundo o órgão de assessoria parlamentar, a proposta dos democratas tem o potencial de ceifar 500 mil vagas do mercado de trabalho até o segundo semestre de 2016 _ embora as perdas possam ir de praticamente zero a um milhão, de acordo com as variáveis.

Por outro lado, descobriu o CBO, 900 mil famílias, ou 6 milhões de pessoas (60% das quais negras, nas contas do Center for American Progress), sairiam da condição de pobreza _ a partir da injeção direta de US$ 5 bilhões no orçamento deste grupo _ e a renda de 24,5 milhões de pessoas teria substancial aumento.

Republicanos e entidades conservadoras como a Heritage Foundation imediatamente denunciaram a proposta de Obama como destruidora de empregos. Os democratas, por sua vez, reforçaram a ideia de justiça social.

Para a maioria dos economistas, o CBO exagerou o impacto na quantidade de vagas, à luz de estudos recentes que comprovam relação menos direta entre aumento do mínimo e desemprego/abertura de postos, diante de variáveis como necessidade de retenção de funcionários e fidelidade e produtividade maiores de empregados bem remunerados.

Além disso, a maioria dos especialistas acredita que, na balança apresentada pelo CBO, a relação custo-benefício é claramente positiva. Por isso, considera que a correção do piso é boa política para os EUA, especialmente considerando-se a grande despesa federal corrente com benefícios sociais _ pagos com o dinheiro do contribuinte, ao contrário do reajuste.

_ A estagnação do mínimo desde 2009 resultou em milhões de americanos presos abaixo da linha de pobreza, apesar de terem emprego em tempo integral. Trabalham 40 ou mais horas por semana, mas os salários são tão baixos que eles precisam de bolsa-alimentação e outras assistências federais para o sustento da família. Ou seja, esse mínimo atual marginaliza milhões de americanos que têm capacidade de gerar crescimento para a economia _ afirma a economista Vanessa Cárdenas, do Center for American Progress.


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sábado, 26 de abril de 2014

Dólar fecha em alta e termina a semana com valorização

Moeda dos EUA subiu 1,22%, para R$ 2,2428, maior alta desde janeiro.
BC reduziu intervenção buscando queda da moeda nesta sexta.

O dólar fechou em alta ontem 25/4, com a redução das intervenções do BC no mercado – não houve rolagem de swaps – e com as preocupações com a Ucrânia fazendo investidores buscarem refúgio na moeda.

A moeda norte-americana subiu 1,22%, para R$ 2,2428. Foi a maior alta desde 2 de janeiro, quando o dólar subiu 1,43%.

Na semana, a moeda terminou em alta de 0,32%, mas no mês ainda está desvalorizada em 1,17%. No ano, a queda é de 4,87%.

BC

"É possível que o BC veja o atual nível do real como suficiente para manter a inflação sob controle para permiti-lo interromper as altas na Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (em maio)", escreveu o estrategista do Citi Kenneth Lam, em relatório.

O BC vinha realizando diariamente ofertas para rolar os swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares, a vencer em 2 de maio. Até quinta-feira, havia rolado cerca de 74% do lote total, correspondente a US$ 8,733 bilhões.

De qualquer forma, ainda restam três dias para rolar os swaps remanescentes, mas alguns investidores já apostam que não será concluída.

A assessoria do BC informou nesta sexta-feira que não houve rolagem nesta sexta. Mesmo sem  ele, ainda restam três dias para rolar os swaps remanescentes. No mercado, alguns apostam que a rolagem não será concluída.

"A sinalização do BC foi que não vai rolar tudo e isso dá um pouco de força para o mercado testar cotações mais altas", afirmou à Reuters o operador da corretora Intercam Glauber Romano.

As ofertas diárias de novos swaps, por outro lado, continuaram como previsto. O BC vendeu pela manhã a oferta total de até 4 mil swaps, todos com vencimento em 2 de março de 2015 e volume equivalente a US$ 198,2 milhões. A autoridade monetária também ofertou contratos para 1º de dezembro deste ano, mas não vendeu nenhum.

