quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Alcançando a águia: quando a China vai ultrapassar os EUA
The Economist
Há menos de dois séculos, a China era de longe a maior economia do mundo. O país era responsável por mais de 30% do PIB mundial em 1820, de acordo com as estimativas de Angus Maddison, economista já falecido. Essa parcela diminuiu no século XIX conforme a Revolução Industrial impulsionou a Europa e os Estados Unidos ascendiam. O século XX foi ainda pior para a China, trazendo a invasão, guerra civil e a implementação do comunismo.
Graças a furiosos 35 anos de reformas de mercado, é apenas questão de tempo para que a China recupere seu posto de maior economia de todas. A reportagem publicada na revista The Economist - “O que a China deseja” - defende que o país almeja também o respeito que já lhe foi atribuído, mas não sabe como conquistá-lo. Em contraste, o caminho da China para se tornar a maior economia mundial é muito mais claro.

Em dezembro de 2010, a revista publicou um gráfico interativo que permite fazer uma previsão de quando a economia da China vai ultrapassar a dos EUA. Há muitas maneiras de se comparar economias. A tabela acima analisa o PIB dos dois países em dólares e taxas de câmbio atuais. Assim, parece que o ritmo da ascensão chinesa depende de cinco pontos: o crescimento do próprio país, o crescimento dos EUA, a evolução dos preços em cada país e a taxa de câmbio entre eles. Se os preços na China aumentarem mais rápido do que nos EUA e o iuan, a moeda chinesa, não apresentar queda, então a economia chinesa será valorizada ante a americana, ultrapassando-a mais rapidamente. 

Quando o gráfico foi apresentado pela primeira vez em 2010, foi incluído um conjunto de suposições padrão para a década seguinte. Cálculos apontaram um crescimento médio de 7,75% na China nos dez anos subsequentes, chegando a 2,5% nos EUA. Para a inflação, foi projetada uma alta média de preços de 4% na China e de 1,5% nos EUA. A publicação também projetou o iuan valorizado em 3% ao ano, em média. Com base nesse conjunto de suposições, a China ultrapassaria os EUA já em 2019*. Quatro anos já se passaram desde que esta previsão foi feita. Então, como ela se saiu? Honrando a transparência que se espera dos aspirantes a videntes da economia, a The Economist admite que errou, mas por pouco. Parece agora que os EUA serão superados dois anos depois do inicialmente previsto. 

O crescimento dos EUA ficou um pouco abaixo do esperado, mas a inflação foi mais alta, e com isso a projeção inicial para o país passou bem perto da realidade. A margem de erro deveria ser maior no caso da China, levando-se em consideração a velocidade com a qual o país tem se desenvolvido. A publicação quase acertou a previsão do crescimento, embora agora tenha revisto para 7% a expectativa de crescimento anual para o restante da década, conforme a economia amadurece. A maior surpresa foi a interrupção na valorização do iuan este ano - uma política determinada pelo governo, e não pelo mercado - e a acentuada queda na inflação com a queda nos preços do produtor. Um oscilante excedente comercial ainda aponta para um iuan fortalecido e, por isso, a projeção de uma valorização sustentada, mas essa curva ascendente deve ocorrer em saltos e choques. 

Quanto à inflação, o excesso de capacidade industrial continua a ser um problema, mas trata-se de algo que o sistema está superando gradualmente; a revista diminuiu a previsão para 3%. As expectativas da The Economist foram inseridas no gráfico acima como suposições padrão. O leitor pode mudar os cinco parâmetros de acordo com as suas próprias previsões e ver o resultado. Ao refazer os cálculos, agora parece que 2021 será o ano em que a China retomará o posto de maior economia do mundo. A revista afirma que o cálculo não é infalível. A única certeza é que arredondando as datas, a economia chinesa precisou de dois séculos para voltar ao topo do mundo. 

