segunda-feira, 23 de junho de 2014

Mercado reduz previsão de alta do PIB de 2014 pela 4ª semana seguida

Expectativa de crescimento para este ano cai de 1,24% para 1,16%, diz BC.
Previsão para o IPCA de 2014 fica estável em 6,46% na última semana.

A previsão dos economistas do mercado financeiro para o crescimento da economia caiu pela quarta vez seguida. Segundo o boletim Focus, feito pelo Banco Central, a expectativa é de alta de 1,16% – na pesquisa anterior, os economistas esperavam alta de 1,24% no PIB deste ano. Para 2015, a previsão recuou de 1,73% para 1,6%.

O relatório de mercado, conhecido como Focus, é fruto de pesquisa do Banco Central com mais de 100 instituições financeiras. O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o crescimento da economia.

A revisão para baixo da estimativa de crescimento do PIB após a divulgação do resultado do primeiro trimestre. No fim de maio, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a economia do país registrou expansão de 0,2% nos três primeiros meses do ano, em relação ao quarto trimestre de 2013, com destaque para o bom desempenho da agropecuária.

O aumento do PIB do país previsto para 2014 pelo mercado financeiro continua abaixo do estimado no orçamento federal, de 2,5%, e também menor que a previsão divulgada pelo Banco Central em março, de alta de 2%.

Inflação

Os analistas do mercado também mantiveram, na semana passada, em 6,46% a previsão para 2014 do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país e calculado pelo IBGE.

Com isso, o valor permanece próximo do teto de 6,5% do sistema de metas de inflação para o ano. A previsão chegou a ultrapassar o teto em abril, mas depois recuou. Para 2015, a expectativa do mercado para o IPCA subiu de 6,08% para 6,10% na semana passada. Foi a quarta elevação seguida neste indicador.

Pelo sistema que vigora atualmente no Brasil, a meta central tanto para 2014 quanto para 2015 é de 4,5%. Entretanto, há um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Desse modo, o IPCA pode oscilar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta da autoridade monetária seja formalmente descumprida.

Taxa de juros

Os analistas do mercado financeiro também mantiveram, na semana passada, a estimativa de que a taxa básica de juros (Selic) da economia brasileira ficará estável, no atual patamar de 11% ao ano, até o fechamento de 2014.

No fim de maio, a taxa foi mantida estável pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central – o que interrompeu um ciclo de nove altas consecutivas ao longo de 13 meses. Para o fim de 2015, a previsão dos analistas para o juro básico da economia permaneceu em 12% ao ano.

Câmbio, balança comercial e investimentos estrangeiros

Nesta edição do relatório Focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2014 permaneceu em R$ 2,40 por dólar. Para o término de 2015, a previsão dos analistas para a taxa de câmbio ficou estável em R$ 2,50 por dólar.
A projeção para o superávit da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações) em 2014 ficou inalterada em US$ 2 bilhões na semana passada. Para 2015, a previsão de superávit comercial permaneceu em US$ 10 bilhões.

Para este ano, a projeção de entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil permaneceu em US$ 60 bilhões. Para 2015, a estimativa dos analistas para o aporte de investimentos estrangeiros subiu de US$ 55 bilhões para US$ 55,4 bilhões.


domingo, 8 de junho de 2014

Brasileiro trabalha 151 dias para pagar imposto, que come 41,4% do salário
Todo o salário que o contribuinte receber até o fim deste mês servirá para pagar impostos. Segundo cálculos do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário), o brasileiro médio pagará de impostos neste ano o equivalente ao que ganhou durante 151 dias, ou cinco meses de trabalho (de 1º de janeiro até 31 de maio).

O IBPT também fez uma lista que mostra a quantidade de dias de trabalho necessários por ano para pagar impostos em 28 países. O Brasil aparece em oitavo lugar nessa lista.

De acordo com o presidente-executivo do IBPT, João Eloi Olenike, o brasileiro deverá destinar 41,37% do seu rendimento bruto para pagar os tributos. No ano passado, foram 41,1%.

A conta inclui todos os tributos (impostos, taxas e contribuições) cobrados pelo governo federal, Estados e municípios. São itens como Imposto de Renda, IPTU, IPVA, PIS, Cofins, ICMS, IPI, ISS, contribuições previdenciárias, sindicais, taxas de limpeza pública, coleta de lixo, iluminação pública e emissão de documentos.

Nos anos de 2013 e 2012, o brasileiro destinou 150 dias de trabalho para pagar impostos.

O estudo faz um comparativo com dezenas de países que possuem elevadas cargas tributárias. "O Brasil exige que o cidadão trabalhe mais do que os habitantes de países como a Hungria, onde são necessários 142 dias para o pagamento de impostos; a Alemanha, com 138 dias; e a Bélgica, onde a média é de 112 dias de trabalho", afirma Olenike.

A quantidade de dias trabalhados no Brasil se aproxima da Noruega, país em que o cidadão destina 154 dias de trabalho. O presidente do IBPT destaca, porém, que a população daquele país tem melhor qualidade de vida do que a brasileira.