Segundo alguns analistas, a atuação mais moderada é justificada pelo quadro de entrada de recursos no Brasil. Em abril, até o dia 23, o país registrava entrada líquida de US$ 2,719 bilhões, informou o BC.

Ucrânia

A alta do dólar no Brasil refletiu o fortalecimento da moeda dos Estados Unidos no exterior, após o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmar que estaria pronto para impor mais sanções se a Rússia aumentar as ações na Ucrânia em apoio a rebeldes no leste do país.

"A questão da Ucrânia está gerando aversão ao risco e o pessoal está saindo dos emergentes", resumiu o superintendente de câmbio da corretora Advanced, Reginaldo Siaca.


terça-feira, 22 de abril de 2014

Mercado projeta, pela 1ª vez, inflação acima do teto de 6,5% neste ano.

Previsão dos economistas para IPCA de 2014 subiu de 6,47% para 6,51%.
Expectativa do mercado de alta do PIB deste ano cai de 1,65% para 1,63%.

Os economistas do mercado financeiro já esperam que a inflação deste ano ultrapasse o teto da meta do governo, de 6,5%. Segundo dados coletados pelo Banco Central, a expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), passou de 6,47% para 6,51% na semana passada. O relatório de mercado, também conhecido como Focus, é fruto de pesquisa com mais de 100 instituições financeiras.

Esta foi a sétima alta consecutiva da previsão para a inflação. Para 2015, a estimativa ficou estável em 6%. Pelo sistema que vigora no Brasil, a meta central, para 2014 e 2015, é de 4,5%. Entretanto, há um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Desse modo, o IPCA pode oscilar entre 2,5% e 6,5%, sem que a meta seja formalmente descumprida.

No início de 2013, o mercado previa que o IPCA deste ano somaria 5,5%. Nos meses seguintes, a estimativa foi se deteriorando, terminando o ano passado em 5,97%. A estimativa ficou consistentemente acima de 6% a partir de 20 de fevereiro, e superou o teto da meta após a inflação de março ter registrado o pior resultado para esse mês desde 2003.

Quando a meta de inflação é descumprida, o presidente da autoridade monetária precisa escrever uma carta aberta ao ministro da Fazenda explicando as razões que motivaram o "estouro" da meta formal. No começo do ano, a inflação avançou com mais intensidade por conta do aumento dos preços dos alimentos – resultado das condições climáticas adversas (seca ou excesso de chuvas) no país.

Taxa de juros

A perspectiva do mercado financeiro é que a elevação dos juros, feita no fim do mês passado pelo Banco Central, não seja a última alta do ano na taxa básica (Selic) da economia brasileira – que vem avançando desde abril do ano passado para conter pressões inflacionárias.

Para o fechamento de 2014, a previsão dos analistas para a taxa de juros permaneceu em 11,25% ao ano e, para o final de 2015, ficou estável em 12% ao ano.

Crescimento do PIB

Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2014, a previsão dos economistas caiu de 1,65% para 1,63% na última semana. O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de quem os produz.

O crescimento do PIB do país previsto para 2014 continua abaixo do estimado no orçamento federal – de 2,5% – e também menor que a previsão (2%) divulgada pelo Banco Central no mês passado. Para 2015, a perspectiva de expansão da economia brasileira, feita por analistas do mercado financeiro, ficou inalterada em 2% de alta.

Câmbio, balança comercial e investimentos estrangeiros

Nesta edição do relatório Focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2014 ficou estável em R$ 2,45 por dólar. Para o fechamento de 2015, a estimativa dos analistas dos bancos para o dólar caiu de R$ 2,53 para R$ 2,51.

A projeção para o superávit da balança comercial (exportações menos importações) em 2014 subiu de US$ 3 bilhões para US$ 3,02 bilhões na semana passada. Para 2015, a previsão de superávit comercial permaneceu em US$ 10 bilhões.

Para 2013, a projeção de entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil permaneceu em US$ 60 bilhões. Para 2015, a estimativa dos analistas para o aporte de investimentos estrangeiros ficou inalterada em US$ 55 bilhões.


quinta-feira, 17 de abril de 2014

Prévia da inflação oficial tem maior taxa desde janeiro de 2013, diz IBGE

IPCA-15 ficou em 0,78% em abril, acima da taxa de 0,73% de março,
Preço da carne subiu 2,83% e registrou maior impacto no índice, diz.