* Quando a tabela foi atualizada em dezembro de 2011, as mesmas suposições indicaram que a China superaria os EUA um ano antes, em 2018. Tal projeção chamou muita atenção. 

© (2014) The Economist Newspaper Limited. Todos os direitos reservados. O artigo original, em inglês, pode ser encontrado no site www.economist.com


segunda-feira, 25 de agosto de 2014

PIB - 'decifra-me ou devoro-te'

Thaís Herédia
Bem que a semana que começa nesta segunda-feira, 25 de agosto, poderia começar logo pela sexta-feira, 29. Assim não teríamos que esperar tanto tempo para saber o resultado do PIB do segundo trimestre deste ano. A economia de um país tem três posições possíveis: andando para frente, parada ou andando para trás. O que o cálculo do IBGE deve mostrar é se estamos parados ou andando para trás. O consenso dos analistas diz que a trajetória é descendente e a dúvida é sobre a intensidade dessa marcha a ré.

A inflação perdeu o posto de primeiro lugar na disputa pela atenção de quem acompanha a economia brasileira. Não que ela ainda não mereça toda atenção possível, mas é que o crescimento baixo e seus efeitos no curto e no médio prazos preocupam mais. O quadro de estagflação (economia parada com inflação alta) está mais evidente, mesmo que ele ainda não se imponha como uma chaga que vai adoecer o Brasil por muito tempo. Esse cenário tende a ser circunstancial e conjuntural: as eleições têm um papel importante no desenho dessa conjuntura.

Junto com o PIB estão caindo a produtividade, a competitividade, os investimentos e, como consequência inevitável, a capacidade do país se reerguer mais forte e mais equilibrado depois da tormenta. Essa força de recuperação está sendo minada pela má condução da política econômica meio atropelada, meio duvidosa, nada tranquilizadora.

A semana também promete dados importantes no “meio do caminho” até o PIB. Saberemos o resultado das contas públicas de julho que, pelo andar - de ré da carruagem da arrecadação, deve mostrar aumento da fragilidade na gestão do cofre nacional. Principalmente no item “superávit primário”, que deve fechar metade do ano longe da meta de poupança nos gastos comprometida pelo governo para o pagamento dos juros da dívida pública.

Enquanto os dias forem passando à espera do PIB,  a Fundação Getúlio Vargas vai soltar as pesquisas de confiança dos consumidores, da construção, da indústria, dos serviços e do comércio. A sondagem feita pela instituição mede o grau de confiança desses agentes todos com relação ao presente e ao futuro. O indicador já está no nível mais baixo desde 2009. Esse patamar é outra sinalização contundente de que estamos andando para trás.

A travessia desse “deserto” de indicadores econômicos termina finalmente na sexta-feira, quando o país vai estar frente a frente com a “Esfinge” do IBGE e de lá ouviremos a voz misteriosa: “Decifra-me ou devoro-te.”

Extraído do Blog da Jornalista Thaís Herédia.