A alta de preços de alimentos como carne e batata impactaram e a inflação acelerou no país até a metade deste mês, atingindo o maior nível em um ano e meio. Considerado a prévia da inflação oficial, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) subiu para 0,78% em abril, acima da taxa de 0,73% de março e registrando a maior variação desde janeiro de 2013, quando ficou em 0,88%, aponta nesta quinta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em abril de 2013, a taxa havia ficado em 0,51%.

Com isso, no acumulado do ano o IPCA-15 subiu para 2,91%, acima da taxa de 2,58% relativa a igual período de 2013.

Nos últimos 12 meses, o índice ficou em 6,19%, também acima do resultado de 5,90% dos últimos 12 meses imediatamente anteriores e a maior desde julho de 2013, quando ficou em 6,40%.

O preço dos alimentos registraram forte impacto no resultado desde mês, diz o IBGE, destacando as carnes, que subiram 2,83%. A batata subiu 26,96% o litro do leite ficou 5,70% mais caro. Outro destaque é o tomate, com alta de 14,80%, que também teve o mesmo impacto que a gasolina, que subiu 0,93%.

Com as altas, a taxa do grupo alimentos e bebidas acelerou para 1,84%, sobre alta de 1,11% em março.

O IBGE destaca também que os preços dos remédios  ficaram 0,69% maiores, o que levou o grupo saúde e cuidados pessoais a registrar taxa de 0,69%.

As despesas com habitação aumentaram 0,58%. Dentro desse grupo, artigos de limpeza subiram 1,48% e a mão-de-obra para pequenos reparos, 1,06%.
As contas de telefone fixo tiveram queda de 2,03% e o grupo comunicação registrou redução de 0,61% no período.

Regiões

Entre os índices regionais, os maiores foram os de Curitiba e Goiânia, ambos com taxa de 1,10%, diz o IBGE. Em Curitiba o destaque foi a alta de 4,39% nos alimentos consumidos em casa. O índice de Goiânia foi pressionado pelo resultado de 2,62% da gasolina e 5,79% do etanol.

O menor índice foi o de Belém (0,32%), com destaque para os preços dos alimentos, que ficaram em 0,73%.


terça-feira, 8 de abril de 2014

FMI  já cortou à metade previsão de crescimento do PIB brasileiro em 2014

Fundo prevê alta de 1,8% no PIB do país; previsão já foi de 4%.
Economia mundial deve ter expansão de 3,6% este ano. 


 A economia brasileira está perdendo fôlego e deve crescer, em 2014, menos que no ano passado. Pela quarta vez consecutiva, o Fundo Monetário Internacional (FMI) cortou a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país: o fundo agora acredita que a alta, este ano, deve ficar em 1,8% – em 2013, foi de 2,3%. Os dados estão no relatório "World Economic Outlook", divulgado hoje terça-feira (8/4).

Com os cortes, a expectativa de crescimento do Brasil para 2014 é menos da metade do que o fundo previa em abril do ano passado. Em relatório divulgado naquele mês, a previsão era de alta de 4% no PIB. Em janeiro deste ano, já havia recuado para 2,3%.

O FMI também cortou, de 2,8% para 2,7%, a expectativa de alta para o PIB do país em 2015.

Oferta baixa, inflação em alta

De acordo com o fundo, a economia brasileira sofre com restrições de oferta doméstica, especialmente de infraestrutura, e com um contínuo baixo crescimento do investimento privado, que se reflete na perda de competitividade e na baixa confiança dos empresários.

A inflação deste ano, segundo o FMI, deve ficar em 6,2%, perto do teto da meta do governo. Pelo sistema de metas de inflação em vigor no Brasil, o indicador pode variar entre 2,5% e 6,5%. Já o desemprego deve ter uma pequena alta, passando dos 5,4% de 2013 para 5,6% este ano e para 5,8% em 2015. 