terça-feira, 19 de agosto de 2014

As diferenças entre as políticas econômicas dos períodos FHC e Lula-Dilma
Prof. Antônio José Alves Junior
Chefe do Departamento de Relações
 com o Governo do BNDES
Graças às estratégias adotadas no período 2003-2014, atravessamos a maior crise internacional desde os anos 1930 empregando políticas anticíclicas que nos garantiram a continuidade da distribuição de renda, a criação de empregos e a manutenção dos investimentos.
No período 2003-2014, a economia brasileira gerou mais de 18 milhões de empregos formais, a desigualdade da distribuição de renda foi reduzida, o consumo das famílias aumentou, o investimento também cresceu e as reservas internacionais aumentaram na ordem de dez vezes.
A despeito desse desempenho, críticos aos governos Lula e Dilma os acusam de não terem dado continuidade às reformas liberalizantes e de terem abandonado as políticas ditas responsáveis.
Para eles, o baixo crescimento dos últimos três anos é sinal de que o atual modelo, baseado no “consumismo” e no “dirigismo”, estaria se esgotando.
E, o que seria pior, arriscando as bases econômicas sólidas, construídas por meio da introdução de reformas da década anterior. O Brasil estaria dando um passo para trás no desenvolvimento.
Curiosamente, muitas análises descartam a Grande Recessão Mundial em que vivemos.
Não é difícil pinçar artigos que, para testar relações entre variáveis, utilizam metodologias sofisticadas lado a lado a crenças de que “a crise de 2008 não afetou as economias emergentes” ou que “foi rapidamente superada”. E, com base nessa miopia analítica, afirmam que as estatísticas de crescimento brasileiras são decepcionantes.
O fato é que, quando examinados em perspectiva, os mesmos dados demonstram que o Brasil foi muito bem-sucedido diante da economia mundial e das economias avançadas desde 2003, período em que foram colocadas em prática as políticas distributivistas e o papel do Estado foi fortalecido.
Os gráficos abaixo comparam a evolução do PIB mundial, das economias avançadas e do Brasil, no período das reformas liberais (1990-2002) e no atual (2003 em diante). Tornando o PIB real dessas economias, no início de cada período igual a 100, fica evidente que o Brasil perdeu espaço na economia mundial no “período liberal”.
Precisamente o oposto do que se desejava e previa. Esperava-se que o engate do Brasil na economia global pela adesão ao consenso de Washington seria o caminho mais óbvio para o desenvolvimento. Não obstante, testemunhou-se o contrário.
 
Observa-se que, no “período liberal”, a economia brasileira conseguiu acompanhar a economia mundial apenas entre 1992 e 1997, período de crescente liquidez na economia internacional.
Quando ocorreu a crise da Ásia, ficou evidente que a tentativa de se enganchar na economia mundial pela via da liberalização e do enfraquecimento do Estado resultou em fragilidade financeira externa. A economia nacional ficou à deriva, frustrando aqueles que acreditavam ser esse o caminho para desenvolvimento.
A utopia liberal se revelou uma miragem. A estratégia adotada de se acoplar na economia mundial resultou em perdas de graus de liberdade para a política econômica.
As crises internacionais, ao longo desse período, afetaram pesadamente a economia brasileira. Não por causa das crises propriamente, com potencial destrutivo muito menor do que a quebra do Lehmann, em 2008, mas porque as repercussões locais foram exacerbadas.
De um lado, a fragilidade financeira externa do País não nos dava proteção quanto a choques. De outro, as políticas de austeridade adotadas no País provocaram desemprego e atrasaram o crescimento.
Para piorar, o racionamento de energia elétrica de 2000/2001, fruto do abandono do planejamento do setor elétrico que nos deixou fragilizados diante da escassez de chuvas, mais uma vez atrasou o crescimento.
De 2003 em diante, a lógica da política mudou. Sem provocar ruptura institucional ou econômica, o governo aproveitou a fase ascendente do ciclo internacional para aumentar os graus de autonomia de política econômica.
Essa estratégia foi articulada em três frentes. A primeira foi baseada na intensa acumulação de reservas internacionais para mitigar a fragilidade externa que, com frequência, assombrava o País, interrompendo ciclos de crescimento.
A segunda consistiu no fortalecimento do mercado interno. Os programas de transferência de renda, dentre eles, o Bolsa Família, a política de recuperação do salário mínimo e a ampliação do crédito pessoal fortaleceram o consumo na economia.
Por último, a política de fortalecimento dos investimentos, com programas como o PAC, o Minha Casa Minha Vida, e o Programa de Sustentação do Investimento do BNDES, tornou o investimento mais robusto, contribuindo para reforçar a demanda e ampliar a capacidade produtiva.
O Brasil aproveitou a onda das commodities para aumentar seu raio de manobra em relação à economia mundial.
Graças a essa estratégia, atravessamos a maior crise internacional desde os anos 1930 empregando políticas anticíclicas que nos garantiram a continuidade da distribuição de renda, a criação de empregos e a manutenção dos investimentos, além de um desempenho superior ao das economias avançadas e alinhado à economia mundial.
O sucesso dos últimos anos não foi um golpe de sorte nem a perseguição de uma miragem. Também não foi a solução de todos os problemas. Mas aumentou a capacidade do País de enfrentar os grandes desafios da modernização do sistema produtivo, do fortalecimento da infraestrutura econômica e social e do avanço na inclusão social. De continuar caminhando.
 Antonio José Alves Jr. É Professor do Departamento de Economia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Intenção de consumo das famílias cai 2,1% 

Na comparação com julho, índice ficou quase estável.
Resultado fez entidade revisar para 4% expectativa de vendas do varejo.

As famílias brasileiras estão pretendendo comprar menos. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a intenção de consumo teve queda de 2,1% em agosto, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Já em relação a julho de 2014, o índice ficou quase estável, com pequena elevação de 0,2%, após quedas consecutivas desde janeiro.

 “No mês passado, vários quesitos atingiram o mínimo da série. Então, é natural que não tenha tido uma queda tão brusca. Não significa [o resultado] uma recuperação na confiança, mas um momento de indiferença”, explicou a economista do CNC Juliana Serapio.

Em julho, o item de consumo de bens duráveis teve a maior queda na comparação anual (-13,4%) e registrou novamente o menor patamar da sua série histórica. Segundo Juliana, na ocasião, o comportamento refletiu o encarecimento do crédito. “A taxa de juros para pessoas físicas atingiu, em sua última divulgação, o maior valor desde julho de 2011”, concluiu Serapio.

A análise do acesso ao crédito apresentou o menor  nível da série histórica, queda de 2,8% na variação mensal, e recuou de 3,9% em relação ao mesmo período do ano passado, informou a CNC.

Expectativa do varejo
O resultado fez a confederação revisar mais uma vez para baixo a expectativa de vendas no varejo de 4,5% para 4%. Em julho, houve revisão de 4,7% para 4,5%. Ainda de acordo com a economista, a expectativa da CNC para o ano é que a intenção de consumo das famílias se mantenha estável.

“Nesse último dado do IPCA [inflação oficial do país], a gente teve deflação tanto nos alimentos quanto desaceleração dos serviços, que são dois grupos muito pesados para as famílias. O principal que deve ser visto é o comportamento do dólar, porque ele está sendo administrado através de swaps cambiais [permuta de taxa de variação cambial por taxa de juros pós-fixados]. Caso haja algum choque que não possa ser contornado, esse dólar possivelmente mais alto pode afetar a inflação. E esse é um risco que a gente não consegue medir tanto”, concluiu.

Emprego

Ainda de acordo com a confederação, componentes que formam a análise sobre mercado de trabalho mostraram leve elevação, 0,5% em comparação com o mês anterior. Em relação a agosto de 2013, houve queda de 2%.

A análise da perspectiva profissional teve crescimento, no entanto, de 0,8% em comparação com julho, e recuo de 3,2%, em relação a agosto de 2013. Segundo Serapio, os maiores ajustes que poderão melhorar esse resultado só deve ocorrer em 2015.

Segundo a CNC, embora o desemprego permaneça baixo, existem indícios de enfraquecimento na geração de vagas.

Cristiane Cardoso Do G1, no Rio


terça-feira, 12 de agosto de 2014

Dólar fecha em alta, mas BC vende moeda para evitar valorização maior

Ação do BC reduz influência de possível impacto da Ucrânia na economia mundial.
Moeda norte-americana subiu 0,18%, para R$ 2,2785.

O dólar fechou em alta nesta terça-feira (12), mesmo com a constante e mais forte atuação do Banco Central amortecendo os temores vindos com a crise na Ucrânia e seus possíveis impactos sobre a economia global.