Mundo, países e continentes

O FMI também revisou para baixo a previsão de crescimento da economia global em 2014, de 3,7% em janeiro para 3,6% no relatório divulgado nesta terça. A piora veio dos países em desenvolvimento, para os quais a expectativa caiu de 5,1% para 4,9%.

"A atividade em muitas economias emergentes desapontou em um cenário financeiro externo menos favorável, embora continuem a contribuir com mais de dois terços do crescimento mundial", diz o relatório.

Para as economias desenvolvidas, a previsão foi mantida em 2,2%.

"Um grande impulso para o crescimento global veio dos Estados Unidos, cuja economia cresceu 3,25% na segunda metade de 2013, mais forte que o esperado no relatório de outubro", aponta o FMI.

Após uma alta de 1,9% em 2013, o PIB norte-americano deve se expandir 2,8% em 2014, e 3% em 2015. Na zona do euro, a recuperação deve ganhar força, com altas de 1,2% em 2014 e 1,5% em 2015, revertendo a queda de 0,5% registrada no ano passado.

Para a China, o FMI prevê alta de 7,% no PIB este ano, desacelerando-se para 7,3% em 2015. Entre os países dos Brics (grupo de cinco países em desenvolvimento do qual o Brasil faz parte), a Rússia deve registrar o pior desempenho, com alta de 1,3% em 2014. A Índia deve crescer 5,4%, e África do Sul, 5,3%.
Na América do Sul, o crescimento do Brasil em 2014 deve ser maior apenas que o da Argentina (0,5%) e o da Venezuela (-0,5%). O Peru deve liderar a alta na região, com 5,5%. A estimativa é que, juntos, os países sul-americanos cresçam 2,3% este ano.

Extraído de www.oglobo.com.br


quinta-feira, 3 de abril de 2014

Copom sobe juros para 11% ao ano, acima do nível do início do governo

Taxa avançou 0,25 ponto, na nona alta seguida, em linha com previsões.
Dilma Rousseff destacou, no passado, queda do juro e pressionou bancos. 



Preocupado com a persistência da inflação em patamares mais altos, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (COPOM) subiu  a taxa básica de juros da economia brasileira pela nona vez seguida. A Selic passou de 10,75% para 11% ao ano – uma alta de 0,25 ponto percentual, em linha com o consenso das apostas do mercado financeiro.

Com o novo aumento, os juros ficaram acima do patamar vigente no início do governo Dilma Rousseff, em 2011 – quando estavam em 10,75% ao ano. Assim, todo corte dos juros feito pelo BC no governo da presidente (a taxa chegou à mínima histórica de 7,25% ao ano, entre outubro de 2012 e abril do ano passado) não só foi "devolvido", como superado. A taxa Selic vem subindo desde abril de 2013. 



A subida dos juros vai na contramão de uma das principais marcas do governo Dilma Rousseff na área econômica: mesmo defendendo o controle da inflação, a presidente destacou, por diversas oportunidades nos últimos anos, a queda dos juros básicos, e também pressionou os bancos a reduzirem suas taxas aos consumidores.

A expectativa dos economistas dos bancos é de que a elevação dos juros de hoje não seja a última do ano. A previsão é de, pelo menos, mais um aumento em 2014 – para 11,25% ao ano.

Ao fim do encontro, o BC divulgou a seguinte frase: "O Copom decidiu, por unanimidade, neste momento, elevar a taxa Selic em 0,25 p.p., para 11,00% a.a., sem viés. O Comitê irá monitorar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária".

Metas de inflação

Pelo sistema de metas que vigora no Brasil, o BC tem de calibrar os juros para atingir as metas pré-estabelecidas, tendo por base o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para 2014 e 2015, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Deste modo, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.

Nos quatro últimos anos, o IPCA oscilou ao redor de 6% - distante da meta central de 4,5% e mais próximo do teto do sistema de metas de 6,5%. Em 2010, a inflação somou 5,91%, passando para 6,5% em 2011, para 5,84% em 2012 e para 5,91% no ano passado.

Para este ano, o Banco Central estimou, na semana passada, por meio do relatório de inflação, que o IPCA fique entre 6,1% e 6,2%. O valor é menor do que a expectativa do mercado financeiro, para quem a inflação deverá somar 6,3% em 2014.