A moeda norte-americana subiu 0,18%, para R$ 2,2785. 

Na semana, há queda de 0,37% e no ano, de 3,35%. No mês, a alta é de 0,38%.
"Não adianta empurrar muito o dólar para cima se você sabe que o BC está de olho", disse à Reuters o economista da área de análise da XP Investimentos, Daniel Cunha.

Alguns no mercado já identificaram o nível de R$ 2,30 como um teto informal e, quando a moeda norte-americana se aproxima dele, os investidores passam a realizar lucro. A avaliação é de que, nestes patamares, o câmbio poderia prejudicar a inflação, desagradando ao BC, que intensificou sua atuação diária no mercado nesta semana.

Há quase duas semanas o dólar tem sido negociado acima de R$ 2,25, deixando para trás o teto da banda informal de flutuação – entre R$ 2,20 e R$ 2,25 – que vigorou desde abril passado com alguns breves períodos de exceção.

Para alguns especialistas, o intervalo de flutuação pode ter mudado de patamar, indo de R$ 2,25 a R$ 2,30.

Nesta manhã, a autoridade monetária vendeu a oferta integral de até 10 mil swaps para rolagem dos contratos que vencem em setembro, no segundo leilão ofertando mais papéis. Ao todo, o BC já rolou cerca de 30% do lote total, que corresponde a US$ 10,070 bilhões.

O BC também deu continuidade às suas intervenções diárias e vendeu a oferta total de até 4 mil swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares, com volume equivalente a US$ 198,8 milhões. Foram vendidos 3 mil contratos para 2 de fevereiro de 2015 e 1 mil para 1º de junho de 2015.

Durante a manhã, o dólar chegou a registrar altas maiores, refletindo os temores ligados à crise na Ucrânia.

"O cenário tenso no exterior com certeza pesa no ânimo aqui, mesmo quando não é um dia de grandes notícias", disse à Reuters o operador de câmbio da corretora B&T, Marcos Trabbold.

A crise na Ucrânia colocou em lados opostos o Ocidente e a Rússia e já motivou sanções de ambos os lados. Nesta manhã, o instituto ZEW informou que a confiança de investidores e analistas alemães caiu ao menor nível em mais de um ano e meio, explicando que as tensões no exterior estavam provavelmente por trás do resultado.

Investidores também monitoram atentamente a situação no Iraque, onde o presidente nomeou novo primeiro-ministro na segunda-feira para substituir Nuri al-Maliki e os Estados Unidos bombardearam insurgentes do Estado Islâmico.


No exterior, essas preocupações levavam o dólar a se fortalecer contra o euro.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Inflação oficial fica em 0,01% em julho, diz IBGE

Em 12 meses, IPCA ficou em 6,5%, voltando para meta do governo.
Após Copa, passagens aéreas e as tarifas de hotéis ficaram mais baratas.

A inflação oficial do país, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou de junho para julho, passando de 0,4% para 0,01%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa é a menor taxa desde junho de 2010, quando ficou em 0. No mês seguinte daquele ano, o IPCA também registrou 0,01%.

Depois de estourar o teto da meta do governo no acumulado em 12 meses em junho – quando ficou em 6,52% – o IPCA recuou para 6,5% na mesma comparação em julho, taxa que é exatamente o teto da meta da inflação do Banco Central. No ano, até julho, o IPCA está em 3,76%.

“Foi uma forte desaceleração em relação à alta de 0,40% no mês de junho. Isso se deve praticamente, a vários grupos que caíram [variações], mas a maior desaceleração ficou com as despesas pessoais e com os transportes, porque nesses dois grupos temos itens que caíram bastante, que são de retorno da Copa do Mundo, que haviam apresentado altas variações no mês de junho”, explicou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de índice de Preços do IBGE.