Inflação resistente

No fim de março, o BC avaliou, por meio do relatório de inflação do primeiro trimestre deste ano, que, apesar da "moderação observada na margem" (últimos resultados), a elevada variação dos índices de preços ao consumidor nos últimos doze meses "contribui para que a inflação ainda mostre resistência, que, a propósito, tem se mostrado ligeiramente acima daquela que se antecipava".

O BC também avaliou que uma "fonte relevante de risco para a inflação reside no comportamento das expectativas de inflação, impactadas negativamente nos últimos meses.

pelo nível da inflação corrente, pela dispersão de aumentos de preços e pelas incertezas que cercam a trajetória de preços com grande visibilidade, como o da gasolina e os de alguns serviços públicos, como eletricidade".

A autoridade monetária também subiu, no fim de março, de 4,5% para 5% sua projeção para os chamados "preços administrados" - que contemplam, entre outros, ônibus interestaduais, energia elétrica residencial, água, planos de saúde, serviços farmacêuticos e telefonia e gasolina - neste ano. Em 2013, os preços administrados subiram bem menos: 1,5%.

Para economistas, governo está preocupado com teto de 6,5%

O professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Pedro Raffy Vartanian, observou que o Banco Central apontou, em seu último relatório de inflação, as consequências dos efeitos climáticos sobre os preços dos alimentos e da energia ao mesmo tempo que destacou os efeitos defasados da política monetária (alta dos juros) sobre a inflação.

"Pressões inflacionárias decorrentes do setor de serviços e do preço dos alimentos que podem contaminar as expectativas de inflação exigirão uma política monetária contracionista [altas de juros] para evitar que a inflação ultrapasse o teto da meta em 2014 [de 6,5% vigente no sistema de metas]”, acrescentou o economista.

O coordenador do curso de Ciências Contábeis da Faculdade Santa Marcelina (FASM), Reginaldo Gonçalves, também avaliou que o governo está preocupado com a possibilidade de extrapolar a meta máxima de inflação de 6,5% em 2014. Por isso, segundo ele, o Copom subiu novamente os juros nesta quarta-feira.

Flavio Combat, da corretora Concórdia, observou que o impacto negativo da estiagem deve continuar prejudicando a produção agrícola nos próximos meses, diante do início do período seco - com condições climáticas que podem ser até mais adversas. Avaliou ainda que, apesar da queda recente do dólar, que favorece a dinâmica dos preços, a principal fonte de pressão por alta do dólar continua vigente: a retirada gradual de estímulos monetários nos Estados Unidos.


terça-feira, 1 de abril de 2014

Dólar opera em queda, após maior recuo mensal em 6 meses

Moeda fechou o último pregão do mês, na véspera, com avanço de 0,44%.
No mês passado, no entanto, acumulou baixa de 3,22%.

O dólar retomava a trajetória de queda ante o real hoje terça-feira (1/4) com a entrada de recursos na economia brasileira, mas o movimento era contido por dúvidas sobre a estratégia de intervenções do Banco Central.

Perto das 15h30, a moeda norte-americana tinha oscilação negativa de 0,22%, a R$ 2,2645 na venda. No mês passado, acumulou baixa de 3,22%, maior recuo mensal em seis meses. 

O dólar fechou o último pregão do mês, na véspera, com avanço de 0,44%, a R$ 2,2694 na venda.

O BC deixou de rolar alguns swaps cambiais, equivalentes a venda futura de dólares, que venceram nesta terça-feira, em meio às fortes quedas recentes da moeda norte-americana. Foi a segunda vez que rolou apenas parcialmente um lote de swaps que estava prestes a vencer desde que deu início ao programa de atuações diárias, em agosto passado.

Especialistas agora discutem até que ponto o BC tolerará a depreciação da divisa dos EUA, com alguns citando como possível piso informal o nível de R$ 2,25.

Pela manhã, a autoridade monetária deu continuidade às intervenções diárias no mercado de câmbio, vendendo a oferta total de 4 mil swaps, com volume equivalente a US$ 198,3 milhões. Foram 3,19 mil contratos para 1º de dezembro deste ano e 810 contratos para 2 de março do ano que vem.