Com o fim da Copa, as passagens aéreas e as tarifas de hotéis ficaram mais baratas. Depois de subirem 21,95% em junho, os preços das viagens caíram 26,86% - exercendo o principal impacto individual sobre o índice. No caso dos hoteis, as tarifas caíram 7,65%, após uma expressiva alta de 25,33% no mês anterior. Por outro lado, a energia elétrica residencial ficou mais cara de junho para julho, de 0,13% para 4,52%.

“As passagens aéreas subiram muito [em junho] por causa da Copa do Mundo e recuaram em julho. E nas despesas pessoais, foram os hotéis, que recuaram também. Na análise dos preços das passagens aéreas por região, o Rio de Janeiro se destacou com a maior queda: 38,47%. Em junho, a variação foi de 33,53%", disse.

Nos hotéis, no entanto, o Rio de Janeiro registrou variação de 3,45%, o que segurou a redução do IPCA sobre esse item, segundo Eulina. Em junho, o índice era de 43,52%. “O Rio baixou para 3,45%, mas continuou subindo. O Rio segurou à beça. Então, os preços continuam sendo sustentados pelos níveis altos da Copa”, completou.

Analisando os grupos de despesas que integram o cálculo do IPCA, o de transportes, que mostrou queda de junho para julho (de 0,37% para -0,98%), ficaram mais baratos itens como etanol (-1,55%), pneu (-1,01%), gasolina (-0,80%), automóvel novo (-0,29%), motocicleta (-0,14%) e automóvel usado (-0,09%).

No de despesas pessoais, onde estão incluídos os preços de hotéis, a variação também foi menor de um mês para o outro (de 1,57% para 0,12%), com influência da queda do custo de serviços de cabeleireiro e dos relativos a empregados domésticos.

Já no grupo de alimentação e bebidas, a queda ficou ainda maior, de 0,11% para 0,15% - resultado puxado pelos alimentos consumidos em casa. Na contramão, o consumidor pagou mais pelo leite (2,16%) e derivados como queijo (1,82%), leite em pó (0,87%) e iogurte (0,52%).

“Os alimentos também caíram nesse período. Foi umas das causas do 0,03% em julho do ano passado. A previsão é que a safra seja 2,4% maior do que ano passado, são 192 milhões de toneladas de grãos. E junto com isso, a oferta de alimentos no mundo vem aumentando. Os Estados Unidos têm anunciado produção grande, inclusive o índice de inflação de alimentos no mundo também caiu pelo quarto mês consecutivo.”

Com a chegada das liquidações às lojas do país, que fizeram os preços das roupas caírem 0,72%, o índice do grupo vestuário passou de uma alta de 0,49% para uma queda de 0,24% em julho.
"O comércio considerou que as vendas foram fracas principalmente por causa da Copa, e se diz já que as promoções começaram mais cedo do que começariam. Mal os artigos de inverno entraram no mercado, e já começou a se promover preços mais baixos”, considerou a coordenadora.

No caso do grupo relativo à comunicação, o recuo se acentuou de junho para julho, passando de -0,02% para -0,79% - isso porque as contas de telefone fixo ficaram 8,52% mais baratas.
No grupo saúde e cuidados pessoais, os preços subiram menos, de 0,60% para 0,50% e, em educação, passou de 0,02% para 0,04% - praticamente uma estabilidade.

Ficou mais caro

Se a maioria dos grupos mostrou desaceleração dos preços, os de habitação e de artigos  de residência tomaram caminho oposto, com variações passando de 0,55% para 1,20% e de 0,38% para 0,86%, respectivamente.

No primeiro caso, houve forte impacto dos preços de energia, o líder entre os impactos positivos do IPCA. Segundo o IBGE, esse comportamento é reflexo do aumento das tarifas em Curitiba, São Paulo, Recife e Porto Alegre. Dentro desse grupo, também subiram os preços de despesas com condomínio (0,95%) e aluguel (0,92%).

“Houve aumento de eletrodomésticos no período da Copa, houve a procura por geladeiras. Ouvi até falando de aumento da venda de fogão. E nos artigos de limpeza, todos os itens aumentaram”, afirmou Eulina.

Impactos futuros

Segundo Eulina, aumentos previstos para agosto podem impactar no IPCA, como o reajuste de 18% na energia elétrica em São Paulo. “São Paulo tem peso grande. Em Belém, houve reajuste de 34,41% a partir do dia 7 de agosto. Já em Vitória, o reajuste foi de 22,74% na energia elétrica e a partir de 7 de agosto."

No Rio de Janeiro, nas principais rodovias, houve aumento de 5% nos pedágios, a partir do dia 1° e em outras vias, o reajuste se dará a partir do dia 11. Também houve aumento de 6,75% no água e esgoto na capital fluminense. O reajuste de 7,30% em Fortaleza, a partir do dia 6 de julho, também pode impactar a inflação.

INPC

Também divulgado com o IPCA, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) ficou em 0,13% em julho, depois de bater 0,26% no mês anterior. No ano, a taxa está em 3,92% e, em 12 meses, de 6,33%. Em junho de 2013 o INPC havia sido -0,13%. Os produtos alimentícios caíram 0,23% em julho, e os não alimentícios, registraram alta de 0,29%.

Anay Cury e Cristiane CardosoDo G1, em São Paulo e no Rio


terça-feira, 5 de agosto de 2014

Lucro do Bradesco sobe para R$ 3,778 bilhões no 2º trimestre de 2014

Resultado é 9,7% superior ao registrado no primeiro trimestre do ano.
É o maior lucro do banco para um segundo trimestre, segundo consultoria.

O Bradesco abriu a temporada de balanços das instituições financeiras e anunciou ter registrado lucro líquido contábil de R$ 3,778 bilhões no segundo trimestre de 2014. O resultado é 9,7% superior ao verificado nos três primeiros meses do ano e 28,1% maior em comparação ao segundo trimestre de 2013.

O lucro do Bradesco é o maior da história do banco, para o segundo trimestre, de acordo com levantamento da consultoria Economatica.

No primeiro semestre de 2014, o banco apresenta lucro de R$ 7,221 bilhões, acima dos R$ 5,868 bilhões no mesmo período de 2013.

A instituição fechou o segundo trimestre com carteira de crédito (quanto pode emprestar) de R$ 435,2 bilhões, um aumento de 0,7%, influenciado pelo crescimento de 1,8% da carteira de pessoas físicas. Já as micro, pequenas e médias empresas tiveram sua participação reduzida, "devido, principalmente, ao maior ritmo de crescimento nos produtos de menor risco, ou seja, crédito pessoal consignado, financiamento imobiliário, e no segmento grandes empresas".

No 2º trimestre de 2014, a despesa de provisão para devedores duvidosos (que podem não honrar o pagamento dos seus empréstimos com o banco) atingiu R$ 3,141 bilhões, um aumento de 9,8% em relação ao trimestre anterior.

Segundo o banco, o resultado foi impactado, "em parte pela redução do nível de inadimplência ocorrido no trimestre anterior, caracterizado pela existência da sazonalidade de concentração de pagamentos de despesas de nossos clientes, que de fato não ocorreu e vieram a impactar, em parte, apenas no 2º trimestre de 2014; e pela adequação do nível de provisionamento de casos pontuais ocorridos em operações com clientes corporativos".

Quanto à inadimplência total, compreendendo o saldo das operações com atrasos superiores a 90 dias, foi registrada queda de 3,7% para 3,5%, na comparação anual. Entre as razões para esta queda, segundo o Bradesco, estão "a mudança do mix da carteira; o aprimoramento contínuo dos modelos e sistemas de concessão de crédito e o aperfeiçoamento dos modelos internos de acompanhamento de risco de crédito".